26. Cisma em Roma

Hipólito nasceu antes de 170. Foi presbítero em Roma no pontificado de Vítor (c. de 189-198). Teve conflitos com o papa Zeferino e rompeu abertamente com seu sucessor, Calisto (217-222), acusando-o de sabelianismo (doutrina que ensinava serem o Filho e o Espírito Santo apenas "modalidades" do Pai, propagada por Sabélio) e de ser condescendente demais com os pecadores. Fez-se bispo de uma pequena comunidade cismática em Roma. Foi exilado juntamente com o papa Ponciano para a Sardenha em 235, onde morreu.

Hipólito não aceitava a reconciliação dos hereges e apóstatas (lapsi). Foi o primeiro antipapa da História da Igreja.

Escritos importantes de Hipólito: Refutação de todas as heresias (Philosophumena), Crônica, O Anticristo, Comentário de Daniel (onde diz que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro do 42o. ano do reinado de Augusto e morreu no dia 25 de março do 18o. ano do reinado de Tibério), Ypér tou katà Ioannen evaggelíou kaì apokalúpseos (defende que João é o autor do quarto evangelho e do Apocalipse, contra os alogianos, que negavam a doutrina do Logos), Syntagma, A Tradição Apostólica.

Hipólito testemunha a doutrina da Igreja sobre as Escrituras, fala da eucaristia como sacrifício, seguindo a Didaqué na aplicação da profecia de Malaquias (Ml 1,10s). Como Justino, Atenágoras, Teófilo e Tertuliano, é subordinacionista (ou seja, crê que o Filho tornou-se uma pessoa divina subordinada ao Pai, Logos proferido "posteriormente" para ajudá-lo na criação e no governo do mundo).

A Tradição Apostólica é uma preciosa fonte de informações sobre a liturgia cristã em Roma, no começo do séc. II (ver a seção XXIX). Entre outras coisas, fala da existência de um jejum pascal de dois dias, ensina que a eucaristia deve ser tratada com muito cuidado e reverência, "pois ela é o Corpo de Cristo que deve ser comido pelos fiéis e não pode ser negligenciado" e exorta os fiéis a fazerem o sinal da cruz quando sobrevier a tentação "pois este é o sinal da Paixão reconhecidamente provado contra o demônio, desde que feito com fé e não para vos exibir diante dos homens..."

Hipólito queria uma igreja formada apenas por pessoas "puras" e "santas".

Depois dele temos Novaciano. Por volta de 250, Novaciano era um presbítero de prestígio em Roma, com boa formação retórica. Ficou à frente de um partido rigorista e se fez bispo da Cidade Eterna, opondo-se ao papa Cornélio. Pereceu durante a perseguição de Valeriano, provavelmente, enquanto o papa Cornélio foi exilado.



“O amor e o temor devem sempre andar juntos. O temor sem amor torna-se covardia. São Padre Pio de Pietrelcina

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