Mosaico decorativo

Bíblia em um ano.

No octogésimo nono dia, começa o período dos juízes, marcado por ciclos de infidelidade e restauração. Juízes 1–3 mostra Israel falhando em expulsar os inimigos e sendo oprimido até que Deus levante libertadores como Otniel e Eúde. Em Rute 1, vemos uma história paralela de fidelidade e amor leal, quando Rute escolhe seguir Noemi e o Deus de Israel. O Salmo 133 celebra a unidade e a comunhão entre irmãos, algo que o povo precisaria redescobrir nessa nova fase.

Capítulo 1

1. Depois da morte de Josué, os israe­­litas consultaram o Senhor: “Quem dentre nós será o primeiro a combater os cana­neus?”.

2. O Senhor respondeu: “Judá, pois eu entregarei a terra nas suas mãos”.

3. Então, Judá disse a Simeão, seu irmão: “Vem comigo à terra que me coube por sorte, para combatermos contra os cana­neus. Depois irei contigo à tua terra”. Simeão partiu com ele.

4. Judá travou combate e o Senhor entregou-lhe os cananeus e os ferezeus; derrotaram dez mil homens em Bezec.

5. Ali encontraram Adonibezec, atacaram-no e derrotaram os cananeus e os ferezeus.

6. Adonibezec fugiu, mas eles o perseguiram, prenderam-no e cortaram-lhe os polegares das mãos e dos pés.

7. Adonibezec disse: “Setenta reis, com os polegares das mãos e dos pés cortados, apanhavam debaixo de minha mesa as migalhas da comida. Como eu fiz, assim Deus me faz”. E conduziram-no a Jerusalém, onde morreu.

8. Os juditas atacaram Jerusalém e a tomaram. Passaram os seus habitantes a fio da espada e incendiaram a cidade.

9. Desceram dali e combateram os cana­neus das montanhas, do Negueb e da planície.

10. Judá marchou contra os cananeus de Hebron (chamada antigamente Cariat-Arbe) e derrotou Sesai, Ai­mã e Tolmai.

11. Marchou depois contra os habitantes de Dabir, que antigamente se chamava Cariat-Sefer.

12. Caleb tinha dito: “Àquele que combater e tomar Cariat-Sefer darei por mulher minha filha Acsa”.

13. Otoniel, filho de Cenez, irmão mais novo de Caleb, tomou a cidade; e Caleb deu-lhe sua filha Acsa por mulher.

14. Chegando Acsa à casa de seu marido, ele moveu-a a que pedisse um campo ao seu pai. E pela segunda vez ela saltou de seu jumento e Caleb disse-lhe: “Que tens?”.

15. “Dá-me –, respondeu ela – um presente. Instalaste-me em uma terra árida; dá-me também fontes de água!” E Caleb deu-lhe as fontes superiores e inferiores.

16. Os filhos de Hobab, o quenita, cunhado de Moisés, subiram da cidade das Palmeiras com os juditas, no deserto de Judá, ao sul de Arad, e vieram estabelecer-se com o povo.*

17. Judá prosseguiu sua marcha com Simeão, seu irmão, e derrotaram os cananeus de Sefat. Votaram a cidade ao interdito e ela recebeu o nome de Horma.*

18. Judá tomou também Gaza e seu território, bem como Ascalon e Acaron com seus territórios.

19. O Senhor estava com Judá, e ele conquistou a montanha; porém, não pôde despojar os habitantes da planície que possuíam carros de ferro.

20. Conforme o que Moisés tinha dito, deram Hebron a Caleb, que expulsou dela os três filhos de Enac.

21. Os benjaminitas não exterminaram os jebuseus de Jerusalém; por isso, os jebuseus habitaram em Jerusalém com os benjaminitas até o presente.

22. A família de José marchou também contra Betel, e o Senhor esteve com eles.

23. E quando exploravam Betel, que antes se chamava Luza,

24. viram um homem que saía da cidade e disseram-lhe: “Mostra-nos por onde se pode entrar na cidade e usaremos de misericórdia contigo”.

25. Ele indicou-lhes a entrada. Eles passaram a localidade a fio de espada, poupando, porém, aquele homem com a sua família.

26. Esse emigrou para a terra dos hiteus, onde construiu uma cidade, à qual pôs o nome de Luza, como é chamada ainda hoje.

27. Manassés não expulsou os habitantes de Betsã com suas aldeias, nem os de Tanac, de Dora, de Jeblam, de Meguido, com suas aldeias, porque os cananeus estavam decididos a ocupar essa terra.

28. Quando se tornaram mais fortes, os israelitas fizeram-nos tributários, mas não os despojaram.

29. Efraim não expulsou os cananeus de Gezer, os quais continuaram a habitar em Gezer, no meio de Efraim.

30. Zabulon não expulsou os habitantes de Cetron, nem os de Naalol; e os cananeus continua­ram a habitar no meio de Zabulon, embora sujeitos ao tributo.

31. Aser não expulsou os habitantes de Aco, nem os de Sidon, nem os de Aalab, de Acazib, de Helba, de Afec e de Roob;

32. os filhos de Aser estabeleceram-se entre os cananeus, habitantes daquela terra, não podendo expulsá-los.

33. Neftali não expulsou os habitantes de Bet-Sames, nem os de Bet-Anat, e estabeleceu-se entre os cananeus, habitantes daquela terra; os betsamitas e os betanitas ficaram-lhe tributários.

34. Os amorreus repeliram os danitas para a montanha, e não lhes permitindo descer para a planície.

35. Persistiram em ficar em Ar-Hares, em Aialon e em Sale­bim; mas a mão da casa de José prevaleceu sobre eles e tiveram de pagar o tributo.

36. O território dos amorreus estendia-se desde a costa de Acrabim e de Sela, para o norte.

Capítulo 2

1. O anjo do Senhor subiu de Gálgala a Boquim e disse: “Eu vos fiz subir do Egito e vos conduzi a esta terra que eu tinha prometido com juramento a vossos pais. E vos tinha dito: ‘Jamais hei de romper a aliança que fiz convosco;

2. vós, porém, não fareis aliança com os habitantes desta terra e lançareis por terra os seus altares!’. Ora, vós não obedecestes à minha voz.

3. Por que fizestes isso? Por essa razão eu disse: ‘Não os expulsarei de diante de vós; eles permanecerão ao vosso lado e os seus deuses vos serão um laço’.”

4. Ao dizer o anjo do Senhor essas palavras aos filhos de Israel, o povo pôs-se a chorar.

5. Pelo que chamaram àquele lugar Boquim, e ofereceram ali sacrifícios ao Senhor.*

6. Josué despediu o povo, e os israelitas foram cada um para a sua herança, a fim de tomar posse da terra.

7. Durante toda a vida de Josué e dos anciãos que lhe sobreviveram, e que tinham testemunhado a grande obra que o Senhor tinha feito em favor de Israel, o povo serviu o Senhor.

8. Josué, filho de Nun, servo do Senhor, morreu com a idade de cento e dez anos.

9. Sepultaram-no no território de sua possessão, em Tamnat-Hares, na montanha de Efraim, ao norte do monte de Gaás.

10. Toda aquela geração foi também se unir a seus pais, e sucedeu-lhe outra que não conhecia o Senhor, nem o que ele tinha feito em favor de Israel.

11. Os israelitas fizeram então o mal aos olhos do Senhor e serviram a Baal.*

12. Abandonaram o Senhor, Deus de seus pais, que os tinha tirado do Egito, e seguiram outros deuses, os dos povos que habitavam em torno deles; prostraram-se diante deles, excitando assim a cólera do Senhor.

13. Abandonaram o Senhor para servirem a Baal e às Astarot.*

14. A cólera do Senhor inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos de piratas, que os despojaram, e vendeu-os aos inimigos dos arredores, de sorte que não puderam mais resistir-lhes.

15. Para onde quer que fossem, a mão do Senhor estava contra eles para fazer-lhes mal, como o Senhor lhes tinha dito e jurado e, com isso, viram-se em grande aflição.

16. (Entretanto), o Senhor suscitava-lhes juízes que os livraram das mãos dos opressores,

17. mas nem mesmo os seus juízes ouviam e continuavam prostituindo-se a outros deuses, adorando-os. Abandonaram depressa o caminho que tinham seguido seus pais, na obediência aos mandamentos do Senhor e não os imitaram.

18. Ora, quando o Senhor suscitava juízes, ele estava com o juiz para livrá-los de seus inimigos enquanto vivesse o juiz: o Senhor compadecia-se dos gemidos que soltavam diante de seus inimigos e de seus opressores.

19. Mas, depois que o juiz morria, corrompiam-se e se tornavam ainda piores do que seus pais, seguindo outros deuses, servindo-os e adorando-os; e não renunciavam aos seus crimes e à sua obstinação.

20. Inflamou-se, pois, contra Israel a cólera do Senhor: “Visto que este povo violou o meu pacto – dizia ele – a aliança que eu tinha feito com seus pais, e não obedeceram à minha voz,

21. também eu não expulsarei de diante deles nenhuma das nações que Josué deixou ao morrer”.

22. Por elas, queria o Senhor provar os israelitas, e ver se eles seguiriam ou não o caminho do Senhor, como o tinham feito seus pais.

23. E o Senhor deixou subsistir todas essas nações que não tinha entregue nas mãos de Josué, e não as quis expulsar logo.

Capítulo 3

1. Estas são as nações que o Senhor deixou subsistir para provar, por meio delas os israelitas, todos aqueles que não tinham visto as guerras de Canaã,

2. e isso tão-somente para instrução das novas gerações israelitas, a fim de lhes ensinar a combater, ao menos àqueles que não o tinham feito antes.

3. Eram os cinco príncipes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios, os heveus que habitavam os montes do Líbano, desde a montanha de Baal-Hermon até a entrada de Emat.

4. Essas nações ficaram para provar Israel, e ver se eles obedeceriam aos mandamentos que o Senhor havia prescrito aos seus pais por intermédio de Moisés.

5. Os filhos de Israel habitaram no meio dos cananeus, dos hiteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.

6. Tomaram por mulheres suas filhas e eles mesmos deram suas filhas aos filhos deles, e serviram os seus deuses.

7. Os israelitas fizeram o mal aos olhos do Senhor, esqueceram-se do Senhor, seu Deus, e serviram aos baals e às asserás.

8. A ira do Senhor inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos de Cusã-Rasa­taim, rei da Mesopotâmia, a quem ficaram sujeitos durante oito anos.

9. Os israelitas clamaram ao Senhor, que lhes suscitou um libertador para salvá-los: Otoniel, filho de Cenez, irmão mais novo de Caleb.

10. O Espírito do Senhor desceu sobre Otoniel: ele julgou Israel e saiu para a guerra. O Senhor entregou-lhe Cusã-Rasataim, rei da Mesopotâmia, e sua mão triunfou sobre ele.

11. A terra teve quarenta anos de descanso, até que Otoniel, filho de Cenez, morreu.

12. Os israelitas fizeram de novo o mal aos olhos do Senhor. Por isso, o Senhor excitou contra eles Eglon, rei de Moab, porque tinham feito o mal aos seus olhos.

13. Eglon aliou-se aos filhos de Amon e de Amalec, e pôs-se em marcha contra Israel; derrotou-o e apoderou-se da cidade das Palmeiras.

14. E os israelitas estiveram sujeitos a Eglon, rei de Moab, por dezoito anos.

15. Os filhos de Israel clamaram ao Senhor, que lhes suscitou um libertador na pessoa de Aod, o canhoto, filho de Gera, benjaminita. Os filhos de Israel mandaram, por meio dele, um presente a Eglon, rei de Moab.

16. Aod mandou fazer para si uma espada de dois gumes, de um côvado de comprimento, e a levava debaixo de suas vestes, apoiada na coxa direita.

17. Ele veio e ofereceu o presente a Eglon, rei de Moab, que era muito gordo.

18. Terminada a cerimônia, levou os homens que tinham trazido o presente

19. até as estelas próximas de Gálgala. Voltou ao rei e disse-lhe: “Senhor, tenho uma palavra a dizer-te”. “Silêncio” – ordenou o rei; e todos os seus familiares se retiraram.

20. Aod entrou; o rei estava assentado, só, no seu quarto de verão. “Tenho a dizer-te uma palavra da parte do Senhor” – disse Aod. O rei levantou-se do seu trono.

21. E logo tomou Aod com a mão esquerda a espada que trazia na coxa direita e cravou-a no ventre

22. com tanta força que o próprio cabo entrou após a lâmina e ficou coberto, devido à grande quantidade de gordura. E não retirou do ventre sua espada, cuja lâmina saía por detrás.

23. Aod saiu pela galeria, depois de ter fechado bem atrás de si as portas do quarto de cima, deixando-as trancadas.

24. E, tendo ele partido, notaram os servos do rei que as portas estavam fechadas: “Sem dúvida – disseram – estará fazendo suas necessidades, em seu quarto de verão”.

25. Mas, depois de esperarem muito tempo, ficaram alarmados. Vendo que a porta de cima não se abria, tomaram a chave, abriram-na e encontraram o seu senhor morto e estendido por terra.

26. Enquanto isso, Aod fugiu para além das estelas, e foi para Seira.

27. Logo que chegou à montanha de Efraim, tocou a trombeta e os filhos de Israel desceram da montanha com ele.

28. “Segui-me – disse-lhes ele – porque o Senhor entregou-vos os moabi­tas, vossos inimigos.” Eles o seguiram e ocuparam os vaus do Jordão, por onde se vai a Moab, de modo a não deixar passar ninguém.

29. Mataram então cerca de dez mil homens, todo o escol e todo o vigor de Moab; ninguém escapou.

30. Naquele dia, foi Moab humilhado sob a mão de Israel. E a terra teve um descanso de oitenta anos.

31. Depois de Aod, Samgar, filho de Anat, derrotou seiscentos filisteus com um aguilhão de bois. Samgar também foi um libertador para Israel.

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1. No tempo que governavam os juízes, sobreveio uma fome na terra. Um homem partiu de Belém de Judá, com sua mulher e seus dois filhos, indo morar nos campos de Moab.

2. Chamava-se Elimelec e sua mulher Noemi; seus dois filhos chamavam-se Maalon e Quelion; eram efra­teus de Belém de Judá. Chegados à terra de Moab, estabeleceram-se ali.

3. Elimelec, marido de Noemi, morreu, deixando-a com seus dois filhos.

4. Estes casaram com mulheres moabitas, chamadas uma Orfa e outra Rute. Viveram lá aproximadamente dez anos.

5. Maalon e Quelion morreram ficando Noemi só, sem seus dois filhos e sem seu marido.

6. Então, levantou-se Noemi e partiu da região de Moab com suas duas noras, porque ouviu dizer que o Senhor tinha visitado o seu povo e lhe tinha dado pão.

7. Deixou, pois, aquele lugar onde habitara com suas duas noras e pôs-se a caminho de volta para a terra de Judá.

8. “Ide, voltai para a casa de vossa mãe – disse ela às suas noras –. O Senhor use convosco de misericórdia, como vós usastes com os que morreram e comigo!

9. Que ele vos conceda paz em vossos lares, cada uma em casa de seu marido!” E beijou-as. Elas puseram-se a chorar:

10. “Nós iremos contigo para o teu povo – disseram elas.

11. “Ide, minhas filhas – replicou Noemi –. Por que haveis de vir comigo? Porventura, tenho eu ainda em meu seio filhos que possam tornar-se vossos maridos?

12. Voltai, minhas filhas, porque já estou demasiado velha para casar-me de novo. E ainda que eu tivesse alguma esperança e que esta noite mesmo me fosse dado ter marido e viesse a gerar filhos,

13. haveríeis de esperá-los crescer, sem vos casardes de novo, até que se tornassem grandes? Não, minhas filhas, minha dor é muito maior do que a vossa, porque a mão do Senhor pesou sobre mim”.

14. Então, elas desataram de novo a chorar. Orfa beijou a sua sogra, porém Rute não quis separar-se dela.

15. “Eis que tua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses – disse-lhe Noemi –. “Vai com ela!”

16. “Não insistas comigo – respondeu Rute – para que eu te dei­xe e me vá longe de ti. Aonde fores, eu irei; onde habitares, eu habitarei. O teu povo é meu povo e o teu Deus, meu Deus.

17. Na terra em que morreres, quero também eu morrer e aí ser sepultada. O Senhor trate-me com todo o rigor, se outra coisa, a não ser a morte, me separar de ti!”

18. Ante tal resolução, Noemi não insistiu mais.

19. Seguiram juntas o seu caminho até Belém. Ali chegando, comoveu-se toda a cidade e as mulheres diziam: “Eis aí Noe­mi!”.

20. “Não me chameis mais Noemi – replicou ela –, mas chamai-me Mara, porque o Todo-poderoso me encheu de amargura.

21. Parti com as mãos cheias e o Senhor fez-me voltar com as mãos vazias. Por que me chamais Noemi, se o Senhor se declarou contra mim e o Onipotente me inundou de aflição?”.

22. Foi assim que voltaram dos campos de Moab, Noemi e sua nora Rute, a moabita. Chegaram a Belém, quando começava a colheita da cevada.

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1. Cântico das peregrinações. Oh, como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos.*

2. É como um óleo suave derramado sobre a fronte, e que desce para a barba, a barba de Aarão, para correr em seguida até a orla de seu manto.*

3. É como o orvalho do Hermon, que desce pela colina de Sião; pois ali derrama o Senhor a vida e uma bênção eterna.

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"Não nos preocupemos quando Deus põe à prova a nossa fidelidade." São Padre Pio de Pietrelcina