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Papa Francisco sente “urticária existencial” quando falam mal de Pio XII

Pope leads general audience in St. Peter's Square at Vatican

Isso me dá… tique-tique nervoso! Tique-tique, nervoso! Sim é isso mesmo: o Papa Francisco disse que sente coceira na alma (“urticária existencial” foi a expressão que ele usou) quando ouve alguma calúnia contra o Papa Pio XII. A delaração foi feita numa recente entrevista ao jornal “La Vanguardia”.

“Sobre este tema, o que me preocupa é a figura de Pio XII, o papa que liderou a Igreja durante a Segunda Guerra Mundial. Jogaram tudo sobre o pobre Pio XII. Mas há de se recordar que antes ele era visto como o grande defensor dos judeus. Escondeu a muitos nos conventos de Roma e de outras cidades italianas, e também na residência de verão de Castel Gandolfo. Lá, no quarto do Papa, em sua própria cama, nasceram 42 bebês, filhos de judeus e outros perseguidos ali refugiados. Não quero dizer que Pio XII não tenha cometido erros — eu mesmo cometo muitos –, mas seu papel deve ser lido segundo o contexto da época. Era melhor, por exemplo, que não falasse para que não matassem mais judeus, o que fez?

Também quero dizer que às vezes me dá um pouco de urticária existencial quando vejo que todos se põem contra a Igreja e Pio XII e se esquecem das grandes potências. Sabia que elas conheciam perfeitamente a rede ferroviária dos nazis para levar os judeus aos campos de concentração? Tinham as fotos. Mas não bombardearam essas vias de trem. Por quê? Seria bom que falássemos de tudo um pouquinho”.

– Papa Francisco. Fonte: La Vanguardia. Tradução: Fides Press.

Graças à perversidade e à imbecilidade humana, o homem que arriscou sua vida para salvar milhares de judeus ganhou a fama de conivente ou até mesmo colaborador do nazismo. Mas aos poucos, a verdade está vindo à tona (obviamente, não com o mesmo estardalhaço das “notícias” difamatórias). Essas palavras do Papa Francisco vêm reforçar alguns acontecimentos importantes a favor da memória de Pio XII:

  • O general Ion Mihai Pacepa, ex-chefe da inteligência romena, já revelou que quem planejou e acendeu o estopim da rede de difamações contra Pio XII foi a KGB, a polícia secreta da ex-União Soviética. Os anticatólicos em geral, é claro, ajudaram alegremente a espalhar aos quatro ventos a lorota plantada pelos comunistas, fazendo a mentira “virar verdade” pela força da repetição;
  • O escritor inglês John Corno Cornwell, autor do best-seller “O Papa de Hitler”, retirou as acusações que levantou contra Pio XII, em um artigo publicado por “The Economist”. Ou seja, o seu famoso livro só serve mesmo pros venezuelanos usarem como papel higiênico;
  • Rabinos importantes, como Isaac Herzog, David G. Dalin e Erich Silver já disseram estar plenamente convictos de que Pio XII salvou tantos judeus quanto pôde. Corroboram com essa ideia os historiadores judeus Pinchas Lapide e Gary Krupp;
  • Ficou provado que havia um plano de Hitler para sequestrar Pio XII. Ora, se a Igreja era conivente com o nazismo, ou sua colaboradora, porque raios os nazistas queriam sequestrar o Papa? Só imbecil pra não sacar que Pio XII era uma pedra no sapato de Hitler!

pio_xii Sobre esse último tema, os detalhes estão contados no livro “Conspiração contra o Vaticano”, de Vivian Mannheimer. No site da editora Zahar está disponível um pdf com o primeiro capítulo (clique aqui).

Jesus Cristo já havia avisado que os cristãos seriam perseguidos e caluniados por amor a Ele. Talvez não cheguemos aos pés de Pio XII, mas muitos de nós já sofremos algum tipo de hostilidade em nossos ambientes de estudo, no trabalho ou na família, por causa de nossa fé. É uma honra e um motivo de grande alegria para nós!

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Para quem quiser aprofundar seus conhecimentos sobre a ação de Pio XII na defesa dos judeus, recomendamos os artigos a seguir.

Fonte: O catequista

Houve um complô da KGB contra Pio XII?

Aclarações de Peter Gumpel, relator da causa de beatificação

ROMA, domingo, 11 de março de 2007 (ZENIT.org).- Tem tido grande repercussão as revelações do ex-general dos serviços secretos romenos, Ion Mihai Pacepa, segundo as quais a obra teatral «O Vigário» de Rolf Hochhuth, haveria sido confeccionada e utilizada pelo serviço de inteligência soviético, KGB, para desacreditar o Papa Pio XII.

As revelações do general do Estado Maior Pacepa, ex-conselheiro do presidente Nicolae Ceausescu, refugiado nos Estados Unidos, foram publicadas pela «National Review Online», uma revista eletrônica norte-americana que se ocupa da história (cf. «Moscow’s Assault on the Vatican»).

Nestas memórias, o ex-responsável dos serviços secretos romenos narra também as tentativas de infiltrar-se no Vaticano.

Entrevistado por Zenit, o padre Peter Gumpel, relator da causa de beatificação de Pio XII, a respeito da obra teatral «O Vigário» de Rolf Hochhuth, que suscitou a campanha de calúnias e descrédito sobre o pontificado do Papa Eugenio Pacelli, recorda que a obra original durava oito horas, e que segundo os críticos teatrais havia sido «evidentemente escrita por um principiante».

Para melhorar e tornar acessível sua obra saiu em ajuda de Hochhuth um hábil diretor e produtor, Erwin Piscator, que segundo o jesuíta «era declaradamente comunista. Refugiado na União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou na Alemanha e nos Estados Unidos em escritórios e universidades notoriamente filocomunistas».

O padre Gumpel, perito conhecedor do período histórico e da política da Santa Sé nesses anos, sustenta que «não há dúvida de que a redução da obra a somente duas horas e o projeto do texto com as calúnias contra Pio XII são atribuíveis à influência de Piscator».

Sobre a responsabilidade da União Soviética nesta operação, o padre Gumpel explica que «no Vaticano se sabia há muito que a Rússia bolchevique estava na origem desta campanha que buscava desacreditar Pio XII».

«Isso era confirmado pelo fato de que nos países dos comunistas depois da Segunda Guerra Mundial, “O Vigário” de Hochhuth se representava de modo obrigatório ao menos uma vez ao ano em todas as grandes cidades», acrescenta.

«Se se observam os jornais e revistas comunistas, como “Unità” na Itália e “Humanitè” na França –afirma–, é fácil constatar a grande propaganda que fizeram e fazem todavia à obra de Hochhuth. Portanto, sob esse ponto de vista, não há dúvidas a respeito da influência comunista».

«Em suma –indica–, não posso sustentar que Hochhuth fora um agente dos russos, mas que sua obra estivesse em grande medida influenciada por aquele aparato é evidente».

Segundo o padre Gumpel, graças a «O Vigário», Hochhuth tem gozado da propaganda dos comunistas, mas também dos inimigos da Igreja, e é interessante notar que sua representação foi recusada em Roma, mas também em Israel».

Sobre a credibilidade do general Ion Mihai Pacepa, Gumpel diz que «há que levar em conta que é o mais alto funcionário dos serviços secretos dos países do Leste da Europa refugiado no Ocidente, ainda que sobre muitas das histórias por ele contadas há que fazer aclarações».

Com relação aos intentos soviéticos de infiltrar agentes no Vaticano –que o ex-espião romeno diz haver alcançado com êxito–, o padre Gumpel recorda que em duas instituições da Companhia de Jesus, o Instituto Pontifício Oriental e o Colégio Pontifício «Russicum», os soviéticos «tentaram infiltrar seminaristas espiões».

«Trata-se de um assunto que conheço diretamente –narra–. Foi fácil descobri-los porque seu comportamento suscitou tantas e tais suspeitas que no final foram expulsos. Estava claro que não tinham vocação».

O padre Gumpel diz ter em contrapartida muitas dúvidas sobre os espiões soviéticos que segundo o general romeno haveriam penetrado no Arquivo Secreto Vaticano e coletado material para construir as calúnias contra Pio XII.

O padre Sergio Pagano, prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, escreveu ao padre Gumpel explicando que «no período de que fala o ex-espião romeno, os papéis de Pio XII não estavam ainda no Arquivo Secreto Vaticano. As atas que lhes interessavam se encontravam no Arquivo da Secretaria de Estado».

Nesse sentido, Gumpel explica que «quem não está especialmente informado de como funcionam as coisas no Vaticano confunde facilmente o Arquivo Secreto Vaticano e o Arquivo da Secretaria de Estado».

O padre Gumpel declara a Zenit que tais revelações «confirmam o que sabíamos há tempo». No entanto, acrescenta, «não tínhamos conhecimento do modo tão direto, explícito e concreto da maneira em que Hochhuth foi influenciado pelos soviéticos».

Na segunda parte de suas revelações o general Pacepa sustenta que se encontrou em Genebra com o então monsenhor Agostino Casaroli, futuro secretário de Estado, para facilitar um «modus vivendi» entre a Santa Sé e a União Soviética, e haveria tido inclusive uma oferta de dinheiro.

Para Gumpel, «toda esta parte é muito difícil de crer. Ainda que devo admitir que pessoalmente fui muito cético sobre a ‘Ospolitik’ e não somente pelo que sabia do mundo comunista, mas também pelo que diversos cardeais, que viviam na parte ocupada pelos russos, me haviam dito».

«Graças aos contatos diretos que tinha com os cardeais Alfred Bengsch de Berlim, László Lékai e József Mindszenty da Hungria –sublinha–, posso dizer que os três eram muito contrários à ‘Ospolitik’. Não queriam ouvir falar dela».

O padre Gumpel explica que «há que ser extremamente prudentes e tentar verificar os fatos. Há perguntas sobre as que não temos resposta. Por exemplo, quando se encontrou com Casaroli? Em que hotel? Por exemplo, ele diz que há documentos no Arquivo Secreto Vaticano, documentos escritos por quem? Dirigidos a quem? Datados quando? Que tipo de documentos?, etc.».

«Definitivamente –conclui–, há que levar em conta que os espiões devem justificar sua existência e devem dar valor também a coisas de escassa ou nenhuma importância. Muitas vezes não são sérios e em alguns casos inventam coisas…».

O fim de uma longa farsa

Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 1o de fevereiro de 2007

O ex-chefe da espionagem romena, Ion Mihai Pacepa, confessou recentemente que a onda de acusações ao Papa Pio XII, que começou com a peça de Rolf Hochhuth, O Vigário (1963), e culminou no livro de John Cornwell, O Papa de Hitler (1999), foi de cabo a rabo uma criação da KGB. A operação foi desencadeada em 1960 por ordem pessoal de Nikita Kruschev. Pacepa foi um de seus participantes diretos. Entre 1960 e 1962 ele enviou a Moscou centenas de documentos sobre Pio XII. Na forma original, os papéis nada continham que pudesse incriminar o Papa. Maquiados pela KGB, fizeram dele um virtual colaborador de Hitler e cúmplice ao menos passivo do Holocausto (leiam a história inteira aqui).

Foi nesses documentos forjados que Hochhuth se baseou para escrever sua peça, a qual acabou por se tornar o maior succès de scandale da história do teatro mundial. O dramaturgo talvez fosse apenas um idiota útil, mas Erwin Piscator, diretor do espetáculo e aliás prefaciador da edição brasileira (Grijalbo, 1965), era um comunista histórico com excelentes relações no Kremlin e na KGB. Muito provavelmente sabia da falsificação.

Costa-Gavras, o diretor que em 2001 lançou a versão cinematográfica da peça, decerto cabe com Hochhuth na categoria dos idiotas úteis. Mas o mesmo não se pode dizer de John Cornwell, que mentiu um bocado a respeito das fontes da sua reportagem, dizendo que havia feito extensas investigações na Biblioteca do Vaticano, quando as fichas da instituição não registravam senão umas poucas e breves visitas dele. Cornwell é vigarista consciente. O conteúdo da sua denúncia já estava desmoralizado desde 2005, graças ao estudo do rabino David G. Dalin, The Myth of Hitler’s Pope, publicado pela Regnery, do qual o público brasileiro praticamente nada sabe até agora, pois o livro não foi traduzido nem mencionado na grande mídia. Com a revelação das fontes, nada sobra de confiável na lenda do “Papa de Hitler”, que, no Brasil, graças à omissão da mídia e das casas editoras, tem campo livre para continuar sendo alardeada como verdade pura. Da Grijalbo nada se pode esperar. É tradicionalmente pró-comunista e nem sei se ainda existe. Mas a Imago, editora de O Papa de Hitler, parece ser honesta o bastante para reconhecer sua obrigação moral de publicar o livro do rabino Dalin. Noto, de passagem, que eu mesmo, quando li a denúncia de Cornwell, acreditei em tudo e cheguei a citá-la em artigo. Que Deus me perdoe.

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