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Jovem famoso pelo seu cartaz na JMJ se converte ao catolicismo

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O ex-evangélico Eduardo Campos recebeu o Batismo no domingo de Pentecostes

Eduardo Campos, o jovem evangélico que surpreendeu todos na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), quando exibiu um cartaz no qual dizia ao Papa Francisco que o amava e lhe pedia que rezasse por ele e pelo Brasil, converteu-se ao catolicismo. No último domingo, festa de Pentecostes, ele recebeu o Batismo e a Primeira Comunhão.

Eduardo tem 19 anos e ficou conhecido em julho de 2013, quando apareceu na televisão com um cartaz que dizia: “Santo Padre, sou evangélico, mas eu te amo!! Ore por mim e pelo Brasil! Tu és Pedro”.

Depois dos intensos dias da JMJ, na qual mais de três milhões de jovens acompanharam o Santo Padre no Rio de Janeiro, Eduardo iniciou seu processo de conversão e, em dezembro, tomou a decisão de converter-se à fé católica.

No domingo passado, quase um ano após a JMJ, o jovem recebeu o Batismo e a Primeira Comunhão, acompanhado dos seus familiares e amigos, na Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz (RJ).

Sobre sua conversão, Eduardo conversou com o blog FabianoMartaTobias, no qual relata que, durante a JMJ, “O sentimento de felicidade me contagiou! A unidade da Igreja nos revela sua missão, de onde Ela vem e para onde Ela vai e quem Ela é”.

Após comentar que a renúncia de Bento XVI o questionou fortemente, meses antes da JMJ do Rio, o jovem contou que pede a Deus “que Ele me ilumine e mostre minha vocação, seja qual for. Eis-me aqui Senhor, fazei segundo a vossa vontade! Sou um humilde e simples operário na vinha do Senhor”.

Eduardo incentiva os católicos a estudar o Catecismo da Igreja, que “é fundada numa rocha inabalável. Cristo, Seu fundador permanece com Ela até hoje e permanecerá com Ela para sempre!”.

Ele também conta que está economizando dinheiro para ir à próximaJMJ, que será em Cracóvia (Polônia) em 2016, e convida os jovens a continuarem “firmes e fortes na Fé Católica. Estudem sempre sobre nossa Igreja. Conheça a vida dos Santos e Santas, dos mártires, dos doutores da Igreja. Conheça mais sobre a Cristandade, sobre as Sagradas Escrituras, sobre a Sagrada Tradição, sobre a Santa Missa. Façam o ide de Jesus que é de ‘fazer discípulos em todas as nações’”.

(Artigo publicado originalmente por Aciprensa)

Eu odiava a simples ideia de algum dia virar católico

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A história de um evangélico batista que encontrou a plenitude da fé no catolicismo

No dia seguinte à quarta-feira de cinzas de 2012, eu liguei para a minha mãe do meu dormitório no Seminário Teológico Batista do Sul e contei a ela que estava pensando em me tornar católico.

“Você não vai se tornar católico, você só sabe que não é batista“, disse ela.

“Não, mãe, eu acho que não é só isso”.

Pausa. “Ah, meu Deus”, ela suspirou.

Eu comecei a chorar.

Não tenho como enfatizar o suficiente o quanto eu odiava a simples ideia de algum dia virar católico. Fui reticente até o último instante. Poucos dias antes de abandonar a Igreja batista, eu cheguei a enviar um sermão para um concurso; estava decorando o Salmo 119 para me convencer da “sola scriptura”; marcava reuniões com professores para ouvir os melhores argumentos contrários ao catolicismo; lia livros protestantes sobre o catolicismo, de propósito, em vez de livros de autores católicos.

Além disso, eu sabia que ia perder o subsídio para moradia e teria que devolver o valor da bolsa se abandonasse o seminário, sem falar da decepção para a minha família, amigos e para a dedicada comunidade da igreja.

Mas quando eu tentava estudar, desabava na cama. Tudo o que eu queria era gritar com o livro: “Quem disse?”.

Eu tinha vivido uma grande mudança de paradigma na minha maneira de pensar sobre a fé. E a questão da autoridade apostólica surgia mais forte do que nunca.

Mas vamos voltar alguns anos no tempo.

Eu cresci num lar protestante evangélico. Meu pai se tornou pastor quando eu estava na quarta série. Durante o ensino médio, eu me apaixonei por Jesus Cristo e pelo seu precioso Evangelho e decidi me tornar pastor também.

Foi nessa época que eu endureci a minha convicção de que a Igreja Católica Romana não seguia a Bíblia. Quando perguntei a um amigo pastor por que os católicos diziam que Maria permaneceu virgem depois do nascimento de Jesus, se a Bíblia diz claramente que Jesus teve “irmãos”, ele simplesmente fez uma careta: “Porque eles não leem a Bíblia”.

O livro “Don’t Waste Your Life” [Não desperdice a vida], de John Piper, me fez enxergar um chamamento ao trabalho missionário. Passei o verão seguinte evangelizando os católicos na Polônia.

Fiquei surpreso quando visitei os meus pais, depois disso, e encontrei um livro intitulado “Born Fundamentalist, Born Again Catholic” [Nascido fundamentalista, renascido católico] em cima da mesa do meu pai. Por que o meu pai estaria lendo uma coisa dessas? Fiquei curioso e, como não tinha trazido nada para ler em casa, dei uma olhada no livro.

As memórias de David Currie, que abandonou a sua formação e o seus ministérios evangélicos, foram desconfortáveis para mim. Sua defesa sem remorsos de doutrinas controversas sobre Maria e o papado eram chocantes; eu nunca tinha pensado seriamente que os católicos tivessem argumentos sensatos e embasados para defender essas crenças.

A presença do livro na mesa do meu pai foi explicada com mais detalhes alguns meses depois, quando ele me ligou e disse que estava retornando ao catolicismo da sua juventude. Minha resposta? “Mas você não pode simplesmente ser luterano ou algo assim?”. Eu me senti traído, indignado e furioso. Nos meses seguintes, servi como pastor de jovens na minha igreja local e, nos tempos livres, lia sobre o porquê de o catolicismo estar errado.

Foi quando encontrei um artigo que falava de uma “crise de identidade evangélica“. O autor pintava um retrato de jovens evangélicos crescendo num mundo pós-moderno, desejosos de encontrar as suas raízes na história e sedentos do testemunho motivador de quem permaneceu firme em Cristo durante épocas cambiantes e conturbadas. Mas, na minha experiência, a maioria das igrejas evangélicas não observava o calendário litúrgico, o credo dos Apóstolos nunca era mencionado, muitos cantos só foram escritos a partir de 1997 e, quando se contava algum relato sobre um herói da história da Igreja, invariavelmente se tratava de alguém posterior à Reforma. A maior parte da história cristã, portanto, passava em branco.

Pela primeira vez, eu entrei em pânico. Encontrei uma cópia do catecismo católico e comecei a folheá-lo, encontrando as doutrinas mais polêmicas e rindo das tolices da Igreja católica. Indulgências? Infalibilidade papal? Esses disparates, tão obviamente errados, me tranquilizaram no meu protestantismo. A missa me soava bonita e a ideia de uma Igreja visível e unificada era atraente, mas… à custa do Evangelho? Parecia óbvio que o demônio construía uma grande organização para afastar muita gente do céu.

Sacudi a maioria das minhas dúvidas e aproveitei o restante do meu tempo me divertindo com o grupo de jovens e compartilhando a minha fé com os alunos. Qualquer dúvida, resolvi, seria tratada no seminário.

Comecei as minhas aulas em janeiro, com a mesma emoção de um fanático roxo por futebol indo para a final da Copa do Mundo. As aulas eram fantásticas e eu pensei que tinha finalmente me livrado de todos aqueles problemas católicos.

Mas, poucas semanas depois, mais dúvidas me assaltaram. Estávamos estudando as disciplinas espirituais, como a oração e o jejum, e eu fiquei cismado com a frequência com que o professor pulava de São Paulo para Martinho Lutero ou Jonathan Edwards ao descrever vidas admiráveis ​​de piedade. Será possível que não aconteceu nada que valesse a pena nos primeiros 1500 anos do cristianismo? Este salto na história continuaria me incomodando em muitas outras aulas e leituras propostas. A maior parte da história da Igreja anterior à Reforma era simplesmente ignorada.

Eu logo descobri que tinha menos em comum com os padres da Igreja primitiva do que eu pensava. Diferentemente da maioria dos cristãos na história, a comunhão sempre tinha sido, para mim, apenas um pouco de pão e suco de uva ocasionais e o batismo só me parecia importante depois que alguém tinha sido “salvo”. Esses pontos de vista não apenas contradiziam grande parte da história da Igreja, mas, cada vez mais, evocavam passagens desconfortáveis da Bíblia que eu sempre tinha desdenhado (João 6, Romanos 6, etc.).

Outras perguntas que eu tinha enterrado começaram a reaparecer, mais ferozes, exigindo uma resposta. De onde foi que veio a Bíblia? Por que a Bíblia não se autoproclamava “suficiente”? As respostas protestantes, que tinham me bastado no passado, já não eram satisfatórias.

Foi lançado nesse tempo um vídeo viral de Jefferson Bethke no YouTube, “Por que eu odeio a religião, mas amo Jesus”. O jovem tinha boas intenções, mas, para mim, ele apenas validava o que o Wall Street Journal tinha chamado de “perigosa anarquia teológica dos jovens evangélicos”, tentando separar Jesus da religião e perdendo muito no processo.

O ponto de inflexão foi a quarta-feira de cinzas. Uma igreja batista em Louisville realizou uma cerimônia matutina e muitos estudantes compareceram às aulas com as cinzas ainda na testa. Na capela, naquela tarde, um professor famoso pelo empenho apologético anticatólico expôs a beleza dessa tradição milenar.

Depois disso, eu perguntei a um amigo do seminário por que a maioria dos evangélicos tinha rejeitado essa linda tradição. Ele respondeu com alguma coisa sobre fariseus e “tradições meramente humanas”.

Eu balancei a cabeça. “Não, eu não consigo mais”.

A minha resistência ao catolicismo começou a se desvanecer. Eu me sentia atraído pelos sacramentos, pelos sacramentais, pelas manifestações físicas da graça de Deus, pela Igreja una, santa, católica e apostólica. Não havia mais como negar.

Foi no dia seguinte que eu liguei para a minha mãe e contei a ela que estava pensando em me tornar católico.

Faltei às aulas da sexta-feira. Fui para a biblioteca do seminário e olhei os livros que eu tinha me proibido de olhar, como o catecismo e os últimos textos do papa Bento XVI. Eu me sentia como se estivesse vendo pornografia. No sábado, fui à missa das cinco da tarde. O grandioso crucifixo da igreja me fez lembrar de quando eu considerava os crucifixos um prova de que os católicos não tinham mesmo entendido a ressurreição.

Mas desta vez eu vi o crucifixo de modo diferente e comecei a chorar. “Jesus, meu Salvador sofredor, Tu estás aqui!”.

A paz tomou conta de mim até a terça-feira, quando a realidade me atropelou. Fico ou vou? Fiz vários telefonemas em pânico: “Eu literalmente não tenho ideia do que eu vou fazer amanhã de manhã”.

Na quarta-feira de manhã, eu acordei, abri meu laptop e digitei “77 razões pelas quais estou deixando de ser evangélico”. A lista incluía coisas como a “sola scriptura”, a justificação, a autoridade, a Eucaristia, a história, a beleza e a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Os títulos e os parágrafos fluíam dos meus dedos como a fúria das águas que explodem uma represa secular.

Poucas horas depois, em 29 de fevereiro de 2012, eu saí de Louisville para evitar confundir mais alguém e esperando que eu próprio não estivesse cometendo um erro.

Os meses seguintes foram dolorosos. Mais do que qualquer outra coisa, eu me sentia envergonhado e na defensiva, indagando de mim mesmo como é que a minha identidade e o meu plano de carreira tinham se deixado abalar tão rapidamente. Mesmo assim, eu entrei para a Igreja no dia de Pentecostes com o apoio da minha família e comecei a procurar trabalho.

Muita coisa mudou desde então. Eu conheci Jackie no site CatholicMatch.com naquele mesmo junho. Casei com ela um ano depois e comemoramos o nascimento da nossa filha Evelyn em 3 de março de 2014. Vivemos agora no Estado de Indiana e eu estou feliz no meu novo trabalho.

Ainda sou novato nesta jornada católica. Para todos os que ainda se questionam, eu posso dizer que o meu relacionamento com Deus só tem se aprofundado e fortalecido. Enquanto vou me envolvendo com a paróquia, me vejo muito grato pelo amor à evangelização e à Bíblia que aprendi no protestantismo.

Não acho que eu tenha abandonado a minha fé anterior, mas sim que eu consegui preencher as suas lacunas. Hoje eu dou graças a Deus por ter recebido a plenitude da fé católica.

Fonte: Aleteia

Questionando os Protestantes – IV

Jesus bebeu suco de uva na Última Ceia?

Não. Jesus usou vinho… e vinho fermentado!

A maioria dos Evangélicos usa suco de uva porque tem um tabu contra o vinho, por ser bebida alcoólica. O fato é que Jesus certamente bebeu vinho (Luc 7,33-34) e também o bebeu nas Bodas de Caná (Jo 2).

A palavra grega para vinho é “oinos”. A palavra grega usada no Novo Testamento para “bêbado” ou “bebedor de vinho” é derivada também de “oinos”. Basicamente significa alguém que bebe vinho exageradamente.

No relato evangélico da Ceia do Senhor foi usada uma terminologia que pode ser interpretada por vinho ou suco de uva, assim como “cálice” ou “fruto do vinho”. Contudo, São Paulo em sua Primeira Epístola aos Coríntios censura-os por ficarem bêbados durante a Ceia do Senhor. Seria impossível para os Coríntios ficarem bêbados se usassem somente suco de uva. Paulo também nunca cuidou de corrigi-los, dizendo-os para usarem suco de uva ao invés de vinho. Portanto, a leitura mais exata indica que foi usado vinho na Ceia do Senhor.

Olhando para o contexto histórico, a Igreja sempre usou vinho. O uso do vinho não foi objeto de discussão até o séc. XVI. Durante a refeição da Páscoa, os Judeus, hoje assim como há 2.000 anos, a celebram com vinho (v. Unger’s Bible Dictionary, verbete “Lord’s Supper”). O tabu contra o uso do vinho é uma restrição recente feita pelos homens, mas não provém de Deus (v. Deuteronômio 14,26, se você ainda acredita que Deus proibiu o uso do álcool).

Por que você usa suco de uva na ceia do Senhor, se Jesus usou vinho? Por que você usa suco de uva se a Igreja histórica sempre usou vinho?

Fonte: Site “Glory to Jesus Christ!”. Tradução: José Fernandes Vidal.

"Caritas in veritate" tem boa acolhida entre protestantes evangélicos

56 personalidades assinam uma mensagem de apoio à encíclica

Por Inma Álvarez

WASHINGTON, sexta-feira, 28 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Cinquenta e seis personalidades do mundo protestante evangélico norte-americano, entre professores universitários, editores de imprensa e representantes de diversas instituições, assinaram, em 27 de julho passado, uma mensagem de apoio à última encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate.

Nesta declaração, titulada Doing the Truth in Love (Fazendo a Verdade no Amor), à qual ZENIT pôde ter acesso, os signatários “aplaudem” o texto e pedem “aos cristão de todas as partes, e especialmente a nossos membros evangélicos no Norte global”, que a leiam e se sensibilizem com ela.

Também apelam a todos os cristãos a um “sério diálogo” sobre as propostas da encíclica.

Os signatários felicitam especialmente “a forma como esta encíclica considera o desenvolvimento econômico em termos da trajetória do verdadeiro florescimento humano”.

Coincidem em pedir com ela “uma nova visão do desenvolvimento que reconheça a dignidade da vida humana em sua plenitude, o que supõe a “preocupação pela vida desde a concepção até a morte natural, pela liberdade religiosa, pelo alívio da pobreza, e pelo cuidado da criação”.

Particularmente, mostram seu acordo com o conceito de “desenvolvimento humano integral” e sua visão do fenômeno da globalização.

“Afirmamos com esta encíclica que a globalização deve converter-se em um processo de integração centrado na pessoa e orientado à comunidade”, assinala o texto.

Também apreciam que a Caritas in Veritate não entre em uma análise simplificadora da polarização entre o livre mercado e a excessiva intervenção estatal, mas que enquadre a economia dentro das relações humanas e, portanto, sujeita à normas morais.

“A vida econômica não é amoral ou autônoma. As instituições econômicas, inclusive os próprios mercados, devem estar marcados por relações internas de solidariedade e confiança”.

Apoiam também a “ênfase da Caritas in Veritate na empresa social, ou seja, no esforço do negócio guiado por um princípio mutualista que transcende a dicotonomia do lucro sim, lucro não”.

“Em termos mais gerais, motivamos os evangélicos a considerar o convite do Papa Bento XVI de refletir sobre quem deve ser considerado agente empresarial e sobre o significado moral do investimento”.

Contudo, sentem falta na encíclica “de uma crítica mais forte para com a elevação do dinheiro a um estado de idolatria e o predomínio atual resultante dos mercados financeiros sobre outros elementos da economia mundial”.

Por último, apoiam a preocupação da encíclica com a decadência dos sistemas de segurança social, com o cada vez menor poder dos sindicatos e a pressão de uma mobilidade trabalhista socialmente destrutiva.

Também coincidem no temor ante o “crescimento de um Estado de bem-estar arrogante, que degrada o pluralismo social e cívico. Portanto, estamos de acordo em que a subsidiariedade e a solidariedade devem andar juntas, como propõe a Caritas in Veritate”. Não “mais Estado” mas “melhor Estado”.

“Com a Caritas in Veritate, nos comprometemos a não ser vítimas da globalização, mas seus protagonistas, trabalhando pela solidariedade global, a justiça econômica e o bem comum, como normas que transcendem e transformam os motivos do benefício econômico e do progresso tecnológico”, conclui a mensagem.

Santidade é a resposta para um mundo em crise, diz Papa

Bento XVI sublinha testemunho dos santos ao rezar o Angelus com os peregrinos

CASTEL GANDOLFO, domingo, 9 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI afirmou hoje que a santidade é a resposta “crível e abrangente” para os questionamentos de um mundo em profunda crise.

Ao rezar o Angelus com os peregrinos no pátio da residência veraneia de Castel Gandolfo, o Papa deu destaque mais uma vez ao testemunho dos santos. No domingo passado, havia recordado de forma especial São João Maria Vianney. Hoje, deu destaque às figuras de Clara de Assis, Edith Stein, São Maximiliano Kolbe, São Ponciano, Santo Hipólito e São Lourenço.

“Que maravilhosos modelos de santidade a Igreja propõe para nós! Esses santos são testemunhas do amor que se expressa ‘até o fim’ e, não levando em conta o mal recebido, combatem-no com o bem”, afirmou o pontífice.

“Deles possamos aprender, especialmente nós sacerdotes, o heroísmo evangélico que nos inspira, sem temer, a dar a vida pela salvação das almas. O amor vence morte.”

Ao recordar que dois destes santos foram executados em campos de concentração nazistas –Edith Stein e Maximiliano Kolbe–, Bento XVI explicou que o fenômeno dos campos de extermínio são “símbolos extremos do mal”.

São imagens “do inferno que se abre sobre a terra quando o homem esquece Deus e o substitui, usurpando-lhe o direito de decidir que coisa é boa e que coisa é má, de dar a vida e a morte”.

O Papa reconheceu que, “infelizmente, este fenômeno não se limita aos campos de concentração. Estes são o ápice de uma realidade ampla e difusa”.

Nesse contexto, os santos representam as profundas diferenças que existem entre o humanismo ateu e o humanismo cristão.

“Por um lado, existem filosofias e ideologias, mas também mais e mais maneiras de pensar e de agir que exaltam a liberdade como o único princípio do homem, como alternativa para Deus e, assim, transformam o homem em um deus, que faz da arbitrariedade o próprio sistema de pensamento.”

Por outro lado –prosseguiu o Papa–, “vemos os santos, que, praticando o Evangelho do amor, dão razão da sua esperança; eles mostram o verdadeiro rosto de Deus, que é Amor e, ao mesmo tempo, o verdadeiro rosto do homem, criado à imagem e semelhança de Deus”.

Bento XVI rogou à Virgem Maria que “nos ajude a ser santos –em primeiro lugar nós, sacerdotes– e sermos santos como aqueles heróicos testemunhos da fé e da entrega de si até o martírio”.

“É este o único modo de oferecer aos questionamentos humanos e espirituais, nesta profunda crise do mundo contemporâneo, uma resposta crível e abrangente: a da caridade na verdade”, disse.

Papa ordena 19 sacerdotes e adverte: «mundo» contamina a Igreja

A dor do apóstolo, «ver que Deus não é conhecido»

CIDADE DO VATICANO, domingo, 3 de maio de 2009 (ZENIT.org).- Ao ordenar dezenove sacerdotes neste domingo, Bento XVI constatou que «o mundo», entendido no sentido evangélico, também contamina a Igreja.

Na homilia da celebração eucarística, presidida na Basílica de São Pedro no Vaticano, o pontífice ofereceu pistas para viver uma vida de santidade aos novos presbíteros da diocese de Roma.

A metade dos até agora diáconos procediam da Cidade Eterna ou de sua província; outros três eram italianos de outras localidades, e seis de diferentes países: Nigéria, Haiti, Croácia, República Tcheca, Chile e Coréia do Sul.
O Papa lhes alentou a viver uma vida de entrega total a Deus, como a dos apóstolos que mudaram o curso da história anunciando a salvação no nome de Cristo.

«O discípulo, e especialmente o apóstolo, experimenta o mesmo gozo de Jesus ao conhecer o nome e o rosto do Pai; e compartilha também sua mesma dor ao ver que Deus não é conhecido, que seu amor não é experimentado», explicou o Santo Padre.

«Por um lado exclamamos, como João em sua primeira Carta: “Olhai que amor nos teve o Pai para chamar-nos filhos de Deus, pois o somos!”; e por outra parte, com amargura, constatamos: “O mundo não nos conhece porque não conheceu a ele” (1 Jo 3, 1)».

«É verdade – reconheceu o Papa –, e nós, os sacerdotes, o sabemos por experiência: o “mundo”, na acepção de João, não compreende o cristão, não compreende aos ministros do Evangelho. Em parte, porque de fato não conhece a Deus; e em parte, porque não quer conhecê-lo».

«O mundo não quer conhecer Deus e escutar seus ministros, pois isto o poria em crise», declarou.
O mundo, disse, insistindo no sentido evangélico deste termo, «insidia também à Igreja, contagiando seus membros e os próprios ministros ordenados».

O «mundo», sublinhou, «é uma mentalidade, uma maneira de pensar e de viver que pode contaninar inclusive à Igreja, e de fato a contamina, e portanto exige constante vigilância e purificação».

«Estamos ‘no’ mundo, e corremos também o risco de ser ‘do’ mundo. E, de fato, às vezes o somos».
Para poder tender à entrega total a Deus, à santidade, o Papa recomendou aos novos sacerdotes vida de oração, «antes de tudo, na santa missa cotidiana».

«A celebração eucarística é o ato de oração maior e mais alto e constitui o centro e a fonte da qual também as demais formas de oração recebem a “seiva”: a liturgia das horas, a adoração eucarística, alectio divina, o santo Rosário, a meditação».

«O sacerdote que reza muito e reza bem, vai ficando progressivamente despojado de si mesmo e fica cada vez mais unido a Jesus, Bom Pastor e Servo dos irmãos», assegurou o Papa.

«Em conformidade com ele, também o sacerdote ‘dá a vida’ pelas ovelhas que lhe foram encomendadas», concluiu.

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