Mosaico decorativo

Bíblia em um ano.

No dia 313, mergulhamos nos relatos do nascimento de Jesus em Lucas 1-2, incluindo o anúncio a Maria, o nascimento em Belém e a visita dos pastores. Provérbios 25:24-26 complementa essas histórias com lições de sabedoria prática e ética, mostrando como a vida de fé se manifesta no dia a dia.

Capítulo 1

1. Muitos empreenderam compor uma história dos aconteci­mentos que se realizaram entre nós,

2. como no-los transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares e que se tornaram ministros da palavra.

3. Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo,*

4. para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido.

5. Nos tempos de Herodes, rei da Judeia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel.

6. Ambos eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor.

7. Mas não tinham filhos, porque Isabel era estéril e ambos de idade avançada.

8. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem da sua classe,

9. coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume.

10. Todo o povo estava de fora, à hora da oferenda do perfume.

11. Apareceu-lhe então um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do perfume.*

12. Vendo-o, Zaca­rias ficou perturbado, e o temor assaltou-o.

13. Mas o anjo disse-lhe: “Não temas, Zaca­rias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, vai dar-te um filho, e tu o chamarás João.

14. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos se alegrarão com o seu nascimento;

15. porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem licor, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo;

16. ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus,

17. e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto”.

18. Zacarias perguntou ao anjo: “Como terei certeza disso? Pois sou velho e minha mulher é de idade avançada”.

19. O anjo respondeu-lhe: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te trazer esta feliz nova.

20. Eis que ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas acontecerem, visto que não deste crédito às minhas palavras, que se hão de cumprir a seu tempo”.

21. No entanto, o povo estava espe­rando Zacarias; e admirava-se de que ele se demorasse tanto tempo no santuário.

22. Ao sair, não lhes podia falar, e compreenderam que tivera no santuário uma visão. Ele lhes explicava isto por acenos; e permaneceu mudo.

23. Decorridos os dias do seu ministério, retirou-se para sua casa.

24. Algum tempo depois Isabel, sua mulher, concebeu; e por cinco meses se ocultava, dizendo:

25. “Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens”.

26. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,

27. a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.

28. Entrando, o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”.

29. Perturbou-se ela com essas palavras e pôs-se a pensar no que significaria seme­lhante saudação.

30. O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.

31. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.

32. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,*

33. e o seu reino não terá fim”.

34. Maria perguntou ao anjo: “Como se fará isso, pois não conheço homem?”

35. Respondeu-lhe o anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.

36. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,

37. porque a Deus nenhuma coisa é impossível”.

38. Então disse Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo afastou-se dela.

39. Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.

40. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.

41. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

42. E exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

43. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?

44. Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.

45. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!”.

46. E Maria disse: “Minha alma glorifica ao Senhor,*

47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,

48. porque olhou para sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,

49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.

50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.

51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.

52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.

53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.

54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,

55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre”.

56. Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.

57. Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho.

58. Os seus vizinhos e paren­tes souberam que o Senhor lhe manifestara a sua misericórdia, e congratulavam-se com ela.

59. No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias.

60. Mas sua mãe interveio: “Não” – disse ela – “ele se chamará João.”

61. Replicaram-lhe: “Não há ninguém na tua família que se chame por este nome”.

62. E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse.

63. Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: “João é o seu nome”. Todos ficaram pasmados.

64. E logo se lhe abriu a boca e soltou-se sua língua e ele falou, bendizendo a Deus.

65. O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos; o fato divulgou-se por todas as montanhas da Judeia.

66. Todos os que o ouviam conservavam-no no coração, dizendo: “Que será este menino?”. Porque a mão do Senhor estava com ele.

67. Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, nestes termos:*

68. “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo,

69. e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo

70. (como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas),

71. para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam.

72. Assim exerce a sua misericórdia com nossos pais, e se recorda de sua santa aliança,

73. segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de nos conceder que, sem temor,

74. libertados de mãos inimigas, possamos servi-lo

75. em santidade e justiça, em sua presença, todos os dias da nossa vida.

76. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho,

77. para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados.

78. Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente,*

79. que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.”

80. O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.

Capítulo 2

1. Naqueles tempos, apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra.

2. Esse recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria.

3. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade.

4. Também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,

5. para se alistar com a sua esposa, Maria, que estava grávida.

6. Estando eles ali, completaram-se os dias dela.

7. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.*

8. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite.

9. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor.

10. O anjo disse-lhes: “Não temais, eis que vos anuncio uma Boa-Nova que será alegria para todo o povo:

11. hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor.

12. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura”.

13. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia:

14. “Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina).”*

15. Depois que os anjos os dei­xaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: “Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou”.

16. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.

17. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.

18. Todos os que os ouviam admi­ravam-se das coisas que lhes contavam os pastores.

19. Maria conservava todas essas palavras, meditando-as no seu coração.

20. Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.

21. Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno.

22. Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor,

23. conforme o que está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor” (Ex 13,2);

24. e para oferecerem o sacrifício prescrito pela Lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.

25. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Esse homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.*

26. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.

27. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da Lei,

28. tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:

29. “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.

30. Porque os meus olhos viram a vossa salvação

31. que preparastes diante de todos os povos,

32. como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel”.

33. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.

34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,

35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpas­sa­rá a tua alma”.*

36. Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada.

37. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viú­va e agora, com oitenta e quatro anos, não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.

38. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.

39. Após terem observado tudo segundo a Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, à sua cidade de Nazaré.

40. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.

41. Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa.

42. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa.

43. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem.

44. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos.

45. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele.

46. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.

47. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas.

48. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: “Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição”.

49. Respondeu-lhes ele: “Por que me procurá­veis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?”.*

50. Eles, porém, não compreen­deram o que ele lhes dissera.

51. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas essas coisas no seu coração.

52. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens. (= Mt 3,1-12 = Mc 1,1-8)

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24. É melhor habitar um canto do terraço do que viver com uma mulher impertinente.

25. Água fresca para uma garganta sedenta: tal é uma boa-nova vinda de terra longínqua.

26. Fonte turva e manancial contaminado: tal é o justo que cede diante do ímpio.

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"Sigamos o caminho que nos conduz a Deus." São Padre Pio de Pietrelcina