Mosaico decorativo

Bíblia em um ano.

No dia 274, observamos como Neemias enfrenta oposição e fortalece a fé do povo na reconstrução dos muros de Jerusalém. Ester 1-2 introduz a ascensão de Ester e os primeiros eventos na corte persa, enquanto Provérbios 20:27-30 nos ensina sobre autocontrole, disciplina e o valor da sabedoria aplicada à vida diária.

Capítulo 4

1. Quando Sanabalat, Tobias, os árabes, os amonitas e os azoteus souberam que prosseguíamos na reparação das muralhas de Jerusalém e que as fendas começavam a desaparecer, ficaram enraivecidos.

2. Coligaram-se todos para vir atacar Jerusalém e semear ali a confusão.*

3. Fizemos oração ao nosso Deus e estabelecemos uma guarda de dia e de noite para nos proteger contra eles.

4. Já o povo de Judá dizia: “Os transportadores estão quase sem forças e há ainda grande quantidade de escombros. Jamais conseguiremos reconstruir a muralha”.

5. E nossos inimigos diziam: “Vamos atacá-los sem que saibam e antes que vejam algo. Nós os mataremos e faremos parar a obra”.

6. Os judeus que habitavam nas vizinhanças vieram até dez vezes advertir-nos acerca dos lugares de onde possivelmente nossos inimigos viriam atacar-nos.

7. Coloquei, pois, como anteparo, por detrás das muralhas, nos pontos descobertos, o povo dividido em famílias, com as suas espadas, lanças e arcos.

8. Tendo terminado a inspeção, achei que era de meu dever exortar os homens importantes, os magistrados e o restante do povo: “Não tenhais medo deles!” – disse-lhes eu –. “Lembrai-vos de que o Senhor é grande e temível; combatei por vossos irmãos, vossos filhos e filhas, vossas mulheres e vossas casas!”.

9. Quando nossos inimigos souberam que estávamos informados, compreenderam que Deus lhes aniquilava o projeto. Nós, pois, retornamos todos à muralha, cada um ao seu trabalho.

10. Mas, depois daquele dia, a metade dos homens trabalhava na construção, enquanto a outra metade estava armada de lanças, escudos, arcos e couraças; e os chefes estavam atrás deles com toda a gente de Judá.

11. Entre os que estavam ocupados na muralha, os transportadores trabalhavam com uma das mãos e, na outra, traziam uma arma;

12. os pedreiros tinham cada um sua espada na cinta ao redor dos rins; foi assim que se fez a alvenaria. Um corneteiro estava sempre junto de mim.

13. E eu disse aos homens importantes, aos magistrados e ao resto do povo: “O trabalho é considerável e se estende por um vasto espaço; nós nos encontramos dispersos na muralha, uns à grande distância dos outros.

14. Quando, pois, tocar a trombeta, de qualquer canto em que vós a escuteis, reuni-vos a nós. Nosso Deus combaterá por nós”.

15. Assim trabalhávamos desde o despontar da aurora até a aparição das estrelas, enquanto a metade dos homens empunhava a arma.

16. Ao mesmo tempo, eu disse ao povo: “Cada um, com seu ajudante, passe a noite em Jerusalém, para nos auxiliar a montar a guarda durante a noite e a trabalhar durante o dia”.

17. Quanto a mim, a meus irmãos, a minha gente e aos guardas de minha escolta, nem mesmo trocávamos nossas vestes; cada um guardava sua arma ao alcance da mão.

Capítulo 5

1. Houve forte lamentação do povo e suas mulheres contra os judeus, seus irmãos.

2. Havia alguns que diziam: “Nós, nossos filhos e filhas somos numerosos; precisamos de trigo para que possamos comer e viver”.

3. Havia outros que diziam: “Somos obrigados a empenhar nossas terras, nossas vinhas e nossas casas para termos trigo durante a fome”.

4. Outros ainda diziam: “Tivemos de tomar dinheiro emprestado para pagar o tributo ao rei, empenhando nossas vinhas e nossos campos.

5. E, no entanto, somos da mesma raça que nossos irmãos; nossos filhos não são diferentes dos deles; e eis que foi preciso escravizar nossos filhos e filhas; mesmo agora, entre nossas filhas, há algumas que já são escravas. E nada podemos fazer, porque nossos campos e nossas vinhas passaram já à mão de outros”.*

6. Esses lamentos e reclamações irritaram-me profundamente.

7. Depois de ter refletido, censurei as pessoas importantes e os magistrados, dizendo-lhes: “Por que cobrais usuras de vossos irmãos?”. Convoquei então por causa deles uma grande assembleia

8. e disse-lhes: “Nossos irmãos judeus, que tinham sido vendidos às nações, nós os resgatamos segundo nossa posse. E vós vendeis vossos irmãos? É a nós que eles seriam vendidos!”. Calaram-se, não encontrando o que responder.

9. Eu continuei: “O que estais fazendo não é correto! Não devíeis caminhar no temor de nosso Deus, para evitar o insulto das nações que são nossas inimigas?

10. Eu mesmo, com meus irmãos e servos, nós emprestamos prata e trigo. Pois bem! Abandonemos o que nos devem.

11. Devolvei-lhes desde já seus campos, suas vinhas, suas oliveiras e suas casas, bem como a porcentagem de prata, de trigo, de vinho e de azeite que exigistes deles como juros”.

12. Responderam eles: “Devolveremos tudo e nada mais lhes pediremos; faremos tudo o que dizes”. Chamei então os sacerdotes e os fiz jurar que procederiam assim.

13. E sacudi o pó de meu manto, dizendo: “Que Deus assim sacuda de sua casa e de seus bens todo aquele que não cumprir com a sua palavra; que assim, expulso, fique também tal homem despojado!”. Ao que toda a assembleia respondeu: “Amém” – louvando o Senhor. E o povo nada mais disse.

14. Depois do dia em que o rei me estabeleceu como governador da região de Judá, isto é, depois do vigésimo até o trigésimo segundo ano do reinado do rei Artaxerxes, durante doze anos, nem eu nem meus irmãos comemos o pão do governador.*

15. Os antigos governadores, meus predecessores, cobrando o pão e o vinho à razão de quarenta siclos por dia, tinham sido uma carga pesada para o povo, que também sofria as cobranças de seus servos. Mas, quanto a mim, o temor de Deus preservou-me de proceder assim.

16. Eu mesmo colaborei no trabalho de reparação das muralhas. Não compramos campo algum e meus servos puseram-se todos a trabalhar.

17. Tinha eu ao meu encargo a alimentação de cento e cinquenta homens, judeus e magistrados, além de outras pessoas que nos vinham procurar das regiões vizinhas.

18. Preparávamos todos os dias um boi, seis carneiros escolhidos e aves, tudo à minha custa; e a cada dez dias se servia o vinho necessário em abundância. Entretanto, não reclamei a pensão do governador porque os trabalhos pesavam muito sobre o povo.

19. Lembrai-vos, ó meu Deus, de tudo o que eu fiz por esse povo e recompensai-me.

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Capítulo 1

1. Eis o que aconteceu no tempo de Assuero que reinou desde a Índia até a Etiópia sobre cento e vinte e sete províncias.*

2. Naqueles dias em que ele ocupava o trono real, que está na fortaleza de Susa, sua capital,

3. no terceiro ano de seu reinado, deu um banquete a todos os cortesãos e servos. Tinha reunido em sua presença os chefes do exército dos persas e dos medos, os príncipes e os governadores das províncias,

4. para fazer manifestação da riqueza e do esplendor de seu reino, da rara magnificência de sua grandeza, durante um tempo considerável, de cento e oitenta dias.

5. Passados esses dias, o rei deu um banquete a toda a população que se encontrava na fortaleza de Susa, desde o maior até o menor, durante sete dias, sobre a esplanada do palácio real.

6. Havia cortinas brancas de algodão e de púrpura violeta, presas por cordões brancos e purpúreos sobre anéis de prata e colunas de mármore; havia leitos de ouro e de prata sobre um pavimento de pórfiro, de mármore branco, de nácar e havia pedra preta.

7. A bebida era servida em copos de ouro de variadas formas; o vinho real em abundância era oferecido pela liberalidade do rei.

8. Bebia-se sem ser importunado por ninguém, segundo uma ordem do rei, porque ele tinha recomendado a todos os chefes de sua casa que deixassem cada um proceder como lhe agradasse.

9. Por sua parte, a rainha Vasti ofereceu um banquete para as mulheres do palácio real do rei Assuero.

10. No sétimo dia, o rei, cujo coração estava alegre por causa do vinho, ordenou a Maumã, Bazata, Harbona, Bagata, Abgata, Zetar e Carcas – os sete eunucos a serviço, junto de Assuero –,

11. que trouxessem à sua presença a rainha Vasti, com o diadema real, para mostrar aos povos e aos grandes toda a sua beleza, porque era formosa de aspecto.

12. Mas a rainha Vasti recusou sujeitar-se à ordem do rei transmitida pelos eunucos. O rei enfureceu-se e sua cólera se inflamou.

13. Consultou os sábios versados na ciência dos tempos. (Porque os assuntos reais eram tratados desse modo, com jurisconsultos.

14. Seus assessores eram: Carsena, Setar, Admata, Társis, Mares, Marsana e Mamucã, sete príncipes da Pérsia e da Média, que contemplavam a face do rei e ocupavam os primeiros lugares no reino.)*

15. “Que lei – disse ele – se deve aplicar à rainha Vasti, por não ter obedecido a ordem que o rei Assuero lhe transmitiu pelos eunucos?”

16. “Não foi somente em relação ao rei – respondeu Mamucã – que se comportou mal a rainha Vasti, mas também em relação a todos os príncipes e os povos das províncias do rei Assuero.

17. Porque a conduta da rainha será conhecida de todas as mulheres e as incitará a desprezar seus maridos. Dirão: ‘O rei Assuero mandou trazer à sua presença a rainha Vasti, mas ela não foi!’.

18. Daqui em diante, as mulheres dos príncipes da Pérsia e da Média, sabendo da conduta da rainha, responderão do mesmo modo a todos os grandes do rei e disso resultará, por toda a parte, desprezo e irritação.

19. Se o rei achar bom, publique-se em seu nome um decreto real, que ficará consignado nas leis da Pérsia e da Média como irrevogável, em força do qual Vasti não apareça mais dian­te de Assuero e o rei confira o título de rainha a outra que seja mais digna.

20. Quando o edito for conhecido na imensidade de seu reino, todas as mulheres respeitarão seus maridos, desde o maior até o mais humilde.”

21. Esse parecer agradou ao rei e aos príncipes, de modo que o rei seguiu o conselho de Mamucã.

22. O rei expediu cartas para todas as províncias reais, a cada uma em sua escrita, e a cada povo em sua língua própria: elas decretavam que todo marido devia ser o senhor em sua casa e fazer-se respeitar por sua mulher.

Capítulo 2

1. Quando, pouco depois, a cólera do rei se acalmou, pensou em Vasti, no que ela tinha feito e na decisão que tinha tomado a respeito dela.

2. Então, as pessoas do séquito do rei disseram:

3. “Que se procurem, para o rei, donzelas virgens e belas. Que o rei envie comissários a todas as províncias de seu reino para reunir todas as jovens virgens de belo aspecto, e trazê-las à fortaleza de Susa, no harém, sob a vigilância de Egeu, eunuco do rei e encarregado das mulheres, que providenciará às necessidades de seu toucador.

4. A jovem que souber agradar ao rei se tornará rainha no lugar de Vasti”. Esse parecer agradou ao rei que seguiu esse conselho.

5. Ora, havia na fortaleza de Susa, um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, da tribo de Benjamim,

6. que tinha sido trazido de Jerusalém entre os cativos deportados com Jeconias, rei de Judá, por Nabucodonosor, rei da Babilônia.

7. Era o tutor de Edissa – isto é, Ester –, filha de seu tio, órfã de pai e mãe. A moça era de belo porte e agradável de aspecto; na morte de seus pais, Mardoqueu a tinha adotado por filha.*

8. Logo que foi publicado o edito do rei, numerosas jovens foram reunidas na fortaleza de Susa, sob a guarda de Egeu. Ester também foi levada ao palácio e posta sob a guarda de Egeu, o encarregado das mulheres.

9. A jovem lhe agradou e ganhou sua proteção; tanto que ele se apressou em lhe proporcionar unguentos e perfumes para seu toucador e adorno. Deu-lhe sete servas, escolhidas na casa do rei, reservando a elas o melhor aposento do harém.

10. Ester não tinha revelado sua raça nem sua família, porque Mardoqueu lhe tinha proibido falar disso.

11. Cada dia ele passeava diante do pátio do harém para ter notícias de Ester e saber como a tratavam.

12. Toda jovem começava por sujeitar-se, durante doze meses, à lei das mulheres. Nesse período se purificavam durante seis meses com óleo de mirra, e nos outros seis meses com cosméticos e bálsamos em uso entre as mulheres.

13. Depois disso, quando chegava a vez de cada uma entrar junto ao rei, podia, ao passar do harém ao palácio, tomar consigo tudo o que queria.

14. Admitida à tarde, se retirava pela manhã a outro palácio das mulheres, sob a guarda de Sasagaz, o eunuco do rei, posto à frente das concubinas. E não voltava mais junto ao rei, se ele não tivesse manifestado o desejo, chamando-a pelo nome.

15. Chegou a vez de Ester entrar junto ao rei. A filha de Abiail (tio desse Mardo­queu que a tinha adotado por filha) não pediu nada além do que lhe fora dado por Egeu, eunuco do rei, encarregado das mulheres. Mas ela ganhava as boas graças de todos os que a viam.

16. Foi levada junto ao rei Assuero, a seu palácio. Era o décimo mês (mês de Tebet), do ano sétimo do seu reinado.

17. O rei a preferiu a todas as outras mulheres, e ganhou ela as graças e o favor real mais que todas as demais jovens. Tanto que o rei colocou sobre sua cabeça o diadema real e a fez rainha no lugar de Vasti.

18. O rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e a seus servos em honra de Ester; concedeu um dia de descanso a seus Estados e fez benefícios dignos de um rei.*

19. Na segunda vez que reuniram as jovens, Mardoqueu se achava sentado à porta do rei.

20. Obedecendo à proibição de seu tutor, Ester não tinha revelado nem sua família, nem sua raça. Obedecia ainda a Mardoqueu, como quando estava sob a sua tutela.

21. Naquele tempo, pois, Mardoqueu se sentava à porta do palácio. Ora, dois eunucos do rei, Gabata e Tares, guardas da entrada, cedendo ao ressentimento, pensaram levantar sua mão contra o rei.

22. Mardoqueu o soube e deu parte à rainha Ester, e esta o referiu ao rei em nome de Mardoqueu.

23. Examinado o assunto e reconhecido como certo, foram os dois eunucos suspensos numa forca. E se consignou o fato no Livro das Crônicas, em presença do rei.

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27. O espírito do homem é uma lâmpada do Senhor: ela penetra os mais íntimos recantos das entranhas.*

28. Bondade e fidelidade montam guarda ao rei; pela justiça firma-se seu trono.

29. A força é o ornato dos jovens; o ornamento dos anciãos são os cabelos brancos.

30. A ferida sangrenta cura o mal; também os golpes, no mais íntimo do corpo.

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"Nas tribulações é necessário ter fé em Deus." São Padre Pio de Pietrelcina