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A “Ave Maria” explicada parte por parte

Ave Maria

1 – “Ave, Maria (alegra-te, Maria).”  (Lc 1,28)

A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria.

É o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria.

Nossa oração ousa retomar a saudação de Maria com o olhar que Deus lançou sobre sua humilde serva, alegrando-nos com a mesma alegria que Deus encontra nela.

Alguns usam Salve Maria em muitas orações, pois acham errado dizer Ave, pois era uma saudação romana, mas  quando a Bíblia foi traduzida para o latim, São Jerônimo utilizou a forma romana.

Dizer Ave ou Salve, hoje , para nós não há muita diferença, já que são saudações que caíram em desuso, porém por séculos a oração ficou conhecida como Ave Maria.

2 – “Cheia de graça, o Senhor é convosco.” (Lc1,28)

As duas palavras de saudação do anjo se esclarecem mutuamente.

Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela.  A graça com que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça.

”Alegra-te, filha de Jerusalém… o Senhor está no meio de ti” (Sf 3,14.17a).

Maria, em quem vem habitar o próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião, a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: ela é “a morada de Deus entre os homens” (Apoc 21,3).

”Cheia de graça”, e toda dedicada àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao mundo.

3 – “Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.” (Lc 1,41)

Depois da saudação do anjo, tornamos nossa a palavra de Isabel.

“Repleta do Espírito Santo” (Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série das gerações que declaram Maria bem-aventurada’: “Feliz aquela que creu…” (Lc 1,45):

Maria é “bendita entre as mulheres” porque acreditou na realização da palavra do Senhor.

Abraão, por sua fé, se tomou uma bênção para “todas as nações da terra” (Gn 12,3).

Por sua fé, Maria se tomou a mãe dos que crêem (Apoc 12,17) (Jo 19, 26-27), porque, graças a ela, todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: “Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”.

4 –  “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…”

Com Isabel também nós nos admiramos: “Donde me vem que a mãe de meu Senhor me visite?” (Lc 1,43).

Porque nos dá Jesus, seu filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma:

“Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: “Seja feita a vossa vontade”.

Maria é Mãe de Deus, pois foi de Maria que nasceu Jesus (Mt 1, 16) (Gal 4,4) , o nosso Senhor (Lc 1,43), Filho de Deus (Lc 1,35) e Deus (Jo 1,1), (Jo 5,18) com o Pai e o Espírito Santo (Mt 28,19).Maria é Mãe de Deus, pois Jesus não é metade homem e metade Deus, Ele é Deus e homem ao mesmo tempo.

Maria é Mãe no sentido de ter gerado em seu ventre e em seu coração Jesus, nosso Senhor e Deus.

5 – “Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte.”

Assim, pedindo a Maria que reze por nós, reconhecemo-nos como pobres pecadores e nos dirigimos à “Mãe de misericórdia”  (Jo 2,3),  à Toda Santa (Lc 1,28).

Entregamo-nos a ela “agora”, no hoje de nossas vidas.E nossa confiança aumenta para desde já entregar em suas mãos “a hora de nossa morte”, pois nessa hora compareceremos diante de Deus (Hb 9, 27) para sermos julgados.

Que ela esteja então presente, como na morte na Cruz de seu Filho, e que na hora de nossa passagem ela nos acolha como nossa Mãe (Jo 19,27) , para nos conduzir a seu Filho, Jesus, no Paraíso, pois o seu pedido é poderoso (Jo 2, 3ss).

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 19

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Autor: Pe. Juan Carlos Sack
Fonte: http://www.apologetica.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje São Gregório Magno, Eulógio de Alexandria, Isidoro de Sevilha e Bráulio de Saragoza].

GREGÓRIO MAGNO

Outro dos grandes Padres da Igreja ocidental. Nasceu em torno de 540. Chegou a ocupar o cargo de Prefeito ou Alcaide da cidade de Roma. Enviado pelo Papa a Constanstinopla como embaixador, foi eleito Papa e exerceu o pontificado entre 590 e 604. Conservam-se numerosas pregações de conteúdo bíblico e pastoral.

Comentando Jó 31,31 (“Por acaso não disseram os homens do meu povo: ‘Quem pode encontrar alguém que não tenha ficado saciado com a sua carne?'”), disse:

– “Esta frase também pode ser entendida misteriosamente na boca do Redentor, pois os varões do seu povo desejaram se saciar com as Suas carnes, quer os judeus perseguidores, quer os gentios fiéis. Isto porque aqueles tramaram extinguir o Seu corpo, como se O consumissem; e estes desejam saciar o seu espírito faminto com as Suas carnes no sacrifício diário da imolação” (Moralia 22,13,26).

É impressionante também – assim como vimos em muitos dos autores citados – o testemunho de Gregório Magno acerca da Eucaristia como recepção diária do sacrifício de Cristo.

EULÓGIO DE ALEXANDRIA

Patriarca de Alexandria de 580 a 607. Notável defensor da primazia da Igreja de Roma. Defensor da doutrina católica contra o Monofisismo e o Nestorianismo.

Estas palavras do orador do século VI respondem as objeções que ouvimos até hoje contra a Missa:

– “O venerando sacrifício que oferecemos do corpo do Senhor não é oblação com vítimas diferentes, mas memória do sacrifício que de uma vez por todas foi oferecido. Disse [Jesus]: ‘Fazei isto em minha memória'” (Homilia dos Evangelhos 14,1).

ISIDORO DE SEVILHA

Homem de vastíssima cultura, desempenhou um papel de protagonista na sociedade e Igreja do seu tempo. Presidiu o Concílio de Toledo de 633. Morreu em 636. Escreveu obras de caráter gramatical, histórico e enciclopédico, entre as quais se sobressai aquela intitulada “Etimologias”.

Falando sobre Melquisedec, diz:

– “Os fiéis [cristãos] já não oferecem aquelas vítimas judaicas como as que ofereceu o sacerdote Aarão, mas como aquelas que Melquisedec, rei de Salém, imolou, a saber, pão e vinho, que é o verdadeiríssimo sacramento do corpo e sangue do Senhor” (Da Fé Católica contra os Judeus 2,27,2).

– “A sabedoria de Deus – Cristo – fez para Si uma casa – a Santa Igreja – na qual sacrificou as hóstias do Seu corpo, na qual misturou o vinho do Seu sangue no cálice do sacramento divino (…) ‘Vinde: comei do Meu pão e bebei do vinho que misturei para vós’ (cf. Provérbios 9,5); isto é: ‘Tomai o alimento do corpo santo e bebei o vinho que misturei para vós’; ou seja: ‘Recebei o cálice do sangue sagrado'” (Da Fé Católica contra os Judeus 2,27,3).

Pregando sobre a necessidade de se conservar o jejum eucarístico (abter-se de comer antes de comungar), diz:

– “Na boca do cristão primeiro entra o corpo do Senhor, antes de todos os demais alimentos” (Do Ofício Eclesiástico 1,18,3).

BRÁULIO

Bispo de Saragoza. Exerceu grande influência nos governantes da Península [Ibérica]. Participou ativamente do Concílio de Toledo. Morreu em 651.

Em uma carta onde responde a algumas perguntas sobre supostas relíquias do sangue de Cristo, escreve:

– “Vamos ao que é verdadeiro e seguro; ao que nenhum cristão autêntico e retamente católico pode pôr em dúvida ou discussão, a saber: segundo as palavras do próprio Senhor e também conforme as Sagradas Escrituras ordenadas pelo Espírito Santo, o pão e o vinho oferecidos a Deus por nós no Sacramento é o corpo e o sangue verdadeiro de Cristo” (Carta 42; “Estudios Onienses”, vol. 1, 2ª ed., J. Madoz, p. 183).

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 18

JESUS PRESENTE NA EUCARISTIA EM FIGUEIRA

Autor: Pe. Juan Carlos Sack
Fonte: http://www.apologetica.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Remígio de Reims, Cesário de Arles, Eusébio da Gália e Venâncio Fortunato].

REMÍGIO DE REIMS

Apóstolo dos francos, Bispo de Reims na primeira metade do século VI.

Mandou esculpir a seguinte inscrição em um cálice que consagrou:

– “Que o povo extraia daqui a Vida / do sangue sagrado nele colocado / daquilo que o Cristo eterno derramou de seu lado [aberto]” (Versos do Cálice; 125,1135).

CESÁRIO DE ARLES

Nasceu por volta de 470. Fez-se monge em Lérins e chegou a ser Abade e Bispo de Arles. Grande pastor, sobretudo entre os mais pobres, e prolífico teólogo.

Exorta diversas vezes em suas obras a que se consuma a Eucaristia para crescer na fé e vice-versa. Por exemplo:

– “Rogo e advirto: trabalhemos o quanto pudermos com o auxílio de Deus, para que naquele dia [de Natal] possamos nos aproximar do altar do Senhor com a consciência pura e sincera, com o coração limpo e o corpo casto, para que mereçamos receber o Seu corpo e sangue não para a condenação, mas para a saúde da nossa alma; porque a nossa vida consiste no corpo de Cristo, como o próprio Senhor disse: ‘Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós’. Portanto, quem quiser receber a Vida deverá mudar de vida” (Sermão 187,1).

A comparação entre a Palavra de Deus e o corpo de Cristo que já tínhamos visto em Santo Inácio de Antioquia, Orígenes, Jerônimo, Agostinho e outros, encontramos também neste texto de São Cesário:

– “Vos pergunto, irmãos e irmãs: O que vos parece maior? A Palavra de Deus ou o corpo de Cristo? Dizei-me! Se quereis responder com a verdade, seguramente tereis que dizer que a Palavra de Deus não é menor que o corpo de Cristo. E, por isso, o mesmo cuidado que temos de não deixar cair no chão nada do corpo de Cristo que nos é administrado, devemos ter também para com a Palavra de Deus que nos é partilhada: nada dela pode se perdida no nosso coração por estarmos pensando ou falando outras coisas” (Sermão 78,2)[53].

EUSÉBIO GALICANO

É conservada uma coleção de homilias da época de Cesário de Arles sob o nome de “Eusébio Galicano”.

Resgatamos os seguintes textos de uma das suas homilias, que ecoam a fé de toda a Igreja primitiva:

– “Porque o sacerdote invisível (=Cristo), com sua palavra, com seu poder secreto, converteu as criaturas visíveis (=pão e vinho) na substância do Seu corpo e do Seu sangue, falando assim: ‘Tomai e comei: Isto é Meu corpo’; e repetindo a santificação: ‘Tomai e bebei: Isto é Meu sangue” (Homilia 17, Da Páscoa 6,2)[54].

– “Quando as criaturas (=pão e vinho) são colocadas sobre os sagrados altares para serem abençoadas com as palavras celestiais, antes de serem consagradas pela invocação do Nome Supremo, ali está a substância do pão e do vinho; porém, após as palavras de Cristo, são o corpo e o sangue de Cristo” (Homilia 17, Da Páscoa 6,8).

– “Quando subires ao venerável altar para seres saciado com o alimento, olha com fé para o sagrado corpo e sangue do teu Deus; admira-O com veneração; toca-O com a mente; toma-O com a mão do coração; e, sobretudo, bebe-O internamente” (Homilia 17, Da Páscoa 6,3).

– “E, assim, porque ia Se retirar da frente dos nossos olhos e levar para o céu o corpo que assumiu, foi necessário consagrar neste dia o sacramento do corpo e do sangue, para que Ele fosse continuamente venerado no mistério que de uma vez [por todas] ofereceu como preço; para que, da mesma forma que diária e incansavelmente ocorre a redenção para a salvação dos homens, também fosse perpétua a oblação da redenção, vivendo aquela Vítima perene na recordação e estando sempre presente na doação” (Homilia 17, Da Páscoa 6,1).

VENÂNCIO FORTUNATO

Um dos poetas mais importantes da língua latina. Nasceu em Treviso por volta de 530. Excelente conhecedor das Escrituras e dos Padres da Igreja, bem como dos escritores clássicos. Bispo de Poitiers a partir de 597. Morreu em 690. São-lhe atribuídos os hinos “Pange Lingua” e “Vexilla Regis”.

– “Pois o pedir o pão de cada dia [na oração do Pai Nosso] parece insinuar que, caso seja possível, deveremos reverentemente tomar todos os dias a comunhão do Seu corpo; pois Ele, nossa Vida, é alimento nosso etc.” (Exposição sobre a Oração do Senhor 54-55).

NOTAS:

[53] Compare-se [essa citação] com este texto do Concílio Vaticano II: “A Igreja sempre venerou as Sagradas Escrituras da mesma forma que o próprio Corpo do Senhor, não deixando de tomar da mesa e de distribuir aos fiéis o pão da vida, tanto a palavra de Deus como o Corpo de Cristo, sobretudo na Sagrada Liturgia” (Dei Verbum 21). Isto é, “o pão da vida” é Jesus, a Palavra de Deus, e também é o Corpo de Cristo na celebração eucarística.

[54] É de se notar a expressão “converteu [o pão e o vinho] na substância do Seu corpo e do Seu sangue”. Transubstanciação no século VI? Sejam quais fores os termos técnicos adotados pela Igreja no decorrer dos tempo, a realidade da transubstanciação é tão antiga quanto a Fé Apostólica. Observe-se, no mesmo sentido, a citação seguinte.

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 17

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Autor: Pe. Juan Carlos Sack
Fonte: http://www.apologetica.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Romano, Eutíquio de Constantinopla, Fulgêncio de Ruspe e Verecundo de Junca].

ROMANO, O MELODISTA

Diácono, foi o hinógrafo mais importante da Igreja bizantina. Nasceu na Síria e passou a maior parte da sua vida em Constantinopla. Morreu em 560.

[Disse:]

– “Quando Cristo, com o Seu poder, manifestamente transformou a água em vinho, toda a gente se alegrou, considerando o seu gosto admirável. Hoje, todos nós nos alimentamos no banquete da Igreja, porque o vinho se transformou no sangue de Cristo e o bebemos com santa alegria, glorificando o grande Esposo” (Kontákion 18, Das Bodas de Caná 20).

– “Todos os anjos que estão nos céus ficam admirados com o que ocorre na terra: os seres humanos terrestres, que habitam abaixo [do céu], se elevam em espírito e alcançam o alto, feitos partícipes do Cristo crucificado; porque, todos juntos, comem do Seu corpo, adorando fervorosamente o pão da vida e aguardando Dele a salvação imortal. Embora simplesmente se veja o pão, espiritualmente Ele o santifica como pão celeste da imortalidade. O próprio Senhor foi o primeiro a ensinar isso a todos nós, pois quando se dirigia voluntariamente à Paixão, Cristo partiu o pão da salvação e disse aos Seus Apóstolos, como está escrito: ‘Vinde agora, comei isto e, comendo, recebereis a vida eterna, porque este alimento é Minha carne, já que Eu – a quem estais vendo – sou o pão celeste da imortalidade” (Kontákio 24, Da Multiplicação dos Pães 1-2: o Pão que tomamos é a carne do Emanuel).

EUTÍQUIO DE CONSTANTINOPLA

Patriarca de Constantinopla. Nasceu na Frígia em 512 e morreu em 582.

Pregava assim o mistério eucarístico:

– “Misticamente Se imolou a Si mesmo quando, após a ceia, tomando o pão em Suas próprias mãos, tendo dado graças, o mostrou e o partiu, misturando-Se a Si mesmo no antítipo. Igualmente, misturando o cálice cheio do fruto da videira, tendo dado graças e apresentando-o a Deus, Seu Pai, disse: ‘Tomai e comei’; e: ‘Tomai e bebei’; ‘Isto é Meu corpo e isto é Meu sangue’. Portanto, todos tomam o santo corpo por inteiro e o precioso sangue do Senhor, ainda que apenas tomem uma parte deles” (Sermão da Páscoa e da Santa Eucaristia 2).

FULGÊNCIO DE RUSPE

Nasceu em Telepte, na África, em 467. Monge, presbítero e, pouco depois, Bispo de Ruspe. Insígne defensor da doutrina católica contra o Arianismo, em razão do qual sofreu o desterro.

[Sobre a Eucaristia, disse:]

– “Esta edificação espiritual do corpo de Cristo se faz através da caridade (…) Afirmo que esta edificação espiritual nunca é mais oportunamente pedida do que quando o próprio corpo de Cristo – que é a Igreja – oferece no sacramento do pão e do cálice o próprio corpo de Cristo e Seu sangue” (Ad Monimum 2,11,1).

VERECUNDO DE JUNCA 

Bispo de Junca, na África, em meados do século VI.

[Sobre a Eucaristia, escreveu:]

– “O sangue da uva (cf. Deuteronômio 32,14) é o sangue dos mártires ou, com certeza, o sangue da própria Paixão do Senhor, com o qual nos saciamos diariamente a partir dos altares sagrados; [sangue] que embriaga a nossa mente para que abandonemos o terreno e façamos uso do celeste” (Commentarii Super Carmina Ecclesiastica 2,14).

– “O Senhor nos nutre com alimentos não apenas corporais, mas também espirituais (…): indubitavelmente, com a Palavra das Escrituras, com a ciência para compreendê-las e com os víveres do corpo de Cristo e da bebida do sangue Daquele que todos os dias é [incruentamente] imolado nos santos altares” (Commentarii Super Carmina Ecclesiastica 2,18).

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 16

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Autor: Pe. Juan Carlos Sack
Fonte: http://www.apologetica.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Isaac de Antioquia, Jacó de Sarub, Procópio de Gaza e Leôncio de Jerusalém].

ISAAC DE ANTIOQUIA

Prolífico escritor e poeta do século V.

Escreveu um belíssimo poema sobre a fé e a Eucaristia:

– “A fé me convidou a recuperar-me com as suas provisões / Fez-me sentar à Sua mesa (…) / Vi seu jarro misturado, que estava cheio de sangue ao invés de vinho / E, ao invés de pão, estava sobre a mesa o corpo imolado / Vi o sangue e me espantei / Vi o corpo sacrificado e o temor me invadiu (…) / Mostrou-me o corpo que havia sido morto / Pôs [parte] dele nos meus lábios e disse-me carinhosamente / ‘Olha o que comes!’ / A seguir, deu-me a pena do Espírito e exigiu que a pegasse na mão / Peguei, escrevi e confessei: ‘Isto é o corpo de Deus’ / Igualmente, tomei também o cálice e o bebi em Seu banquete / Então senti o aroma daquele calice, daquele corpo que havia comido / E o que eu disse sobre o corpo, que era ‘o corpo de Deus’ / atestei o mesmo agora sobre o cálice: ‘Isto é o sangue de nosso Salvador'” (Poema sobre a Fé; BKV 6,139-140).

JACÓ DE SARUG

Poeta sírio que morreu em 521.

Cantando em honra da Eucaristia, dizia:

– “O Esposo desce para ver a sua Esposa (=a Igreja) casada com Ele / Vai tu (=esposa) agora para a câmara nupcial, para que Ele te veja! / Não deixes a habitação do Esposo real, que desce para ver-te e traz as riquezas da casa de Seu Pai / O sacerdote que enviastes, O tem invocado [na consagração] / Espera-O, porque se vier e não te vir, ficará desgostoso / Com o sacerdote, toda a multidão suplica ao Pai para que envie o seu Filho / Para que desça e repouse sobre a oferenda [do pão e do vinho] / E o Espírito Santo faz Sua força habitar no pão e no vinho / e os santifica, e os torna corpo e sangue” (Homilia Métrica 95, Sobre a Recepção dos Santos Mistérios; ST 233,412).

– “Em um banquete nupcial, colocou seu corpo e seu sangue diante dos convidados / para que comam e vivam eternamente com Ele / No salão da festa, Nosso Senhor é comida e bebida / Bendito Aquele que deu Seu corpo e Seu sangue para comermos!” (Idem; ST 233,418).

– “Partiu o pão, o fez Seu corpo e o deu aos Seus Apóstolos / E o sabor do pão que contém a Vida estava nas suas bocas / No momento em que Ele o tomou [nas mãos] e chamou de ‘corpo’ / Já não era pão, mas corpo; e O comeram maravilhados” (Homilia Métrica 53, Sobre a Crucificação; ST 233,397).

PROCÓPIO DE GAZA

Poeta sírio, que também morreu em 521.

Em seus comentários bíblicos, coleta as exposições anteriores dos Santos Padres. Em seu comentário à primeira Páscoa (Êxodo 12), enxerga constantemente a Páscoa de Cristo. Neste contexto, escreve:

– “Ele quer nos dar o seu corpo como alimento. Por isso, sofre com que seu sangue seja derramado, por cuja aspersão faz com que o perseguidor e inimigo fuja; porque após sermos ungidos ou encharcados com o Seu sangue – isto é, após ter crido em Cristo – é que poderemos nos aproximar para comer da Sua carne” (Comentário sobre Êxodo 12,8)[52].

LEÔNCIO DE JERUSALÉM 

Escreveu em meados do século VI.

Dele são estas palavras:

– “O Cristo glorificado – que para nós é Deus adorável e para vós [nestorianos] é apenas um homem – (…) apresenta aqui [na Eucaristia] seu próprio e verdadeiro corpo e carne, que foram atravessados pelos pregos e pela lança, visto que eram seus membros, dos quais diz: ‘Perfuraram as minhas mãos e os meus pés’. Mostrou também que a comunhão mística do pão da Eucaristia era a doação de Sua própria carne, dizendo: ‘Aquele que come a Minha carne e bebe o Meu sangue’; e, em outro lugar: ‘Isto é Meu corpo'” (Contra os Nestorianos 7).

NOTA:

[52] Coletando a Fé de toda a Igreja, o poeta cristão do séc. V não faz uma falsa dialética entre o “receber Cristo na fé” e o “recebê-Lo no sacramento”. É doutrina católica que ninguém pode aproveitar-se do Santíssimo Sacramento se não tiver fé e se primeiramente não recebeu Cristo na fé. Porém, este “recebê-Lo na fé” é renovado toda vez que é recebido sacramentalmente. A postura fundamentalista “evangélica” mostra-se particularmente míope neste tema, já que afirma que “o católico, por receber Jesus todo domingo na Eucaristia” teria perdido Ele durante a semana, por isso, precisa recebê-Lo novamente, como lemos em algum Site da Internet. Ora, se aceitarmos esta lógica totalmente preconceituosa, deveremos dizer também que quando o “cristão evangélico” vai cultuar o Senhor uma vez na semana, ou uma vez ao mês, ou uma vez ao ano na Santa Ceia é porque… teria se esquecido Dele durante todo esse tempo [entre uma Ceia e outra].

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 15

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Autor: Pe. Juan Carlos Sack
Fonte: http://www.apologetica.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje João Mandakuni, Marutas de Maipherkat, o poeta Balai e Rábula de Edessa].

JOÃO MANDAKUNI

Bispo e confessor da fé na Igreja da Armênia, no século V.

Propõe a fé da Igreja com toda a clareza:

– “No sacrifício comes o corpo do Filho de Deus” (Carta sobre a Penitência 13; BKV 58,67).

– “Tendes desprezado a santidade do corpo e sangue de Cristo que haveis recebido no tremendo e augusto altar” (Sermão sobre o Caráter dos Iracundos 9; BKV 58,155).

– “Porque tratas desrespeitosamente o tremendo e sublime Sacramento? Não sabes que, no momento em que o Santo Sacramento vem ao altar, o céu se abre e dele desce e nos chega o Cristo; que os coros dos anjos voam do céu à terra e rodeiam o altar onde está o Santo Sacramento do Senhor; e que o Espírito preenche a todos?” (Sermão sobre a Devoção e o Respeito ao se Receber o Santo Sacramento 5; BKV 58,226).

MARUTAS DE MAIPHERKAT

Testemunha da fé na Igreja da Síria, no século V.

– “Sempre que nos aproximamos do corpo e sangue de Cristo e o colocamos em nossas mãos, cremos que tocamos o [Seu] corpo e que já somos da Sua carne e dos Seus ossos, como está escrito, já que Cristo não nos chamou ‘tipo’ e ‘figura’, mas: ‘verdadeiramente isto é Meu corpo e isto é Meu sangue'” (Fragmento; em J.S. Assemani, Bibliotheca Orientalis 1, pp. 179-180)

BALAI

Poeta sírio da primeira metade do século V.

Expressa assim a sua fé na Eucaristia:

– “O altar está preparado, realmente coberto / Diante dele está o sacerdote, que acende o fogo / Toma o pão e dá o corpo / Toma o vinho e distribui o sangue” (Poema na Dedicação da Igreja de Qennesrin; BKV 6,65).

RÁBULA DE EDESSA

Nasceu na segunda metade do século IV, de pai pagão e mãe cristã. Converteu-se ao Cristianismo durante uma viagem à Palestina, fazendo-se batizar no rio Jordão por volta de 400. Viveu como monge na Síria. Foi eleito Bispo de Edessa. Participou amplamente do Concílio de Éfeso. Morreu por volta de 435.

– “Se alguém quer comparar o pão da proposição comido por Davi quando estava faminto com o corpo vivificante do Verbo Deus, devemos olhar para esse homem como pessoa sem juízo, pois não se compara o pão da proposição com o corpo e o sangue do Senhor” (Carta a Guemelino).

– “Qualquer partícula do santo corpo que cair no chão deverá ser procurada com cuidado. Se for encontrada, o lugar onde caiu deverá ser raspado; se for de terra, misture-se água a esta e seja dada a massa aos fiéis. Se não for encontrada, a região deverá ser igualmente raspada, como já dissemos. Igualmente, se for derramado algo do sangue: se o lugar onde caiu for de pedra, coloque-se sobre ele carvões acesos” (Cânones; PG 77,1475).

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 14

Autor: Pe. Juan Carlos Sack
Fonte: http://www.apologetica.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Pedro Crisólogo, São Leão Magno e um autor anônimo do século V].

PEDRO CRISÓLOGO

Brilhante e prolífico pregador da Palavra de Deus. Nasceu em Ímola, em 406, e morreu aí também, em 450. Bispo de Ravena, na Itália, entre 425 e 429. Notável defensor da primazia do Bispo de Roma sobre toda a Igreja. Conservam-se uns 170 sermões e escritos sobre temas bíblicos, litúrgicos, hagiográficos e teológicos.

Sirvam estes textos, onde a presença real se soma ao aspecto sacrificial da Eucaristia. Comentando a Parábola do Filho Pródigo, afirma:

– “Por ordem do pai [na parábola], mata-se o bezerro; porque era impossível matar Cristo Deus, Filho de Deus, sem que existisse a vontade do Pai (…) Este é o bezerro que diária e perpetuamente é imolado para o nosso banquete” (Sermão 5,6).

E em outro sermão:

– “Ele é o pão que, semeado na Virgem, fermentado na carne, feito na Paixão, cozido no forno do sepulcro, preparado nas igrejas, levado aos altares, subministra diariamente o alimento celeste aos fiéis” (Sermão 67,7; Sermão 5,6).

LEÃO MAGNO

Também renomado Padre da Igreja, Papa de 440 a 461, testemunha da fé da Igreja “Romana” no século V. Conservaram-se numerosos sermões e escritos. Devemos a ele, em grande parte, a conservação da doutrina da realidade da natureza humana de Cristo.

No contexto doutrinário da defesa da realidade humana de Cristo contra Êutiques, o Bispo de Roma afirma:

– “Em que trevas de ignorância, em que letargia de desídia têm jazido até agora, que não ouviram, nem leram o que está na boca de todos na Igreja de Deus, com tamanha unanimidade que nem sequer as línguas das crianças calam a verdade do corpo e sangue de Cristo no sacramento da comunhão! Porque nesta mística distribuição do alimento espiritual é isto o que se dá, é isto o que se recebe: para que, recebendo a força do alimento celeste, nos transformemos na carne Daquele que Se fez nossa carne” (Carta 59 aos Constantinopolitanos 2).

– “Tendo dito o Senhor: ‘Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós’, tereis que participar da Mesa Santa de uma tal maneira que não duvideis, em absoluto, da verdade do corpo e sangue de Cristo; porque se toma com a boca o que se crê com o coração” (Tratado 91,3).

AUTOR ANÔNIMO DO SÉCULO V

Naquilo que parece ser uma homilia sobre a Eucaristia, este autor [desconhecido] da Igreja, onde hoje é a França, exorta aos seus ouvintes:

– “Enxergas, sem dúvida, pão e vinho, mas é ordenado que creias que são o corpo e o sangue do Senhor; e se não o crerdes, não te salvarás – porque Aquele que te manda crer é o próprio Salvador nosso, que antes da Paixão, ceando com os discípulos, tomou o pão etc. Portanto, isto que vês, atendendo ao que cremos, é o corpo: é o corpo que pela comunhão une a todos em um [só] corpo” (Homilia ‘Do Corpo e Sangue do Senhor’; PLS 4,1952).

– Digno de reverência foi aquele lugar (=o Monte Sinai), onde apareceu a majestade de Deus. Porém, tampouco é menos digno de reverência este [altar], onde Cristo é oferecido. Ali, a nuvem de Deus desceu; aqui, Cristo desce no mistério. Ali, a divindade devia ser ouvida; aqui, deve ser até tocada. Ali, se ia ao colóquio de Deus com temor; aqui, com temor deve-se aproximar do corpo do Senhor” (Idem).

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