Igreja no Brasil celebra Dia Nacional da Juventude

SÃO PAULO, domingo, 22 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Os jovens buscam modelos e referências. Essa busca é uma grande oportunidade de colocá-los em contato com o modelo supremo, Jesus Cristo.

Essa é umas das linhas de orientação que se desprendem do estudo “Evangelização da Juventude”, texto escrito a partir das discussões da 44ª Assembléia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), realizada em Itaici (São Paulo), de 9 a 17 de maio de 2006.

Antes de se tornar um documento oficial, este texto, impresso pela Editora Paulus, circula na comunidade eclesial, especialmente entre os jovens, para passar por uma reflexão mais aprofundada e ampliada.

As orientações da CNBB para a evangelização da juventude ganham voz especial neste domingo, ocasião em que a Igreja no Brasil celebra justamente o Dia Nacional da Juventude.

O texto do organismo episcopal afirma que, com criatividade pastoral, «é importante apresentar Jesus Cristo dentro do contexto em que o jovem vive hoje e como resposta às suas angústias e aspirações mais profundas».

«Um Jesus que caminha com o jovem, como caminhava com os discípulos de Emaús, escutando, dialogando e orientando.»

O próprio texto da CNBB lança luzes sobre o contexto de incertezas e dificuldades em que vive o jovem hoje no Brasil.

O recenseamento geral da população feito em 2000 revelava que no Brasil havia 34 milhões de jovens, considerando a faixa etária entre 15 e 24 anos. O número se elevava a 47 milhões de jovens se se considerasse também a faixa dos 25 aos 30 anos de idade.

Segundo afirma o estudo da CNBB, «a maioria dos 34 milhões de jovens brasileiros representa um dos segmentos populacionais mais fortemente atingidos pelos mecanismos de exclusão social».

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O censo de 2000 revelava que a maioria dos jovens brasileiros, 56,7%, vivia em famílias que tinham uma renda per capita mensal menor do que um salário mínimo (pouco menos de 170 dólares americanos hoje). Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que o desemprego atinge cerca de 20% dos jovens.

O texto da CNBB afirma que, entre os principais problemas que os jovens enfrentam hoje, estão a disparidade de renda, o acesso restrito à educação de qualidade e frágeis condições para a permanência nos sistemas escolares, o desemprego e a inserção no mercado de trabalho.

Há ainda o envolvimento com drogas lícitas (álcool, tabaco) e ilícitas, a gravidez na adolescência, a violência no campo e na cidade, a intensa migração, as mortes por causas externas (homicídio, acidentes de trânsito e suicídio), o limitado acesso às atividades esportivas, lúdicas e culturais.

Diante de todo esse quadro de adversidades é que o episcopado propõe a formação do jovem que seja discípulo de Jesus, pois o «discípulo se compromete com coerência de vida e ação na transformação dos sistemas políticos, econômicos, trabalhistas, culturais e sociais que mantêm na miséria espiritual e material milhões de pessoas em nosso continente».

O jovem, recorda o episcopado, é convidado por Jesus, assim como todo cristão, a ser discípulo. «O convite é pessoal: Vem e segue-me (Lc 18,22).»

E «quem se torna discípulo de Jesus transforma-se em portador de sua mensagem», ou seja, em missionário de seu amor.

«O encontro com Jesus não é algo abstrato. É necessário mostrar aos jovens os lugares e os momentos concretos nos quais é possível encontrá-lo.»

Estes lugares são «a Sagrada Escritura; a Liturgia, sobretudo a Eucaristia; a comunidade reunida em seu nome, os irmãos e irmãs, especialmente os mais necessitados, nos quais Jesus Cristo está misteriosamente presente», escrevem os bispos.

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