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Os demônios creem e estremecem diante da presença real de Jesus na Eucaristia

Uma reflexão a partir do roubo de uma hóstia consagrada por um grupo de satanistas

Alguns anos atrás, eu escrevi sobre uma experiência incomum que tive ao celebrar a santa missa: uma pessoa, atormentada pela possessão demoníaca, saiu correndo para fora da igreja no momento da consagração. Voltarei a falar deste caso um pouco mais adiante.

Eu me lembrei do fato nos últimos dias em face das atuais notícias de que um culto satânico da cidade de Oklahoma (EUA) roubou uma hóstia consagrada de uma paróquia e anunciou que a profanaria durante uma “missa negra”, a realizar-se neste mês de setembro. O arcebispo de Oklahoma, dom Paul Coakley, entrou com uma ação judicial para impedir o sacrilégio e exigir que o grupo devolvesse a propriedade roubada da Igreja. Dom Coakley ressaltou, no processo, que a hóstia seria profanada dos modos mais vis imagináveis, como oferenda feita em sacrifício a Satanás.

O porta-voz do grupo satânico, Adam Daniels, declarou: “Toda a base da ‘missa’ [satânica] é que nós pegamos a hóstia consagrada e fazemos uma ‘bênção’ ou oferta a Satanás. Nós fazemos todos os ritos que normalmente abençoam um sacrifício, que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo. Então nós, ou o diabo, a reconsagramos…”.

À luz do processo judicial, o grupo devolveu à Igreja a hóstia consagrada que tinha roubado. Graças a Deus.

Mas você notou o que o porta-voz satânico atestou sobre a Eucaristia? Ao falar do que seria oferecido em sacrifício, ele disse: “…que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo”.

Por mais grave e triste que seja este caso (e não é o primeiro), esses satanistas explicitamente consideram que a Eucaristia católica É o Corpo de Cristo. Pelo que eu sei, nunca houve tentativas de satanistas de roubar e profanar uma hóstia metodista, ou episcopaliana, ou batista, ou luterana, etc. É a hóstia católica o que eles procuram. E nós temos uma afirmação da própria escritura que garante: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Em outra passagem, a escritura nos fala de um homem que vagava em meio aos túmulos e era atormentado por um demônio. Quando viu Jesus, ainda de longe, correu até Ele e o adorou (Marcos 5,6). O evangelho de Lucas cita outros demônios que saíam de muitos corpos possuídos e gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”. Mas Jesus os repreendia e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Cristo (Lc 4,41-42).

De fato, como pode ser atestado por muitos que já testemunharam exorcismos, há um poder maravilhoso na água benta, nas relíquias, na cruz do exorcista, na estola do sacerdote e em outros objetos sagrados que afugentam os demônios. Mesmo assim, muitos católicos e não católicos minusvaloram esses sacramentais (assim como os próprios sacramentos) e os utilizam de qualquer jeito, com pouca frequência ou sem frequência alguma. Há muita gente, inclusive católicos, que os consideram pouco importantes. Mas os demônios não! Vergonhosamente, os demônios, às vezes, manifestam mais fé (ainda que cheia de medo) que os crentes que deveriam reverenciar os sacramentos e os sacramentais com fé amorosa. Mesmo o satanista de Oklahoma reconhece que Jesus está realmente presente na Eucaristia. É por isso que ele procura uma hóstia consagrada, ainda que para fins tão nefastos e perversos.

Tudo isso me leva de volta ao caso real que eu descrevi já faz um bom tempo. Apresento a seguir alguns trechos do que escrevi há quase quinze anos, quando eu estava na paróquia de Santa Maria Antiga [Old St. Mary, na capital norte-americana] celebrando a missa em latim na forma extraordinária. Era uma missa solene. Não seria diferente da maioria dos domingos, mas algo muito impressionante estava prestes a acontecer.

Como vocês devem saber, a antiga missa em latim era celebrada “ad orientem”, ou seja, voltada em direção ao oriente litúrgico. Sacerdote e fiéis ficavam todos de frente para a mesma direção, o que significa que o celebrante permanecia, na prática, de costas para as pessoas. Ao chegar a hora da consagração, o sacerdote se inclinava com os antebraços sobre o altar, segurando a hóstia entre os dedos.

Naquele dia, eu pronunciei as veneráveis palavras da consagração em voz baixa, mas de modo claro e distinto: “Hoc est enim Corpus meum” [Este é o meu Corpo]. O sino tocou enquanto eu me ajoelhava.

Atrás de mim, no entanto, houve algum tipo de perturbação; uma agitação ou sons incongruentes vieram dos bancos da parte da frente da igreja, logo às minhas costas, um pouco mais para a minha direita. Em seguida, um gemido ou resmungo. “O que foi isso?”, perguntei a mim mesmo. Não pareciam sons humanos, mas grasnidos de algum animal de grande porte, como um javali ou um urso, junto com um gemido plangente que também não parecia humano. Eu elevei a hóstia e novamente me perguntei: “O que foi isso?”. Então, silêncio. Celebrando no antigo rito da missa em latim, eu não podia me virar facilmente para olhar. Mas ainda pensei: “O que foi isso?”.

Chegou a hora da consagração do cálice. Mais uma vez eu me curvei, pronunciando clara e distintamente, mas em voz baixa, as palavras da consagração: “Hic est enim calix sanguinis mei, novi et aeterni testamenti; mysterium fidei; qui pro vobis et pro multis effundetur em remissionem pecatorum. Haec quotiescumque feceritis in mei memoriam facietis” [Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, o mistério da fé, que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados. Todas as vezes que fizerdes isso, fazei-o em memória de mim].

Então, ouvi mais um ruído, desta vez um inegável gemido e, logo em seguida, um grito de alguém que clamava: “Jesus, me deixe em paz! Por que me tortura?”. Houve de repente um barulho que lembrava uma briga e alguém correu para fora a um som de gemidos, como de quem tivesse sido ferido. As portas da igreja se abriram e em seguida fecharam. Depois, o silêncio.

Consciência – Eu não podia me virar para olhar porque estava levantando o cálice da consagração. Mas entendi no mesmo instante que alguma pobre alma atormentada pelo demônio tinha se visto diante de Cristo na Eucaristia e não tinha conseguido suportar a sua presença real, exibida perante todos. Ocorreram-me as palavras da escritura: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Arrependimento – Assim como Tiago usou aquelas palavras para repreender a fé fraca do seu rebanho, eu também tinha motivos para a contrição. Por que, afinal, um pobre homem atormentado pelo demônio era mais consciente da presença real de Cristo na Eucaristia e ficava mais impactado com ela do que eu? Ele ficou impactado em sentido negativo e correu para longe. Mas por que eu não me impactava de forma positiva com a mesma intensidade? E quanto aos outros crentes, que estavam nos bancos? Eu não tenho dúvidas de que todos nós acreditávamos intelectualmente na presença eucarística. Mas há algo muito diferente e muito mais maravilhoso em nos deixarmos mover por ela na profundidade da nossa alma! Como é fácil bocejarmos na presença do Divino e nos esquecermos da presença milagrosa e inefável, disponível ali para todos nós!

Quero deixar registrado que, naquele dia, há quase quinze anos, ficou muito claro para mim que eu tinha nas minhas mãos o Senhor da Glória, o Rei dos Céus e da Terra, o Justo Juiz e o Rei dos reis da terra.
Será que Jesus está realmente presente na Eucaristia?
Até os demônios acreditam!

Quem possui o número correto de livros na Bíblia?

Autor: Vivator
Fonte: http://vivacatholic.wordpress.com/

Os cristãos não possuem o mesmo número de livros em suas Bíblias, especialmente no que tange ao Antigo Testamento. Os protestantes possuem 39 livros em seu Antigo Testamento, que corresponde (embora em uma ordem e agrupamento diferentes) aos 24 livros da Escritura judaica ou Tanakh[1]. O Antigo Testamento católico possui 7 livros a mais: Judite, Tobias, 1 e 2Macabeus, Baruc (incluindo a Carta de Jeremias), Sabedoria e Sirácida (ou Eclesiástico), além de alguns capítulos adicionais em Ester e Daniel (Prece de Azarias, Cântico dos Três Jovens, Susana, Bel e o Dragão). O Antigo Testamento dos ortodoxos orientais, traduzido a partir da LXX[2], inclui todos esses livros e ainda o Salmo 151, 3Macbeus e 1Esdras[3]. [O Antigo Testamento] da Igreja Ortodoxa Etíope possui [ainda] Enoc, Jubileus e vários outros livros[4]; e seu Novo Testamento possui mais livros que os 27 existentes no Novo Testamento católico, ortodoxo-oriental e protestante. Incompreensivelmente, os protestantes (e os cristãos do “apenas a Bíblia”) tentam com dificuldades provar que a sua Bíblia possui o número correto de livros, ou seja, o cânon (lista de livros inspirados [por Deus]) da Bíblia seria de 66. Segue abaixo as sete razões pelas quais eles geralmente se insurgem contra a inclusão dos livros deuterocanônicos[5] (ou “apócrifos”[6], segundo a sua terminologia) na Bíblia:

1. O Concílio de Trento acrescentou esses livros [apenas] no século XVI.
2. Nós deveríamos confiar nos judeus para determinar quais livros pertencem ao Antigo Testamento, já que eles manifestavam os oráculos de Deus (cf. Romanos 3,2).
3. O Novo Testamento nunca cita os livros apócrifos.
4. Nenhum dos livros apócrifos reclama para si inspiração.
5. Os livros apócrifos foram escritos após a morte dos últimos profetas de Israel.
6. Cristo aprovou os livros que pertenciam à Escritura judaica (igual ao Antigo Testamento protestante) quando disse, em Lucas 11:51, “do sangue de Abel ao sangue de Zacarias”
7. Os livros apócrifos não podem ser inspirados porque contêm muitos erros e contradições em relação aos 66 livros da Bíblia protestante.

[Apreciemos cada uma delas:]

1. O CONCÍLIO DE TRENTO ACRESCENTOU ESSES LIVROS [APENAS] NO SÉCULO XVI

Antes que alguém pudesse acusar o Concílio de Trento (ou qualquer outro Concílio) de acrescentar esses livros [ao cânon], deveria primeiro responder a esta pergunta: como sabemos que existem apenas 39 livros no Antigo Testamento e 27 livros no Novo Testamento? Não há um só versículo na Bíblia inteira, quer na católica, quer na ortodoxa-oriental, quer na ortodoxa-etíope, quer na protestante, que aponte quais livros pertencem à Bíblia. Isto constitui um sério problema para os cristãos protestantes e do “apenas a Bíblia” que declaram que a sua Bíblia é a única e maior autoridade. Inexplicavelmente para eles, o número de livros da sua Bíblia depende da declaração de fé das suas [respectivas] igrejas, ou de suas pressuposições, ou dos seus concílios eclesiásticos, ou – talvez – “porque o meu pastor me disse isso”. Em outras palavras: eles dependem de uma autoridade extrabíblica para determinar quais livros pertencem à Bíblia; e então eles transformam a Bíblia, com apenas esses livros predeterminados, em sua única e maior autoridade. Mas isso deveria implicar que não temos autoridade extrabíblica para determinar quais livros pertencem à Bíblia! Eis um argumento em círculo, autocontraditório! E os católicos? Possuem eles a mesma razão para conhecer quais livros pertencem à Bíblia, isto é, eles foram determinados pela Igreja Católica?

O nascimento da Igreja se deu no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu [sobre os discípulos], como consta registrado no livro dos Atos (2,1-4), o qual não foi escrito nessa época [mas posteriormente]. Nós não sabemos ao certo quando cada livro do Novo Testamento foi escrito. Segundo os estudiosos, o primeiro livro (1Tessalonicenses) foi escrito, talvez, no ano 50 ou 51 d.C.; o primeiro Evangelho foi escrito depois do ano 70 d.C. Isto significa que a Igreja já existia há duas décadas quando o primeiro livro do Novo Testamento foi escrito; cerca de quatro décadas quando o primeiro Evangelho foi escrito; e, como veremos depois, antes de os judeus fecharem o cânon de suas próprias Escrituras [=o Antigo Testamento judaico]!

As palavras de Cristo primeiramente circularam de forma oral e só depois, uma parte foi colocada na forma escrita nos Evangelhos. Assim, pelo Evangelho segundo Mateus, sabemos que Cristo teve a intenção de dar aos seus Apóstolos autoridade sobre a Sua Igreja. Ele conferiu a Pedro (cf. Mateus 16,19) e, depois, aos demais Apóstolos (cf. Mateus 18,18), a autoridade para atar e desatar. Tudo o que eles atassem na terra seria atado no Céu e tudo o que eles desatassem na terra seria desatado no Céu. Em grego, “atado e desatado no Céu” encontra-se no modo (passivo) perfeito, enquanto que “atar e desatar na terra” está no modo (ativo) aorista. Ao contrário do inglês, o modo perfeito no grego indica a continuidade de uma ação passada completa; isto quer dizer que Pedro e os Apóstolos atarão ou desatarão aquilo que já foi atado ou desatado no Céu, por Deus obviamente – e não o inverso, como alguns poderiam pensar.

Os católicos creem que os Apóstolos transmitiram a mesma autoridade para os seus sucessores, os bispos; a isto, chamam de ‘sucessão apostólica’. Tanto as Igrejas Católica (no Ocidente) quanto a Ortodoxa (no Oriente) sustentam a sucessão apostólica. A sucessão apostólica pertence ao que é chamado de ‘Tradição’ (com ‘T’ maiúsculo); você não a encontrará na Bíblia. Mas nós sabemos que Cristo prometeu aos seus Apóstolos que estaria com eles até o fim dos tempos (cf. Mateus 28,20); que enviaria o Espírito Santo para estar com eles para sempre (João 14,16), para ensinar-lhes todas as coisas e relembrar-lhes tudo o que Ele havia dito a eles (João 14,26); e que as portas do Hades não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mateus 16,18). O Novo Testamento não diz em parte alguma que estas divinas promessas seriam válidas apenas para os primeiros 300 anos [da Igreja], isto é, até o imperador romano Constantino, em 313 d.C., legalizar o Cristianismo; ou para os primeiros 15 séculos [da Igreja], ou seja, até a Reforma [Protestante]. Possuindo a mesma autoridade, o Papa e os bispos (em união com ele) possuem o poder para atar e desatar, e tudo o que eles atam ou desatam não nos vem a partir deles, mas já foi atado ou desatado no céu. Não surpreende então que Paulo tenha se referido à Igreja como a coluna e o fundamento da verdade (cf. 1Timóteo 3,15); e certamente ele não estava escrevendo sobre a igreja (ou igrejas) que somente viriam a existir no século XVI e posteriores. Esta é a razão pela qual os católicos creem que a Igreja com origem apostólica tem o poder para determinar quais livros pertencem à Bíblia. A Igreja não está acima da Bíblia, mas é guiada pelo Espírito Santo prometido pelo próprio Cristo.

Por que demoraria 16 séculos para [a Igreja] promulgar o cânon (=lista dos livros inspirados) da Bíblia? O mesmíssimo cânon foi declarado pelo Concílio Provincial de Hipona, no norte da África, em 393 d.C. e reafirmado pelos Concílios de Cartago, também no norte da África, em 397 e 419 d.C. Os cristãos dos três primeiros séculos ainda não tinham fechado o cânon, pois eles ainda não concordavam entre si sobre quais livros pertenceriam à Bíblia, quer do Antigo, quer do Novo Testamento. Os então denominados “livros disputados” do Antigo Testamento eram Ester e os livros deuterocanônicos; e, no Novo Testamento, eram Hebreus, Tiago, Judas, 2Pedro, 2João, 3João e Apocalipse. A mais antiga lista contendo os mesmos 27 livros que constam atualmente no Novo Testamento católico, ortodoxo-oriental e protestante é de 367 d.C.[7]. A lista dos livros do Antigo Testamento que concorda com a Bíblia católica é de 382 d.C.[8], enquanto que uma [lista pessoal] que concorda com o Antigo Testamento protestante é de 391 d.C.[9]. O Concílio de Trento, em 1546, foi o Concílio Ecumênico que explicitamente promulgou a canonicidade dos 73 livros da Bíblia Católica, embora a mesmíssima lista de livros do Antigo Testamento conste do Concílio Ecumênico de Basileia-Ferrara-Florença-Roma (cf. Sessão XI, de 04.02.1442). A Igreja Ortodoxa Oriental declarou o cânon da sua Bíblia no Sínodo de Jerusalém, em 1672. No caso dos protestantes, a Igreja Reformada, pelo artigo 4º da Confissão Belga, de 1561 e o capítulo 1 da Confissão de Fé de Westminster, em 1647, declarou a canonicidade dos 66 livros de sua Bíblia.

2. NÓS DEVERÍAMOS CONFIAR NOS JUDEUS PARA DETERMINAR QUAIS LIVROS PERTENCEM AO ANTIGO TESTAMENTO, JÁ QUE ELES MANIFESTAVAM OS ORÁCULOS DE DEUS (CF. ROMANOS 3,2)

Quando os judeus fecharam o cânon de suas Escrituras, isto é, o Antigo Testamento? Os protestantes e os cristãos do “apenas a Bíblia” deveriam afirmar que foi antes da vinda de Cristo, já que isto concordaria com a sua alegação baseada em Romanos 3,2. Infelizmente, tal afirmação não é apoiada nem pela Bíblia, nem por fontes judaicas confiáveis. Se o cânon da Escritura judaica tivesse sido fechado antes da vinda de Cristo, poderíamos esperar que tanto Ele quanto os seus Apóstolos citassem apenas a partir desse cânon fechado; mas esse não é o caso, como veremos posteriormente. Segundo a “Enciclopédia Judaica”, a terceira parte da Escritura judaica (‘Ketuvim’ ou ‘Os Escritos’) foi fechada no século II depois de Cristo[10]. O Eclesiástico (ou Sirácida) foi citado como Escritura pelo Talmude judaico[11], composto após o séc. II d.C.

E sobre o Concílio de Jâmnia (ou Javneh), que supostamente no ano 90 d.C. fechou o cânon da Escritura judaica? A hipótese do Concílio de Jâmnia foi criada com base na Misná judaica, que simplesmente discute o status canônico de Cântico dos Cânticos e Eclesiastes. Todas as fontes acima mencionadas indicam que o cânon judaico foi fechado após a crucificação de Cristo. Os cristãos não estão obrigados a seguir a decisão judaica obtida após a crucificação de Cristo, já que Ele nos disse, através da sua parábola dos vinhateiros arrendatários (cf. Mateus 21,33-41), que a vinha seria entregue a outros arrendatários (versículo 41).

Observe então que a existência de Escrituras ou até mesmo de toda a Escritura (2Timóteo 3,16) na época de Cristo e na Era Apostólica não implica automaticamente na existência de um cânon fechado. Daniel lê Jeremias como Escritura no ano 1 do reinado de Dario, o meda, antes dos profetas Ageu e Zacarias receberem e escreverem as palavras do Senhor no ano 2 do reinado de Dario.

3. O NOVO TESTAMENTO NUNCA CITA OS LIVROS APÓCRIFOS

Se ser citado pelo Novo Testamento é requisito para figurar no cânon, então [devemos observar que] o Novo Testamento também não cita Ester, Cântico dos Cânticos e Eclesiastes. E o Novo Testamento também faz citações externas ao Antigo Testamento, seja católico, seja protestante. [São] Jerônimo chegou a ver o manuscrito de uma obra apócrifa (atualmente perdida), atribuída a Jeremias, que possuía as exatas palavras citadas por Mateus 27,9[12]. O que Paulo escreve em 1Coríntios 2,9, precedido pela frase “está escrito”, não concorda exatamente com Isaías 64,4; segundo o “Ambrosiaster”[13], escrito por volta do século IV d.C., trata-se de uma citação do apocalipse apócrifo de Elias. Paulo escreveu, em 1Coríntios 10,4, sobre a rocha espiritual que seguia os israelitas durante o Êxodo; e cita também, em 2Timóteo 3,8 o nome de dois magos que se opuseram a Moisés; ambos os casos não constam do livro do Êxodo. Em 2Pedro 2,22, [a expressão de] Provérbios 26,11 é colocada em paralelo com um provérbio extrabíblico. Judas 1,9 cita a partir [do livro] da Ascensão de Moisés[14] e Judas 1,14-16 cita a partir de 1Enoque 1,9.

A resposta-padrão [que os protestantes dão] para as citações não-escriturísticas acima apontadas é que elas não são indicadas como Escritura, tal como a citação retirada do poeta cretense Epimênides, em Atos 17:28 e Tito 1,12. Porém, as citações feitas a partir de obras não-judaicas eram obviamente não-escriturísticas para os judeus (apesar de, como veremos posteriormente, a Palavra de Deus poder vir através de não-judeus); porém, 1Enoque é citado da mesma maneira que Mateus 15,7-9 cita Isaías 29,13 (a partir da LXX).

Também encontramos citações retiradas [de fontes] escriturísticas desconhecidas em João 7,38 e Tiago 4,5; em ambos os casos, as citações são precedidas pela frase “a Escritura diz”.

Conclusão: ser citado pelo Novo Testamento não é critério de canonicidade, do mesmo modo que não ser citado pelo Novo Testamento não é critério para a não-canonicidade.

4. NENHUM DOS LIVROS APÓCRIFOS RECLAMA PARA SI INSPIRAÇÃO

A maioria dos 66 livros da Bíblia protestante também não reclama para si inspiração. Quem insiste nisto deveria ser capaz de apresentar pelo menos 1 versículo de cada livro, que reclame explicitamente inspiração para si próprio.

Ester, sem os capítulos constantes da LXX, no Antigo Testamento católico ou ortodoxo-oriental, nem mesmo menciona Deus[15] e não é citado pelo Novo Testamento. Por outro lado, 1Enoque menciona Deus e é citado uma vez pelo Novo Testamento (Judas 4,16); no entanto, somente a Igreja Ortodoxa Etíope o considera como inspirado.

E Paulo declarou, em 1Coríntios 7,12, que o que ele escrevia ali não vinha de Cristo, mas dele mesmo; ainda assim, nós o consideramos inspirado.

5. OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM ESCRITOS APÓS A MORTE DOS ÚLTIMOS PROFETAS DE ISRAEL

Segundo o historiador judeu [Flávio] Josefo, que viveu no século I d.C., os livros da Escritura judaica foram escritos entre Moisés e o reinado do rei persa Artaxerxes[16]. Sem apontar os títulos, Josefo contou 22 livros: 5 livros da Lei, 13 livros dos Profetas e 4 livros de hinos e condutas de vida. Os protestantes citam a declaração de Josefo e também aquela que se encontra em 1Macabeus 9,27 (“os profetas deixaram de aparecer entre os israelitas”), ambas retiradas de fontes exteriores à sua Bíblia, como prova da canonicidade de seus 39 livros do Antigo Testamento.

Os últimos profetas judeus foram Ageu, Zacarias e Malaquias, mas onde a Bíblia diz que as palavras de Deus eram dadas apenas pelos profetas? As palavras proferidas por Balaão (Números 22,7-10.18-24; 24,2-9) vieram de Deus, muito embora Balaão não fosse profeta e nem mesmo judeu. De modo semelhante, conforme 2Crônicas 35,22, Deus falou através de Neco, rei do Egito; e, em João 11,51, Caifás profetizou. É o próprio Cristo que nos deixa saber que a Lei e os Profetas foram profetizados até João Batista (Mateus 11,13), logo não houve [total] silêncio no período entre os últimos profetas e João Batista. Encontramos [inclusive] Cristo profetizado em Sabedoria 2,12-20.

6. CRISTO APROVOU OS LIVROS QUE PERTENCIAM À ESCRITURA JUDAICA (IGUAL AO ANTIGO TESTAMENTO PROTESTANTE) QUANDO DISSE, EM LUCAS 11:51, “DO SANGUE DE ABEL AO SANGUE DE ZACARIAS”

Já que encontramos Abel no livro do Gênesis (capítulo 4) e Zacarias no livro das Crônicas (2Crônicas 24,20-21), estes dois livros corresponderiam [exatamente] ao primeiro e ao último livro da Escritura judaica. Mas isto demonstra que o Antigo Testamento aprovado por Cristo era a Escritura judaica? Há 2 problemas para este argumento:

Primeiro: a ordem dos livros na Escritura judaica não é estático. Crônicas é o último livro da atual Escritura judaica, mas nem sempre foi assim. A Escritura judaica possui 3 partes: a Lei (5 livros), os Profetas (8 livros) e os Escritos (11 livros). A “Enciclopédia Judaica”[17] apresenta 8 ordens diferentes dos livros dos Escritos; em três delas, Crônicas vem como primeiro livro. Aqueles que confiam no testemunho de Josefo deveriam saber que Crônicas não pode ser o último livro porque os últimos cinco livros, conforme Josefo, são livros de hinos e conduta de vida.

Segundo: O Zacarias de Crônicas (que era sacerdote e não profeta), era filho de Jeoiada, embora o versículo paralelo de Mateus 23,55 identifique-o como filho de Baraquias. Muito provavelmente Cristo está se referindo ao profeta Zacarias, filho de Berequias (cf. Zacarias 1,1; Esdras 5,1), o qual, juntamente com Ageu e Malaquias, foram dos últimos profetas judeus.

7. OS LIVROS APÓCRIFOS NÃO PODEM SER INSPIRADOS PORQUE CONTÊM MUITOS ERROS E CONTRADIÇÕES EM RELAÇÃO AOS 66 LIVROS DA BÍBLIA PROTESTANTE

Infelizmente, o mesmo se aplica aos 66 livros da Bíblia protestante, embora, por razões óbvias, eles não chamem tais problemas como “erros e contradições”, mas como “dificuldades ou discrepâncias”. Geisler e Howe escreveram o “Grande Livro de Dificuldades Bíblicas”, publicado pela Baker Books em 1992, tratando dessas dificuldades, do Gênesis ao Apocalipse (de todos os seus 66 livros). Uma outra obra escrita por Haley, “As Alegadas Discrepâncias da Bíblia”, é um clássico (lançado pela primeira vez em 1874); suas mais de 400 páginas tratam de discrepâncias que ele agrupa em três [categorias]: doutrinárias, éticas e históricas. Estes [dois] livros foram escritos para oferecer solução para essas dificuldades e o número de páginas [escritas] nos diz que não são poucas [as discrepâncias].

Isto é compreensível, já que católicos e protestantes (além dos cristãos do “apenas a Bíblia”) creem na inerrância da Escritura. Os não-cristãos podem rejeitar a solução: uma vez que decidiram não aceitar a inspiração desses 66 livros, não lhes importa a quantidade de explicações; nunca ficarão satisfeitos. Do mesmo modo, os católicos estão conscientes das dificuldades existentes nos livros deuterocanônicos e também oferecem solução. Os protestantes e os cristãos do “apenas a Bíblia” podem não aceitar a solução, já que aqui se comportam como os não-cristãos; uma vez que decidiram previamente, sem qualquer apoio escriturístico, que a Bíblia compreende apenas 66 livros, não importa quanta explicação lhes seja dada; não ficarão satisfeitos.

Vamos examinar algumas dificuldades ou discrepâncias nos 66 livros da Escritura protestante (que também fazem parte da Bíblia católica) e a solução proposta, condensada das obras de Haley ou Geisler/Howe, ou de ambas, se for o caso:

– Em Samuel 24,1, Deus move Davi a ordenar a contagem do número de israelitas, mas no versículo paralelo de 1Crônicas 21,1 é dito que foi Satanás (o diabo) quem o moveu. A solução proposta por Geisler/Howe (pág. 177) é que Deus permitiu que Satanás incitasse Davi a contar os israelitas.

Salmo 5,4 e Jeremias 29,11 dizem que Deus não é fonte do mal, mas Isaías 45,7, Jeremias 18,11, Lamentações 3,38 e Amós 3,6 atribuem o mal a Deus. A palavra “mal” nesses versículos é traduzida a partir da mesma palavra hebraica. Segundo Haley (pág. 77), o vocábulo “mal” em Isaías 45,7, Jeremias 18,11, Lamentações 3,38 e Amós 3,6 significa o mal natural (como vulcão, guerra, praga, terremoto, fogo) e não o mal moral como em Salmos 5,4 e Jeremial 29,11.

– Êxodo 21,7-11 permite a um homem judeu vender sua filha como escrava; o proprietário não pode revendê-la para não-judeus; Êxodo 21,20-21 permite ao proprietário de escravos castigar o seu escravo, seja ele homem ou mulher, e só será punido se ele ou ela vier a morrer [em decorrência dos castigos]. O escravo (ou a escrava) será libertado se vier a perder o olho ou o dente (Êxodo 21,26-27). Contrariamente, Colossenses 4,1 diz que o proprietário deve tratá-los com justiça e equidade. Nem Haley nem Geisler/Howe mencionam esta dificuldade em seus livros, embora este último escreva uma página (págs. 509-510) sobre a condenação da escravidão usando versículos da Bíblia; por exemplo, eles escrevem que os servos devem ser tratados com respeito e [curiosamente] fazem referência a Êxodo 21,20.26 para suportar tal declaração!

– “Não matarás” (Êxodo 20,13) é o Mandamento de Deus; mas em 1Samuel 15,3, Ele manda Saul aniquilar toda Amaleque, inclusive mulheres e crianças. Em Salmos 137,9, o Salmista se alegra por aqueles que tomaram crianças (da filha de Babilônia) e as lançaram contra as rochas! Geisler/Howe (pág. 161) afirmam que os amalequitas eram pecadores e mereciam essa punição severa. Isto incluiria suas crianças porque mais tarde poderiam se levantar odiosamente contra o povo e o plano de Deus. Em acréscimo, estes [autores] escrevem que as crianças que morreram antes da idade da razão foram salvas. Para o Salmo 137, Geisler/Howe escrevem (pág. 243) que o Salmista não se rejubilava pelo lançamento das crianças contra as pedras, mas pela justiça retributiva de Deus, que retornava a crueldade sobre os babilônios, como justa punição por seus crimes [contra o povo de Israel].

– Em Marcos 2,26, Cristo chama Abiatar de sumo sacerdote quando Davi e seus homens comeram o pão da Presença; mas 1Samuel 21,1-6 diz que o sumo sacerdote nessa ocasião era Aimeleque, pai de Abiatar. A solução proposta por Haley (pág. 320) é que Abiatar estava agindo como substituto do seu pai. Segundo Geisler/Howe (pág. 370), a frase “nos dias de Abiatar” não implica necessariamente que ele fosse o sumo sacerdote na ocasião em que Davi comeu o pão; com efeito, teria ocorrido na época de Abiatar, mas não durante sua posse do cargo [de sumo sacerdote].

– Conforme Daniel 5,30, os babilônios foram derrotados por Dario, o meda, que reinou antes de Ciro (Daniel 6,28). Dario, o meda, é figura fictícia, inexistente na História; ele foi criado após Dario I, segundo sucessor de Ciro. A solução proposta por Geisler/Howe (pág. 295) é que Dario, o meda, era na verdade Gubaru, a quem Ciro nomeou como governador de toda a Babilônia.

– Ester manteve relação sexual extraconjugal com o rei Assuero – o que [popularmente] conhecemos por “uma rapidinha” – violando [o Mandamento de] Êxodo 20,14: “Não cometerás adultério”. Embora posteriormente o rei a tenha tornado rainha, o casamento entre judeus (sejam homens ou mulheres) e não-judeus (ou gentios) era proibido por Neemias 10,30 (muito embora Moisés, Boaz e alguns outros [judeus] tenham se casado com não-judeus). Geisler/Howe argumentam (pág. 220) que Ester não teve escolha porque ela foi levada para o palácio do rei, embora tenha insistido que não faria nada explicitamente imoral.

– Em João 8,14, Cristo disse: “Ainda que Eu desse testemunho de Mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro”, no entanto, em João 5,31, Ele havia dito: “Se Eu testemunhasse a Mim mesmo, meu testemunho não seria verdadeiro”. A solução proposta por Geisler/Howe (pág. 410) é que tudo o que Jesus disse é realmente verdadeiro, mas oficialmente não seria considerado como verdadeiro se não fosse testemunhado por duas ou três testemunhas, conforme declarado em Deuteronômio 19,15.

– Após sua conversão em Damasco, Paulo escreveu que não iria para Jerusalém, mas para a Árabia; então retornou para Damasco e somente três anos depois foi para Jerusalém onde encontrou apenas Cefas (Pedro) e Tiago (cf. Gálatas 1,17-20); e, no versículo 20, ele diz que não mente. Mas Atos 9,23-27 indica que ele foi para Jerusalém, vindo de Damasco, onde Barnabé o levou para se encontrar com os Apóstolos e não apenas com Pedro e Tiago. Tanto Haley como Geisler/Howe omitem esta dificuldade em seus livros.

– Paulo escreveu que Abraão foi justificado pela fé (cf. Romanos 4,1-4), mas Tiago 2,21 diz que ele foi justificado pelas obras. Obviamente, este tem sido o [grande] problema protestante desde a Reforma, quando os Reformadores insistiram que a justificação advém em um único momento e apenas pela fé. Geisler/Howe (págs. 527-528) escrevem que Paulo e Tiago falam de justificações diferentes: Paulo escreve sobre a raiz da justificação e Tiago escreve sobre o fruto da justificação; a justificação de Paulo é a justificação perante Deus, enquanto que a justificação de Tiago é a justificação perante os homens. Os católicos, que creem que a justificação é um processo em constante andamento e não advém apenas pela fé, não enxergam contradição entre Paulo e Tiago: ambos falam da mesma justificação.

Vamos agora ver alguns problemas comumente apontados nos livros deuterocanônicos (ou apócrifos [para os protestante]) e suas soluções:

Problema histórico no livro de Judite, onde o rei da Babilônica Nabucodonosor é tido por rei da Assíria: existem duas soluções para esta dificuldade. A primeira considera Judite como uma novela teológica ou uma parábola ou alegoria que quer transmitir uma mensagem; declarando Nabucodonosor como rei da Assíria, o escritor compõe um só conquistador para ambos os reinos, do Norte (Israel) e do Sul (Judá). [Historicamente] o reino assírio conquistou o reino do Norte (Israel) em 722 a.C., enquanto que o novo império babilônio fez o mesmo, com relação ao reino do Sul, em 586 a.C. A segunda solução considera Judite como uma narrativa histórica, onde Nabucodonosor seria o nome alternativo de um rei assírio, tal como ocorre com Dario, o meda, em Daniel 5,30, que seria o general de Ciro, chamado Gobiru (que, aliás, não era meda).

– Problema ético no livro de Judite: ela mentiu para Holofernes acerca da sua verdadeira missão e, através da sua beleza, atraiu-o para a morte. O anjo Rafael, no livro de Tobias (5:12), também representou [falsamente] uma pessoa chamada Azarias: Em 1Samuel 16,1, Deus pediu para Samuel ir a Belém para ungir o próximo rei de Israel, mas ele temia que Saul o matasse. Certamente, Deus era capaz de proteger Samuel de Saul, mas Ele manda dizer que, se perguntado, havia ido lá para oferecer o sacrifício, ou seja, escondendo sua verdadeira missão. Do mesmo modo, Judite oculta de Holofernes sua verdadeira missão; e embora ela, por sua beleza, o atraia para a morte, ao contrário de Ester, não teve relação sexual [ilícita] com ele. No que diz respeito ao [anjo] Rafael representar um ser humano, conforme Hebreus 13,2, os homens, demostrando hospitalidade aos estrangeiros, podem receber anjos [cuja identidade] desconhecem (ou seja, os anjos não revelarão sua identidade; e foi exatamente isto o que o anjo Rafael fez).

– A Igreja Católica declarou os livros apócrifos como inspirados porque eles apoiam ensinamentos católicos antibíblicos, como a oração pelos mortos (2Macabeus 12,38-46) e a salvação pelas obras, mediante esmolas para libertar [as almas dos] mortos e purgar-lhes os pecados (Tobias 12,9): a oração pelos mortos está intimamente ligada ao Purgatório. Os santos no céu não precisam mais das orações dos santos na terra (que são encorajados a orar uns pelos outros) e não há sentido em orar por aqueles que estão no inferno. Mas existe um terceiro local que os católicos chamam de Purgatório, onde aqueles que morreram com pecados leves são limpos dos seus pecados. A doutrina católica sobre o Purgatório é bem difícil de ser aceita pelos protestantes e cristãos do “apenas a Bíblia”. Mas ela não se apoia apenas em 2Macabeus 12,38-46; a Bíblia se refere a Deus como “fogo purificador” (Malaquias 3,2), que purifica alguns como alguém que purifica a prata (Zacarias 13,8-9). E o que está escrito em Tobias 12,9 se relaciona com as recompensas de nossas boas obras. Ninguém pode negar que Deus recompensa nossas boas obras (Provérbios 13,13; Salmos 18,20; 2João 1,8; Apocalipse 22,12 etc.) e Ele nos recompensa inclusive com a vida eterna (João 5,28-29; Romanos 2,6-7). Os católicos compreendem estas recompensas como dons de Deus; elas NÃO são algo que mereçamos (tal como merecemos os nossos salários); também não há que se falar em salvação pelas obras no Catolicismo. Com efeito, Tobias 12,9 fala acerca das recompensas de nossas boas obras tal como 1Pedro 4,8 diz que a caridade cobre uma multidão de pecados; da mesma formas que Tiago 5,20 diz que todo aquele que converte um pecador de seu erro salvará sua alma e cobrirá uma multidão de pecados. Não soa semelhante a Tobias 12,9 se substituímos “recompensa” por “converter um pecador de seu erro”? Nenhum protestante dirá que Tiago 5,20 contradiz outros versículos que dizem que Cristo é o único Salvador, como Atos 4,12.

– Tobias encoraja a prática supersticiosa em 6,16-17, onde a fumaça produzida da queima de coração e fígado de peixe é usada para assustar o demônio: obviamente, os protestantes e cristãos do “apenas a Bíblia” têm problemas com o sistema de sacramentais católicos. Eis o motivo porque rejeitam as práticas católicas que, para eles, são supersticiosas, como essa declarada em Tobias 6,16-17, a veneração de relíquias, o uso de escapulários e até mesmo os sete Sacramentos. O sistema de sacramentais é a crença de que Deus pode derramar Sua graça e auxílio através de símbolos visíveis ou materiais. Observe que Deus pode derramar Sua graça e auxílio diretamente (Ele não está limitado a fazer uso de símbolos materiais ou visíveis), mas em certos casos Ele prefere fazê-lo e existem muitos exemplos disso na Bíblia, não somente em Tobias 6,16-17: Deus pede para Moisés fazer uma serpente de bronze e colocá-la num poste para que todo aquele que a vir, após ter sido picado por uma serpente real, possa viver [Números 21,8]; o profeta Eliseu pede para Naamã lavar-se no rio Jordão para curar sua lepra (2Reis 5,10-14); os ossos do profeta Eliseu foram capazes de trazer de novo à vida um homem que falecera (2Reis 13,21); Cristo podia curar cegos diretamente (Marcos 10,52; Lucas 18,42-43), mas em João 9,6 Ele preferiu usar terra misturada com a sua saliva; da mesma forma, muitos foram curados ao tocar a franja ou a bainha[18] das Suas vestes (Mateus 9,20; 14,36); lenços e aventais, após tocarem o corpo do apóstolo Paulo, eram capazes de curar enfermos e afastar espíritos maus (Atos 19:12).

—–
NOTAS:
[1] É o acrônimo de
Torah (a Lei; ou, em grego, Pentateuco), Nevim (os Profetas) e Ketuvim (os Escritos; ou, em grego, Hagiógrafos ou Escritos Sagrados).
[2] LXX ou Septuaginta é a coleção dos livros do Antigo Testamento escritos em grego. A maioria das citações do Novo Testamento são retiradas da LXX. O Antigo Testamento católico e protestante são traduzidos a partir do Texto Massorético (em hebraico), mas os livros são agrupados segundo a ordem da LXX.
[3] Conforme listagem na Bíblia de Estudo Ortodoxa; 4Macabeus e a Prece de Manassés constam do Apêndice, segundo a “Orthodox Wiki”.
[4] Cf. http://ethiopianorthodox.org/english/canonical/books.html .
[5] Livros “deuterocanônicos” e “protocanônicos”, significando “segundo” e “primeiro” cânons, respectivamente, são termos cunhados por Sisto de Siena (1520-1569).
[6] “Apócrifo” significa “oculto”; desde o tempo de S. Jerônimo (+420 d.C.) é normalmente usado para rotular os livros que podem ser encontrados na LXX mas não na Bíblia hebraica.
[7] S. Atanásio, Carta Festal 39.
[8] Papa Dâmaso (+384 d.C.): Decreto Gelasiano.
[9] S. Jerônimo, Prefácios dos Livros do Antigo Testamento da versão Vulgata. Jerônimo incluiu na Vulgata (e fez referência a eles) como livros apócrifos.
[10] Por outro lado, há boa evidência demonstrando que a coleção do Ketuvim, como um todo, assim como certos livros dentro dela, não era aceita até ser finalmente fechada no séc. II d.C.
[11] Conforme a nota acima, a prática de chamar toda a Escritura por “a Lei e os Profetas” pressupõe um lapso considerável de tempo entre a canonização da segunda e terceira partes da Bíblia. O fato de a última divisão não possuiu um nome certo aponta nessa mesma direção. E mesmo a designação finalmente adotada, “Ketuvim”, é indeterminada, visto que é empregada no hebraico rabínico em dois sentidos: para as Escrituras em geral e para trechos de textos em particular.
[12] “Encyclopaedia Judaica”, Volume 4 pág. 824.
[13] [Novamente] Raba disse a Rabbah ben Mari: “Poderia daí provir o ditado popular: ‘Um ramo ruim normalmente fará seu caminho para um bosque de árvores estéreis’?” Ele respondeu: “Esta matéria foi escrita no Pentateuco, repetida nos Profetas, mencionada uma terceira vez nos Hagiógrafos, e também constante na Mishná e ensinada em um Baraita. Foi declarado no Pentateuco, conforme está escrito, que ‘então Esaú veio até Ismael’ [Gênesis 28,9]; repetido nos Profetas, conforme está escrito: ‘E ali homens ociosos se juntaram a Jefté e saíram com ele’ [Juízes 11,3]; e mencionado uma terceira vez nos Hagiógrafos, conforme está escrito: ‘Cada ave habita perto de sua espécie e [cada] homem perto de sua igual’ [Eclesiástico 13,15]”.
[14] Talmude Babilônio, Seder Nazikin, Baba Kamma 92b
.
[15] Traduzido por E.W. Kirzner, Soncino Press (1961).
[16] “E R Aha b. Jacob disse: ‘Existe ainda um outro céu acima das cabeças das criaturas vivas, pois está escrito: E sobre as cabeças das criaturas vivas existiu algo com a semelhança de um firmamento, com a cor do terrível gelo, estendido acima de suas cabeças’ [Ezequiel 1,22]. Assim, quanto mais você tiver permissão para falar, daí em diante não terá permissão para falar, pois assim está escrito no livro de Ben Sirac: ‘Não procures as coisas que são difíceis para ti, nem as coisas que estão escondidas de ti. Penses então nas coisas que te foram permitidas e não tenhas contato com as coisas que te são ocultas’ [Eclesiástico 3,21-22]”.
[17] Talmude Babilônio, Seder Mo’ed, Hagigah 13a.
[18] Traduzido por Israel Abrahams, Soncino Press (1961).
[19] S. Jerônimo, Comentário sobre Mateus 4,27,10, in “Ancient Christian Commentary of Scripture, New Testament”, Vol. 1b, Inter Varsity Press, 2002, pág. 275.
[20] Ambrosiaster, Comentário sobre 1Coríntios, in “Ancient Christian Commentary of Scripture, New Testament, Vol. 7”, Inter Varsity Press, 2002, pág. 23. “Ambrosiaster” (=pseudo-Ambrósio) foi o nome dado pelo teólogo Erasmo (1466-1536) para o autor anônimo do séc. IV que escreveu um comentário de todas as cartas de S. Paulo.

[21] Cf. Orígenes (+251 d.C.), Dos Princípios 3,2. Nenhum manuscrito da Ascensão de Moisés sobreviveu até os nossos dias.
[22] Cf. Geisler/Howe, o nome de Deus é encontrado no livro de Ester, na forma acróstica, em quatros pontos cruciais da história (Ester 1,20; 5,4; 5,13; 7,7), duas vezes para o futuro e duas vezes para o passado (Geisler/Howe, “The Big Book of Bible Difficulties”, pág. 219).
[23] [Flávio] Josefo, Contra Apião 1,8,38-40.
[24] “Encyclopaedia Judaica”, vol. 4, págs. 829-830.
[25] Em grego, “kraspedon”; refere-se às borlas, apêndices anexados aos mantos para que os judeus pudessem se lembrar da Lei.

Em João 21,15-19, Jesus parece ter perdido a confiança em Pedro…

Autor: This Rock Magazine – Julho/1990
Fonte: http://www.catholic.com
Tradução: Carlos Martins Nabeto

– Por que Jesus precisou perguntar 3 vezes a Pedro se ele O amava (João 21,15-19)? Nosso Senhor não parece ter perdido a confiança em Pedro, contradizendo assim a alta estima que os católicos nutrem por Pedro? (Anônimo)

Os católicos não desejam dirigir a Pedro uma estima superior àquela que Jesus nutria. As afirmações que fazemos sobre o Papado têm como origem as simples declarações da própria Escritura.

E essa passagem é um ótimo exemplo. Antes de mais nada, Jesus está certamente lembrando Pedro do seu pecado de covardia, por tê-Lo negado 3 vezes (Mateus 26,69-75), para que se arrependa e volte a estar em plena comunhão com Cristo.

A maioria das pessoas percebe esta conexão entre a “tripla negação” e a “tripla reafirmação” de lealdade a Cristo, conseguindo então apreciar a habilidade pastoral exercida e consumada por Nosso Senhor, que permitiu a Pedro uma chance de “anular” o seu comportamento anterior.

Mas há algo mais aí. João 21 é o modelo clássico de um gênero de narrativa bíblica conhecido como “Chamado Profético”. As “narrativas de Chamado” frequentemente seguem uma forma padronizada de tripla repetição. Com efeito, a tripla repetição da ordem para que Pedro cuide do rebanho de Cristo serve para sublinhar o fundamento divino do seu múnus e autoridade.

O Papa proclama 3 novos Santos para a Igreja

Vaticano, 23 Out. 11 / 03:19 pm (ACI/EWTN Noticias)

Diante dos milhares de peregrinos que se fizeram presentes na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI proclamou hoje, Domingo Mundial das Missões, três novos Santos que se entregaram por completo ao anúncio apaixonado do Evangelho e ao serviço ao próximo.

Em uma solene cerimônia na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI canonizou o beato Guido Maria Conforti (1865-1931), Bispo da Parma (Itália), e Fundador da Pia Sociedade São Francisco Javier para as Missões Exteriores; Dom Luigi Guanella (1842-1915), conhecido como o “Apóstolo da caridade”, sacerdote italiano Fundador da Congregação dos Servos da Caridade e do Instituto das Filhas de Santa Maria da Providência; e à espanhola Bonifácia Rodríguez de Castro (1837-1905), Fundadora da Congregação das Servas de São José.

Em sua homilia, o Santo Padre recordou que o Senhor deve ser parte fundamental da vida cotidiana de cada fiel: “Ele deve estar presente como diz a Escritura, penetrar em todos os estratos de nosso ser e enchê-los totalmente: o coração deve saber Dele e deixar-se tocar por Ele, e assim a alma, as energias de nosso querer e decidir, assim também como a inteligência e o pensamento. É um poder dizer ‘já não vivo eu, mas é Cristo quem vive em meu’”.

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Orientações do Vaticano para uma leitura correta das Sagradas Escrituras

Fonte: Dominus Vobiscum

Além dos cinco pontos que citei no post [Que parâmetros devemos ter para ler as Sagradas Escrituras?] para uma leitura correta das Sagradas Escrituras, encontrei algumas observações interessantes na Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação divina, Dei Verbum, que recomenda três pontos ao se ler a Palavra de Deus:

1. Conteúdo e unidade da Escritura inteira – Quer dizer, não interpretar uma parte da Escritura fora do seu contexto integral. Muitas vezes um versículo só será bem entendido quando lido juntamente com outros.

Lembro-me de uma história que me contaram. Uma mulher estava com depressão, com vontade de morrer e resolveu “abrir a bíblia” para ver se havia um versículo que lhe desse uma direção. Ela abriu a bíblia e caiu no Evangelho…

Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se.
(Mt 27,5)

Óbvio que aquela Senhora assustou-se com a palavra. Resolveu pegar uma outra palavra. E veio esta:

…Vai, e faze tu o mesmo…
(Lc 10,37)

Portanto, não podemos analisar a Bíblia fora do seu contexto. Um velho jargão nos ensina que: Um texto fora do contexto vira pretexto. Eu não posso sair por ai, interpretando a bíblia do meu jeito. Não posso sair “abrindo a bíblia” e interpretando um versículo isolado sem ler o contexto da palavra.

2. A Tradição viva da Igreja – A interpretação da Palavra de Deus nunca pode estar em desacordo com a Tradição da Igreja e vice-versa. A Palavra e a Tradição nunca andam desalinhadas. A palavra dos Papas, Santos Padres da Igreja e seus doutores estão sempre de acordo com a Palavra.

3. Analogia da fé – Como havia dito antes. Uma parte da Bíblia nunca poderá estar em desacordo com a outra. Precisamos sempre verificar a coesão das verdades da fé entre si. Uma não pode ser oposta a outra, pois o Espírito Santo não se contradiz.

Sagrada Tradição, Sola Scriptura e a Divisão Católica

Fonte: Veritatis Splendor

Introdução

Em muitos de nossos artigos temos falado sobre como a Sola Scriptura tem colaborado para a divisão doutrinária no Protestantismo. Em contrapartida os protestantes afirmam que a Sagrada Tradição não trouxe para o Catolicismo a unidade doutrinária. E utilizam esta afirmação como desculpa para continuarem professando a Sola Scriptura. Em suma a lógica protestante é esta: a Sagrada Tradição não trouxe unidade doutrinária ao catolicismo então não há motivo para abandonar a Sola Scriptura e/ou aceitar a Sagrada Tradição. Vejamos se este argumento levantado por nossos contendores é válido.

Primeira análise: análise da corroboração histórica e bíblica

Para verificarmos se há verdade na Sola Scriptura devemos verificar se ela foi ensinada pelos Santos Apóstolos. Se examinarmos os escritos dos Pais da Igreja, não acharemos lá a Sola Scriptura. Acharemos sim, eles defendendo a Fé utilizando as Escrituras, mas isso não é Sola Scriptura como alguns sugerem. Da mesma forma os encontraremos defendendo a Fé utilizando o ensino oral dos Apóstolos, ou o que no catolicismo é chamado de Sagrada Tradição.

Nem na Bíblia encontramos a Sola Scriptura, encontraremos sim, versículos dizendo que Escritura é útil para ensinar, exortar na fé. E isso também não é Sola Scriptura. Da mesma forma encontraremos versículos testemunhando que tanto o ensino oral dos Apóstolos também é Palavra de Deus ao lado das Sagradas Escrituras.

Tanto o testemunho histórico quanto o bíblico nega a Sola Scriptura e por isto é suficiente para que esta doutrina humana seja abandonada do meio Cristão; o que não acontece com a Sagrada Tradição que é corroborada por ambos.

Segunda análise: análise da divisão doutrinária católica

Os protestantes normalmente chamam de divisão católica a opinião dos Bispos católicos sobre as questões de fé e moral. Devo informar que a opinião de qualquer clérigo, seja qual for (diácono, padre, Bispo ou Papa) não é doutrina católica. A doutrina católica não é formada pelo conjunto dos pensamentos dos ministros da Igreja, mas sim da Verdade Revelada por Cristo e pelos Apóstolos (Sagrada Tradição e Sagrada Escritura), pelo ensino dos Concílios Ecumênicos e Decretos Papais (Sagrado Magistério), que é claro tem a colaboração de seus clérigos. A síntese de tudo isto pode ser encontrado, por exemplo, no Catecismo da Igreja Católica ou nas Cartas Apostólicas dos Papas.

Desta forma, não pelo fato de existirem (infelizmente) Bispos de orientação TL (Teologia da Libertação) que faz a TL doutrina Católica. A Doutrina Católica possui um corpo bem definido, com fronteiras bem conhecidas pelas quais é possível afirmar se um Bispo lhe é fiel ou não, se está ou não respeitando-a quando ensina algo em nome da Igreja.

Outros protestantes apontam como divisão da doutrina católica a diferença doutrinária entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa. O leitor não deve confundir diferença doutrinária com diferença disciplinar.

A doutrina é o conjunto dos ensinamentos sobre a Fé e a Moral e é imutável. A disciplina é o conjunto de normas que regulam as atividades e a vida religiosa da Igreja, e é mutável. Exemplificando, a fé na Trindade é dogma da Igreja, é faz parte da sua doutrina, e não pode ser mudado, a Igreja manhã não pode dizer que Maria faz parte da Trindade (como alguns malucos andaram sugerindo…). O Celibato dos Padres é uma norma disciplinar, a Igreja amanhã poderá mudar isso e autorizar o casamento dos Padres.

A Igreja Católica é formada por todas as dioceses (1) em plena comunhão com o Bispo de Roma. A Igreja Católica devido à diferença de rito e/ou disciplina classifica-se em Igreja Latina (de rito e disciplina Romanos) e Igreja Oriental (de rito e disciplina Orientais, como a Igreja Católica Melquita, Igreja Católica Maronita, etc). As dioceses chefiadas por Bispos cismáticos (legítimos sucessores dos apóstolos mas que não estão com plena comunhão com o Bispo Romano) fazem parte da Igreja Católica, mas sim da Igreja Ortodoxa, por isso não podem ser chamados de católicos já que não fazem parte da comunhão católica, são tão somente Igrejas Particulares (2). Assim enganam-se aqueles que imaginam uma divisão doutrinária no Catolicismo.

Contextualizando isso, há sim, diferenças doutrinárias entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa. Por exemplo, a grande maioria dos católicos ortodoxos não aceitam a Infabilidade do Bispo de Roma, outros não aceitam as duas naturezas de Cristo (monofisistas) e ainda há aqueles que dizem que o Espírito Santo procede somente do Pai e não também do Filho.

A diferença doutrinária entre Católicos e Ortodoxos é ínfima se comparada com a diferença doutrinária existente entre as milhares de denominações protestantes. A estrada que divide a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa é curta, o que torna a unidade doutrinária entre ambas possível. Há muitos esforços da Santa Sé neste sentido. Já no protestantismo o desejo do Senhor de que todos sejam um (cf. Jo 17,11. Jo 17,21-22) torna-se praticamente é impossível.

Depois do Cisma do Oriente, o desenvolvimento (não invenção) da doutrina que se dava em comunhão entre todos os Bispos, desde o Concílio de Jerusalém, acontecia de forma separada entre Igreja Católica e Ortodoxa. Daí que tem origem as divergências doutrinárias hoje existentes entre as duas Igrejas.

Este delta doutrinário poderia ser maior se não fosse pela Sagrada Tradição, que tem exercido a função de uma verdadeira liga, já que tanto a Igreja Católica como a Igreja Ortodoxa guardam (também) como Palavra de Deus a mesma Sagrada Tradição, e a utilizam como fundamento para o desenvolvimento de suas doutrinas (3).

Conclusão

A atual desculpa protestante para continuar no erro da Sola Scriptura não se sustenta pela análise da corroboração histórica e bíblica, já que esta doutrina não encontra amparo na memória cristã e nem na própria Sagrada Escritura.

Também não se sustenta pela análise da divisão doutrinária católica. Embora a Sagrada Tradição não tenha impedido a divisão doutrinária entre Católicos e Ortodoxos, pela própria natureza desta divisão (como anteriormente foi exposto), ela não corrobora com isto, ao contrário da Sola Scriptura ( já que embute em si própria a dourina do Livre Exame, que faz de cada cristão o seu próprio mestre e professor.). É exatamente a Sagrada Tradição que torna possível que cristãos católicos e ortodoxos se encontrem, caminhando a pé pela estrada que os separa.

Notas

(1) Uma diocese ( do latim diocesis) é uma organização com base territorial que abrange determinada população sujeita á autoridade e administração de um Bispo legítimo, isto é ordenado através da sucessão dos Apóstolos.

(2) “É católica toda a Igreja particular (isto é, a diocese e a eparquia), formada pela comunidade de fiéis cristãos que estão em comunhão de fé e de sacramentos seja com o seu Bispo, ordenado na sucessão apostólica, seja com a Igreja de Roma, que «preside à caridade» (S. Inácio de Antioquia).” (Catecismo da Igreja Católica Compêndio no. 167. ver também CIC 832-835).  A Igreja Particular perde sua catolicidade se não está integrada à Comunhão Católica.

(3) O desenvolvimento doutrinário tanto da Igreja Católica quanto da Igreja Ortodoxa também se apóia na Sagrada Escritura.

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