Em Assembléia Arquidiocesana em Brasília

BRASÍLIA, terça-feira, 30 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- Durante um painel de diálogo da IV Assembléia Arquidiocesana de Brasília (Brasil), ocorrida no último fim de semana, leigos com atuação na vida pública da capital falaram do papel do leigo na sociedade.

Estiveram presentes Cláudio Fonteles, subprocurador geral da República, e Ives Gandra Martins Filho, ministro do Tribunal Superior do Trabalho. O objetivo do painel foi comentar as propostas elaboradas pelos grupos de trabalho da Assembléia relacionadas ao papel do leigo dentro e fora da Igreja.

Para Ives Gandra, “cada um de nós é missionário, seja na nossa atividade profissional ou na nossa vizinhança. Como desempenhamos esse papel missionário? Levando Cristo para as pessoas. Aqui mesmo em Brasília estamos em terra de missão.”

O ministro explicou que levar Cristo aos outros significa não se fechar em si mesmo. “Primeiro precisamos cuidar da nossa vida interior. Se a gente não tem vida interior ou se não procuramos cultivar nossa vida interior, não temos o que dar.

Para mim, o fundamental é que cada um de nós procure cultivar esse contato com Deus”. Ives Gandra também ressaltou a importância do leigo testemunhar sua fé com uma conduta profissional coerente.

Sobre testemunho, Cláudio Fonteles recordou que essa palavra vem do grego e tem como significado “martírio”. No entanto, o conceito de “martírio” não é o mesmo conhecido atualmente, como algo ruim e doloroso, mas “significa aquele que adotou tão completamente uma verdade que a testemunha com tranqüilidade. Ele se expõe, ele se mostra. A idéia é essa: ser testemunho”. Cláudio Fonteles citou o exemplo dos seus discursos no Ministério Público da União, nos quais ele sempre finalizava com a expressão franciscana “Paz e Bem”. Isso acabou chamando a atenção de outros colegas de tribunal, que o procuravam para debater questões religiosas. “Testemunho é passar sua vida aos demais”, completou.

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Depois do Painel de Diálogo, Cláudio Fonteles e Ives Gandra concederam entrevista, na qual conversaram sobre o papel do leigo na luta pela defesa da vida. De acordo com Cláudio Fonteles, “o papel fundamental do leigo é se conscientizar, não se deixar levar por uma manchete, é ir além e se convencer”.

O sub-procurador citou São Lucas que diz ter visto a obra de Cristo e ter resolvido pesquisar. A partir disso, São Lucas se convenceu e passou a ter certeza do que estava falando e escrevendo. “Neste caso, é a mesma coisa. Por que defendemos a vida? Por uma reflexão profunda do significado do amor, que é Jesus e a partir de uma reflexão da origem e destino do homem, evitando, assim, uma visão acidental e superficial”, explica.

Ives Gandra ressaltou que a defesa da vida não compete apenas às autoridades públicas ou aos católicos pesquisadores. Para o ministro, qualquer leigo no exercício da sua cidadania, escrevendo para um jornal, reclamando nos órgãos públicos ou pela internet, pode exercer sua cidadania defendendo ou questionando as posições que surgem sobre a defesa da vida.

“A questão da vida não é uma questão religiosa, mas uma questão de direito natural”, explicou. “A fé e a razão são dois meios para chegar a uma mesma realidade. Através da fé nós chegamos à verdade. E com a razão demonstro com argumentos como cheguei a essa verdade. É o que fazem os pesquisadores”, concluiu.




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