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Dies irae: uma meditação sobre o fim dos tempos

Fonte: Padre Paulo Ricardo

Versão áudio

A partir da reforma ocorrida após o Concílio Vaticano II, a última semana do ano litúrgico tem como hino facultativo do Ofício das Leituras, das Laudes e das Vésperas um antigo hino medieval, de autoria atribuída a Tomás de Celano. Trata-se do famoso Dies Irae. Antes da reforma litúrgica, o hino fazia parte da Missa de Requiem: era a sequência que se meditava antes do Evangelho. Embora tenha sido retirada do Ofício dos Fiéis Defuntos pelo conselho de reforma litúrgica de Annibale Bugnini, o hino expressa com validade e profundidade riquíssima aquilo que as Sagradas Escrituras falam sobre o Juízo Final e as últimas realidades escatológicas.

Este belo hino ganhou uma composição musical fantástica de Wolfgang Amadeus Mozart, que pautou boa parte de sua obra pela teologia católica. No decorrer desta aula ao vivo, é apresentada a execução do Dies Irae pelo maestro britânico John Eliot Gardiner01.

A expressão Dies irae (“dia da ira”) é extraída da Bíblia: “Esse dia será um dia da ira, dia de angústia e de aflição, dia de ruína e de devastação; dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de névoas espessas, dia de trombeta e de alarme, contra as cidades fortes e as torres elevadas”02.

A “ira” de Deus consiste em uma expressão do seu amor, em uma forma de recordar aos homens que suas ações têm consequências. Faz parte da pedagogia de Deus corrigir o homem, enquanto se encontra neste mundo, a fim de que se salve. Infelizmente, tem quem teime em encaixar a ira divina apenas no Antigo Testamento, acabando por cair no erro do heresiarca Marcião, cuja doutrina gnóstica distinguia o “deus” da lei judaica do “deus” do Novo Testamento. Ora, é evidente que, para os cristãos, que “veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus”03, não há diferença alguma entre o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó e o Deus que se revelou em Jesus Cristo. “Por isso a sã doutrina cristã sempre recusou qualquer forma emergente de marcionismo, que tende de diversos modos a contrapor entre si o Antigo e o Novo Testamento”04.

Canta o hino: “Dies irae, dies illa / solvet saeclum in favílla, / teste David cum Sibýlla – Dia da ira, dia aquele / O mundo se dissolve em cinza, / Como foi atestado por Davi e pela Sibila”. “Como foi atestado por Davi”, quer dizer, como foi confirmado pelo próprio Velho Testamento; “e pela Sibila”, isto é, até mesmo as religiões pagãs reconheceram a existência deste “dia final”. Ninguém ignora a existência do fim dos tempos.

Quantus tremor est futúrus, / quando iudex est ventúrus / cuncta stricte discussúrus! – Quanto tremor acontecerá, / Quando o juiz vier / Para tudo julgar estritamente!”. Narra o Evangelho que “os homens desmaiarão de medo e ansiedade, pelo que vai acontecer no universo”05. Nestes primeiros versos, o Dies Irae canta justamente este aspecto terrível do Juízo: o tremor das criaturas diante d’Aquele que é o Rei de todo o universo.

Na peça de Mozart, neste momento, o barítono (aquele com a voz mais grave) imita o som da trombeta, da qual fala São Paulo a Tessalônica: “Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu…”06: “Tuba mirum spargens sonum / per sepúlcra regiónum, / coget omnes ante thronum – A trombeta espalhando o som admirável / Pela região dos sepulcros, / Leva todos diante do trono”.

Segue-se, então, a ressurreição dos mortos07: “Mors stupébit et natúra, / cum resúrget creatúra / iudicánti responsúra – A morte e a natureza se espantarão, / Quando a criatura ressurgir / Respondendo ao que irá julgar”. Aqui, Tomás de Celano utiliza-se de uma prosopopeia: ele dá características humanas à morte e à natureza, que “se espantarão” diante da ressurreição dos mortos, diante da glorificação daquela matéria sobre a qual dominava a concupiscência. Iudicánti responsúra: os mortos levantar-se-ão à simples voz do Juiz, para respondê-Lo prontamente.

Liber scriptus proferétur, / in quo totum continétur / unde mundus iudicétur – Será trazido um livro escrito, / No qual tudo está contido / A partir do qual o mundo será julgado”. Trata-se, por assim dizer, da memória de Deus, o “livro da vida” do qual fala o livro do Apocalipse: “os mortos foram julgados conforme o que estava escrito nesse livro, segundo as suas obras”08. Este é o acusador diante do tribunal de Deus: os nossos atos e omissões.

Iudex ergo cum sedébit, / quicquid latet apparébit; / nil inúltum remanébit – Quando o juiz então se sentar, / Tudo o que está escondido aparecerá; / Nada permanecerá sem vingança”. Quando Deus se sentar em Seu trono, tudo aquilo que permanecia oculto será revelado. Tudo aquilo que de bom e ruim os homens realizaram será colocado às claras. Para os eleitos, isto será motivo de grande júbilo; para os condenados, porém, de grande vergonha.

Deus fará justiça: a maldade e o pecado serão, enfim, derrotados. Isto deve ser motivo de grande consolação. O importante é que, na hora de condenação, quando a morte e o mal forem precipitados no inferno, nós não estejamos apegados a eles e venhamos também a ser lançados no fogo. Deus ama o homem, e é precisamente por amá-lo que virá com uma espada para separá-lo pecado, a fim de que ele possa entrar no Céu.

Quid sum miser tunc dictúrus, / quem patrónum rogatúrus, / cum vix iustus sit secúrus? – O que então eu miserável direi, / A quem clamarei como advogado, / Quando nem mesmo o justo estiver seguro?”. Naquele dia, “nem mesmo o justo” estará seguro. Isto não significa que quem já foi salvo, após o juízo particular, corre o risco de condenar-se. Este verso quer mostrar, antes, a condição miserável de todas as criaturas diante da majestade divina, a pequenez de todos os homens – até os mais santos – na presença de Deus.

Surge, então, o advogado da humanidade, o “mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo”09: “Rex treméndae maiestátis, / qui salvándos salvas gratis, / salva me, fons pietátis – Rei de tremenda majestade, / Que salvar de graça os que devem ser salvos / Salva-me, ó fonte de piedade”. Mozart coloca, aqui, toda a potência do coro, para cantar a majestade de Deus. É uma entrada triunfal e majestosa para um “Rei de tremenda majestade”. Contrastando com esta ostentação surge o último verso: “Salve-me, ó fonte de piedade”. A voz humilde e contrita deste verso expõe a confiança que perpassa toda a letra e composição deste hino. O mesmo que virá julgar todos os povos é o advogado, aquele que os defenderá. Brota, então, do coração humano, uma profunda esperança: “Recordáre, Iesu pie, / quod sum causa tuae viae, / ne me perdas illa die – Recorda-te, ó Jesus piedoso / Que sou a causa de teu peregrinar, / Não me percais naquele dia”.

Quaerens me sedísti lassus, / redemísti crucem passus; / tantus labor non sit cassus – Ao me buscar sentaste cansado, / Redimiste sofrendo a cruz; / Tanto sofrimento não seja em vão”. Para implorar a misericórdia de Jesus, o réu recorre não aos méritos que ele porventura possua, mas aos méritos de Cristo Crucificado; ele pede que todo o Seu suplício neste mundo não seja desperdiçado.

Iuste iudex ultiónis, / donum fac remissiónis / ante diem ratiónis – Justo juiz de vingança, / Concede o dom da remissão / Antes do dia da prestação de contas”. Agora, a invocação tem como finalidade pedir a remissão dos pecados antes do dia do Juízo e, em última instância, antes da própria morte, já que, como ensina o Catecismo, “a morte é o fim (…) do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece (…) para decidir seu destino último”10. O pedido é feito com confiança na misericórdia de Deus, à qual o homem entrega toda a sua miséria e indignidade: “Ingemísco tamquam reus, / culpa rubet vultus meus; / supplicánti parce, Deus – Eu gemo como um réu, / A culpa torna meu rosto vermelho; / Ó Deus, tem piedade do que suplica”.

Qui Mariam absolvisti / et latrónem exaudísti, / mihi quoque spem dedísti – Tu que absolveste Maria, / E ouviste o ladrão, / Também a mim deste esperança”. A reforma litúrgica trocou o verso Qui Mariam absolvisti por Peccatrícem qui solvísti (“Tu que absolveste a pecadora”) por uma questão simplesmente exegética, já que os estudiosos contemporâneos tendem a não identificar Maria Madalena como a mulher adúltera do Evangelho11. O pecador lembra ao Senhor a sua piedade para com esta mulher e para com o bom ladrão, tendo esperança que também ele seja absolvido, ainda que sua prece seja indigna: “Preces meae non sunt dignae, / sed tu, bonus, fac benígne / ne perénni cremer igne. / Inter oves locum praesta / et ab haedis me sequéstra, / státuens in parte dextra – Minhas preces não são dignas, / Mas tu, ó bondoso, age benignamente / Que eu não queime no fogo eterno. / Concede um lugar entre as ovelhas / Rapta-me do inferno, / Colocando-me do lado direito”.

Os versos finais do hino Dies Irae retratam, por fim, a sentença do Juízo Final: “Confutátis maledíctis, / flammis ácribus addíctis, / voca me cum benedíctis – Refutados os malditos, / Entregues às chamas ardentes, / Chama-me com os benditos”. As palavras duras da letra só não são mais severas que as indicações do próprio Jesus: “Ele se voltará (…) para os da sua esquerda e lhes dirá: ‘Retirai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos'”12. Quem acoima este belo hino medieval de “quadrado” ou supersticioso, na verdade, perdeu de vista o próprio fio pelo qual Cristo conduz toda a pregação da boa nova: a salvação daqueles que fazem a Sua vontade e o eterno castigo daqueles que a rejeitam obstinadamente.

Oro supplex et acclínis, / cor contrítum quasi cinis, / gere curam mei finis – Suplicando e inclinado eu peço, / Com o coração contrito como cinza, / Cuida de meu fim”. O réu pede a Jesus que cuide do seu destino e fá-lo “com o coração contrito como cinza”, isto é, com o coração macerado, à semelhança de um vaso quebrado e pisoteado a ponto de tornar-se pó. Eis a bela figura que expressa a condição com a qual o homem deve apresentar-se diante de Deus.

Enfim, chega-se à conclusão do canto, que finda com um lamento, com um luto: “Lacrimósa dies illa, / qua resúrget ex favílla / iudicándus homo reus. / Huic ergo parce, Deus. / Pie Iesu Domine, / dona eis requiem. Amen – Lacrimoso aquele dia, / No qual ressurgirá das cinzas / O homem réu a ser julgado. / Tem dele piedade, ó Deus, / Piedoso Senhor Jesus, / Dá-lhes o repouso. Amém”.

Cantando este belo hino – acompanhado pela composição majestosa de Mozart –, o homem é colocado diante do Deus justo e misericordioso, tão bem representado no ícone do site Padre Paulo Ricardo. “Reúnem-se num só rosto, de forma paradoxal, as duas formas de Deus nos amar: a compaixão e a ira”13. “A misericórdia, porém, triunfa do juízo”14.

Vídeo recomendado

  1. Trecho do filme “Amadeus” que ilustra a composição do Réquiem de Mozart

Referências

  1. Mozart – Requiem & Mass in C Minor (1991)
  2. Sf 1, 15-16
  3. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 123
  4. Papa Bento XVI, Exortação Apostólica Verbum Domini, n. 40
  5. Lc 21, 26
  6. 1Ts 4, 16
  7. Ibidem.
  8. Ap 20, 12
  9. 1Tm 2, 5
  10. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1013
  11. Cf. Jo 8, 1-11
  12. Mt 25, 41
  13. Azevedo Jr., Paulo Ricardo de. Um olhar que cura. São Paulo: Editora Canção Nova, 2008. p. 15.
  14. Tg 2, 13

A Importância da Oração e Meditação

A Importância da Oração e Meditação

Oração

Quem não reza, se condena!
Em primeiro lugar, Deus nos faz conhecer, por este meio, o grande amor que nos tem.Quer maior prova de amizade uma pessoa pode dar a seu amigo do que lhe dizer: pede-me o que quiseres e de mim receberás?Ora, é justamente isso que o Senhor nos diz: “Pedi e vos será dado, buscai e achareis”.Por isso mesmo, a oração se torna poderosa junto de Deus para nos alcançar todos os bens.A oração tudo pode, quem reza alcança a Deus o que quer. “Bendito seja Deus que não rejeitou minha oração, nem retirou de mim a sua misericórdia”.Diz Santo Agostinho: “Quando percebes que não te falta a oração, fica sossegado, pois a misericórdia de Deus não te faltará”.E São João Crisóstomo disse: “Sempre se alcança, até mesmo enquanto estamos rezando”.Quando pedimos ao Senhor, já antes de terminados de pedir, ele nos dá a graça que suplicamos.

Se portanto, somos pobres, queixemo-nos só de nós mesmos.Somos pobres porque assim o queremos e por isso não merecemos compaixão.Que compaixão pode merecer um mendigo, que tendo um patrão muito rico prefere ficar na sua miséria só para não pedir o que lhe é necessário?Deus está pronto a enriquecer todos os que lhe pedem: “É Rico para todos que o invocam”.
A prece humilde consegue tudo de Deus.Saibamos também que ela nos é útil e mesmo necessária para nossa salvação.Para vencermos as tentações temos necessidade absoluta da ajuda de Deus.Algumas vezes, em tentações mais fortes, a graça suficiente que Deus não nega a ninguém, poderia bastar para resistirmos ao pecado.Mas, devido às nossas más tendências, ela não nos bastará; necessitamos então de uma graça especial.Quem reza, alcança esta graça; quem não reza, não a consegue e se perde.

Tratando-se particularmente da graça da perseverança final, isto é, de morrer na amizade de Deus, o que é absolutamente necessário para a nossa salvação, do contrário estaremos para sempre perdidos, esta graça Deus não a dá senão a quem pede.Este é um dos motivos porque muitos não se salvam, pois são poucos os que cuidam de pedir a Deus a graça da perseverança final.(Santo Afonso Maria de Ligório – A Prática do Amor a Jesus Cristo).

Santa Maria Faustina Helena Kowalska, diz em seu Diário: “É pela oração que a alma se arma para toda espécie de combate.Em qualquer estado em que se encontre, a alma deve rezar. – Tem que rezar a alma pura e belaporque de outra forma perderia a sua belezadeve rezar a alma que está buscando essa purezaporque de outra forma não a atingiriadeve rezar a alma recém-convertidaporque de outra forma cairia novamentedeve rezar a alma pecadora, atolada em pecadospara que possa levantar-se.E não existe uma só alma que não tenha a obrigação de rezar, porque toda a graça provém da oração“.(Santa Faustina kowalska – Diário)

Meditação

Diz São João Gerson que quem não medita as verdades eternas não pode, a não ser por milagre, viver como cristão.A razão é que, sem meditação, não há luz e se caminha na escuridão.As verdades da fé não se enxergam com os olhos do corpo, mas com os olhos da alma, quando nosso espírito as medita.Quem não faz meditação sobre as verdades eternas, não pode vê-las e por isso anda no escuro, facilmente se apega às coisas sensíveis e por causa delas despreza os bens eternos.Santa Teresa escreveu: “Embora pareça que não há imperfeições em nós, descobrimos grande número delas, quando Deus faz ver o nosso íntimo, o que ele costuma fazer na meditação”.São Bernardo também escreveu: “Quem não medita, não julga com severidade a si mesmo, porque não se conhece”.A oração controla nossos afetos e dirige nossos atos para Deus; mas sem oração, os afetos de nossa alma se apegam à terra, nossas ações acompanham os afetos e assim tudo acaba em desordem.

É impressionante o que se lê na vida da venerável irmã Maria Crucifixa.quando rezava, como que ouviu um demônio gloriar-se de ter feito uma religiosa deixar a meditação.Em espírito viu que, após essa falta, o demônio tentava a religiosa a cometer uma falta grave e ela já estava para consentir.Correndo depressa, chamou-lhe atenção e livrou-a da queda.Dizia Santa Teresa que quem deixa a meditação “em pouco tempo se torna um animal ou um demônio”.

Dizia São Luís Gonzaga: “Não existirá muita perfeição, se não existir muita meditação”.Reparem bem nesta frase as pessoas que amam a perfeição!
Santa Catarina de Bolonha dizia: “Quem não medita muito, fica sem o laço de união com Deus.Nesta situação não será difícil para o demônio, encontrando a pessoa fria no amor de Deus, levá-la a se alimentar com uma fruta envenenada”.

Santa Teresa também dizia: “Quem persevera na meditação, mesmo que o demônio a tente de muitas maneiras, tenho certeza que Senhor a levará ao porto da salvação…Quem não pára no caminho da meditação, chegará ainda que tarde”.Também dizia que: “O demônio se esforça muito em afastar a pessoa da meditação porque ele sabe que as pessoas perseverantes na oração estão perdidas para ele”.
… “Quantos bens se conseguem na meditação!Dela nascem os bons pensamentos, manifestam-se nossos piedosos afetos, desenvolvem-se os grandes desejos, tomam-se às resoluções firmes de se dar inteiramente a Deus.Dessa maneira, a pessoa lhe sacrifica os prazeres terrenos e todos os desejos desordenados.

Na Oração nasce ainda o desejo de se retirar à solidão ficar a sós com Deus, e o desejo de conservar o recolhimento interior nas ocupações externas e necessárias.Disse “ocupações necessárias”, isto é, seja por causa da direção da família, seja por causa dos próprios deveres, ou dos trabalhos exigidos pela obediência.Mesmo assim pessoas de oração devem amar a solidão e não se dissipar em ocupações extravagantes e inúteis; do contrário, perderão o espírito de recolhimento, este grande meio de manter a união com Deus: “És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa”.Nossa alma, esposa de Jesus Cristo, deve ser um jardim fechado a todas as criaturas, não admitindo outros pensamentos e ocupações que não sejam de Deus ou para Deus.Os corações dissipados não se tornam santos.

Os santos que se dedicam a conquistar pessoas para Deus, não perdem o recolhimento mesmo entre as canseiras da pregação, do ouvir confissões, do reconciliar inimigos, do assistir os doentes.O mesmo acontece com aqueles que se dedicam ao estudo.Quantos estudam muito e se esforçam para se tornar sábios e acabam não se tornando nem sábios nem santos.A verdadeira sabedoria é a sabedoria dos santos: “Saber amar a Jesus Cristo.O amor de Deus traz consigo a ciência e todos os bens: “Com ela me vieram todos os bens”, isto é, com a caridade.Quem deixa a oração por causa do estudo não busca a Deus, mas a si mesmo.

O maior mal além disso é que sem meditação não se reza.Dizia o bispo de Osma, João Palafox: “Como podemos conservar a caridade, se Deus não nos dá a perseverança?Como o Senhor nos dará a perseverança, se não a pedimos?Como a pediremos sem oração?Sem oração não existe comunicação com Deus, para se manter a vida cristã”.De fato quem, não faz meditação enxerga pouco as necessidades de sua alma, não conhece bem os perigos a que se expõe para se salvar, nem os meios que se deve usar para vencer as tentações.Assim conhecendo pouco a necessidade da oração, deixará de rezar e certamente se perderá.(A prática do amor a Jesus Cristo, Sto. Afonso Maria de Ligório)

Então amados irmãos e irmãs, vejam o que as Sagradas Escrituras nos diz:
“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram” (Hb 11,6)
Então é preciso procurar a Deus!Mas aonde?Como chegar até Ele?
São Padre Pio de Pietrelcina nos ensina que: “Nos livros procuramos o conhecimento de Deus; na oração encontramos Deus vivo.A oração é a melhor arma que temos, é a chave do coração de Deus”.
É na oração que encontramos o Nosso Deus!
Deus quer que o busquemos sempre, por isso Ele nos Diz:
É necessário orar sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1)
Porque meus irmãos e irmãs, orando nós nos afastamos do mal e nos aproximamos do nosso Bem Absoluto que é Deus.Pois sem ele não há vida “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1,3).Sem Ele nós não somos nada, pois ele mesmo nos diz: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).E como podemos observar não há possibilidade de permanecer em Cristo sem oração!

Então o que rezar?
Vejamos o que os Papas disseram:

Papa São Pio X: “O rosário é a mais bela e a mais preciosa de todas as orações à Medianeira de todas as graças: é a prece que mais toca o coração da Mãe de Deus.Rezai-o todos os dias”.

Papa Beato João XXIII: “Como exercício de devoção cristã, entre os fiéis de rito latino,… o Rosário ocupa o primeiro lugar depois da Santa Missa e do Breviário, para os eclesiásticos, e da participação nos Sacramentos, para os leigos” (Carta apostólica Il religioso convengno de 29 de setembro de 1961).

Papa Paulo VI: “Não deixeis de inculcar com toda a diligência e insistência o Rosário Marial, forma de oração tão grata à Virgem Mãe de Deus e tão freqüentemente recomendada pelos Romanos Pontífices, pela qual se proporcional aos fiéis o mais excelentes meio de cumprir de modo suave e eficaz o preceito do Divino Mestre: “Pedi e receberei, buscai e achareis, batei e abrir-se-á (Mt 7,7)” (Encíclica Mense maio de 29 de abril de 1965).

Papa João Paulo II: “O Rosário, lentamente recitado e meditado, em família, em comunidade pessoalmente, vos fará penetrar pouco a pouco, nos sentimentos de Jesus Cristo e de sua Mãe, evocando todos os acontecimentos que são a chave de nossa salvação” (Alocução de 6 de maio de 1980)

Papa Pio XII: “Será em vão o esforço de remediar a situação decadente da sociedade civil, se a família, princípio e base de toda a sociedade humana, não se ajustar diligentemente à lei do Evangelho.E Nós afirmamos que, para desempenho cabal deste árduo dever, é sobretudo conveniente o costume do Rosário em família.
….De novo, pois, e categoricamente, não hesitamos em afirmar de público que depositamos grande esperança no Rosário de Nossa Senhora como remédio dos males do nosso tempo” (Encíclica Ingruentium malorum de 15 de setembro de 1951).

Papa Pio XI: “O Rosário é “uma arma poderosíssima para pôr em fuga os demônios…Ademais, o Rosário de Maria é de grande valor não só para derrotar os que odeiam a Deus e os inimigos da Religião, como também estimula, alimenta e atrai para as nossas almas as virtudes evangélicas” (Encíclica Ingravescentibus malis de 29 de setembro de 1937)

Papa Bento XV: “A Igreja, sobretudo por meio do Rosário, sempre encontrou nela (em Maria), a Mãe da graça e a Mãe da misericórdia, precisamente conforme tem o costume de saudá-la.Por isso, os romanos Pontífices jamais deixaram passar ocasião alguma, até o presente, de exaltar com os maiores louvores o Rosário mariano, e de enriquecê-lo com indulgência apostólicas”.(Encíclica Fausto appetente de 29 de junho de 1921).

Papa Beato Pio IX: “Assim como São Domingos se valeu do Rosário como de uma espada para destruir a nefanda heresia dos albigenses, assim também hoje os fiéis exercitados no uso desta arma, que é a reza cotidiana do Rosário, facilmente conseguirão destruir os monstruosos erros e impiedades que por todas as partes se levantam” (Encíclica Egregiis de 3 de dezembro de 1856).

Papa Leão XIII: “Queira Deus, é este um ardente desejo Nosso, que esta prática de piedade retome em toda parte o seu antigo lugar de honra!Nas cidades e nas aldeias, nas famílias e nos locais de trabalho, entre as elites e os humildes, seja o Rosário amado e venerado como insigne distintivo da profissão cristã e o auxílio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência” (Encíclica Jucunda semper de 8 de setembro de 1894).

E não podíamos de deixar de acrescentar uma fala de São Luís Maria Grignion de Montfort sobre o Santo Rosário:
Dizia ele:”Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e quão magnânimo é ao recompensar os que trabalham para pregá-lo, estabelecê-lo e cultivá-lo. Recitado enquanto são meditados os mistérios sagrados, o Rosário é manancial de maravilhosos frutos e depósito de toda espécie de bens. Através dele, os pecadores obtêm o perdão; as almas sedentas se saciam; os que choram acham alegria; os que são tentados, a tranqüilidade; os pobres são socorridos; os religiosos, reformados; os ignorantes, instruídos; os vivos triunfam da vaidade, e as almas do purgatório (por meio de sufrágios) encontram alívio. Perseverai, portanto, nessa santa devoção, e tereis a coroa admirável preparada no Céu para a vossa fidelidade“.(Tratado Da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem)

Como podemos observar a prática de oração que os Romanos Pontífices e os santos nos orientam é o Santo Rosário.Rezai com fé e sem pressa de terminar.Pois como dizia o Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja, em seu livro a Prática do amor a Jesus Cristo.A Paciência é o princípio da Perfeição!

Agora já sabemos o que rezar!Mas o que vamos meditar?Nesse assunto nos socorre Santo Afonso Maria de Ligório.

“Quanto ao que meditar, não há assunto mais útil do que as verdades da vidaa morte, o julgamento, o inferno e o céu.Devemos meditar especialmente na morte, imaginado estarmos enfermos para morrer numa cama, com o crucifixo nas mãos e próximos a entrar na eternidade.Mas, principalmente para quem ama a Jesus Cristo e deseja crescer no seu santo amor, não existe meditação mais útil do que a Paixão do Redentor.‘O Calvário é a montanha das pessoas que amam’.Quem ama a Jesus Cristo sempre faz sua meditação sobre esta montanha, onde não se respira outro ar senão o amor de Deus.Vendo um Deus que morre por nosso amor e porque nos ama – ‘amou-nos e se entregou por nós’ – é impossível não o amar intensamente.Das chagas de Jesus Crucificado saem continuamente flechas de amor que ferem os corações mais duros.Feliz aquele que faz continuamente nesta vida a sua meditação sobre o monte Calvário!Montanha feliz, amável, querida, quem se afastará de ti?Desprendendo fogo, abrasas as pessoas que moram permanentemente sobre ti!“. (Prática do amor a Jesus Cristo).

Como sabemos a Santa Missa é o Sacrifício de Cristo no Calvário, então é na Santa Missa que encontramos com o cheiro do amor exalado no calvário.É o momento mais oportuno para nós meditarmos a Paixão de Nosso Senhor!Termino com as palavras de São Padre Pio de Pietrelcina, que responde a uma pergunta de um entrevistador.Pergunta o entrevistador: Padre, como devemos assistir à Missa?Responde o santo:”Como assistiam no Calvário Nossa Senhora e São João, renovando a fé, meditando na Vítima que se oferece para nós.Nunca deixa o altar sem derramar lágrimas de arrependimento e amor a Jesus.Escutem a Virgem que vos fala e vos acompanhará“.

Não é a toa que o Grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório nos ensina em um de seus livros.
“Diz São Boaventura: “Se quereis progredir no amor de Deus , meditai todos os dias a Paixão do Senhor.Nada contribui tanto para a santidade das pessoas como a Paixão de Cristo“.E dizia já Santo Agostinho: “Vale mais uma lágrima derramada ao lembrar da Paixão, do que o jejum a pão e água em cada semana“.É por isso que os santos se ocuparam tanto em meditar as dores de Cristo.”
São Francisco de Assis tornou-se um grande santo com esse meio.Um dia, foi encontrado chorando e gritando em alta voz.Perguntaram-lhe o porquê.
-“Choro as dores e as humilhações do meu Senhor.O que mais me faz chorar é que os homens, por quem ele sofreu tanto, vivem esquecidos dele“.Dizendo isso, soluçava mais ainda ao ponto de também cair em prantos a pessoa que o interrogava.Quando ouvia o balido de um cordeiro, ou de outra coisa que lhe lembrava Jesus Sofredor, vinham-lhe as lágrimas.Estando doente, alguém o aconselhou a ler um livro piedoso.Ele respondeu: “Meu livro é Jesus Crucificado“.Por isso é que exortava seus confrades a pensar sempre na paixão de Jesus Cristo.”Quem não se enamora de Deus, vendo Cristo morto na cruz, não se abrasará jamais“. (Santo Afonso Maria de Ligório – Prática do amor a Jesus Cristo)

Rezem, Meditem e vão à Santa Missa e que Deus os abençoe!!!

Fonte: O Segredo do Rosário

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