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61 – A Resposta Católica: “Por que o Deus do Antigo Testamento é tão sanguinário?”

Fonte: Christo Nihil Praeponere

Como explicar ao homem moderno, cada vez mais inserido na cultura do “faça amor, não faça a guerra” e do politicamente correto, a existência nas Sagradas Escrituras de tantas passagens obscuras e difíceis por causa da violência e imoralidade nelas referidas?

Quem responde é o Papa Bento XVI, na exortação apostólica “Verbum Domini”, quando diz que “a revelação adapta-se ao nível cultural e moral de épocas antigas”, assim, as passagens que causam espanto devem ser lidas também em seu contexto histórico e sob a ótica da pedagogia divina.

Neste episódio da Resposta Católica, saberemos qual o ponto de convergência entre o Antigo e o Novo Testamento e como a Palavra se cumpre e floresce mesmo com tanto sangue derramado.

Histórico acordo entre Santa Sé e Brasil

Baseado em uma «laicidade saudável»

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 13 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- A Santa Sé e a República Federal do Brasil assinaram um acordo de amizade e colaboração nesta quinta-feira, no Palácio Apostólico Vaticano, segundo deu a conhecer a Sala de Imprensa Vaticana.

O acordo foi assinado, por parte da Santa Sé, pelo arcebispo Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados, e por parte do Brasil, por Celso Amorim, ministro de Assuntos Exteriores.

Assistiram ao ato numerosas personalidades, entre elas o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, e Dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, Dom Lorenzzo Baldisseri, núncio apostólico no Brasil, o presidente da República Federal do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, e a embaixadora do Brasil na Santa Sé, Vera Barroulin Machado.

O acordo, explica a nota vaticana, «consolida ulteriormente os tradicionais vínculos de amizade e de colaboração existentes entre ambas as partes»; está composto por um preâmbulo e 20 artigos que regulam vários âmbitos, entre eles «o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, o reconhecimento dos títulos de estudo, o ensino religioso nas escolas públicas, o matrimônio canônico e o regime fiscal». Entrará em vigor após o intercâmbio das ratificações.

No discurso de Dom Mamberti, o prelado recordou que «dois acontecimentos de particularíssima relevância marcam, nos dois últimos anos, a vida do Brasil e da Igreja Católica que vive nele».

Um deles foi a visita apostólica de Bento XVI por ocasião da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida, em maio de 2007.

No momento de sua chegada, recordou, o pontífice afirmou que o Brasil «ocupa um lugar muito especial no coração do Papa, não só porque é cristão e tem o número mais elevado de católicos, mas principalmente porque é uma nação rica de potencialidades com uma presença eclesial que é motivo de alegria e esperança para toda a Igreja».

O olhar do Santo Padre, acrescentou Dom Mamberti, estendeu-se «desde o Brasil a toda a América Latina, um continente – afirma o documento conclusivo de Aparecida – que é em si mesmo um dom entregue benevolamente por Deus, graças à beleza e fecundidade de suas terras e à riqueza de humanidade que emana de sua gente, das famílias, dos povos e das múltiplas culturas».

A segunda circunstância é precisamente a assinatura do acordo, «importante ato que se coloca no caminho desses vínculos de amizade e colaboração que subsistem há quase dois séculos entre as partes, e que hoje foram ulteriormente reforçados».

Se a constituição de 1824 imprimia ao império brasileiro um caráter «estritamente confessional», explicou o representante vaticano, as sucessivas cartas fundacionais modificaram este marco, até a vigente constituição de 1988, que assegura «por uma parte a laicidade saudável do estado e, por outra, garante o livre exercício das atividades da Igreja em todos os âmbitos de sua missão».

Como dizia o Concílio Vaticano II na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, por outro lado, «a comunidade política e a Igreja são independentes e autônomas uma da outra em seus respectivos campos. Mas as duas, ainda que de diferente maneira, estão ao serviço da vocação pessoal e social dos próprios homens. Elas levarão a cabo este serviço pelo bem de todos, de forma tanto mais eficaz quanto mais cultivem uma saudável colaboração entre elas, segundo modalidades adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar».

Através da assinatura deste acordo, observou Dom Mamberti, este marco «recebe hoje uma ulterior confirmação, de caráter jurídico e internacional».

Entre os principais elementos do texto, citou «o reconhecimento da personalidade jurídica das instituições previstas no ordenamento canônico, o ensino da religião católica nas escolas, como das demais confissões religiosas, o reconhecimento das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial, a inserção de espaços dedicados ao culto nos ordenamentos urbanos e o reconhecimento dos títulos acadêmicos eclesiásticos».

A propósito disso, o prelado constatou que «estaria fora de lugar falar de privilégios, porque não há nenhum privilégio no reconhecimento de uma realidade social de tão grande relevância histórica e atual como a Igreja Católica no Brasil, sem que isso tire nada do que se deve aos cidadãos de outra fé e de distinta convicção ideológica».

Da mesma forma, recordou «com sentido de gratidão» o papel da Conferência Episcopal Brasileira na gênese do Acordo, sublinhando que foi precisamente o episcopado brasileiro quem sugeriu em 1991 a oportunidade de estipular um Acordo internacional entre a Igreja e o Estado, impulso que levou em 2006 ao começo oficial das negociações.

Neste contexto, Dom Mamberti augurou que o texto «possa o quanto antes entrar em vigor e contribuir, como está em suas finalidades, não só para consolidar os vínculos entre a Santa Sé e o Brasil e favorecer cada vez mais o desenvolvimento ordenado da missão da Igreja Católica, mas também para promover o progresso espiritual e material de todos os habitantes do país e colaborar, enquanto for possível, na solução dos grandes problemas que hoje preocupam a humanidade».

«Grande negócio, grande farsa»

Carta do arcebispo de Pamplona (Espanha) sobre «O Código da Vinci»

PAMPLONA, domingo, 21 de maio de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a carta pastoral que difundiu no sábado o arcebispo de Pamplona e bispo de Tudela (Espanha), Dom Fernando Sebastián Aguilar, acerca do livro e filme ? recém-estreado ? «O Código da Vinci».

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GRANDE NEGÓCIO, GRANDE FARSA

Pode parecer duro demais, mas me parece rigorosamente exato. Primeiro foi o livro com seus 40 milhões de exemplares vendidos. Agora será o filme com não sabemos quantos expectadores. Detrás de tudo, um produto literalmente modesto e cientificamente nulo, apoiado em uma grande montagem propagandista. Falo de O Código da Vinci. Como vocês vêem.

Contudo, fica por explicar o por que desse êxito. Grande parte do êxito se deverá ao lançamento, sem dúvida, que foi multimilionário. Mas há razões mais profundas. Dan Brown utiliza a força que tem a pessoa de Jesus Cristo na consciência de milhões de pessoas, inclusive além das fronteiras da Igreja, para aproveitá-la em favor de sua obra e de seu negócio. Constrói uma novela meio policial, meio ficção, com aparência de investigação histórica.

Ao longo do escrito, acusa a Igreja de ter manipulado a história de Jesus em favor de seu próprio interesse. Quando é ele quem faz exatamente isso. Se essa obra se tivesse apresentado como uma obra de literatura ficção a propósito de Jesus, poderíamos discutir o bom gosto do autor ao tirar sarro do personagem que para os cristãos é sagrado, mas não poderíamos denunciar o escrito como falso nem como farsa. Porém, o autor apresenta sua obra como fruto de longos e profundos estudos históricos, atribuindo às suas afirmações um valor científico e histórico que não tem desde nenhum ponto de vista. Há dados históricos inegáveis, mas com eles, e outras muitas coisas que são meras fábulas, compõe um conjunto do estilo dos livros de cavalarias.

O conjunto de personagens que apresenta e a descrição de instituições que manipula, ou são inteiramente realidades de ficção, ou vêm descritas de maneira que não respondem à realidade. A tese central da novela é dizer que o cristianismo é falso porque é criação de uns homens sem escrúpulos que inventaram seus dogmas fundamentais no século ÎV para dominar os estímulos do império. O autor diz contar a verdadeira história de Jesus como um personagem, sem nenhum sinal nem pretensão de divindade, morto como os demais homens, que viveu, casado com Maria Madalena, com a qual teve vários filhos dos que procedem alguns grupos misteriosos e truculentos que são pura invenção sua.

Para apoiar sua tese, utiliza um método muito simples. Nega validez às fontes históricas do cristianismo, desconhecendo todos os estudos sobre a historicidade dos evangelhos, a análise crítica de seu texto, a fidelidade na conservação dos textos originais, etc. e a confere a outros escritos muitos mais tardios, de comprovada falta de rigor histórico, afetados pelas doutrinas de grupos dissidentes e heréticos, e completa o produto incorporando outras afirmações truculentas que são puras lendas medievais e às vezes invenções totalmente impossíveis por graves alterações históricas e afirmações arbitrárias.

Suas afirmações sobre Madalena, os conflitos desta com Pedro, os filhos de Jesus, as lutas da Igreja contra eles e a pretensão do Opus [Dei] de acabar com os últimos descendentes de Jesus, são uma mistura de tópicos, aproveitando a morbosidade dos mitos do momento, que não tem valor histórico nenhum. Como pôde inventar Constantino a divindade de Jesus, quando nos séculos I, II e III haviam morrido tantos mártires por professar sua divindade e esperar a ressurreição? Estamos no gênero de Amadis de Gaula.

Muita gente nos pergunta o que nós, cristãos, podemos pensar sobre tudo isto. Eu o vejo da seguinte maneira:

1.Os cristãos não devem assustar-se por semelhante bagulho. Não diz nada sério que possa questionar nenhuma das bases históricas do cristianismo cientificamente estabelecidas. Não há razão para ficar nervosos, nem para sentir sequer curiosidade. Considerado em si mesmo, não vale a pena levar a sério. Sua força está na propaganda, na morbosidade que desperta na fraqueza de muitas consciências. Quem quer ficar sabendo algo sobre Jesus é melhor que leia os evangelhos.

2.Tampouco devemos deixar-nos ganhar pela morbidez de seu atrativo. Quem quer ler a obra ou ver o filme que o faça, sem credulidade, sem deixar-se levar infantilmente pela morbidade da apresentação, com uma certa distância crítica. Certamente, quem vir este filme ou ler esta obra com fruição, terá que reconhecer que não anda muito claro em sua fé, se é que a tem, nem anda tampouco forte em sabedoria. O europeu que queira libertar-se de suas origens cristãs, ver-se-á aliviado por este gênero de literatura que busca desprestigiar os fundamentos históricos e a validez religiosa e humana da tradição cristã. A verdade é que este estilo de obras é pouco sério e não consegue tocar as bases históricas e científicas de nossa fé. Deixando de lado que a fé religiosa é algo mais que a certeza que podem produzir os dados históricos e as argumentações racionais.

3.Para os que não tenham alguma razão especial, como pode ser, sua responsabilidade como críticos ou educadores, a melhor postura é o desinteresse. Não vale a pena. Não oferece nada sério nem bem fundamentado. Nem como história nem como arte.

Vocês não perceberam como, desde há algum tempo, cada três ou quatro meses, sai alguma obra que ?vai comover as bases da Igreja católica?? Mas continuamos aqui. A Igreja está edificada sobre a pedra firme que é Cristo, de modo que os poderes do inferno não poderão prevalecer sobre ela.

Deus tira bens dos males, e escreve certo em linhas tortas. Este livro deplorável despertou a curiosidade de muitos e nos oferece uma ocasião excelente para explicar aos cristãos, e aos não cristãos, as verdadeiras origens históricas do cristianismo, as fontes documentais do conhecimento de Jesus, de sua vida e de sua mensagem, e explicar como foram os primeiros anos da vida da Igreja e a expansão da fé cristã pelo mundo conhecido. Esta é agora nossa missão. Podemos nos animar a ler algum livro, ou a buscar na Internet uma informação séria e fidedigna sobre a pessoa de Jesus, sobre o Deus Pai do qual veio a dar testemunho para nossa iluminação e salvação. E conhecer melhor a natureza e a missão desta humilde Igreja nossa, feita de santos e pecadores, que nos conservou fielmente a memória de Jesus, de sua mensagem e de seu testemunho. Ela nos ajuda a viver como pessoas livres, filhos de Deus e cidadãos do Céu. Por tudo isso, damos muitas graças a Deus.

Pamplona, 20 de maio de 2006.

+Fernando Sebastián Aguilar
Arcebispo de Pamplona e Bispo de Tudela

Esclarecimentos sobre o "Código da Vinci"

A difusão do livro “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, e do filme baseado sobre a obra, tem suscitado em muitas pessoas perplexidades, dúvidas e confusão a respeito de algumas verdades fundamentais da fé cristã referentes a Jesus Cristo e à Igreja.

A CNBB, consciente de sua responsabilidade em relação à defesa da verdadeira fé da Igreja, vem a público para prestar alguns esclarecimentos.

Não devemos esquecer que a obra em questão é de ficção e não retrata a história de Jesus, nem da Igreja. Não se pode atribuir verdade às afirmações claras ou veladas do autor. O que é fantasia deve ser lido e entendido como fantasia. As únicas fontes dignas de fé sobre a vida de Jesus e o início da Igreja são os textos do Novo Testamento, da Bíblia. A história da Igreja, depois dos apóstolos, está retratada em obras de caráter histórico, cujas afirmações são respaldadas pelo rigor do método histórico.

Alertamos, portanto, que a obra, no seu gênero fantasioso, apresenta uma imagem profundamente distorcida de Jesus Cristo, que está em contraste com as pesquisas e afirmações de estudiosos de diversas áreas das ciências humanas, da teologia e dos estudos bíblicos, ao longo de dois mil anos de história do cristianismo.

É lamentável que a obra, com roupagem pseudo-científica, se ponha a versar de maneira leviana e desrespeitosa sobre convicções tão sagradas para os cristãos. Muitos cristãos sentem-se feridos em sua fé e nas convicções que lhes são profundamente caras. Outras pessoas são induzidas à dúvida sobre verdades da fé pregadas pela Igreja, desde sua origem, e transmitidas de geração em geração, com zelosa fidelidade à doutrina dos apóstolos. Ainda outras são levadas, inclusive, a levantar suspeitas sobre a honestidade da Igreja nas afirmações de fé sobre Jesus Cristo, seu divino fundador.

Diante disso, afirmamos, com toda convicção, que a Igreja, de forma alguma, ocultou no passado, nem oculta no presente, a verdade sobre Jesus Cristo e sobre a origem dela própria. A Igreja não pode deixar de afirmar o sagrado patrimônio das verdades a respeito de Jesus Cristo e sobre si mesma, que ela recebeu dos apóstolos.

Convidamos todos a lerem os Evangelhos e demais textos do Novo Testamento da Bíblia, para encontrarem aí a imagem de Jesus Cristo, assim como é anunciada pela pregação da Igreja desde as suas origens. Por outro lado a leitura de algum bom livro de história da Igreja – e existem muitos! – poderá ajudar a conhecer a verdade histórica sobre a Igreja, que não é oculta nem subtraída ao conhecimento de quem quer que seja.

Cardeal Geraldo Majella Agnelo
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Presidente da CNBB

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