Mosaico decorativo

Bíblia em um ano.

No dia 328, Atos 7 narra o poderoso discurso de Estêvão defendendo sua fé, culminando em seu martírio. Romanos 11-12 nos lembra da inclusão de Israel e dos gentios no plano de Deus e exorta à vida transformada. Provérbios 27:13-14 nos ensina a prática da paciência e a importância de agir com cautela diante de situações difíceis.

1. Perguntou-lhe então o sumo sacerdote: “É realmente assim?”.

2. Respondeu ele: “Irmãos e pais, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava na Mesopotâmia, antes de ir morar em Harã.

3. E disse-lhe: Sai de teu país e de tua parentela, e vai para a terra que eu te mostrar (Gn 12,1).

4. Ele saiu da terra dos caldeus, e foi habitar em Harã. Dali, depois que lhe faleceu o pai, Deus o fez passar para esta terra, em que vós agora habitais.

5. Não lhe deu nela propriedade alguma, nem sequer um palmo de terra, mas pro­meteu dar-lha em posse, e depois dele à sua posteridade, quando ainda não tinha filho algum.

6. Eis como falou Deus: Sua descendência habitará em terra estranha e será reduzida à escravidão e maltratada pelo espaço de quatrocentos anos.

7. Mas eu julgarei a nação que os domi­nar – diz o Senhor –, e eles sairão e me pres­tarão culto neste lugar (Gn 15,13; Ex 3,12).

8. E deu-lhe a aliança da circuncisão. Assim, Abraão teve um filho, Isaac, e, passados oito dias, o circuncidou; e Isaac, a Jacó; e Jacó, os doze patriarcas.

9. “Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito. Mas Deus estava com ele.

10. Livrou-o de todas as suas tribulações e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egito, que o fez governador do Egito e chefe de sua casa.

11. Sobreveio depois uma fome a todo o Egito e Canaã. Grande era a tribulação, e os nossos pais não achavam o que comer.

12. Mas, quando Jacó soube que havia trigo no Egito, enviou pela primeira vez os nossos pais para lá.

13. Na segunda, foi José reconhecido por seus irmãos, e foi descoberta ao faraó a sua origem.

14. Enviando mensageiros, José mandou vir seu pai Jacó com toda a sua família, que constava de setenta e cinco pessoas.

15. Jacó desceu ao Egito e morreu ali, como também nossos pais.

16. Seus corpos foram trasladados para Siquém, e foram postos no sepulcro que Abraão tinha comprado, a peso de dinheiro, dos filhos de Hemor, de Siquém.

17. Aproximava-se o tempo em que devia realizar-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito

18. até que se levantou outro rei no Egito, o qual nada sabia de José.

19. Este rei, usando de astúcia contra a nossa raça, maltratou nossos pais e obrigou-os a enjeitarem seus filhos para privá-los da vida.

20. Por esse mesmo tempo, nasceu Moisés. Era belo aos olhos de Deus e por três meses foi criado na casa paterna.

21. Depois, quando foi exposto, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho.

22. Moisés foi instruído em todas as ciências dos egípcios e tornou-se forte em palavras e obras.

23. Quando completou quarenta anos, veio-lhe à mente visitar seus irmãos, os filhos de Israel.

24. Viu que um deles era maltratado; tomou-lhe a defesa e vingou o que padecia a injúria, matando o egípcio.

25. Ele esperava que os seus irmãos compreendessem que Deus se servia de sua mão para livrá-los. Mas não o entenderam.

26. No dia seguinte, dois dentre eles brigavam, e ele procurou reconciliá-los: Amigos, disse ele, sois irmãos, por que vos maltratais um ao outro?

27. Mas o que maltratava seu compatriota o repeliu: Quem te constituiu chefe ou juiz sobre nós?

28. Porventura queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio?

29. A estas palavras, Moisés fugiu. E esteve como estrangeiro na terra de Madiã, onde teve dois filhos.

30. Passados quarenta anos, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo, na chama de uma sarça ardente.

31. Moisés, admirado de uma tal visão, aproximou-se para a examinar. E a voz do Senhor lhe falou:

32. Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Moisés, atemorizado, não ousava levantar os olhos.

33. O Senhor lhe disse: Tira o teu calçado, porque o lugar onde estás é uma terra santa.

34. Considerei a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos e desci para livrá-los. Vem, pois, agora e eu te enviarei ao Egito.

35. Este Moisés, que despre­zaram, dizendo: Quem te constituiu chefe ou juiz? A este, Deus enviou como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça.

36. Ele os fez sair do Egito, operando prodígios e milagres na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por espaço de quarenta anos.

37. Foi este Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta como eu.

38. Este é o que esteve entre o povo congregado no deserto, e com o anjo que lhe falara no monte Sinai, e com os nossos pais; que recebeu palavras de vida para no-las transmitir.

39. Nossos pais não lhe quiseram obedecer, mas o repeliram. Em seus corações voltaram-se para o Egito,

40. dizendo a Aarão: Faze-nos deuses, que vão diante de nós, porque quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que foi feito dele.

41. Fize­ram, naqueles dias, um bezerro de ouro e ofereceram um sacrifício ao ídolo, e se alegravam diante da obra das suas mãos.

42. Mas Deus afastou-se e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura, casa de Israel, vós me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto?

43. Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las! Assim eu vos deportarei para além da Babilônia (Am 5,25ss).

44. A arca da Aliança esteve com os nossos pais no deserto, como Deus ordenou a Moisés que a fizesse conforme o modelo que tinha visto.

45. Recebendo-a nossos pais, levaram-na sob a direção de Josué às terras dos pagãos, que Deus expulsou da presença de nossos pais. E ali ficou até o tempo de Davi.

46. Este encontrou graça diante de Deus e pediu que pudesse achar uma morada para o Deus de Jacó.

47. Salomão foi quem lhe edificou a casa.

48. O Altíssimo, porém, não habita em casas construídas por mãos humanas. Como diz o profeta:

49. O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis vós? – diz o Senhor. Qual é o lugar do meu repouso?

50. Acaso não foi minha mão que fez tudo isto (Is 66,1s)?

51. Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também!

52. A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas.

53. Vós que recebestes a Lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes...”.*

54. Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele.

55. Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus:

56. “Eis que vejo” – disse ele – “os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direi­ta de Deus”.

57. Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele.

58. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo.

59. E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: “Se­nhor Jesus, recebe o meu espírito.”

60. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado...”. A estas palavras, expirou.

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Capítulo 11

1. Pergunto, então: Acaso rejeitou Deus o seu povo? De maneira alguma. Pois eu mesmo sou israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim.

2. Deus não repeliu o seu povo, que ele de antemão distinguiu! Desconheceis o que narra a Escritura, no episódio de Elias, quando este se queixava de Israel a Deus:

3. Senhor, mataram vossos profetas, destruíram vossos altares. Fiquei apenas eu, e ainda procuram tirar-me a vida (1Rs 19,10)?

4. Que lhe respondeu a voz divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram o joelho diante de Baal (1Rs 19,18).

5. É o que continua a acontecer no tempo presente: subsiste um resto, segundo a eleição da graça.

6. E se é pela graça, já não o é pelas obras; de outra maneira, a graça cessaria de ser graça.

7. Consequência? Que Israel não conseguiu o que procura. Os escolhidos, estes sim, o conseguiram. Quanto aos mais, foram obcecados,

8. como está escrito: Deus lhes deu um espírito de torpor, olhos para que não vejam e ouvidos para que não ouçam, até o dia presente (Dt 29,4).

9. Davi também o diz: A mesa se lhes torne em laço, em armadilha, em ocasião de tropeço, em justo castigo!

10. A vista se lhes obscureça para não verem! Dobra-lhes o espinhaço sem cessar (Sl 68,23s)!

11. Pergunto ainda: Tropeçaram acaso para cair? De modo algum. Mas sua queda, tornando a salvação acessível aos pagãos, incitou-os à emulação.

12. Ora, se o seu pecado ocasionou a riqueza do mundo, e a sua decadência a riqueza dos pagãos, que não fará a sua conversão em massa?!

13. Declaro-o a vós, homens de origem pagã: como apóstolo dos pagãos, eu procuro honrar o meu ministério,

14. com o intuito de, eventualmente, excitar à emulação os homens da minha raça e salvar alguns deles.*

15. Porque, se de sua rejeição resultou a reconcilia­ção do mundo, qual será o efeito de sua reintegração, senão uma ressurreição dentre os mortos?

16. Se as primícias são santas, também a massa o é; e se a raiz é santa, os ramos também o são.

17. Se alguns dos ramos foram cortados, e se tu, oliveira selvagem, foste enxer­tada em seu lugar e agora recebes seiva da raiz da oliveira,*

18. não te envaideças nem menosprezes os ramos. Pois, se te gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.

19. Dirás, talvez: “Os ramos foram cortados para que eu fosse enxertada”.

20. Sem dúvida! É pela incredulidade que foram cortados, ao passo que tu é pela fé que estás firme. Não te ensoberbeças, antes, teme.

21. Se Deus não poupou os ramos naturais, bem poderá não poupar a ti.

22. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, suposto que permaneças fiel a essa bondade; do contrário, também tu serás cortada.

23. E eles, se não persistirem na incredulidade, serão enxertados; pois Deus é poderoso para enxertá-los de novo.

24. Se tu, cortada da oliveira de natureza selvagem, contra a tua natureza foste enxertada em boa oliveira, quanto mais eles, que são naturais, poderão ser enxertados na sua própria oliveira!

25. Não quero, irmãos, que igno­reis este mistério, para que não vos gabeis de vossa sabedoria: esta cegueira de uma parte de Israel só durará até que haja entrado a totalidade dos pagãos.

26. Então, Israel em peso será salvo, como está escrito: Virá de Sião o libertador, apartará de Jacó a impiedade.

27. E esta será a minha alian­ça com eles, quando eu tirar os seus pecados (Is 59,20s; 27,9).

28. Se, quanto ao Evangelho, eles são inimigos de Deus, para proveito vosso, quanto à eleição eles são muito queridos por causa de seus pais.*

29. Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.

30. Assim como vós antes fostes desobedientes a Deus, e agora obtivestes misericórdia com a deso­bediência deles,

31. assim eles são incrédulos agora, em consequência da misericórdia feita a vós, para que eles também mais tarde alcancem, por sua vez, a misericórdia.

32. Deus encerrou a todos esses homens na desobediência para usar com todos de misericórdia.

33. Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos!

34. Quem pode compreender o pensamento do Se­nhor? Quem jamais foi o seu conselheiro?*

35. Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído?*

36. Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém.

Capítulo 12

1. Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a ofere­cerdes vossos corpos em sacri­fício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual.

2. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.

3. Em virtude da graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu.*

4. Pois, como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função,

5. assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro.

6. Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia, exerça-o conforme a fé.

7. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine;

8. o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade.

9. Que vossa caridade não seja fingida. Aborrecei o mal, apegai-vos solidamente ao bem.

10. Amai-vos mu­tuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros.

11. Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor.

12. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração.

13. Socorrei às necessidades dos fiéis. Esmerai-vos na prática da hospitalidade.

14. Abençoai os que vos perse­guem; abençoai-os, e não os prague­jeis.

15. Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram.

16. Vivei em boa harmonia uns com os ou­tros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos.

17. Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens.

18. Se for possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos os homens.

19. Não vos vingueis uns dos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor (Dt 32,35).

20. Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça (Pr 25,21s).*

21. Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem.

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13. Toma a sua veste, porque ficou fiador de outrem, exige o penhor que deve aos estrangeiros.

14. Quem, desde o amanhecer, louva seu vizinho em alta voz é censurado de o ter amaldiçoado.

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"Quanto mais se caminha na vida espiritual, mais se sente a paz que se apossa de nós." São Padre Pio de Pietrelcina