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Aumentam os católicos no mundo e a metade está na América

VATICANO, 19 Fev. 11 / 11:32 am
(ACI/EWTN Noticias)

Esta manhã foi apresentado ao Papa Bento XVI o Anuário Pontifício 2011 que entre outras coisas revela que os católicos no mundo aumentaram e quase a metade, 49,4 por cento, vive na América.

Os resultados da investigação para este Anuário mostram que os católicos no mundo passaram de ser 1 bilhão e 166 milhões em 2009 a 1 bilhão e 181 milhões em 2009 com um aumento de 15 milhões, quer dizer 1,3 por cento.

Depois da América vem a Europa com 24 por cento, a África com 15, 2 por cento, Ásia com 10,7 por cento e Oceania com 0,8 por cento

Os bispos também aumentaram. Dos 5002 que eram em 2008 em 2009 passaram a 5065, quer dizer um incremento de 1,3 por cento.

Como já se informou há poucos dias, o número de sacerdotes também aumentou, de 405 178 em 2000 a 410 593 em 2009.

O Anuário mostra também que os diáconos permanentes também experimentaram um crescimento de 2,5 por cento, passando de ser 37 203 em 2008 a 38 155 em 2009.

Onde sim se viu uma redução é nos religiosos. Em 2008 eram 739 068 e em 2009 passaram a ser 729 371, quase dez mil menos. Apesar disto as vocações aumentam na África e Ásia.

Os seminaristas também aumentaram em 0,82 por cento, passando de ser 111 024 em 2008 a 117 978 em 2009. Grande parte do aumento também se deve à África e Ásia, com um ritmo de crescimento de 2, 2 e 2, 39 por cento respectivamente. No mesmo período a Europa e América diminuíram suas porcentagens em 1,64 e 0,17 por cento respectivamente.

Encarregado-los de apresentar o Anuário Pontifício 2011 ao Papa Bento XVI foram o Secretário de estado Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone e o Substituto da Secretaria de Estado para os Assuntos Gerais, Dom Fernando Filoni.

Conforme assinala a nota do Escritório de Imprensa do Vaticano, o Papa agradeceu a apresentação e mostrou um grande interesse pela informação. Deste modo expressou sua gratidão a todos os que colaboraram nesta nova edição do Anuário que nos próximos dias estará à venda nas livrarias.

Católicos devem anunciar a Cristo na Internet, diz autoridade vaticana

Vaticano, 13 Nov. 09 / 06:30 pm (ACI).- O Secretário do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Dom Paul Tighe, assinalou que os católicos, quando estão na Internet, “não anunciam uma mensagem qualquer” mas estão ali também para “anunciar, explicar, aprofundar a Palavra de Cristo, que pode tocar os corações de todos e que nos convida continuamente a um caminho comum de fé e serviço”.

Assim o expressou o Prelado em sua intervenção na reunião da Comissão Episcopal Européia para a Mídia (CEEM) que se realiza no Vaticano. Seguidamente ressaltou a importância de que os católicos entendam e conheçam a potencialidade de Internet. “O desafio para nós homens de Igreja está em pensar em como podemos estar presentes neste mundo de maneira útil e inteligente. Não é sozinho um problema tecnológico. É necessário encontrar uma estratégia, a linguagem justa para expressar os conteúdos de nosso ministério, de nossa missão, uma linguagem que não seja apenas textual mas também visual, que atraia ao visitante também com as imagens“, disse o Prelado.

Ao falar logo do desafio do relativismo, D. Tighe destacou que para vencê-lo é “fundamental dar informação veraz, correta, irrefutável, dar respostas concretas às perguntas mais urgentes. Também no mundo da interatividade, o relativismo se combate com a certeza, com a verdade”.

Na sessão desta sexta-feira também intervieram Christian Hernández Galhardo, do Facebook, Christophe Muller, diretor das sociedades do YouTube no sul e leste da Europa, Meio Oriente e África, Delphine Ménard, da Wikimedia France, e Evan Prodromou, do Status.net-identica.ca; quem explicou a filosofia, a metodologia e o funcionamento dos instrumentos que dirigem em suas empresas, instrumentos que chegam a todos.

Preservativo promove promiscuidade e gera mais contagio de AIDS, diz Bispo africano

VATICANO, 15 Out. 09 / 12:02 am (ACI).- Em sua intervenção no Sínodo dos Bispos da África que se realiza no Vaticano, o Bispo de Capra e Vigário Apostólico do Rundu (Namíbia), Dom Joseph Shpandeni Shikongo, explicou que o preservativo difunde uma “visão secular e relativista da sexualidade” e faz que “a promiscuidade seja promovida” incrementando o contágio da AIDS.

Ao falar da experiência sanitária na Namíbia, o Prelado explicou que embora a Igreja neste país faz o possível por promover a abstinência na luta contra este mau, seus esforços são insuficientes diante o programa do governo “que está muito melhor financiado, tem consultores estrangeiros e a possibilidade de usar os meios de comunicação nacional: televisão, rádio e jornais. Então tem uma maior influencia com respeito a nós”.

Assim, prosseguiu o Bispo, “difunde-se uma visão secular e relativista da sexualidade. Para eles (o governo) a primeira preocupação é a prevenção do contágio e o principal meio prático para evitá-lo é o preservativo: assim se promove uma confiança pouco realista na eficácia do mesmo”.

“A ineficácia deste meio –explicou– é de propósito ignorada ou explicada de maneira vaga. Deste modo, a promiscuidade é promovida, e isto é o que gera o maior número de contágios”.

"O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS

“Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que camisinhas não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África.”

Esta é a afirmação do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.

Na terça-feira, 17 de março, em entrevista concedida a jornalistas no avião papal rumo à África, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada somente com a distribuição de preservativos. Para o Pontífice, a solução é “humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento”. Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.

Dr.  Edward Green,  com 30 anos de experiência na luta contra a AIDS, tratou do assunto no site National Review Online (NRO) e foi entrevistado no Ilsuodiario.net.

O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais. “Abstinência entre jovens é também um fator, obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo na idade adulta, elas terminam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as chances de infecção por HIV”, explica.

Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. “O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos ‘risco compensação'”.

O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e camisinha – somente em último caso), que está em funcionamento em Uganda, mostra-se eficiente para diminuir a contaminação.

O governo de Uganda informa que conseguiu reduzir de 30% para 7% o percentual de contaminação por HIV com uma política de estímulo à abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso de camisinhas é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, pôsteres incentivam os caminhoneiros – considerado um grupo de risco – a serem fiéis às suas esposas.

Sínodo da Palavra, resposta às seitas

A interpretação fundamentalista da Bíblia ganha adeptos

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 8 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O Sínodo dedicado à Palavra quer converter-se em uma resposta aos fiéis católicos que deixam a Igreja para se unirem a seitas que oferecem uma pregação fundamentalista da Bíblia.

As seitas, de fato, são um dos argumentos sobre os quais mais se falou nas discussões que tomaram conta da congregação geral entre terça e quarta-feira.

O número 56 no Instrumentum Laboris (documento de trabalho) que os participantes na assembléia do Sínodo tomam por referência em suas intervenções considera que “especial atenção merecem as numerosas seitas, que atuam em diversos continentes e que se servem da Bíblia para fins impróprios e com métodos estranhos à Igreja”.

O arcebispo de Kinshasa, Laurent Monsengwo Pasinya, presidente da Conferência Episcopal da República Democrática do Congo, constatou que na verdade o fenômeno das seitas não é novo.

“Em sua primeira carta (escrita no ano 95 d.C.), João já mencionava alguns dissidentes que deixaram de crer em ‘Jesus Cristo vindo em carne mortal’ (1 Jo 4, 2-3), que saíram da comunidade e ficaram excluídos da fé apostólica (1 Jo 2, 19-24).”

“Contudo, longe de apaziguar, a proliferação cancerosa de seitas de todo tipo e com as motivações mais diversas é motivo de inquietude para os pastores da Igreja, dado que sua doutrina se baseia em uma interpretação fundamentalista das Sagradas Escrituras”.

“E, ainda, numerosos textos bíblicos dissuadem esta interpretação e incitam mais a recorrer a critérios estabelecidos”.

“Ou seja, existem normas de interpretação das Escrituras, das quais Pedro e os apóstolos são garantidores (cf. 2 Pe 1,16-19). O próprio Pedro afirma que ‘nenhuma profecia da Escritura pode ser interpretada por conta própria’, porque ‘os homens, movidos pelo Espírito Santo, falaram da parte de Deus (2 Pe 1, 20-21).”

E Pedro condena os “falsos doutores” e suas “heresias perniciosas”, acrescentou o arcebispo, considerado um dos maiores biblistas na África.

“É preciso dizer que muitas das seitas atuais respondem ao perfil descrito aqui pelo Príncipe dos Apóstolos: libertinagem, difamação contra a verdade, cobiça, palavras artificiosas, tráfico de influências (2 Pe 2, 2-3), do que se deduz que o melhor caminho de diálogo com as seitas é uma saudável interpretação das Sagradas Escrituras”, garantiu.

A África se converteu, neste sentido, no terreno de crescimento para as seitas, como reconheceu Dom John Olorunfemi Onaiyekan, arcebispo de Abuja (Nigéria), quem denunciou a proliferação de grupos que, além de “fundamentalistas, são anticatólicos declarados”.

“A África, infelizmente, é a lixeira de outros continentes, que jogam nela todo tipo de idéias disparatadas, tais como que a nossa Igreja não respeita a Bíblia e que, portanto, não pode ser considerada verdadeiramente católica.”

“Muitos membros nossos se sentem freqüentemente em dificuldade pelos ataques e pelos abusos destes grupos, sobretudo quando não estão adequadamente preparados para defender a própria posição católica”, confessou o prelado.

“Por isso, muitos fiéis nossos viram a necessidade de aprofundar nas Escrituras, justamente para poder combater os ataques dirigidos a eles mesmos e à Igreja. Em geral, igualmente, acho que o contato com nossos irmãos protestantes vai se desenvolvendo gradativamente na direção apropriada”, constatou.

Por sua parte, Dom Norbert Klemens Strotmann Hoppe, M.S.C., bispo de Chosica (Peru), explicou que “nos últimos 40 anos, a Igreja na América Latina perdeu cerca de 15% dos seus fiéis a favor de movimentos não-católicos que se baseiam em estratégias que impulsionam a Bíblia”.

“A América Latina representa hoje 43% do catolicismo mundial que, por sua vez, diminuiu nos últimos 30 anos 14% com relação ao crescimento da população mundial. A deserção de 2,3% dos católicos na América Latina representa hoje para o catolicismo mundial uma perda de 1%.”

O bispo pediu ao Sínodo “uma contra-estratégia pastoral que afine a ação bíblica a aqueles que possuem uma estratégia pastoral bíblica que torna difícil nossa ação pastoral”.

“É urgente uma clara identidade no que concerne à função fundadora da Palavra de Deus para a Igreja. Mas seria preciso avaliá-la sem descuidar a perspectiva exterior no difícil mar atual da Igreja.”

“Não há mais tempo – alertou: não o há, sobretudo, para as comparações com o atual clima geral da situação econômico-política.”

Concluiu dizendo que “não deveríamos ficar somente no interior da barca, ocupando-nos das questões relativas à construção para melhorar a estabilidade da rota. Como os apóstolos, depois de ter recebido o Espírito em pentecostes, deveríamos perguntar: como fazemos para sair desta Sala, já que a Palavra de Deus e o Espírito de Deus querem chegar às pessoas, e fazê-lo através de nós”.

O cardeal Péter Erdö, presidente do Conselho das Conferências Episcopais Européias, constatou neste sentido que as publicações “mais sensacionalistas que científicas podem criar uma confusão notável também no pensamento dos fiéis e às vezes até no dos próprios sacerdotes”.

“O maior risco não é que alguém não saiba que crédito pode dar a um escrito apócrifo, como, por exemplo, o Evangelho de Judas, mas que muitos não têm a mais remota idéia sobre como distinguir as fontes críveis das não confiáveis da história de Jesus Cristo.”

Dom Desiderius Rwoma, bispo de Singida (Tanzânia), considerou que, em parte, o progresso das seitas se deve “à falta de uma boa e adequada pregação por parte dos ministros”.

O relator geral, cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Québec, denunciou em sua intervenção de abertura “a insatisfação de numerosos fiéis com relação ao ministério da pregação”.

“Esta insatisfação explica em parte a saída de muitos católicos a outros grupos religiosos”, disse.

São Máximo O Confessor

Por Papa Bento XVI
Tradução: Élison Santos
Fonte: Vaticano

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje quero apresentar a figura de um dos grandes padres da Igreja do Oriente do período tardio. Trata-se de um monge, São Máximo, ao qual a tradição cristã atribuiu o título de «o confessor» pela intrépida valentia com a qual soube testemunhar – «confessar» –, inclusive com o sofrimento, a integridade de sua fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, salvador do mundo.

Máximo nasceu na Palestina, a terra do Senhor, em torno do ano 580. Desde pequeno, ele se orientou à vida monástica e ao estudo das Escrituras, em parte através das obras de Orígenes, o grande mestre que já no século III havia estruturado a tradição exegética alexandrina.

De Jerusalém ele se trasladou a Constantinopla e de lá, por causa das invasões bárbaras, refugiou-se na África, onde se distinguiu por sua grande valentia na defesa da ortodoxia. Máximo não aceitava que se reduzisse a humanidade de Cristo. Havia nascido a teoria segundo a qual Cristo só teria uma vontade, a divina. Para defender a unicidade de sua pessoa, muitos negavam que tivesse uma autêntica vontade humana. E, à primeira vista, poderia parecer algo bom que Cristo tivesse uma só vontade. Mas São Máximo compreendeu imediatamente que isso teria acabado com o mistério da salvação, pois uma humanidade sem vontade, um homem sem vontade, não é um verdadeiro homem, é um homem amputado. Portanto, o homem Jesus Cristo não teria sido um verdadeiro homem, não teria vivido o drama de ser humano, que consiste precisamente na dificuldade para conformar nossa vontade com a verdade do ser.

Deste modo, São Máximo afirma com grande decisão: a Sagrada Escritura não nos mostra um homem amputado, sem vontade, mas um verdadeiro homem, completo: Deus, em Jesus Cristo, realmente assumiu a totalidade do ser humano – obviamente, exceto no pecado; portanto, também uma vontade humana. Dito assim, pareceria claro: Cristo, é ou não é homem? Se é homem, também tem vontade. Mas então surge o problema: deste modo, não se cai em uma espécie de dualismo? Não se acaba apresentando duas personalidades completas: razão, vontade, sentimento? Como superar o dualismo, conservar a plenitude do ser humano e defender a unidade da pessoa de Cristo, que não era esquizofrênico? São Máximo demonstra que o homem encontra sua unidade, sua integração, a totalidade em si mesmo, mas superando a si mesmo, saindo de si mesmo. Deste modo, em Cristo, ao sair de si mesmo, o homem encontra a si mesmo em Deus, no Filho de Deus.

Não é preciso amputar o homem para explicar a encarnação; basta compreender o dinamismo do ser humano que só se realiza saindo de si mesmo; só em Deus encontramos a nós mesmos, nossa totalidade e plenitude. Deste modo, pode-se ver que o homem que se fecha em si mesmo não está completo; pelo contrário, o homem que se abre, que sai de si mesmo, consegue a plenitude e encontra a si mesmo no Filho de Deus, encontra sua verdadeira humanidade.

Para São Máximo, esta visão não é uma especulação filosófica; ele a vê realizada na vida concreta de Jesus, sobretudo no drama de Getsêmani. Neste drama da agonia de Jesus, da angústia da morte, da oposição entre a vontade humana de não morrer e a vontade divina, que se oferece à morte, realiza-se todo o drama humano, o drama de nossa redenção. São Máximo nos diz, e sabemos que é verdade: Adão (e Adão somos nós) pensava que o «não» era o cume da liberdade. Só quem pode dizer «não» a Deus seria realmente livre; para realizar realmente sua liberdade, o homem deveria dizer «não» a Deus; só assim crê que é ele mesmo, que chegou ao cume da liberdade. A natureza humana de Cristo também levava em si essa tendência, mas a superou, pois Jesus compreendeu que o «não» não é o máximo da liberdade humana. O máximo da liberdade é o «sim», a conformidade com a vontade de Deus. Só no «sim» o homem chega a ser realmente ele mesmo; só na grande abertura do «sim», na unificação de sua vontade com a divina, o homem chega a estar imensamente aberto, chega a ser «divino». Ser como Deus era o desejo de Adão, ou seja, ser completamente livre. Mas não é divino, não é completamente livre o homem que se fecha em si mesmo; ele o é se sai de si, no «sim» chega a ser livre; este é o drama de Getsêmani: «que não se faça minha vontade, mas a tua». Transferindo a vontade humana na vontade divina nasce o verdadeiro homem, e assim somos redimidos. Em poucas palavras, este era o ponto principal que São Máximo queria comunicar e vemos que está em jogo todo o ser humano; está em jogo toda a nossa vida.

São Máximo já tinha problemas na África quando defendia essa visão do homem e de Deus; depois foi chamado a Roma. Em 649, participou do Concílio Lateranense, convocado pelo Papa Martinho I, em defesa da vontade de Cristo, contra o edito do imperador, que, pelo bem da paz – pro bono pracis – proibia discutir sobre esta questão. O Papa Martinho teve de pagar um caro preço por sua valentia: ainda que estivesse enfermo, foi preso e levado a Constantinopla. Processado e condenado à morte, foi-lhe comutada a pena no exílio definitivo de Crimea, onde faleceu em 16 de setembro de 655, após dois longos anos de humilhações e tormentos.

Pouco tempo depois, em 662, foi a vez de Máximo, que também se opôs ao imperador ao repetir: «É impossível afirmar em Cristo uma só vontade!» (cf. PG 91, cc. 268-269). Deste modo, junto a dois discípulos – ambos se chamavam Anastásio –, Máximo foi submetido a um extenuante processo, apesar de que já havia superado os 80 anos. O tribunal do imperador o condenou, com a acusação de heresia, à cruel mutilação da língua e da mão direita, os dois órgãos de expressão, a palavra e os escritos, com os quais Máximo havia combatido a doutrina errada da vontade única de Cristo. Por último, o santo monge, mutilado, foi exilado em Cólquida, no Mar Negro, onde morreu, esgotado pelos sofrimentos, aos 82 anos, em 13 de agosto do mesmo ano.

Falando da vida de Máximo, mencionamos sua obra literária em defesa da ortodoxia. Em particular, nós nos referimos àDisputa com Pirro, antigo patriarca de Constantinopla: nela, conseguiu persuadir o adversário de seus erros. Com muita honestidade, de fato, Pirro concluía assim a Disputa: «Peço perdão da minha parte e da parte de quem me precedeu: por ignorância, chegamos a estes pensamentos e argumentações absurdas; e peço que isso encontre a maneira de cancelar estes absurdos, salvando a memória daqueles que erraram» (PG 91, c. 352).

Chegaram até nós também dezenas de obras importantes, entre as quais se destaca a Mistagogia, um dos escritos mais significativos de São Máximo, que recolhe seu pensamento teológico com uma síntese bem estruturada.

O pensamento de Máximo nunca é só teológico, especulativo, voltado para si mesmo, pois sempre tem como ponto de chegada a realidade concreta do mundo e da salvação. No contexto em que teve de sofrer, ele não podia evadir-se em afirmações filosóficas meramente teóricas; tinha de buscar o sentido da vida, perguntando-se: quem sou? Quem é o mundo? Ao homem, criado à sua imagem e semelhança, Deus confiou a missão de unificar o cosmos. E como Cristo unificou em si mesmo o ser humano, no homem o Criador unificou o cosmos. Ele nos mostrou como unificar na comunhão de Cristo o cosmos e deste modo chegar realmente a um mundo redimido. A esta poderosa visão salvífica se refere um dos maiores teólogos do século XX, Hans Urs von Balthasar, que – «relançando» a figura de Máximo – define seu pensamento com a incisiva expressão de Kosmische Liturgie, «liturgia cósmica». No centro desta solene «liturgia» sempre está Jesus Cristo, único salvador do mundo. A eficácia de sua ação salvadora, que unificou definitivamente o cosmos, está garantida pelo fato de que Ele, apesar de ser Deus em tudo, também é integramente homem, incluindo a «energia» e a vontade do homem.

A vida e o pensamento de Máximo ficam poderosamente iluminados por uma imensa valentia para testemunhar a realidade íntegra de Cristo, sem reducionismos nem compromissos. Deste modo, apresenta o que o homem é realmente, como devemos viver para responder à nossa vocação. Temos de viver unidos a Cristo para ficar deste modo unidos a nós mesmos e ao cosmos, dando ao próprio cosmos e à humanidade sua justa forma.

O «sim» universal de Cristo nos mostra claramente como dar o valor adequado a todos os demais valores. Pensemos em valores hoje justamente defendidos como a tolerância, a liberdade, o diálogo. Mas uma tolerância que deixasse de saber distinguir o bem do mal seria caótica e autodestrutiva. Do mesmo modo, uma liberdade que não respeitasse a dos demais e não encontrasse a medida comum de nossas liberdades seria anárquica e destruiria a autoridade. O diálogo que não sabe sobre o que dialogar se converte em uma palavra vazia.

Todos estes valores são grandes e fundamentais, mas podem ser verdadeiros unicamente se têm um ponto de referência que os une e lhes confere a verdadeira autenticidade. Este ponto de referência é a síntese entre Deus e o cosmos, é a figura de Cristo na qual aprendemos a verdade sobre nós mesmos, assim como o lugar de todos os demais valores, para descobrir seu significado autêntico. Jesus Cristo é o ponto de referência que ilumina todos os demais valores. Este é o ponto de chegada do testemunho deste grande confessor. Deste modo, ao final, Cristo nos indica que o cosmos deve ser liturgia, glória de Deus e que a adoração é o início da verdadeira transformação, da verdadeira renovação do mundo.

Por este motivo, quero concluir com uma passagem fundamental das obras de São Máximo: «Adoramos um só Filho, junto com o Pai e o Espírito Santo, como era antes dos tempos, agora e por todos os tempos, e pelos tempos depois dos tempos. Amém!» (PG 91, c. 269).

Crise de alimentos obrigaria fechamento do principal seminário da Nigéria

KONIGSTEIN, 06 Jun. 08 / 07:00 pm (ACI).- A associação Ajuda à Igreja Necessitada (AIN) informou que o seminário maior católico do Makurdi (Nigéria central) está a ponto de fechar devido à crise mundial de alimentos.

Em declarações a AIN, o reitor do seminário, Dom Kenneth Enang, comunicou que já se viu obrigado a racionar os mantimentos a seus quase 520 seminaristas de 15 dioceses nigerianas, por causa dos “preços astronômicos” e já não pode reunir o dinheiro necessário para garantir as provisões mínimas.
“O reitor assinalou que, em parte, os preços dos mantimentos básicos se duplicaram. Outro problema é a eletricidade: o seminário depende de um gerador que funciona com diesel, e o preço deste combustível se encareceu em um terço no transcurso de uma semana”, indicou AIN.

A associação explicou que desde que começou a crise em abril passado, o seminário solicitou créditos para seguir funcionando. “O reitor disse que logo se verá obrigado a fechar o seminário, para impedir a desnutrição dos estudantes e a acumulação de mais dívidas”, adicionou.

O seminário maior de Makurdi tinha projetado ampliar seu local porque em pouco tempo o número de seminaristas cresceu de 400 a 520. Dom Enang tinha declarado a AIN sua alegria pelas “boas vocações”, a alta qualificação do pessoal docente e a convivência de jovens de todos os lugares do país em uma “experiência maravilhosa” que refletia “o que deveria ser a Nigéria”.

O reitor estima que o seminário deve fechar em 20 de junho pois as dioceses de origem dos futuros sacerdotes estão igualmente afetadas pela subida dos preços e não estão em condições de contribuir a seu sustento.

O Pe. Andrzej Halemba, perito de AIN na África, explicou que “a crise alimentar mundial se está convertendo em um problema cada vez maior para os seminários maiores do Terceiro Mundo, e no futuro também colocará em perigo a existência de muitos mais, por isso urge socorrê-los”.
“Na África, a alimentação dos futuros sacerdotes representa a maior parte dos gastos correntes dos seminários maiores. Por desgraça, cabe esperar que os preços sigam subindo de forma significativa”, indicou a associação.

AIN leva várias décadas apoiando a formação de futuros sacerdotes em todo mundo. O ano passado, a Associação pôde ajudar a mais de 15 mil e 700 seminaristas, e também o seminário de Makurdi leva anos recebendo suas subvenções.

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