Tag: Vaticano (Página 1 de 26)

Prefeito da Liturgia do Vaticano pede neste Advento que todos sacerdotes e bispos celebrem a missa “ad orientem” e fiéis ajoelhem-se para a Comunhão

Queridos padres, devemos ouvir novamente o lamento de Deus proclamado pelo profeta Jeremias: “eles voltaram suas costas para mim” (2:27). Voltemo-nos novamente para o Senhor!

John-Henry Westen – LifeSiteNews | Tradução Sensus fidei: LONDRES, 05 de julho de 2016 (LifeSiteNews) – Falando em uma conferência sobre a liturgia em Londres ontem (dia 4 de julho de 2016), o Cardeal Robert Sarah, a mais alta autoridade sobre o assunto na Igreja Católica sob o Papa Francisco, pediu a todos os bispos e sacerdotes para que adotem a antiga postura na Missa, onde o sacerdote se volta para o tabernáculo, juntamente com a congregação, em vez de permanecer de frente para o povo. Ele pediu que a postura seja adotada para o Advento deste ano, que começa em 27 de novembro. Durante o mesmo discurso, Cardeal Sarah encorajou todos os católicos para que recebam a Comunhão de joelhos. Durante sua conferência, o prefeito da liturgia do Vaticano revelou que o Papa Francisco lhe pediu para “continuar o trabalho litúrgico iniciado pelo Papa Bento.”

O anúncio foi imediatamente reconhecido pelo vice-editor Dan Hitchens do Catholic Herald como “o maior anúncio litúrgico desde o motu proprio Summorum Pontificum de Bento XVI em 2007, dando maior liberdade para os sacerdotes para celebrar a Missa Tradicional em latim.”

Observadores do Vaticano estão particularmente chocados de que o Papa Francisco, considerado por muitos como um liberal, tenha incentivado uma abordagem mais litúrgica tradicional. No entanto, o cardeal Sarah disse: “Nosso Santo Padre Francisco tem o maior respeito pela visão litúrgica e medidas do Papa Bento”.

O bispo francês Dominique Rey, presente na conferência, assumiu o pedido do Cardeal Sarah sem hesitação, prometendo, pelo menos, começar a implementar a mudança em sua diocese para o Advento. Rey, Bispo de Fréjus-Toulon, dirigiu-se ao Cardeal Sarah na conferência, dizendo: “Em resposta ao seu apelo gostaria de anunciar, agora, que, certamente, no último domingo do Advento deste ano em minha celebração da Santa Eucaristia na minha catedral, e em outras ocasiões, conforme apropriado, deverei celebrar ‘ad orientem’ — voltado para o Senhor que vem”. Dom Rey acrescentou: “Antes do advento eu enviarei uma carta aos meus sacerdotes e fiéis sobre esta questão para explicar a minha ação. Devo incentivá-los a seguir o meu exemplo.”

Cardeal Sarah usou o seu patrimônio africano para conduzir as coisas ao ponto certo. “Eu sou um africano”, disse ele. “Deixe-me dizer claramente: a liturgia não é o lugar para promover a minha cultura. Pelo contrário, é o lugar onde minha cultura é batizada, onde minha cultura é levada para o divino.”

Sarah sugeriu que os Padres do Concílio Vaticano II pretenderam trazer mais fiéis para a missa, no entanto, a maior parte do esforço falhou. “Meus irmãos e irmãs, onde estão os fiéis dos quais os Padres do Concílio falaram?”, Perguntou.

O cardeal continuou:

Muitos dos fiéis são agora infiéis: eles não participam todos na liturgia. Para usar as palavras de S. João Paulo II: muitos cristãos estão vivendo em um estado de “apostasia silenciosa” e eles “vivem como se Deus não existisse” (Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, 28 de junho de 2003, 9). Onde está a unidade que o Concílio espera alcançar? Nós ainda não chegamos a ela. Fizemos um progresso real em chamar toda a humanidade para o seu lugar na Igreja? Eu não acho. E, contudo, já fizemos muitíssimo pela liturgia!

Ele expressou “profundo pesar” pelas “muitas distorções da liturgia em toda a Igreja de hoje”, e propôs que a “Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.”

Um tal abuso que mencionado por ele é quando os padres “se afastam para permitir que os ministros extraordinários distribuam a sagrada Comunhão”, desde que muitos sacerdotes pensaram ser uma maneira de permitir uma maior participação dos leigos de maneira mais substancial na missa. Em vez disso, disse o cardeal Sarah, “isso é errado, é uma negação do ministério sacerdotal, bem como uma clericalização dos leigos.”

“Quando isso acontece, é um sinal de que a formação foi muito errada, e que precisa ser corrigida”, acrescentou.

Ele incentivou uma recepção generosa da Missa tradicional em latim e também incentivou as práticas tradicionais propostas anteriormente pelo Papa Bento, incluindo o uso do latim na Missa nova, ajoelhando-se para a Santa Comunhão, bem como o canto gregoriano. “Devemos cantar música sacra litúrgica não apenas música religiosa, ou pior, canções profanas”, disse ele. “O Concílio nunca teve a intenção de que o rito romano fosse exclusivamente celebrado em língua vernácula. Mas tinha a intenção de permitir a sua maior utilização, em particular para as leituras.”

Falando de ajoelhar-se para a Santa Comunhão, o prefeito da liturgia do Vaticano lembrou os sacerdotes de que eles estão proibidos de negar a comunhão aos fiéis que se ajoelham para a recepção do Sacramento. Além disso, ele encorajou todos a receber a Comunhão ajoelhados, sempre que possível. “Ajoelhar-se na consagração (a menos que estejam doentes) é essencial. No Ocidente, esse é um ato de adoração corporal que nos humilha diante de nosso Senhor e Deus. É um ato próprio de oração. Onde essa reverência e genuflexão desapareceram da liturgia, é necessário que sejam restauradas, em particular no momento da nossa recepção a Nosso Santíssimo Senhor na Sagrada Comunhão.”

Uma longa seção de sua palestra foi dedicada a conclamar os sacerdotes e bispos a celebrar a missa “ad orientem” ou, seja, com as pessoas voltadas para Nosso Senhor. Aqui estão os trechos principais:

Mesmo que eu sirva como o Prefeito da Congregação para o Culto Divino, faço-o com toda a humildade, como um padre e um bispo, na esperança de que se promova uma reflexão madura, boa formação e boas práticas litúrgicas em toda a Igreja.

Eu quero fazer um apelo a todos os sacerdotes… Eu acredito que é muito importante que nós retornemos o mais rapidamente possível para uma orientação comum, dos sacerdotes e dos fiéis voltados juntos na mesma direção — para o Leste, na direção do Senhor que vem— naquelas partes dos ritos litúrgicos quando estamos nos dirigindo a Deus… Eu acho que é um passo muito importante no sentido de garantir que, em nossas celebrações o Senhor esteja verdadeiramente no centro.

E então, queridos padres, peço-lhe para que implementem essa prática sempre que possível, com prudência e com a catequese necessária, certamente, mas também com a confiança pastoral de que isso é algo bom para a Igreja, algo bom para o nosso povo.

Vosso próprio julgamento pastoral irá determinar como e quando isso é possível, mas, talvez, a partir do primeiro domingo do Advento deste ano… pode ser um bom momento para se fazer isso. Queridos padres, devemos ouvir novamente o lamento de Deus proclamado pelo profeta Jeremias: “eles voltaram suas costas para mim” (2:27). Voltemo-nos novamente para o Senhor!

Gostaria de apelar também aos meus irmãos bispos: por favor, levem os seus sacerdotes e o povo para o Senhor, desta forma, especialmente em grandes celebrações em suas dioceses e na sua catedral. Por favor, formem seus seminaristas na realidade de que não são chamados ao sacerdócio para ser o centro de um culto litúrgico voltados para nós mesmos, mas para levar os fiéis de Cristo até Ele, como companheiros de adoração. Por favor, facilitem esta reforma tão simples, mas profunda em suas dioceses, em suas catedrais, em suas paróquias e em seus seminários.

Durante todo o discurso, Cardeal Sarah destacou a grave responsabilidade dos sacerdotes em relação a Eucaristia. “Nós sacerdotes, nós bispos temos uma grande responsabilidade”, disse ele. “Com o nosso bom exemplo construímos uma boa prática litúrgica; com o nosso descuido ou má conduta prejudicamos a Igreja e a sua Sagrada Liturgia! “

Ele advertiu seus colegas sacerdotes, “Tenhamos cuidado com a tentação da preguiça litúrgica, porque é uma tentação satânica.”

Publicado originalmente: LifeSiteNews – Vatican Liturgy Chief asks all priests and bishops to face east for Mass, faithful to kneel for Communion

Papa Francisco recebe Angelina Jolie no Vaticano

Papa Francisco recebe Angelina Jolie no Vaticano

ROMA, 08 Jan. 15 / 10:37 pm (ACI).- O Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais (PCCS), informou através de sua conta oficial no Twitter que o Papa Francisco recebeu no dia 8 de janeiro no Vaticano a atriz Angelina Jolie.

“É uma honra ter sido convidada ao Vaticano por causa do meu filme, além disso, também é um tributo à história que conto, ‘Unbroken’ (Invencível), que fala de um herói, Louis, um grande exemplo da força do perdão”, explicou em uma nota oficial Angelina Jolie, conforme informou a agência Ansa.

A atriz chegou à Santa Sé na manhã de hoje para apresentar o seu novo filme, Unbroken, projetado na Casina Pio IV do Vaticano, e onde também esteve presente Luke Zamperini, o filho de Louis Zamperini, cuja história é retratada no filme.

A apresentação também foi assistida por Dom Guillermo Karcher, cerimonialista pontifício da Santa Sé e pelo Presidente da Pontifícia Academia das Ciências, Dom Marcelo Sánchez Sorondo.

O filme narra a história do atleta Zamperini, campeão olímpico dos Estados Unidos e herói da Segunda Guerra Mundial, que durante uma missão militar, teve um acidente no Oceano Pacífico, do qual sobreviveu junto com dois companheiros.

Os náufragos passaram 47 dias à deriva em uma balsa, porém, foram capturados por soldados japoneses que os torturaram e os mantiveram como prisioneiros durante dois anos. Louis morreu com 97 anos.

Jolie assegura ter descoberto a Deus durante a gravação de ‘Unbroken’ graças à inspiração de seu protagonista e, embora não se declare seguidora de alguma religião, afirmou que admira o Papa Francisco.

O trailer do filme Unbroken pode ser visto aqui:

Papa: razões religiosas não justificam perseguição em Iraque e Síria

Ante a Assembleia Geral da ONU, na semana passada, o número dois do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, afirmou que é lícito e urgente parar os jihadistas no Iraque

O Papa Francisco criticou nesta quinta-feira os jihadistas de Iraque e Síria, afirmando, sem citá-los, que nenhuma razão religiosa, política ou econômica justifica a perseguição diária sofrida por “centenas de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes” naqueles dois países.

Segundo um comunicado da Santa Sé, o sumo pontífice assistiu à abertura de uma reunião de três dias com embaixadores do Vaticano em todo o Oriente Médio. O objetivo é examinar a situação criada com o avanço do grupo Estado Islâmico (EI) e os ataques aéreos da coalizão internacional contra ele.

Em uma declaração ante Mar Dinkha IV, patriarca da Igreja Assíria do Oriente, o Santo Padre denunciou a perseguição diária sofrida por iraquianos e sírios.

“Quando pensamos em seu sofrimento, é preciso ir espontaneamente para além das distinções de ritos e confissões. É o corpo de Cristo que, ainda hoje, é humilhado, espancado, ferido. Não há razões religiosas, políticas ou econômicas que justifiquem o que está ocorrendo atualmente com centenas de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes”, declarou o bispo de Roma.

A Igreja Assíria é uma das mais antigas do Oriente, e está presente tanto no Iraque quanto na Síria. Mar Dinkha IV é proveniente de Erbil, uma importante cidade do Curdistão iraquiano.

Ante a Assembleia Geral da ONU, na semana passada, o número dois do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, afirmou que é lícito e urgente parar os jihadistas no Iraque. E acrescentou que qualquer intervenção deve ser feita sob a égide do Conselho de Segurança e com o beneplácito do Estado em questão.

Em 2013, a Santa Sé se opôs a uma intervenção externa contra o regime sírio de Bashar al-Assad, acusado naquele momento de utilizar armas químicas conta a população civil perto de Damasco.

No entanto, no caso do EI adotou uma atitude mais favorável a uma intervenção armada.

Fonte: Aleteia

Revista Fortune desmente mito das “Grandes riquezas” do Vaticano

A revista norte-americana Fortune, especializada em temas econômicos, desmentiu o mito das “grandes riquezas” do Vaticano, e informou que se a Santa Sé fosse uma corporação, nem sequer chegaria perto das 500 mais ricas da sua famosa lista Fortune 500.

No seu artigo intitulado “This pope means business” (“Este Papa leva a sério”), a Fortune indicou que “frequentemente é assumido que o Vaticano é rico, mas se fosse uma companhia, não chegaria nem perto da lista Fortune 500”.

A Fortune assinalou que o orçamento operacional do Vaticano é de apenas 700 milhões de dólares, e “em 2013 registrou um pequeno superávit global de 11,5 milhões de dólares”.

A revista estadunidense assinalou, além disso, que a maioria dos ativos mais valiosos do Vaticano, “alguns dos maiores tesouros de arte do mundo, são praticamente sem avaliação e não estão à venda”.

“A Igreja Católica é altamente descentralizada financeiramente. Em termos de dinheiro, o Vaticano basicamente está por conta. Essa é uma importante razão pela qual as suas finanças são muito mais frágeis e a sua situação econômica é muito mais modesta que sua imagem de luxuosa riqueza”.

O Vaticano, indicou a revista econômica, não tem acesso ao dinheiro nem das dioceses nem das ordens religiosas.

Explicou que “cada diocese”, em termos econômicos, “é uma corporação separada, com seus próprios investimentos e orçamentos, incluindo as arquidioceses metropolitanas”.

A Fortune assinalou que as dioceses de todo o mundo “mandam quantidades importantes de dinheiro para o Vaticano todos os anos, mas a maior parte deste dinheiro é destinada ao trabalho missionário ou às doações de caridade do Papa”.

O Vaticano, indicou, “paga salários relativamente baixos, mas oferece benefícios generosos de saúde e aposentadoria”.

“Os cardeais e bispos das congregações e dos conselhos muitas vezes não recebem mais de 46 mil dólares por ano”.

“Os empregados leigos do Vaticano têm emprego vitalício, e praticamente ninguém se aposenta antes da idade”, assinalou.

Fonte: ACI Digital

Por que o Papa não vende os tesouros dos Museus Vaticanos?

A arte como forma de caridade e as novidades da Capela Sistina. As palavras do diretor dos Museus Vaticanos

Mais de 7km de extensão, 5.459.000 visitantes em 2013. Entre 20.000 e 25.000 presenças por dia. São os números dos Museus Vaticanos, os mais visitados do mundo, com mais de 100.000 obras de arte.

Para além do valor artístico, histórico e cultural dos Museus, em 26 de novembro de 2006, Bento XVI escreveu que os Museus representavam uma visão heterogênea da humanidade e como instituição têm uma grande responsabilidade na difusão da mensagem cristã.

Para entrar no mérito destas palavras e aprofundar sobre o papel da arte na vida da Igreja e do homem, entrevistamos o professor Antonio Paolucci, diretor dos Museus Vaticanos desde 2007, especialista internacional em História da arte. No governo italiano ele foi Ministro para os Bens Culturais entre 1995 e 1996.

unnamed
© Sabrina Fusco / Museus Vaticanos

Por que a arte é tão importante na história da Igreja e da humanidade?
É preciso conhecer um pouco de história da Igreja para entender o que aconteceu entre o II e o III século, ou seja, nos primeiros séculos da era que nós chamamos cristã. Naquela época aconteceu algo de extraordinário e importante: diferentemente de outras religiões como o islamismo e o judaísmo, o cristianismo escolheu a figuração. Parece uma brincadeira, mas foi uma escolha carregada de futuro porque não existiria a história da arte: não existiria “Guardiões da Noite” de Rembrandt, ou “Os Girassóis” de Van Gogh, ou “O Guernica” de Picasso, se a Igreja naquela época não tivesse escolhido a figuração.

Pensemos em quanto trabalho deve ter vivido Paulo de Tarso, que conhecemos como São Paulo, judeu de lei, como quando na Primeira Carta aos Colossenses escreveu aquela frase incrível: Cristo é a imagem de Deus vivo. Um judeu ou um muçulmano diria que é uma blasfêmia. Também a Igreja teve a coragem de seguir esta linha escolhendo representar a verdade da fé e os episódios do Evangelho com as figuras, utilizando os estilos da época: o naturalismo, o ilusionismo helenístico, a arte dos gregos e dos romanos. Utilizando até mesmo as iconografias das antigas culturas e religiões, onde nos sarcófagos representavam Daniel na cova dos leões com o aspecto de Hercules: nu e vencedor, assim como o representavam os escultores da época. Pensemos em Cristo, ao qual se deu a imagem de Febo (Apolo). Utilizavam os materiais linguísticos e iconográficos da velha cultura inserindo os significados cristãos: assim começou a história da arte que chamamos de cristã, a qual produziu todas as formas de arte sucessivas. Se a Igreja de Roma tivesse feito a escolha dos muçulmanos e dos judeus, ou seja, sem os ícones, não existiria a história da arte.

E a relação entre cultura e espiritualidade?
Não existe contradição entre elas, a cultura é sempre espiritual porque envolve aquilo que não se vê e não se toca. A cultura, o pensamento, a filosofia envolvem o aspecto do homem que se relaciona com as coisas invisíveis e intocáveis: O que é o homem? Qual o seu destino? Tudo isso é espiritualidade. Ou seja, não existe competição entre a cultura e a espiritualidade. Aquilo que nós chamamos de espiritualidade não é outra coisa que uma modulação daquilo que chamamos cultura.

Como responder às pessoas que dizem que o Papa deveria vender os tesouros como estes dos Museus Vaticanos para doar o dinheiro aos pobres?
Se o Papa vendesse as obras dos Museus Vaticanos o resultado seria que os pobres estariam mais pobres do que hoje. Isso porque as pessoas que entram nos Museus Vaticanos recebem da Igreja a caridade da beleza, que é a maneira de caridade mais linda que existe. A Igreja recolheu essas obras para as pessoas através dos séculos. A caridade da beleza, este é o nosso mistério e o nosso trabalho. É um bem intangível, que não se consome e é para os homens e mulheres de hoje, e para aqueles que ainda não nasceram.

O senhor afirmou que a arte ajuda a tornar as pessoas cidadãs.
É a função civil da arte e dos museus: um italiano que vê Rafael, Michelangelo, Botticelli, chega a se orgulhar de ser italiano, por exemplo. Assim como um alemão quando vê Dürer, ou um espanhol com Velazquez. A arte é a identidade de um povo, como a língua que fala. O museu, como a escola, serve para transformar as plebes em cidadãos: serve para dar aos cidadãos o orgulho de pertencer, a consciência da própria história. Eis porque o museu e a arte antiga são um formidável instrumento de educação e de civilização.

unnamed2
© Sabrina Fusco / Aleteia

Qual é a função espiritual da arte?
A capacidade que antes de tudo a arte tem é de levar felicidade a quem a observa, ou seja, o privilégio da arte de trazer a felicidade: vendo Rafael ou Botticelli a pessoa se encanta e se alegra com aquela beleza, guarda-a na memória, no coração e pode até se emocionar. Esta é a primeira função da arte.

Depois, tudo aquilo que é a emoção diante da beleza da natureza, daarte, diante da consciência da vida, conhecimento das outras pessoas, tudo isso é espiritual. A arte é veículo destas coisas. Se você olha um quadro de Caravaggio, de Picasso, de Van Gogh, mesmo sendo de uma outra época, falam de homens e mulheres que ainda estão vivos, dão a nós sentimentos e ideias que são universais. A arte nos coloca em comunicação com a humanidade e este sentido é espiritual.

Como pode o homem de hoje, invadido pela cultura da imagem, ter dificuldade de se deixar tocar pela beleza da arte?
Vivemos na época mais iconográfica da história. Estamos imersos nas imagens, não somente a televisão, mas também as publicidades, as roupas e etc. Tudo é ícone. Tudo é imagem na civilização moderna. Talvez esse excesso de ícones, essa espécie de “tsunami” de imagens, assim como aquela das informações, paralise-nos de um certo modo, nos “intoxique”, nos sobrecarregue. A tarefa – e por isso temos cérebro – é saber escolher, selecionar imagens, assim como selecionamos informações que chegam até nós por todas as partes.

Falando de escolha, qual é a sua obra de arte preferida dos Museus Vaticanos?
Tem mais de uma, mas se eu tivesse que dizer uma, por razões pessoais e de estudo, citaria a Transfiguração, de Rafael: o quadro mais lindo do mundo, uma hipérbole. Um quadro cheio de futuro, que nos faz compreender infinitas coisas.

unnamed3
O Prof. Antonio Paolucci diante da “Transfiguração” de Rafael
Museus Vaticanos. Pinacoteca – Foto © Musei Vaticani

O senhor encontrou o Papa Francisco?
Sim, e disse a ele: “Santidade, venha ver os Museus Vaticanos”, e ele me respondeu: “Sabe diretor, agora tenho muitas coisas para fazer, mas verei”.

A Capela Sistina acolhe 20.000 visitantes ao dia, chegando a 30.000. Do ponto de vista técnico, como é preservada?
No dia 30 de outubro apresentaremos com uma convenção no Vaticano o novo sistema de ventilação, controle de humidade e da temperatura, junto ao novo sistema de iluminação. Intitulamos esta convenção: “Nova respiração e nova luz na Capela Sistina”.

A razão dessa escolha?
Antes de tudo não queremos que existam problemas de danificação, e depois porque com um novo sistema de iluminação podemos oferecer aos visitantes a melhor visualização dos afrescos de Michelangelo e não só. Porque como sabem, na capela não tem apenas Michelangelo, mas também Botticelli, Perugino, entre outros.

O senhor disse que a Capela Sistina é a “Suma Teológica do cristianismo”.
Para mim a Capela Sistina é o Catecismo da Igreja Católica feito em figura, a síntese visível da Doutrina Cristã. Os Papas quiseram dar esta função para a Capela Sistina: ser um grande livro ilustrado que conta por imagens a verdade fundamental desde a criação do homem ao Apocalipse, do Antigo Testamento ao Novo, os Profetas, enfim, tudo.

Bento XVI falou da responsabilidade da arte ao transmitir a mensagem cristã.
Para mim é um Papa inesquecível, porque em 31 de outubro de 2012 – no aniversário de 31 de outubro de 1512 quando o Papa Giulio II inaugurou a Sistina que Michelangelo tinha terminado – com uma grande sensibilidade de intelectual, para além de um Pastor, quis lembrar aquele evento. Repetiu a mesma função litúrgica celebrada por Giulio II, com os cardeais, bispos e o Magnificat cantado na Capela Sistina, fazendo um lindo discurso como teólogo, mas também como historiador que é.

[Tradução de Clarissa Oliveira. Colaboraram com este artigo Ary Waldir Ramos e Sabrina Fusco]

Fonte: Aleteia

Papa Francisco aos jovens: Não percam “muitas horas” na Internet ou com os celulares

Encontro dos coroinhas com o Papa Francisco (Foto Lauren Cater / Grupo ACI)

VATICANO, 05 Ago. 14 / 05:02 pm (ACI/EWTN Noticias).- Em um encontro realizado na Praça de São Pedro nesta terça-feira no Vaticano com 50 mil coroinhas provenientes da Alemanha, Áustria e Suíça, o Papa Francisco explicou que Deus quer pessoas que sejam totalmente livres e que sempre façam o bem, como o fez a Virgem Maria ao aceitar o plano divino e ser a mãe de Jesus.

Assim o indicou o Santo Padre no encontro com os coroinhas que participam de uma peregrinação cujo tema é “Livres! Porque é lícito fazer o bem!”, inspirado no Evangelho de São Mateus. Com eles, indica a Rádio Vaticano, o Papa rezou as vésperas e lhes dirigiu umas palavras em alemão.

“As palavras de São Paulo que escutamos, tomadas da Carta aos Gálatas, chamam nossa atenção. O tempo se cumpriu, diz Paulo. Agora Deus realiza a sua obra decisiva. Aquilo que Ele quis dizer aos homens sempre –e o fez através das palavras dos profetas–, o manifesta com um sinal evidente”.

O Papa Francisco ressaltou logo que “Deus nos mostra que Ele é o bom Pai. E como o faz? Através da encarnação de seu Filho, que se torna como um de nós. Através deste homem concreto de nome Jesus, podemos entender aquilo que Deus quer verdadeiramente. Ele quer pessoas humanas livres, a fim de que se sintam como filhas de um bom Pai”.

“Para realizar esse desígnio, Deus precisa somente de uma pessoa humana. Precisa de uma mulher, uma mãe, que coloque o Filho no mundo. Ela é a Virgem Maria, que honramos com essa celebração vespertina. Maria foi totalmente livre. Em sua liberdade disse sim. Ela fez o bem para sempre. Desta maneira serve a Deus e aos homens. Imitemos seu exemplo, se queremos saber aquilo que Deus espera de nós seus filhos”.

Perguntas

Respondendo depois a algumas perguntas dos presentes, o Papa alentou a organizar-se, programar as coisas de modo equilibrado e ressaltou que “a nossa vida é feita de tempo e o tempo é dom de Deus, portanto é necessário empregá-lo em ações boas e frutuosas”.

“Talvez muitos adolescentes e jovens percam muitas horas em coisas inúteis: chatear na Internet ou com os telefones, com as ‘novelas’, com os produtos do progresso tecnológico que deveriam simplificar e melhorar a qualidade de vida, mas que pelo contrário distraem a atenção daquilo que realmente é importante”, alertou.

O Santo Padre exortou os jovens a falarem do amor de Jesus não só em suas paróquias, mas sobretudo fora delas: “os jovens têm um papel particular, falar de Jesus a seus coetâneos não só na paróquia, mas sobretudo aos de fora. Com a sua coragem, entusiasmo e espontaneidade, podem chegar mais facilmente à mente e ao coração daqueles que se distanciaram do Senhor. Muitos adolescentes e jovens da idade de vocês têm uma imensa necessidade de ouvir que Jesus os ama e perdoa”.

O diabo e o papa Francisco

O Santo Padre e as suas constantes e explícitas referências à batalha entre o bem e o mal

“Deliver Us From Evil” [Livrai-nos do Mal] é o nome de um filme que acaba de ser lançado e cuja trama se baseia nas experiências do policial nova-iorquino Ralph Sarchie. Ao investigar uma série de crimes terríveis, o protagonista se vê envolto nos domínios sombrios do demoníaco e decide se aliar a um padre nada convencional para tentar derrotar o diabo.

Alguns críticos classificariam esta produção como mais um típico filme de terror e de exorcismo, bocejariam em gesto de desdém e mudariam de canal.

Mas eles não deveriam fazer isso.

A possessão demoníaca não é apenas real, mas, à medida que a prática do cristianismo vai minguando e o fascínio com o ocultismo vai crescendo e se expandindo, a necessidade do exorcismo se torna cada vez mais premente.

Na semana passada, a Congregação vaticana para o Clero aprovou os estatutos de uma nova organização católica, a Associação Internacional de Exorcistas. Fundada pelo famoso exorcista italiano pe. Gabriele Amorth, a Associação dos Exorcistas promove a conscientização sobre este grave problema espiritual, treina os exorcistas e realiza conferências que reúnem teólogos, médicos, psiquiatras e membros do clero.

O pe. Francesco Bamonte, exorcista da diocese de Roma, disse em entrevista ao jornal L’Osservatore Romano que a aprovação desta nova organização por parte da Santa Sé “é um motivo de alegria”. E explicou: “Deus chama alguns padres ao ministério precioso do exorcismo e da libertação, dando a eles a tarefa de acompanhar” as pessoas que precisam de atenção espiritual e pastoral específica. O ministério do exorcismo é um exercício do ministério de Cristo focado na libertação, além de ser um sinal da sua vitória sobre o mal no mundo.

Que esta nova organização precisasse da aprovação dos mais altos níveis hierárquicos do Vaticano é um sinal claro da seriedade com que a Igreja católica trata a realidade das forças demoníacas.

O ministério do exorcismo é frequentemente associado com os “conservadores” da Igreja, ao passo que os “progressistas” preferem minimizar a questão da possessão demoníaca e reduzi-la a nada mais do que epilepsia ou doença mental, por exemplo. O fato de o papa Francisco levar tão a sério o problema mostra que a realidade do mal demoníaco não pode ser limitada por rótulos.

O jornal norte-americano The Washington Post observou, em matéria recente, que o papa Francisco fala literal e abertamente sobre o diabo com mais regularidade que qualquer outro papa desde Paulo VI. Em público, Francisco já impôs as mãos e orou por um homem a respeito de quem foi divulgada a possibilidade de que estivesse possuído por demônios, embora, naturalmente, o Vaticano não tenha confirmado que fosse este o motivo da oração do papa. Francisco alerta contra o diabo regularmente nas suas homilias e discursos. Francisco abençoou uma nova imagem do arcanjo São Miguel nos jardins do Vaticano, orando especialmente pela sua proteção na batalha contra Satanás.

Durante uma homilia no último mês de abril, o papa Francisco citou seus próprios críticos, dizendo: “Mas, padre, como o senhor é antiquado por continuar falando sobre o diabo em pleno século XXI!”. O papa lembrou então aos ouvintes que eles não devem se deixar enganar pelas mentiras de Satanás. “Fiquem atentos, porque o diabo está presente”, alertou.

Francisco é muitas vezes saudado como um “papa das surpresas” e a sua crença aberta e explícita em um diabo concreto pode ser uma das suas características mais surpreendentes. Em determinados círculos modernos da Igreja, está mais em voga falar do “mal” do que de um demônio concreto. O papa Bento XVI, que foi considerado um grande conservador, tendia a se referir ao mal em termos gerais, enquanto o papa Francisco não tem qualquer embaraço em mencionar de maneira bem clara o pai da mentira, Satanás. Um entrevistado anônimo no Vaticano, citado pelo Washington Post, relata: “O papa Francisco nunca deixa de falar sobre o diabo. É constante. Se o papa Bento tivesse feito isso, a mídia o teria espancado”.

O Espírito Santo oferece à Igreja o papa certo para cada tempo. Será que o maior legado do papa Francisco pode vir a ser não a sua atitude e espírito aberto, não o seu abraço admirável à pobreza, mas sim a sua constante referência à grande batalha entre o bem e o mal?

Se as pessoas imaginam que a atividade oculta e demoníaca não é real, talvez elas devam prestar mais atenção a indícios como o aumento da violência, os jogos de vídeo game com temáticas abertamente demoníacas, os filmes e a música do tipo heavy metal e suas menções contínuas ao diabo.

Se as pessoas imaginam que quem acredita nessas coisas não deve ser levado a sério, basta mencionar a missa negra que uma seita satânica esteve a ponto de conseguir realizar nada menos que dentro do campus da Universidade de Harvard em maio passado, ou a missa negra que já está planejada e confirmada para acontecer em um espaço público do Centro Cívico da cidade norte-americana de Oklahoma no próximo mês de setembro, ou a tentativa de construir um monumento a Satanás no Capitólio da mesma cidade de Oklahoma. Embora seja fácil torcer o nariz para estas notícias tachando-as de meros golpes publicitários, elas são um lembrete de que os satanistas são bastante reais e precisam ser encarados de modo sério.

Jesus Cristo é o grande vencedor sobre o poder de Satanás. Segue-se, logicamente, que, quando a fé ativa em Cristo diminui, as forças das trevas se sentem mais fortes para atacar. Se a batalha espiritual é cada vez mais aberta, a necessidade de exorcistas e de um papa que seja “o flagelo de Satanás” se torna ainda mais real.

Se este é o caso, podemos esperar ainda mais ensinamentos do papa Francisco nos alertando contra o demônio. E, junto com o papa, todos os sacerdotes e leigos católicos também precisam se armar para a batalha do bem contra o mal.

Fonte: Aleteia

Página 1 de 26

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén