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O Papa Francisco disse que o inferno não existe?

Por H. Walker – Ecclesia Militans

Você já ouviu dizer que o Papa Francisco planeja convocar um Terceiro Concílio do Vaticano? Ou que tenha descoberto versículos bíblicos previamente desconhecidos? Ou ainda que encara a história de Adão e Eva como apenas uma fábula? Se usa a internet ao menos esporadicamente, provavelmente sim. O problema é que nada disso é verdade.

Ainda assim, isso não impede que essas outras histórias ricocheteiam pela Internet e, em alguns casos, em fontes de notícias tradicionais. Entre as dezenas de outras histórias falsas, a mais recente propaga que o papa tenha chamado o inferno de ‘um artifício literário’ e ainda, que ele acredita que todas as religiões sejam igualmente verdadeiras.

“A igreja não acredita mais em um inferno literal, onde as pessoas permaneçam sonolentas,” Francisco teria dito em um artigo publicado no site da Chronicle Diversity, cujo criador, Erik Thorson, diz ter criado o blog “para minha própria diversão pessoal.” O texto continua, “Esta doutrina é incompatível com o amor infinito de Deus. Deus não é um juiz, mas um amigo e um amante da humanidade. Deus procura não só para condenar, mas para abraçar.”

A maré de histórias papais falsificadas subiu tão rápidamente nos últimos meses que o Conselho Pontifício para a Cultura emitiu um aviso severo em sua página de Facebook, afirmando que dezenas de fontes desconhecidas na mídia social “tentam colocar informações falsas em circulação, aproveitando-se da facilidade de “jogar a pedra e esconder a mão.”

O conselho do conselho: “Verifique as fontes oficiais de mídia do Vaticano para a confirmação das declarações  do Papa Francis.” Observações devem ser consideradas falsas se Eles não aparecem no feed do Twitter do papa, no Serviço de Informações do Vaticano, no escritório de Imprensa da Santa Sé, no site do Vaticano, na Rádio Vaticano, no jornal L’Osservatore Romano ou em outra fonte de informação oficial, disse que o conselho.

“Se as declarações atribuídas ao papa, por qualquer agência de mídia, não aparecerem na mídia oficial das fontes do Vaticano, isso significa que relatam uma informação não verdadeira”, disse o texto escrito em maísculas como que para enfatizar a importância da recomendação.

O padre jesuíta Thomas Reese, um analista sênior do National Catholic Reporter, disse que apenas alguns comentários falsos valem a pena se preocupar com.

“Existem basicamente três tipos de comentários imprecisos”, disse Reese. “Há os brincalhões, e há pessoas que simplesmente cometem erros, porque eles não compreendem bem as questões a serem discutidas. É difícil perder o sono sobre essas coisas. “Mas depois há pessoas que querem torcer ponto de vista do papa para promoverem uma nova agenda particular, e sim isso é muito problemático e repreensível”.

Falsas declarações papais remontam aos primeiros dias da igreja. Mas com a explosão das mídias sociais e blogs auto-publicados, elas têm se tornado muito mais freqüentes nos últimos anos – e especialmente nos últimos meses. E a igreja não pode mais evitar as histórias ou ignorá-los na esperança de que desaparecerão.

“O que estamos vendo é um cruzamento entre a crescente prevalência e influência dos meios de comunicação social, bem como a popularidade do papa Francis, como”, disse Michele M. Ippolito, um especialista em Vaticano que dirige o site de notícias PapalePapale Vaticano.

“Deve ser tentador para articulistas escreverem seus comentários porque gostam imagem do papa, mas ao mesmo tempo são menos encantado com algumas das coisas que ele diz”, disse Ippolito. “É como se eles gostassem do cantor, mas não a música. E esta (escrever notícias falsas) é uma maneira de aparecerem para mudar a música.”

Há pouco que possa ser feito para enfrentar o problema. Ippolito disse que o Vaticano poderia tomar medidas para tornar mais fácil e mais rápido para as pessoas verificarem a veracidade da declarações papais . Mas mesmo que o fizessem, disse ele, seria impossível acompanhar a velocidade dos meios de comunicação social.

“No momento em se nota uma declaração falsa, ela já pode ter assumido uma vida própria”, disse ele.

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“O Estado Islâmico vem do inferno”, expressa Bispo do Iraque

ROMA, 09 Set. 14 / 12:20 pm (ACI/EWTN Noticias).- “O Estado Islâmico vem do inferno, nem os demônios saberiam encontrar piores meios para fazer tanto mal às pessoas”, foram as palavras de Dom Shlemon Warduni, Bispo auxiliar de Bagdá dos caldeus para descrever as atrocidades cometidas pelos Jihadistas contra os cristãos e outras minorias no Iraque, que estão sendo decapitadas ou escravizadas por negar-se a converter-se ao Islã.

O Prelado, que participou recentemente no Meeting de Rimini, na Itália, assinalou que “o destino de todos os iraquianos é o mesmo. Todos estão inquietos, não só os cristãos, porque não há paz nem segurança há muitos anos”.

Entretanto, nos últimos meses acontece algo que “nunca pudemos nem imaginar: que estes malfeitores obrigaram aos cristãos e a todas as minorias a fugirem em massa. Os cristãos vivem em Mosul há dois mil anos”, mas já não há mais uma oração na cidade.

“Provavelmente estas pessoas (do Estado Islâmico) vêm do inferno, são piores que os demônios. Por isso gritamos em voz alta para pedir ajuda a todo mundo: aos cristãos, muçulmanos, ateus, a todas as pessoas de boa vontade. Para que nosso povo, nossos fiéis, nossos idosos, nossas crianças não sejam maltratados deste modo duro e terrível”, expressou em declarações a I Tempi difundidas em 29 de agosto.

Dom Warduni assinalou que os milhares de refugiados no Curdistão iraquiano necessitam moradia, comida, roupa e remédios. “Muitos deles dormem sob o sol com este calor terrível”.

Sobre as ações dos Jihadistas, relatou que inclusive se atreveram a “roubar os brincos de uma menina de dois anos e arrancar 15 euros da mão de uma idosa”. “Semearam o terror nos corações das pessoas. Inclusive antes que entrassem na planície de Nínive, de fato, esses povoados estavam quase todos vazios. Pedimos tantas coisas ao mundo para que os cristãos e os demais possam primeiramente viver e depois que possam fazê-lo com dignidade”, expressou.

Por isso, pediu à comunidade internacional para  impedir que os Jihadistas possam adquirir mais armas, assim como enviar uma força internacional que proteja os refugiados e a “libertar nossos vilarejos e cidades das mãos destes criminosos para devolver aos cristãos e aos membros de outras minorias”, porque o Estado Islâmico quer “nos desarraigar desta terra”.

“Todas as semanas se rezava e se celebrava a Missa em Mosul. Quantas pessoas agora choram: ‘Outra semana sem Missa, sem participar do Corpo e do Sangue de Cristo”, expressou.

Querem criar “um mundo sanguinário”

Esta foi a advertência do novo Alto Comissário para os Direitos Humanos da ONU, o jordano Zeid Ra’ad al Husein, ao referir-se à ação do Estado Islâmico.

“Como poderia funcionar no futuro um Estado takfiri? (termo que designa os extremistas sunitas) Seria um mundo violento, mal-intencionado, onde não haveria sombra nem refúgio para os que não sejam takfiri”, expressou nesta segunda-feira na abertura da 27ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra (Suíça).

Nesse sentido, assinalou que é uma “prioridade imediata e absoluta” pôr fim aos conflitos do Iraque e Síria, “onde os Jihadistas demonstraram a sua indiferença absoluta e deliberada dos direitos humanos”.

Coalizão da OTAN

Por sua parte, o presidente norte-americano Barack Obama confirmou na sexta-feira a criação de uma coalizão internacional com outros membros da OTAN para “destruir” o Estado Islâmico.

Na reunião da sexta-feira participaram, junto com os Estados Unidos e Grã-Bretanha, os ministros de Relações Exteriores da Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, França, Itália, Polônia e Turquia. Conforme se informou, a coalizão não enviaria tropas em terra, mas ajudaria os curdos e o exército Iraquiano com armas e apoio aéreo, tal como já estão fazendo alguns destes países.

Do mesmo modo, será pedido às nações da região que também participem desta luta contra os extremistas islâmicos. Outro dos objetivos da coalizão é deter a chegada de mais militantes estrangeiros ao ISIS e cortar suas fontes de financiamento.

Lúcifer e os Franciscanos

Fonte: Dominus Est

São Francisco de Assis e o diabo

Certo dia, enquanto Lúcifer, o príncipe do abismo, montado sobre um dragão alado, inspecionava o mundo sublunar para julgar por si mesmo o progresso de suas conquistas, ele ficou extremamente decepcionado, voltando, com o coração pesado, para seus Estados sombrios.

– Perdemos cotidianamente, disse ele tristemente a um dos seus fiéis. Acabo de ver uma nova ordem religiosa que nos arruinará se não ficarmos atentos com ela. Chamam-nos de Franciscanos. Filhos ardentes de um pai que nos tirou muitas almas, eles são tão humildes, tão caros aos povos, tão inacessíveis para nós, que se dormirmos, esses mendicantes esfarrapados não nos deixarão um único lugar aonde possamos aparecer. Preciso então, Asmodeu, de toda tua astúcia. Esses homens, sob sua regra santa, levam uma vida apostólica. Sua regra não foi estabelecida por uma simples inspiração do alto: O próprio Deus a ditou a Francisco. E enquanto Francisco, comovido de piedade por seus sucessores, lhe perguntou de onde seres submissos às fraquezas humanas tirariam a força necessária para observar os vinte e cinco preceitos cujos ela se compõe, preceitos tão rigorosos que nenhum pode ser infringido sem pecado mortal: – Não se preocupe com isso, respondeu-lhe o Senhor. Eu me encarrego de suscitar aqueles que os guardarão.

– Mas ele não disse, interrompeu Asmodeu, que todos, sem exceção, seriam fiéis.

– Se ele o tivesse dito, retomou Lúcifer, todos os nossos esforços seriam inúteis. Vá então para a Espanha. Dirija-te para Toledo, que hoje é sua principal cidade. Lance aí as sementes da impiedade entre os homens de uma condição média, e nos corpos dos mercadores, aos quais os monges devem as esmolas que lhes possibilitam viver. Impeça que a devoção se enraíze sem seus corações. Os espanhóis guardam fortemente as impressões que eles uma vez receberam. Não te preocupes demais com os ricos. Seus desejos imoderados agirão de forma eficaz. Quanto a mim, fico em Lucques, onde trabalho para impedir esses monges de conservar um convento que eles fundaram aí. Os habitantes já estão prontos para transformar as esmolas que eles lhes concedem em injúrias e em ofensas. Vá então, e façamos de modo que essa nova nave da Igreja se choque contra os recifes ímpios e os corações rebeldes. Quando for recusado aos capuchinhos o estrito necessário, eles terão dificuldade em se defender das práticas da fraqueza humana.

Asmodeu obedeceu com alegria, e se afastou imediatamente. Não sabemos muito o que ele fez em Toledo. Mas em Lucques o príncipe do inferno logo viu que plano o ele tinha concebido começou a dar resultados. Os burgueses, cedendo às suas sugestões, ficaram surdos às orações dos bons religiosos. As esmolas pararam completamente. Certo Ludovico, o mais rico, mas também o mais ímpio dos habitantes de Lucques, se distinguiu sobretudo pela brutalidade de suas recusas. O superior não conseguiu reanimar o fervor dos fiéis. Perseguido, ameaçado, ele se viu até forçado a voltar para seu convento, cujas portas quase não podiam mais protegê-los, ele e seus monges, dos ultrajes da multidão. O governador da cidade, levado pelo ódio popular, inicialmente comprometeu os religiosos a deixarem uma região onde não se queria mais suportá-los. Logo ele tenta constrangê-los a isso. Privados de todos os recursos, esgotados pela fome que os pressionava, a coragem dos religiosos enfraqueceu, com efeito. E eles falavam de vender os vasos sagrados, de procurar em outro lugar uma terra menos inospitaleira. O superior, cuja piedosa firmeza tinha até então resistido às instâncias de seus irmãos, acabou por chancelar também. Então Lúcifer triunfou. E se acreditou prestes a atingir o objetivo que ele se propusera. Mas sua alegria não durou muito. De repente, através de uma luz radiante, ele ouve uma voz conhecida que lhe diz:

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Falar do inferno é um ato de amor, diz Bispo paraguaio

Dom Rogelio Livieres

ASSUNÇÃO, 10 Jun. 13 / 12:21 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Bispo de Cidade do Leste (Paraguai), Dom Rogelio Livieres, escreveu faz uns dias que “falar do inferno é um ato de caridade”, de amor para com os homens, já que no mundo de hoje a existência do inferno é algo que se silencia sistematicamente.

Em um post do seu blog “Firmes na fé” publicado em 6 de junho, o Prelado assinala que “existe um tema que deve nos interpelar fortemente, tanto aos consagrados quanto aos leigos, e é o silenciamento sistemático de uma verdade fundamental de nossa fé: a existência do inferno”.

Dom Livieres escreve logo que “não podemos justificar nosso silêncio sobre este tema tão importante dizendo que é uma verdade aceita por todos ou recorrendo ao absurdo: ‘o inferno espanta as pessoas, por isso, é melhor não falar dele’. Não podemos separar a misericórdia de Deus de sua inexorável justiça, porque seria enganar o povo que nos foi confiado por Nosso Senhor, e ao mesmo tempo, estaríamos negando na prática esta verdade de fé por meio do constante e sistemático silenciamento”.

O Prelado assegura logo que “é um imperativo moral falar sobre este tema, não para assustar e obrigar as pessoas a ter temor de Deus, mas sim porque sua omissão consiste em certo modo em uma falta de caridade para com os homens. Não dizer a verdade, neste ponto, é não amar os homens. Em positivo, falar do inferno é um ato de amor para os homens”.

O Bispo explica que fazer isto obedece a duas razões: a primeira é recordar que sim existe a possibilidade da condenação eterna, como assinala o Catecismo da Igreja e o mesmo Jesus; e o segundo é que a pregação alimenta a fé do povo.

Dom Livieres recorda ademais que o sacerdote é o encarregado desta pregação e que deve acreditar naquilo que prega, “do contrário terminará criando um povo ignorante com um desenlace final nefasto no pior dos casos, e esta consequência será compartilhada em primeiro grau pelo sacerdote que esteve encarregado de alimentar a fé desse determinado povo”.

Sociedade atual é mais pecadora que anteriores, afirma exorcista

Padre José Antonio Fortea

MADRI, 07 Dez. 12 / 10:47 am (ACI/EWTN Noticias).- O Pe. Antonio Fortea, exorcista espanhol e autor de livros como a Summa Daemoniaca, advertiu que estamos vivendo “o crepúsculo da sociedade cristã” e o raiar de uma mais maligna e mais afastada de Deus, pois os homens de hoje são mais pecadores que no passado.

“Os Santos que nos advertiram do pecado na Idade Média, nos séculos posteriores, no século XIX, teriam ficado desolados ante o panorama atual. Sempre houve pecado, mas nem sempre houve a mesma quantidade de pecado”, expressou o sacerdote em declarações ao grupo ACI.

Pe. Fortea assinalou que isto é a consequência de ter deixado Deus de lado e deixar-se convencer “que a vida sob a Igreja nos séculos passados, foram pouco pior que um inferno”.

“A vida nos séculos passados não foi idília, pelo menos não sempre. Mas agora somos iguais aos nossos antepassados, mas sem Deus. Temos as mesmas debilidades, mas agora carecemos da ajuda dos sacramentos, das predicações, da fé. Vemos o resultado disto diariamente”, indicou.

“A Mãe de Jesus mostoru a uns pobres pastorinhos uma visão do inferno, isso aconteceu na Fátima.
A pastorinha mais velha manifestou que só puderam resistir essa visão, porque a Virgem lhes disse que eles não iriam para lá”, recordou.

O Pe. Fortea advertiu que esta visão “não foi para essas crianças bondosas”, mas para o século XX. Entretanto, cem anos depois destas visões “os males se acrescentaram, multiplicaram e intensificaram. Quantas novas perversões germinaram na Cidade dos Homens”.

O exorcista advertiu que “se os homens não mudarem nem sequer ao ver o inferno, compreendendo-o, sendo capazes de espionar o que se sente lá, então não resta mais solução que uma purificação decretada do alto. Não é isto acaso a mensagem da Fátima? Não é isto acaso a mensagem da Palavra de Deus?”.

O Pe. Fortea disse que embora tenha escrito seu livro Summa Demoniaca pensando nos exorcistas, este tem sido lido por religiosos, leigos e fiéis de outras confissões, “provavelmente já (alcançou) mais de cem mil pessoas em todo o planeta”.

“Não estava nos meus planos, mas nos de Deus. Que assim seja. Que os filhos de Deus possam inundar seus intelectos no fogo do temor a Deus durante sua leitura, para que assim evitem ser lançados lá com sua alma depois da morte. Melhor conhecer esse ódio a Deus só com o intelecto, para que nossa vontade se refugie correndo no amor a Deus”, expressou.

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O inferno? Quase ninguém mais acredita nele!

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Autor: Dom Estevão Bettencourt
A razão por que muitos em nossos tempos não acreditam no inferno, é que nunca tiveram explicação exata do que ele significa: é frequente conceber-se o inferno como castigo que Deus inflige de maneira mais ou menos arbitrária, como se desejasse impor-se vingativamente como Soberano Senhor; o réprobo seria atormentado maldosamente por demônios de chifres horrendos, em meio a um incêndio de chamas, etc. — Não admira que muitos julguem tais concepções inventadas apenas para incutir medo ; não seriam compatíveis com a noção de um Deus Bom.
Na verdade, o inferno não é mais do que a consequência lógica de um ato que o homem realiza de maneira consciente e deliberada aqui na terra; é o indivíduo quem se coloca no inferno (este vem a ser primàriamente um estado de alma; vão seria preocupar-se com a sua topografia) ; não é Deus quem, por efeito de um decreto arbitrário, para lá manda a criatura, É o que passamos a ver.
Admitamos que um homem nesta vida conceba ódio a Deus (ou ao Bem que ele julgue ser o Fim último, Deus) e O ofenda em matéria grave, empenhando toda a sua personalidade (pleno conhecimento de causa e liberdade de arbítrio); essa criatura se coloca num estado de habitual aversão ao Senhor. Caso morra nessas condições, sem retratar, nem mesmo no seu íntimo, o ódio ao Sumo Bem, que sorte lhe há de tocar ?

A morte confirmará definitivamente nessa alma o ódio de Deus, pois a separará do corpo, que é o instrumento mediante o qual ela, segundo a sua natureza, concebe ou muda suas disposições. Depois da morte, tal criatura de modo nenhum poderá desejar permanecer na presença de Deus; antes espontaneamente pedirá afastar-se d’Ele. Não será necessário que, para isto, .o Juiz supremo pronuncie alguma sentença; o Senhor apenas reconhecerá, da sua parte, a opção tomada pela criatura ; Ele a fez livre e respeitará esta dignidade, em hipótese nenhuma forçando ou mutilando o seu alvitre.
Eis, porém, que desejar afastar-se de Deus e permanecer de fato afastada, vem a ser, para a alma humana, o mais cruciante dos tormentos. Com efeito, toda criatura é essencialmente dependente do Criador, do qual reflete uma imagem ou semelhança ; por conseguinte, ela tende por sua própria essência a se conformar ao seu Exemplar (é a natureza quem o pede, antecedentemente a qualquer opção da vontade livre); caso o homem siga esta propensão, ele obtém a sua perfeição e felicidade. Dado, porém, que se recuse, a fim de servir a si mesmo, não pode deixar de experimentar os protestos espontâneos e veementíssimos da natureza violentada. A existência humana torna-se então dilacerada : o pecador sente, até nas mais recônditas profundezas do seu ser, o brado para Deus ; esse brado, porém, ele o sufocou e sufoca, para aderir a um fim inadequado, fim que, em absoluto, ele não quer largar apesar do terrível tormento que a sua atitude lhe causa. — Na vida presente, a dor que o ódio ao Sumo Bem acarreta, pode ser temperada pela conversão a bens aparentes, mas precários…, pela auto-ilusão ; na vida futura, porém, não haverá possibilidade de engano!

É nisto que consiste primariamente o inferno. Vê-se que se trata de uma pena infligida pela ordem mesma das coisas, não de uma punição especialmente escolhida , entre muitas outras por um Deus que se quisesse “vingar” da criatura. Em última análise, dir-se-á que no inferno só há indivíduos que nele querem permanecer. — A este tormento espiritual se acrescenta no inferno uma pena física, geralmente designada pelo nome de fogo; certamente não se trata de fogo material, como o da terra, mas de um sofrimento que as demais criaturas acarretam para o réprobo, e acarretam muito naturalmente. Sim; quem se incompatibiliza com o Criador não pode deixar de se incompatibilizar com as criaturas, mesmo com as que igualmente se afastaram de Deus (o pecador é essencialmente egocêntrico), de sorte que os outros seres criados postos na presença do réprobo vêm a constituir para este uma autêntica tortura (não se poderia, porém, precisar em que consiste tal tormento).
Por último, entende-se que o inferno não tenha fim ; há de ser tão duradouro quanto a alma humana, a qual por sua natureza é imortal; Deus não lhe retira a existência que lhe deu e que, em si considerada, é grande perfeição. Embora infeliz, o réprobo não destoa no conjunto da criação, pois por sua dor mesma ele proclama que Deus é a Suma Perfeição, da qual ele se alheou (é preciso, nos lembremos bem de que Deus, e não o homem, é o centro do mundo).

Não se pense em nova “chance” ou reencarnação neste mundo. Esta, de certo modo, suporia que Deus não leva a sério as decisões que o homem toma, empenhando toda a sua personalidade; o Senhor não trata o homem como criança que não merece respeito. De resto, a reencarnação é explicitamente excluída por textos da Sagrada Escritura como os que se acham citados sob o no 8 deste fascículo.
Eis a autêntica noção do inferno, que às vezes é encoberta por descrições demasiado infantis e fantasistas.
Veja a propósito E. Bettencourt, A vida que começa com a morte (ed. AGIR) Cap. VI.

Análise Bíblica sobre os Demônios

Fonte: Apologistas Católicos

Um dos grandes mistérios da teologia judaico-cristã é a existência do mal, porque Deus permitiu o seu surgimento, existência e os detalhes sobre a sua origem. Dois fatos, porém, são claros: ele existe e ele será derrotado.

Textos como os de Ez. 28,12 – 15 e Lc.10,18 indicam que houve uma rebelião liderada por um anjo de luz (lúcifer), que, exercendo o seu livre arbítrio, optou pelo não-bem e pela ruptura de comunhão contra o Criador. Deus cria um lugar-estado (inferno) e para lá os lança (II Pe. 2,4).

O chefe desses anjos caídos é denominado de lúcifer ou satanás (hebraico = adversário), recebendo outros, como: belzebu, belial, o maligno, o príncipe deste mundo, diabo (grego = instigador, acusador).

Satanás lidera os demônios que:

1. São seres espirituais com personalidade e inteligência. Como súditos de satanás, inimigos de Deus e dos seres humanos (Mt.12,43 – 45);

2. São malignos, destrutivos e estão sob a autoridade de Satanás.

3. São numerosos (Mc. 5,9; Ap. 12,41).

Eles mantêm a forma angélica, com a natureza voltada para o mal. Têm inteligência e conhecimento, mas não podem conhecer os pensamentos íntimos das pessoas e nem obrigá-los a pecar.

Há autoridade e organização no mundo inferior (Mt. 25,41), mas por não ser Satanás onipresente, onipotente e onisciente (atributos exclusivos de Deus), ele age por delegação a seus inúmeros demônios (Mt. 8,28; Ap.16,1 – 14).

A teologia cristã tem percebido, a partir da Bíblia e da experiência, os seguintes ministérios demoníacos:

a) indução à desobediência a Deus e aos seus mandamentos;

b) propagação do erro e da falsa doutrina;

c) indução à mentira (“pai da mentira”) e à corrupção;

d) provocação de rebeldia nas pessoas que sofrem provações;

e) influência negativa sobre o corpo, os sentidos e a imaginação;

f) influência sobre os bens materiais (apego vs. perda);

g) realização de efeitos extraordinários, com aparência de milagres;

h) indução a sentimentos negativos, como o temor, a angústia e o ódio;

i) promoção da idolatria, da superstição, da necromancia, da magia, do sacrilégio e do culto satânico.

O mal esteve agindo no Pecado Original (queda), e exerce continuamente a sua obra perversa até o fim dos tempos, como tentador (Gn. 3,1 – 5), caluniador (Jó.1,9 – 11), causador de enfermidades (Jó. 2,7) e arquienganador (Mt. 4,6).

Ele mantém permanente luta contra Deus e o seu povo, procura desviar os fiéis de sua lealdade a Cristo (II Co. 11,3), induzindo-os a pecar e a viver segundo os sistemas elaborados pela natureza corrompida ou “carne” (I Jo. 5,19).

Os cristãos devem conhecer, pelo estudo da Bíblia e da teologia, a natureza e o ministério do mal, para se conscientizarem e se precaverem.

O apóstolo Paulo nos exorta a nos fortalecer em Deus e no seu poder, resistindo firmes pois “a nossa luta não é contra os seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores desse mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef.6:12).

A disciplina devocional, com a leitura da Bíblia, a oração, os sacramentos, a busca de santidade, o desenvolvimento dos dons, a comunhão do Corpo, são antídotos contra o mal.

O ministério demoníaco contra as pessoas pode se dar de três maneiras:

a) tentação: apoio a opções negativas e atinge todos os seres humanos;

b) indução: (também chamada obsessão), uma ação mais íntima e contínua de “assessoria” à maldade, que atinge os descrentes e os crentes carnais;

c) possessão: quando os demônios se apoderam de corpos, controlando-os. Para a teologia evangélica clássica isso não pode acontecer a um convertido, cujo corpo é habitado pelo Espírito Santo.

Satanás e os demônios têm poder sobre os perdidos nesta vida e após a morte, que se destinam ao inferno.

Devemos estar advertidos para não cair em um dualismo de fundo zoroastrista. Satanás não é um ente contrário comparável a Deus.

Quem combate contra ele é o chefe dos anjos bons, e são os anjos bons que combatem os anjos maus.

Não devemos nem minimizar, nem maximizar o ministério do maligno.

Ele já foi derrotado na cruz, e o sangue de Cristo já tem poder, a obra da expiação já foi realizada, Cristo já ressuscitou e o Espírito Santo já foi enviado. O resgate já se deu, é oferecido pela Graça e recebido pela fé. O Senhor já reina sobre o universo, a História e a sua Igreja.

A perfeição da Ordem Criada (Éden) será revivida na Ordem Restaurada (Nova Jerusalém).

O mal terá um fim, quando satanás e os demônios forem todos lançados no lago do fogo (Mt. 25,41), também chamado de “segunda morte” (Ap. 20,14).

Devemos evitar cair na irresponsabilidade moral atribuindo aos demônios os males que são fruto de nossa opção, com natureza caída e pecadores. Não sejamos, portanto, ”caluniadores de satanás”.

O racionalismo e o liberalismo teológico haviam negado a existência de Satanás e dos demônios.

A teologia conservadora clássica (como fizera com os anjos bons), afirmava a sua existência, mas pouco elabora na prática do cotidiano dos fiéis. O pós-pentecostalismo e a teologia da “batalha espiritual” os vulgarizou e hipertrofiou o seu poder, além de, em uma atitude irracional, anti-científica e anti-bíblica, atribuir tudo aos mesmos. Nem indiferenças, nem irresponsabilidade, nem angústia opressiva.

Devemos rejeitar as representações pictóricas aterradoras (fruto da imaginação dos artistas), pois o mal não é incompetente em “marketing” ou em “relações públicas”, podendo aparentar beleza, bondade e prodígio.

O mal, que ele nos tenta, pode estar em nosso caráter, em nosso temperamento, e em nossa ética.

Devemos evitar o dualismo de fundo bramânico, entre “alma” (boa) e “corpo” (ruim). O ser humano foi criado integrado, caiu integrado e é restaurado integrado. “Carne” na Bíblia não é igual a Corpo (muito menos a sexualidade) mas a natureza caída (integrada). Lutero disse: “Jesus veio em carne e não pecou; Satanás não tem carne e peca todo o tempo”.

A Palavra e o Espírito vão nos libertando dos condicionamentos culturais e nos forjando como “novas criaturas”. A presente ordem, e o poder do mal, são transitórias. A nossa esperança é escatológica, “pois a antiga ordem já passou” (Ap. 21,4b).

Conclusões

Com o ocaso da modernidade vão-se os seus mitos: a bondade natural, o progresso, a razão (ciência) e as utopias globais. Volta a ambigüidade moral (e o pecado), os avanços e as decadências, a sensação de limitação nos empreendimentos e instituições humanas, e a redescoberta do além-razão no ser humano: o místico, o estético, o erótico, o lúdico, o intuitivo etc.

Há uma redescoberta do antes desvalorizado. A construção do futuro, porém, não se faz com um mero retorno ao passado (e aos seus males). O angélico e o demoníaco voltam como temas e realidades, vencendo-se, porém, os “sincretismos protestantes” e as “superstições evangélicas”, estranhas ao espírito e a proposta da Reforma.

Nem o reducionismo psicanalítico, nem o reducionismo dos “cultos de descarrego”.

A consciência do místico, do transcendente e do espiritual, não nos leva à alienação da História e das nossas responsabilidades como cidadãos e pessoas plenas.

Pois o bem e o mal, e suas potestades, se relacionam com os poderes políticos históricos, como procurou demonstrar Agostinho de Hipona em sua “Cidade de Deus”.

Que os Anjos do Senhor acampem ao redor de nós.
Artigo originalmente escrito por: Padre Félix, Uma demonologia bíblica. Disponível em: <http://www.padrefelix.com.br/anjos28.htm>

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