Sabedoria, 19
1. Quanto aos ímpios, inexorável foi a ira que os perseguiu até o fim: porque Deus previa o que eles haveriam de fazer,
1. Mas sobre os ímpios desceu até ao fim a ira de Deus sem misericórdia, porque Deus previa o seu futuro modo de proceder,
2. isto é, depois de terem deixado partir os justos, instando mesmo que fossem embora, mudariam de opinião e os perseguiriam.
2. isto é, que eles, depois de terem permitido (aos Israelitas) que se fossem, de os terem, até, despedido com grande pressa, arrependidos disto, iriam em seu alcance*
3. Na verdade, eles estavam ainda enlutados, e gemiam ainda sobre a tumba de seus mortos, quando loucamente tomaram outra resolução e perseguiram, como a fugitivos, aqueles aos quais tinham rogado que partissem.
3. Antes mesmo de haverem terminado o luto, quando choravam ainda junto dos sepulcros dos seus mortos tomaram loucamente outra resolução: aos que tinham mandado embora com rogos, perseguiam depois como a fugitivos.
4. Um merecido destino os impelia a esse proceder extremo, e os atirava no olvido dos acontecimentos passados, para que sofressem, em meio a tormentos, um castigo completo,
4. Levava-os a este (triste) fim uma fatalidade de que eram dignos, fazia-lhes perder a lembrança do que lhes tinha acontecido, para que recebessem plenamente o castigo,
5. e fossem feridos de uma morte insólita, enquanto vosso povo tentava uma extraordinária passagem.
5. para que, enquanto o teu povo passava maravilhosamente (o mar), eles achassem uma morte estranha.
6. É que toda a criação, obedecendo às vossas ordens, foi remodelada em sua natureza, para que vossos filhos fossem conservados ilesos.*
6. É que todas as tuas criaturas foram transformadas na sua natureza, obedecendo aos teus mandados, a fim de que os teus servos fossem conservados ilesos. (ver nota)
7. Foi vista uma nuvem cobrir o acampamento, e a terra seca surgir do que tinha sido água, um caminho viável formar-se no Mar Vermelho, e um campo verdejante emergir das ondas impetuosas.*
7. E assim uma nuvem fazia sombra ao seu acampamento: onde antes havia água, apareceu terra seca e no Mar Vermelho uma passagem sem embaraço, e um campo viçoso emergiu das ondas impetuosas.
8. Por aí passou toda ela, a nação dos que vossa mão protegia, e que viram singulares prodígios.
8. pelo qual passou todo o povo que era protegido pela tua mão, espectador dos teus maravilhosos prodígios.
9. Iam como cavalos conduzidos à pastagem, e saltavam como cordeiros, glorificando a vós, Senhor, seu libertador,
9. Alegraram-se como cavalos nas suas pastagens, e como cordeiros saltaram (de prazer), glorificando-te a ti, Senhor, que os tinhas livrado. (ver nota)
10. porque eles se lembravam ainda do que tinha acontecido na terra estrangeira: como a terra, contrariando a geração dos vivos, tinha produzido moscas, e como o rio, em lugar de peixes, tinha lançado fora uma multidão de rãs.
10. Recordavam-se ainda do que tinha acontecido no lugar do seu exílio, como a terra, em vez de outros animais, tinha produzido moscas, e, em lugar de peixes, o rio tinha lançado fora multidão de rãs.
11. Mais tarde, viram ainda nascer uma nova espécie de pássaros, quando, premidos pela cobiça, pediram manjares delicados, porquanto, para satisfazê-los, codornizes subiram do mar.
11. Mais tarde viram uma nova casta de aves, quando, levados pela gula, pediram manjares exquisitos:
12. Os castigos não surpreenderam os pecadores, sem que fossem antes advertidos pela violência dos raios.*
12. para satisfazer o seu desejo, vieram-lhes da banda do mar codornizes. Porém sobre os (Egípcios) pecadores caíram castigos, não sem aqueles avisos, que antecipadamente lhes foram feitos pela violência dos raios. Sofriam justamente segundo as suas maldades.
13. Suportavam justamente o castigo de sua própria maldade, porque tinham mostrado excessivo ódio pelo estrangeiro.
13. porque tinham mostrado uma violentíssima aversão aos estrangeiros. Houve, certamente, quem não quis receber estrangeiros desconhecidos, mas estes (os Egípcios) reduziram à escravidão hóspedes benfeitores. (ver nota)
14. Houve muitos que não quiseram receber hóspedes desconhecidos, mas estes reduziram à escravidão hóspedes que tinham sido benfeitores.*
14. E não é tudo; aqueles têm uma desculpa, porque receberam (desde o principio) como inimigos os estrangeiros,
15. E isso não é tudo; haverá algo a mais que um castigo qualquer para aqueles que acolheram mal os estrangeiros:
15. enquanto que estes, depois de terem recebido com alegria a homens que gozavam dos mesmos direitos que eles os atormentaram com sofrimentos cruéis.
16. mas estes, a princípio, receberam bem seus hóspedes, e concederam-lhes a participação em seus direitos. Em seguida, eles os encheram de males.
16. Por isso foram feridos de cegueira, como aqueles o tinham sido à porta do justo (Lot), quando, repentinamente cobertos de trevas, buscavam, cada um por seu lado, a entrada da sua porta.
17. Do mesmo modo, foram feridos de cegueira, como aqueles homens, às portas do justo, quando, envolvidos por uma profunda escuridão, procuravam, cada um de seu lado, o caminho para suas casas.*
17. Os elementos trocavam entre si suas propriedades, como na harpa os sons mudam de ritmo, conservando a mesma tonalidade. É o que se pode ver claramente pela experiência.
18. Assim, os elementos mudavam suas propriedades entre si, como na harpa os sons mudam de ritmo, conservando a mesma tonalidade. É o que se pode verificar perfeitamente quando se consideram esses acontecimentos.
18. Os animais terrestres tornavam-se aquáticos, e os que nadam passavam para a terra. (ver nota)
19. Os seres terrestres tornavam-se aquáticos, os que nadam passavam à terra,*
19. o fogo, excedendo a sua virtude, ateava-se mais no meio da água, e esta esquecia-se da natureza que tem de o apagar.
20. o fogo era mais violento debaixo da chuva, e a água esquecia a propriedade que tem de extingui-lo.
20. As chamas, pelo contrário, não ofendiam as carnes dos frágeis animais que andavam entre elas, nem dissolviam aquele delicioso manjar, que se desfazia tão facilmente como o gelo. Em todas as coisas, Senhor, tu glorificaste o teu povo, honraste-o, não o desprezaste, assistindo-lhe em todo o tempo e em todo o lugar.
21. Além disso, as chamas não ofendiam as carnes dos frágeis animais que as atravessavam, e não liquefaziam esse alimento celeste, semelhante ao gelo e inteiramente capaz de se derreter.
21.
22. É que em tudo, Senhor, engrandecestes e glorificastes vosso povo, e não deixastes de assisti-lo em todo o tempo e em todo o lugar.
22.
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