21. Letra V

VAIDADE
Prevenir-se contra (Sl 119,37; Ecl 1,2; 2,1.11.15; Is 5,21; 1Pd 3,3-5). Exemplos (2Sm 24,9-15; Is 39,1-6; Mt 23,4-7; At 12,21-23). Vaidade feminina (2Rs 9,30; Is 3,16-24; Jr 4,30; 1Tm 2,9; 1Pd 3,3-5).

VERBO
Ver "Cristo", "Palavra".

VERDADE
Para nós, ocidentais, a verdade é a conformidade entre o pensamento e a realidade. Na Bíblia a verdade corresponde a um desejo de conhecimento prático para a vida. Está relacionada com a Lei, a revelação e a palavra de Deus. Verdade identifica-se por isso com fidelidade.

Verdadeiro é aquilo que tem firmeza, consistência e em que o homem pode confiar. Deus é verdadeiro porque é fiel à sua aliança e às suas promessas (Ex 34,6s; Dt 7,9; 2Sm 7,28s; Sl 31,6; 138,2). Sobre a palavra de Deus, que é a verdade, o homem pode basear sua vida (Sl 26,3; Mt 7,24-27).

A Lei é verdadeira porque constitui um apoio firme que dá proteção ao homem (Ne 9,13; Sl 93,5; 119,86).

Na literatura sapiencial, verdade é igual a sabedoria (Pr 23,23; Ecl 12,10; Eclo 4,28).

No sentido moral, verdade equivale a sinceridade de coração (2Rs 20,3), justiça e honestidade (Is 59,14). No NT a verdade adquire um cunho cristão, equivalendo a "evangelho" (Gl 2,5.14; Cl 1,5; 2Tm 2,15). Para João, a verdade é o próprio Cristo (Jo 1,1; 8,40; 14,6; 17,17; 18,37), a palavra do Pai que Cristo veio anunciar neste mundo (Jo 1,17; 8,40-46).

A verdade de Deus manifesta-se em Cristo (2Cor 1,20; Ef 4,20); por isso, o Apocalipse chama-o "Fiel" e "Verdadeiro" (Ap 19,11).

O testemunho de Cristo é completado pela ação do Espírito (Jo 14,26; 16,13).

O conhecimento da verdade exige disposições prévias (2Tm 2,10-12; 3,7; Ef 4,15; 6,14). O cristão é aquele que anda na verdade de Cristo (2Jo 4; 3Jo 3s).

VIDA
O Deus de Israel é um Deus vivo (Js 3,10-13; Dt 5,22-27; Sl 36,6-10; 84,1-3; Jr 2,13). A vida é um dom precioso (Ecl 9,4; Jó 2,4). Mas a vida é instável e breve (Gn 45,26s; Nm 21,8s; Jz 15,19; 2Rs 1,2; 8,9; Jó 20,8; 33,22; Sl 18,5s; 22,16; 31,11; 88,4.7; 116,8; Ecl 5,12; 8,13; Eclo 18,10; 40,1-4; 51,10; Sb 2,5; Mt 6,25).

A verdadeira vida se manifesta em Cristo (Jo 5,26; 1Jo 1,1s; 5,9-13.20s), o Autor da Vida (At 3,15). Pelo Batismo ele comunica a vida aos que crêem (Rm 6,3-11; Cl 2,11-13; Gl 2,19s; Ef 2,5-10; 1Cor 15,21s).

Por isso a vida do cristão é uma vida em Cristo: é preciso viver nele (Cl 2,6-8; Fl 2,5): falar e agir nele (2Cor 2,12; 13,3); sofrer com ele (Rm 16,12; 1Cor 15,18; Fl 4,1; 1Ts 3,8); alegrar-se nele (Fl 3,1; 4,4-10); ser glorificado nele (Rm 15,17; 1Cor 1,30s; 15,31; 2Cor 10,17; Fl 3,3); amar nele (Rm 16,8; 1Cor 4,17; Gl 3,27s; Cl 3,11). Ver ,"Retribuição".

VIGILÂNCIA
No contexto da Parusia é um dos pilares da moral cristã(Mc 13,33-37; Mt 24,42-44; 25,13; Lc 12,36-40; 1Ts 5,1-7; 2Tm 4,5-7; 2Pd 3,10).

É preciso vigiar nas tentações (Mt 26,37-46; 1Cor 16,13; Cl 4,2; Ef 6,1-20; 1Pd 5,8).

Os anciãos de Éfeso devem vigiar nos combates pela fé (At 20,29-31; 1Cor 16,13).

A vigilância tende a manifestar-se nas vigílias litúrgicas e na oração (Ef 6,18; Cl 4,2; Lc 6,12; 21,36; Mc 14,38).

VINDA DE CRISTO
Ver "Parusia".

VINGANÇA DE SANGUE
Na concepção bíblica, o sangue derramado de uma pessoa clama ao céu por vingança (Gn 4,10; 2Mc 8,3; Ez 24,6-8). O vingador do sangue, um parente da vítima, age em nome de Deus para punir o crime (Gn 4,11; 2Sm 4,11; Dt 24,16), aplicando a lei do talião (Ex 21,12-23). Para impedir que o homicida involuntário fosse morto injustamente, a Lei previa cidades de refúgio (Js 20,1-9).

Jesus, em vez da vingança, manda suportar as injustiças e amar os inimigos (Mt 5,38-42). O cristão deve vingar o mal com o bem (Rm 12,19-21). A vingança pertence a Deus (Dt 32,35.41; Jr 51,36) e não ao homem (Lv 19,18; Pr 20,22; Eclo 28,1-6; Mt 6,14; Lc 11,4; 1Cor 6,7; Ef 4,26; 1Ts 5,15). Ver "Redenção".

VINHA
A Terra Prometida era uma vinha (Nm 13,20-26; Is 27,2-5). O povo de Israel é uma videira transplantada do Egito (Sl 80,9-19). A restauração de Israel é uma nova plantação da vinha (Am 9,13-15; Os 14,5-10).

A festa dos Tabernáculos é a festa da colheita da uva (Lv 23,40; 2Mc 10,7); mas esta acabará, porque a vinha não dará mais fruto (Is 5,1-30; Jr 8,13-17).

Israel é uma vinha estéril (Is 5,1-7); por isso, Deus escolherá uma nova vinha (Mt 20,1-16; 21,28-46) que é Cristo (Jo 15,1-12).

Cristo, nova Videira, dá o vinho novo da sabedoria (Pr 9,1-5; Is 55,1s; Jo 2,1-11; Mc 2,22; Mt 26,29).

VIRGEM MARIA
Ver "Maria".

VIRGINDADE
No AT, a esterilidade era uma vergonha, mas a estéril pode ter uma fecundidade espiritual (Sb 3,13s; 4,1).

Certos atos sagrados exigiam abstinência conjugal (1Sm 21,5-7; Ex 19,15).

Cristo faz um convite à castidade perpétua (Mt 19,12.21; 1Cor 7,1.7s; 1Ts 4,1-7).

O termo "virgindade"tem um sentido metafórico: não cair na idolatria (Ap 14,4; 21,2; 2Cor 11,2).

A castidade é uma virtude matrimonial (Rm 13,13; 1Cor 6,15; Gl 5,23-25).

A castidade é recomendada particularmente aos mensageiros do Evangelho (2Cor 6,6; 1Tm 4,12; 5,2.22).

VIRTUDE
Natureza (Mt 7,13.18s; Mc 12,28-34; Gl 5,6; 6,2; Cl 3,2.14; 2Pd 1,10). Progresso na virtude (Pr 4,18; Rm 12,9-17; Fl 3,12s; 1Ts 4,1; 5,22; 1Tm 4,7; 2Pd 1,5-8; 3,18; Ap 22,11.

VIÚVAS
A lei do levirato e as leis sociais insistem na proteção às viúvas (Ex 22,21-23; Dt 10,18; 24,17-21; 26,12s; Is 1,17-23; Jó 29,13).

Situação miserável das viúvas. Alguns milagres anunciam a sua felicidade messiânica (1Rs 17,8-15; 2Rs 4,1-7; Sl 146,9).

Por isso, Jerusalém, esposa infiel, quando abandonada de Deus, é chamada viúva (Is 54,4-8; Lm 1,1; Br 4,12; Ap 18,7).

As viúvas na Igreja apostólica constituíam uma espécie de ordem religiosa (1Cor 7,8.39s; 1Tm 5,3-16; At 6,1-6; Tg 1,27; Lc 21,1-4)

VOCAÇÃO
Cristo é o grande "chamado". Nele todas as coisas foram chamadas à existência (Ef 1,4-6.11-14; Rm 8,29; 1Pd 1,20s; Cl 1,15-23; Jo 1,1-3; Gn 1,1-2,4).

Esta vocação em Cristo pode ser individual e comunitária. Deus chama grandes homens para formar comunidades: Abraão (Gn 12); Moisés (Ex 3,6); Samuel (1Sm 3); Isaías (Is 6); Cristo (Hb 10,2-5; Mt 26,28; At 20,28; 1Pd 2,9s) que fundou a comunidade apostólica. Chama também comunidades ou povos através desses homens escolhidos; assim chamou Israel e a Igreja.

Esquema bíblico-literário da vocação:

- Procede da liberdade soberana de Deus (Jr 1,4s; Rm 8,30; 1Cor 1,9s; Gl 1,15).
- Exige o despojamento, na fé, pela obediência (Gn 12; Mt 4,18-22; 16,24-26; 8,18-22).
- Suscita quase sempre o temor no coração dos chamados (Ex 3,6; Jz 6,22; Is 6,5; Jr 1,6).
- Investe o "chamado"de uma missão, que a Bíblia costuma assinalar com a mudança do nome (Gn 17,4-8.19; Lc 1,13.31s.59-63; Jo 1,42). Esta investidura corresponde, geralmente, a uma comunicação do Espírito: Profetas (1Sm 10,6; 16,13; Is 11,2; 42,1); apóstolos (Jo 20,22; 15,26; 16,7; At 2,1s).

Na Igreja todos somos iguais por razão da vocação em Cristo (Ef 1,22s; 4,11-16; 5,23; Cl 1,18; 2,19; 1Cor 12,13; 10,17; Gl 3,28s; Mt 23,8-12).

Contudo, temos funções diferentes, que supõem uma vocação na e para a comunidade. Ver "Carisma", Igreja", " Ministérios", Sacerdócio", "Profeta".

VONTADE DE DEUS
Ver "Mistério", "Salvação", "Obediência".

VULGATA
Tradução da Bíblia feita por S. Jerônimo entre 385 e 405 dC, em parte dos originais gregos, hebraicos e aramaicos, em parte aproveitando traduções latinas anteriores. Chama-se "Vulgata"por ter sido traduzida para a linguagem então falada pelo povo no Império Romano. Esta tradução tornou-se o texto que a Igreja Católica usa ainda hoje em seus documentos oficiais. Mas as traduções da Bíblia em línguas modernas são, hoje em dia, feitas diretamente dos originais.



“O Senhor nos dá tantas graças e nós pensamos que tocamos o céu com um dedo. Não sabemos, no entanto, que para crescer precisamos de pão duro, das cruzes, das humilhações, das provações e das contradições.” São Padre Pio de Pietrelcina

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