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Respostas curtas para refutar os argumentos abortistas

O movimento abortista conseguiu este ano apoderar-se da Irlanda, um país católico que outrora fora um estandarte da causa pró-vida. Com o intuito que não caiamos nessa mesma tentação, é importante que saibamos defender o nosso posicionamento em favor da vida. Segue algumas respostas para as objeções abortistas mais comuns:

ARGUMENTOS BIOLÓGICOS

“NÃO SE SABE QUANDO A VIDA COMEÇA”

Errado. Podemos constatar empiricamente que a vida humana começa na concepção observando que é neste momento que surge uma nova individualidade orgânica da nossa espécie: O zigoto é – assim como todos nós – uma estrutura biológica autônoma, que, além de compartilhar do nosso patrimônio genético e epigenético, apresenta unidade orgânica e disposição ativa para se desenvolver coordenadamente. É um ser-humano completamente formado mas extremamente imaturo. Sua individualidade é marcada por seu desenvolvimento ser único, irrepetível e acontecer “em sua própria direção”[1]. Basta que lhe sejam condições básicas de sobrevivência (isto é, nutrição e ambiente adequado) para que ele, assim como um bebê, chegue a fase adulta.

Deste fato nem mesmo o filósofo autríaco Peter Singer (que é o maior defensor do aborto no mundo acadêmico) ousou discordar: “Não há dúvidas de que desde o primeiro momento da sua existência, um embrião concebido de um espermatozóide e um óvulo é um ser humano” (Peter Singer, Practical Ethics, 2nd ed., p. 85-86).

“O ZIGOTO É SÓ MAIS UMA CÉLULA IGUAL AO ESPERMATOZÓIDE”

Errado. Este tipo de argumentação não considera que tanto o óvulo quanto o espermatozóide são desprovidos de unidade orgânica, característica que os torna partes de um organismo e não um organismo completo (como é o caso do zigoto humano).

“O EMBRIÃO É APENAS UM CONJUNTO DE CÉLULAS”

A menos que você seja um vírus, todo ser-humano é “um conjunto de células”. Sob uma perspectiva morfológica, a única coisa que diferencia um embrião e o leitor desse texto são fatores acidentais como o número de células.

“MAS O ZIGOTO NEM SEMPRE CHEGA A IDADE ADULTA, PODENDO FORMAR TAMBÉM OVOS CEGOS E MOLAS HIDATIFORMES”

A afirmação de que nem sempre um zigoto chegará a fase adulta é tão irrelevante quanto a afirmação de que nem sempre uma criança chegará a adolescência. Ovos cegos são um exemplo disso já que o pré-embrião (que é um ser-humano imaturo) não consegue progredir para o estágio embrionário, formando apenas a sua placenta. Tal erro acaba acarretando a morte do organismo que até então existia, já que, por si só, a placenta carece de unidade orgânica (que é uma característica necessária para configurar um organismo), e pode, portanto, ser comparada aos pedaços de unhas e cabelos que continuam a crescer mesmo depois da morte de um ser-humano adulto. O mesmo poderia ser dito das chamadas “molas hidatiformes” que, embora no início de suas vidas aparentemente gozem de certa autonomia, posteriormente perdem sua unidade orgânica e passam a passam a integrar o organismo materno como nos casos de mosaicismo (onde claramente as células ali presentes não configuram um organismo distinto). Tratar-se-iam, portanto, de tipos de aborto espontâneo, onde, analogamente à morte de um organismo adulto, mesmo após a perda da unidade orgânica, algumas de suas partes subsistem somaticamente vivas por determinado tempo.

OBSERVAÇÃO: Há uma discussão entre os filósofos pró-vida (Finnis, George e Lee) se uma mola hidatiforme pode ser considerada – mesmo antes da perda da unidade orgânica – um ser-humano vivo. Sendo produtos de uma fertilização falida (já que seus zigotos são formados por dois núcleos paternos ao invés de um), as molas hidatiformes carecem do chamado patrimônio epigenético, responsável por coordenar o desenvolvimento humano para sua maturação. Tal característica priva estas entidades da chamada “disposição ativa para um desenvolvimento coordenado”, presente nos zigotos normais e coloca em dúvida a sua própria humanidade. De toda forma, ainda que tal entidade fosse considerada humana, a partir do momento em que perdesse a sua unidade orgânica e passasse a integrar o organismo materno, seria comparável a um coração que continua a bater após a morte encefálica de um adulto.

“MAS O ZIGOTO TAMBÉM PODE FORMAR GÊMEOS”

O fato de que um indivíduo pode gerar outro indivíduo não é um argumento contra a individualidade do pré-embrião, mas antes, um argumento a favor dela já que mostra que desde a concepção somos capazes de nos reproduzir (ainda que, neste caso, de forma assexuada). De acordo com Angelo Serra e Roberto Colombo (o primeiro, geneticista e filósofo italiano, e o último, professor de biologia e bioética na Universidade de Milão), todos os dados apontam para a ideia de que um dos gêmeos se origina na concepção e o outro se origina a partir dele, sendo suas respectivas individualidades evidenciadas não apenas por seus processos de desenvolvimento serem distintos, mas também na possibilidade de diferença no cariótipo. Em síntese, os eruditos deixam claro que nestes casos, “o primeiro indivíduo continua o seu próprio curso de desenvolvimento, enquanto o segundo começa o seu próprio ciclo vital assim que o novo plano se torna independente do primeiro”” (SERRA; COLOMBO, 2007, p. 199).

“A VIDA COMEÇA QUANDO SE INICIA A ATIVIDADE ELÉTRICA NO CÉREBRO (12 SEMANAS)”

Errado. O início da atividade cerebral não confere ao embrião a sua unidade orgânica. Tal unidade já está presente nele desde o momento em que foi concebido, motivo pelo qual ele continua a se desenvolver coordenadamente. Ademais, vale ressaltar que o mero início da atividade elétrica no cérebro não significa um córtex cerebral maturo a ponto de permitir o exercício das atividades intelectivas superiores que nos distinguem dos animais (tais como auto-consciência, racionalidade e juízo moral). Se o que nos torna humanos é a atividade elétrica do cérebro, deveremos também reconhecer a “humanidade” de todos os outros animais que também possuem um cérebro com atividade elétrica (isto é, ratos, macacos, vacas, etc). Criminalizaríamos dessa forma as churrascarias para poder legalizar o aborto.

“SE PELO CRITÉRIO DE MORTE, SERES-HUMANOS SEM ENCÉFALO NÃO ESTÃO VIVOS, O MESMO DEVE SER APLICADO AO EMBRIÃO ANTES DA FORMAÇÃO DO ENCÉFALO”

Errado. Seres-humanos deixam de viver quando perdem a sua unidade orgânica. Tal perda ocorre de maneira diferente antes e depois de formarmos um tronco encefálico – fenômeno que se dá por volta da 7ª à 8ª semana de gestação. Nas primeiras fases do nosso desenvolvimento, o embrião humano consegue conectar todas as partes que o compõem para agir complementarmente com o intuito de perpetuar o seu desenvolvimento (e consequentemente a sua vida), sem a necessidade – devido ao seu nível de maturação – de que tal propriedade seja controlada por um centro numa parte específica do corpo. Em termos acadêmicos, mesmo antes de o embrião formar seu encéfalo, “seus componentes já participam de uma dialética de implicação-polaridade, tensão que assegura sua organização e integridade” [2]. Já há, portanto, unidade orgânica. Quando o embrião humano matura-se a tal ponto de reunir em si os mais diferentes tipos de tecidos específicos e diferenciados, no entanto, a complexidade do organismo passa a exigir um centro de controle para manter a unidade das partes que compõem esse organismo – para isso, forma-se o tronco encefálico. Sem tal unidade, não é possível ao organismo continuar seu desenvolvimento, o que nos leva a concluir a morte de tal entidade. Como mostrado, no entanto, por o embrião humano possuir – diferentemente dos mortos encefálicos – unidade orgânica, as situações tornam-se completamente distintas.

É bom ainda ressaltar que crianças anencéfalas possuem tronco encefálico funcionante. Eles carecem não do centro de unidade orgânica (tronco encefálico), mas sim das partes superiores do encéfalo – isto é, do córtex cerebral. Por isso podem viver de horas e até mesmo anos fora do útero e não podem de forma alguma serem considerados “natimortos”.

ARGUMENTOS FILOSÓFICOS

“BIOLOGICAMENTE, O FETO É HUMANO, MAS FILOSOFICAMENTE, NÃO É UMA PESSOA”

Errado. De acordo com o conceito filosófico clássico proposto por Boécio e posteriormente desenvolvido pelos filósofos medievais como São Tomás de Aquino, uma pessoa é um “individuo subsistens in rationali natura”, isto é, “uma substância individual de natureza racional”. Ora, certamente o zigoto humano é uma “substância individual” no sentido em que apresenta – diferentemente das células somáticas e sexuais – individualidade orgânica. Também apresenta uma “natureza racional” no sentido que todo indivíduo da nossa espécie goza de uma natureza teleologicamente ordenada ao exercício da racionalidade (isto é, a natureza humana). Fatores acidentais como idade ou deficiência podem impedir a manifestação das habilidades para as quais o homem é ordenado mas não podem alterar a sua essência racional. Este é o motivo pelo qual consideramos recém-nascidos enquanto “pessoas” ainda que eles não sejam capazes –devido ao seu nível de maturação cerebral (fator acidental) – de exercer as atividades intelectivas superiores para as quais são ordenados. O mesmo se aplica ao feto, que, por sua humanidade, também é ontologicamente um tipo de entidade racional.

“O FETO SÓ VIRA PESSOA QUANDO PASSA A SENTIR DOR (SENCIÊNCIA)”

Errado. Se este critério fosse admitido, teríamos que incluir todos os animais capazes de sentir dor no conceito de personalidade. Isso os atribuiria uma Dignidade Inviolável, e os equipararia juridicamente à um ser-humano. Em nome da legalização do aborto, zoológicos, churrascarias e fazendas teriam que ser criminalizadas por violar a “Dignidade das Pessoas não-humanas”. Uma idosa que comeu feijoada com charque poderia ser presa já que os animais passariam a ser – como ela – sujeitos de direitos e iguais em Dignidade. Ao mesmo tempo, tal conceito excluiria vários membros da nossa espécie que por motivos acidentais como idade (no caso dos fetos) ou deficiência (no caso de portadores da Síndrome de Riley-Day – uma síndrome que faz com que as pessoas não sintam dor), não conseguem manifestar tais atributos que são próprios de sua espécie. Ora, uma vez que nenhum de nós considera que matar uma ratazana – animal que também sente dor – deva ser criminalizado, somos obrigados a concluir que o critério da dor não pode definir personalidade.

“O FETO SÓ VIRA PESSOA QUANDO PASSA A EXERCER AS FUNÇÕES INTELECTIVAS SUPERIORES QUE NOS DIFERENCIAM DOS ANIMAIS COMO AUTO-CONSCIÊNCIA, JUÍZO MORAL E RACIOCÍNIO LÓGICO”

Errado. A adoção de um critério tão arbitrário como esse nos levaria a excluir também do conceito de personalidade não só os nascituros, mas também os dementes e os recém-nascidos. Todos esses grupos de seres-humanos não são capazes de raciocinar, julgar ou ter consciência de sua própria existência: o primeiro por causa de uma enfermidade e o segundo por causa de uma questão de maturação (já que seu cérebro só desenvolverá tais habilidades com alguns meses a até anos após o nascimento). Na primeira situação, idosos com Alzheimer ou doença de Huntington em estado avançado, por exemplo, simplesmente não seriam mais considerados sujeitos de direito mas sim coisas ou objetos de outras pessoas (o que é, certamente, um absurdo). Para legalizar o aborto, permitiríamos também o infanticídio e a eugenia.

De acordo com o filósofo britânico John Finnis, todo organismo humano vivo, em virtude do tipo de entidade que é, já possui radicalmente todas as capacidades próprias da sua espécie e irá exercê-las a menos que fatores acidentais o impeçam (sejam eles tamanho, idade ou deficiência)[3]. Todos nós – o que também inclui crianças anencéfalas, dementes, fetos saudáveis e recém nascidos – somos organismos únicos, teleologicamente ordenados ao exercício das atividades intelectivas próprias da nossa espécie.  Esta característica é mais do que suficiente para que sejamos considerados seres racionais, e, portanto, pessoas de inviolável dignidade.

“SE O FETO ESTÁ NO CORPO DELA, LOGO, ELA PODE DECIDIR TIRAR”

Errado. Assim como uma mulher que deseja entregar seu filho para adoção tem a obrigação moral de entrega-lo a uma autoridade competente, a mulher que já está grávida e mesmo assim não quer criar seu filho, tem a obrigação moral de esperar até que possa entrega-lo a uma autoridade competente. Admitir que os interesses egoístas do mais forte se sobreponham aos direitos dos mais fracos, é uma prática desumana que não deve ter espaço numa sociedade sadia.

ARGUMENTOS SOCIAIS

“O ABORTO, LEGAL OU CLANDESTINO, SEMPRE VAI EXISTIR, LOGO DEVEMOS LEGALIZAR”

Um crime constatado não o torna legalizável. Estupros, latrocínios, assaltos comuns, etc, sempre irão existir independentemente de haver ou não uma lei para criminaliza-los. Isso não significa, no entanto, que tais crimes possam ser legalizados ou pior, ser considerados como “direitos”.

“MUITAS MULHERES MORREM ABORTANDO CLANDESTINAMENTE, LOGO DEVEMOS LEGALIZAR”

Diante de tamanha falácia, até mesmo um escritor liberal reconhece: “O argumento de que um crime deva deixar de sê-lo pelo fato de ser praticado em grandes quantidades e de forma escamoteada é absurdo. Equivale a dizer que, se um crime é praticado rotineiramente, com risco para o criminoso, ele deve simplesmente deixar de ser considerado crime. Se a norma legal vem sendo descumprida e causando prejuízo aos criminosos, deveríamos simplesmente acabar com ela? Nesse caso, convenhamos, sobrariam no Brasil muito poucas leis. Trata-se de argumento legal, moral e filosoficamente inconsistente. É um contrassenso pretender legalizar uma prática com base nos índices de incidência ou no risco para os respectivos praticantes. Fosse isto razoável, deveríamos então pedir a descriminação do roubo ou do homicídio, crimes que também envolvem sérios riscos para os agentes e cuja ocorrência em nosso país é superior a do aborto”[4].

“200 MIL MULHERES MORREM EM CLÍNICAS CLANDESTINAS DE ABORTO TODOS OS ANOS”

Errado. De acordo com o DATASUS, desde 1998 o número de mortes maternas relacionadas a aborto – o que inclui tanto o aborto clandestino quanto o aborto legal e o aborto espontâneo – não supera 100 mortes por ano[5]. O resto é especulação e manipulação de dados para sensibilizar a opinião pública.

“NO BRASIL OCORREM 250 MIL INTERNAÇÕES POR ABORTO CLANDESTINO”

Errado. De acordo com o DATASUS, o número de 250 mil internações por aborto é verdadeiro. No entanto, este número inclui também internações por aborto espontâneo (fenômeno muito comum no primeiro trimestre de gravidez). O número estimado de internações por aborto provado é muito menor, como nos mostra a Dra. Isabela Montovani, em uma de suas Audiências Públicas no Senado[6].

“NO BRASIL JÁ OCORREM 1 MILHÃO E MEIO DE ABORTOS CLANDESTINOS”

Errado. Os dados apontam para o fato que no Brasil ocorre cerca de 100 mil abortos por ano[7]. Por se tratar de uma prática clandestina, no entanto, os ativistas do aborto se esforçam a inflar estes números com o intuito de sensibilizar a opinião pública. Tais “estatísticas” – que se disfarçam sob um viés cientifico –  já foram denunciadas inúmeras vezes por estudiosos respeitadíssimos tais como a Dra. Isabela Montovani (cuja palestra no Senado está disponível no Youtube[8]) e o Prof. Felipe Neri[9].

“SE LEGALIZAR O ABORTO, VAI DIMINUIR O NÚMERO DE ABORTOS”

Errado novamente. A lógica simples evidencia que quando se facilita o acesso à determinado produto ou serviço, sua procura tende a aumentar. Vide por exemplo nosso vizinho Uruguai: país onde o aborto foi legalizado em 2012, e, desde então, a prática só tem crescido[10]. O mesmo nos mostra a análise de Isabela Montovani sobre vários outros países como Espanha, Estados Unidos, Suécia, etc[11].

“O ABORTO LEGAL É SEGURO PARA A VIDA DA MULHER”

Errado. Ao ceifar a vida do próprio filho, o aborto pode, a curto prazo, parecer seguro à vida da mulher. No entanto, quando suas consequências são observadas a longo prazo, percebemos facilmente que o aborto não apenas tira a vida de um ser-humano inocente, como também acarreta uma série de prejuízos à saúde da mãe.

De acordo com o Instituto de Prevenção ao Câncer de Mama dos Estados Unidos (Breast Cancer Prevention Institute), das 73 pesquisas realizadas pelo National Cancer Institute sobre a existência de uma possível correlação entre o aborto provocado e o câncer de mama, 57 afirmaram positivamente. Em Abril de 2009, um estudo conduzido pela pesquisadora Jessica Dolle na prestigiosa revista epidemiológica de câncer intitulada “Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention” reafirmou tais dados. Por fim, em 2014, um estudo coordenado por pesquisadores chineses ratificou que mulheres que já fizeram um aborto têm 44% mais chances de desenvolver câncer de mama do que aquelas que nunca passaram pelo procedimento. O risco cresce conforme o número de abortos realizados. Mulheres que fizeram dois abortos têm 76% mais chances de desenvolver a doença, e aquelas que já haviam realizado três abortos estavam 89% mais vulneráveis. Os dados foram coletados em 14 províncias do país. Chama a atenção o fato da pesquisa ter sido produzida na China, um país onde 8,2 milhões de mulheres abortam todos os anos, e onde a prática é usada para controle de natalidade. Esta última pesquisa pode ser encontrada no link: http://link.springer.com/article/10.1007/s10552-013-0325-7.

Outro estudo coordenado pela pesquisadora americana Priscilla K. Coleman publicado em 2009 no jornal British Journal of Psychiatry,, acompanhou o perfil psicológico de 500 mulheres que realizaram aborto. Sua conclusão foi estarrecedora: “Os resultados indicam bastante consistente que o aborto está associado de moderada a altamente o aumento dos riscos de problemas psicológicos posteriores ao procedimento” (Cf. Priscilla K. Coleman, Abortion and mental health: quantitative synthesis and analysis of research published 1995 -2009; BJP 2011, 199:180-186). De acordo com ela, após o aborto, 34% das mulheres ficam mais suscetíveis a ansiedade, 37% a depressão, 110% ao alcoolismo, 220% ao uso de maconha, 81% a adquirir doenças mentais e 155% mais suscetível ao suicídio.

Definitivamente, o aborto não empodera a mulher, mas antes, como dizia a famosa sufragista americana Alice Paul, o aborto provocado (seja ele legal ou ilegal) “é a exploração máxima da mulher”.

“RICAS JÁ ABORTAM COM SEGURANÇA, LOGO DEVEMOS LEGALIZAR O ABORTO”

Errado. Não é porque os ricos conseguem abortar clandestinamente seus filhos que o aborto torna-se um ato lícito e merece ser reconhecido como um “direito”. Afinal, se assim fosse, deveríamos lutar não só pela descriminalização do aborto, mas também dos demais crimes que os ricos já fazem e não são punidos como assassinato, corrupção, etc. Devemos lutar é para que os ricos que abortam vão para a cadeia junto de todos os outros que cometem esse tipo de violência.

“SEM ÚTERO SEM OPINIÃO”

Errado. O debate do aborto diz respeito tanto aos homens quanto as mulheres pois ambos serão igualmente desmembrados por uma máquina de sucção e terão seus restos mortais misturados ao lixo hospitalar, caso a prática venha a ser legalizada. Ora, uma vez que as crianças em estágio fetal não podem opinar, nós somos a voz delas. E este “nós” inclui tanto homens quanto mulheres. Dessa forma, o argumento feminista de “sem útero sem opinião” carece totalmente de sentido.

“DEVEMOS LEGALIZAR O ABORTO PARA DIMINUIR A POBREZA”

Errado. Não se diminui a pobreza matando o pobre. Tal visão higienista também permitiria que crianças, jovens e adultos tivessem suas vidas ceifadas arbitrariamente sob a justificativa de que o Governo estaria “diminuindo a pobreza”.

“QUEM É CONTRA O ABORTO NÃO SE IMPORTA COM A CRIANÇA QUE PASSA FOME NA RUA”

Inconsistente. A instituição que mais influencia o mundo contra a legalização do aborto é também a maior instituição de caridade do mundo: Trata-se da Igreja Católica. A Igreja mantém na Ásia: 1.076 hospitais; 3.400 dispensários; 330 leprosários; 1.685 asilos; 3.900 orfanatos; 2.960 jardins de infância.  Na África: 964 hospitais; 5.000 dispensários; 260 leprosários; 650 asilos; 800 orfanatos; 2.000 jardins de infância.  Na América: 1.900 hospitais; 5.400 dispensários; 50 leprosários; 3.700 asilos; 2.500 orfanatos; 4.200 jardins de infância. Na Oceania: 170 hospitais; 180 dispensários; 1  leprosário; 360 asilos;60 orfanatos; 90 jardins de infância. Na Europa: 1.230 hospitais; 2.450 dispensários; 4 Leprosários; 7.970 asilos; 2.370 jardins de infância. E o movimento feminista? O que ele faz pela mulher além de incentivá-la a abortar o próprio filho?

“SER A FAVOR DA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO É DEFENDER OS DIREITOS DAS MULHERES”

Errado. Defender a inviolabilidade do direito à vida desde a concepção é proteger os direitos de TODAS as mulheres sem excluir arbitrariamente aquelas que ainda não podem falar por si. Quem defende o suposto “direito ao aborto legal” não só inferioriza a figura da mulher que ainda não nasceu mas também chega ao absurdo de permitir que esta mesma mulher seja desmembrada numa máquina de sucção e tenha seus restos mortais misturados ao lixo hospitalar. Ademais, uma vez que o aborto traz consequências físicas e psicológicas devastadoras para a mãe, não é de se espantar a gigantesca oposição que as feministas que integravam no século XIX o movimento sufragista – tais como Susan B. Anthony, Elizabeth Cady Stanton, Matilda Joslyn Gage, Victoria Woodhull, Elizabeth Blackwell, e Alice Paul – faziam da ideia da legalização do aborto.  Qualquer um que se atenha aos fatos, conclui facilmente que a verdadeira posição pró-mulher é a posição contrária a legalização do aborto, não a favorável. Pelo direito das mulheres, principalmente o de nascer, aborto NÃO!

“SE HOMEM PODE ABANDONAR FILHO, MULHER PODE ABORTAR”

Infanticídio não é comparável a abandono parental. Desmembrar uma criança em uma máquina de sucção e depois jogar seus restos mortais no meio do lixo hospitalar é uma atitude muito mais grave do que simplesmente abandonar uma criança ou entrega-la para adoção. Por fim, pode-se ainda dizer que a Constituição de 1988 já garante através do seu artigo 227 que todo o pai tem o dever de sustentar, cuidar e zelar por seu filho, sendo o abandono financeiro tipificado como crime com detenção de 1 a 4 anos pelo artigo 244 do Código Penal. Dessa forma, enterra-se mais uma das falácias feministas.

ALGUNS DOS CASOS ESPECIAIS

“ESTUPRO JUSTIFICA ABORTO”

Errado. Independentemente da forma como foi concebido, todo ser-humano tem direito à vida. Aplicar a pena capital à um inocente que sequer está envolvido no crime de estupro é violar de maneira claríssima o princípio humanitário de que “A pena não pode passar da pessoa do delinqüente.” (Convenção Americana de Direitos Humanos, art. V, I). Ademais, uma cirurgia física como o aborto não resolverá os problemas psicológicos decorrentes do estupro, mas antes, pode agravá-los. Embora a mãe não seja obrigada a ficar com a criança, ela tem a obrigação moral de não desmembrá-la através de uma máquina de sucção e misturar os seus restos mortais ao lixo hospitalar. É função do Governo prover à gestante uma Assistência Social de qualidade, e, caso necessário, também um orfanato decente para a criança.

“ANENCEFALIA JUSTIFICA ABORTO”

Errado. Nada justifica tirar arbitrariamente a vida de um ser-humano inocente. Uma deficiência grave não torna o anencéfalo menos humano do que nós. Desmembrar pessoas sob a justificativa de serem defeituosas é a mais grotesca forma de eugenia.

“PELA LEI, ANENCÉFALOS SÃO ‘NATIMORTOS CEREBRAIS’”

Errado. A Lei nº 9434/1997 define que o Brasil utiliza o critério de morte encefálica para definir a cessação da vida de um indivíduo, não o de morte cortical. Uma vez que o anencéfalo possui tronco encefálico funcionante, ele não pode ser enquadrado no conceito de natimorto. Mesmo sem ajuda de nenhuma máquina, o bebê anencéfalo respira, se mexe, mama, grita, e responde à estímulos auditivos, vestibulares e dolorosos. Trata-se de um indivíduo vivo da nossa espécie que merece ser respeitado. Todos esses dados levaram inclusive o próprio Conselho Federal de Medicina a revogar a resolução de nº 1752/2004 que permitia a retirada de órgãos desses bebês ainda em vida (o chamado “infanticídio eugênico”), substituindo-a pela Resolução de nº 1949/2010. Infelizmente, ainda assim, 5 dos 8 ministros do Judiciário se basearam nesta resolução ultrapassada quando proferiram seus votos na desastrosa votação da ADPF 54.

“ABORTO EM CASO DE ANENCEFALIA É UMA FORMA DE ABORTO TERAPÊUTICO”

Errado. A legislação brasileira só considera aborto terapêutico, o aborto que ocorre “se não há outro meio de salvar a vida da gestante” (cf. Código Penal, art. 128, I).  Ora, todas as possíveis complicações oriundas da gravidez de um anencéfalo (polidrâmnio, diabetes e pressão alta) tem tratamento e estão presentes também em gravidezes comuns. Dessa forma não se pode enquadrar o aborto dos anencéfalos enquanto “aborto terapêutico”, e as bases teóricas propostas pela ADPF 54 mostram-se frágeis e insustentáveis.

“ANENCÉFALOS NÃO SÃO PESSOAS”

Errado. De acordo com o conceito filosófico clássico proposto por Boécio e posteriormente desenvolvido pelos filósofos medievais como São Tomás de Aquino, uma pessoa é uma “substância individual de natureza racional”. Ora, sem dúvidas, o anencéfalo é uma “substância individual”, no sentido de que ele é um indivíduo vivo da nossa espécie. Ele também possui “natureza racional” pois possui uma natureza teleologicamente ordenada à racionalidade (isto é, a natureza humana). Fatores acidentais como idade ou deficiência, embora possam impedir o exercício das atividades para as quais o homem é ordenado, não desqualificam a personalidade do indivíduo já que ele essencialmente continua pertencendo à um tipo de coisa que é racional. Este é o motivo pelo qual, por exemplo, todo recém-nascido é considerado “pessoa” embora a sua idade (fator acidental) não o permita exercer a racionalidade.

“MAS O BEBÊ VAI MORRER ASSIM QUE NASCER”

Nenhuma vida é curta demais para ser insignificante. O Estado não pode permitir que terceiros decidam arbitrariamente até onde vai a vida de outro ser-humano. Se assim o fosse, nada impediria que ele legalizasse também o assassinato involuntário de pessoas em estágio terminal. Aos anencéfalo e sua família cabem cuidados paliativos, aborto não.

“O SOFRIMENTO PSICOLÓGICO DA MÃE JUSTIFICA O ABORTO DO FILHO”

Errado. Em virtude do seu status pessoal, o nascituro goza assim como a mãe de dignidade inviolável. Afirmar que nestes casos, a vontade do mais forte (isto é, a vontade do já nascido) pode suprimir os direitos do mais fraco (isto é, os direitos do não-nascido), significa aderir à uma tese filosoficamente insustentável. Sob a perspectiva ontológica, não há qualquer diferença entre uma mulher adulta e seu zigoto de apenas um dia que legitime essa sobreposição de direitos. Ambos devem ser tratados enquanto pessoas de igual valor e dignidade e não enquanto coisas ou objetos uns dos outros. Ademais, se admitíssemos que o sofrimento psicológico dos pais por si só justifica o filicídio, não haveria motivos para que limitássemos tal ato ao momento do nascimento da criança. Dessa forma não apenas o aborto, mas também o infanticídio – em nome do “sofrimento psíquico da mãe” – estaria legalizado. É dever do Estado promover às gestantes uma Assistência Social de qualidade que lhe garanta todo o acompanhamento psicológico necessário para levar a gravidez a termo.  Tal Assistência vale especialmente para aquelas gravidezes onde traumas psicológicos usualmente estão envolvidos tais como quando a criança é fruto de estupro ou quando o bebê é portador de uma doença fatal.

RECURSO ARGUMENTATIVO (FOTOS)

1. Zigoto Humano

2. Pré-embrião humano

3. Embrião 3-4 semanas

4. Feto 8-9 semanas

5. Feto 9-10 semanas

6. Feto 10-11 semanas

7. Feto 11-12 semanas

NOTAS

[1] Patrick Lee & Robert George, “The Wrong of Abortion”, p. 14.

[2] Mário da Silva Ribeiro & Victor Sales Pinheiro, “A Dignidade da Pessoa humana e o direito à vida do nascituro: Fundamentos biológicos, filosóficos e jurídicos”, p. 149-150.

[3] John Finnis, “The Philosophical Case against Euthanasia”, in “Euthanasia Examined: Ethical, Legal and Clinical Perspectives”, ed. John Keown (New York: Cambridge University Press, 1995), p. 68-70.

[4] João Luiz Mauad, “Qual a posição dos liberais em relação ao aborto?”.

[5] FONTE: rEsposta%20ao%20RIC%202500-2016%20-%20AUTOR%20DEP.%20%20Diego%20Garcia.pdf

[6] https://www.youtube.com/watch?v=7QI5ZN9jQKI

[7] https://www.youtube.com/watch?v=7QI5ZN9jQKI

[8] https://www.youtube.com/watch?v=7QI5ZN9jQKI

[9] https://www.youtube.com/watch?v=XdpLyXiJtik

[10] https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/06/19/seis-anos-apos-legalizar-aborto-uruguai-ve-procedimento-crescer-37.htm

[11] https://www.youtube.com/watch?v=7QI5ZN9jQKI

Extraído de: http://apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/ateismo/1010-respostas-curtas-para-refutar-os-argumentos-abortistas

Martinho Lutero tinha razão?

Autor: José Miguel Arráiz
Fonte: http://infocatolica.com/blog/apologeticamundo.php
Trad.: Carlos Martins Nabeto

Já há algum tempo temos ouvido de altos prelados da Igreja reconhecimentos e elogios à figura de Lutero. Se tem dito de tudo, desde coisas moderadas (em que se admite que ele pode ter sido movido por uma boa e reta intenção) até louvores desmedidos (situando-o como parte da grande Tradição da Igreja ou até se admitindo que teve razão no que diz respeito à doutrina da justificação). A partir da ponto de vista de um leigo, quero neste artigo compartilhar o que considero acertado e desacertado nestes elogios politicamente corretos feitos em nossa época sobre a figura e doutrina de Lutero.

SOBRE AS BOAS INTENÇÕES DE MARTINHO LUTERO 

Saber exatamente quais eram as intenções de Lutero para agir como agiu nos tempos da Reforma Protestante é algo impossível, pois como todos nós sabemos, o fôro interno só é conhecido por Deus. O que podemos, sim, fazer é formar uma opinião aproximada e falível, evitando cair em juízo temerário quanto ao que o próprio Lutero admitia e o estudo objetivo dos fatos históricos. A partir desta perspectiva, o máximo que se poderia admitir, na melhor das hipóteses, como mera possibilidade, é que Lutero pode ter agido com o que chamamos “consciência reta” ainda que errônea.

Tal como tradicionalmente nos foi ensinado, age em “consciência reta” quem julga da bondade ou malícia de um ato com fundamento e prudência, diferentemente da “consciência falsa”, que julga com irreflexão e sem fundamento sério. Ao contrário, age com “consciência verdadeira” aquele que além de agir em consciência reta, acerta em seu juízo e age de acordo com ao ordem moral objetiva. Não se deve confundir a “consciência reta” com a “conciência verdadeira”. Uma pessoa pode agir com consciência reta quando, com suas limitações, colocou todo o empenho em agir corretamente independentemente de acertar (consciência verdadeira) ou se equivocar por algum erro especulativo (consciência errônea). Age em consciência reta invencivelmente errônea quem, depois de ter feito todo o possível para agir corretamente, ainda assim erra, porém age de acordo com o que a sua consciência lhe dita, consciência que, neste caso, estaria deficientemente formada.

Nos próprios escritos de Lutero o encontramos admitindo que passou por uma intensa luta interior, onde lhe atormentava pensar que poderia ter agido equivocadamente, mas que finalmente ficou convencido de que agia para a glória de Deus. A este respeito, escreveu Lutero:

– “Certa vez [o diabo] me atormentou e quase me estrangulou com as palavras de Paulo a Timóteo; tanto que o coração se me queria dissolver no peito: ‘Tu foste a causa de que tantos monges e monjas abandonassem seus mosteiros’. O diabo habilmente me tirava da vista os textos sobre a justificação… Eu pensava: ‘Quem ordena estas coisas és somente tu; e, se tudo for falso, tu serás o responsável por tantas almas caírem no inferno’. Com essa tentação cheguei a sofrer tormentos infernais, até que Deus me tirou dela e me confirmou que meus ensinamentos eram palavra de Deus e doutrina verdadeira” (Martinho Lutero, Tisch. 141,I,62-63).

– “Antes de tudo, o que temos que estabelecer é se nossa doutrina é palavra de Deus. Se isto se verifica, estamos certos de que a causa que defendemos pode e deve ser mantida, e não há demônio que possa lançá-la abaixo… Eu, em meu coração, já rejeitei qualquer outra doutrina religiosa, seja ela qual for, e venci aquele molestíssimo pensamento que o coração murmura: ‘Tu és o único que possuis a palavra de Deus? E os demais, não a têm?’… Tal argumento o acho válido para todos os profetas, àqueles que também se lhes foi dito: ‘Vós sois poucos, o povo de Deus somos nós’” (Martinho Lutero, Tisch. 130,I,53-54).

Parece que Lutero nunca se livrou da dúvida e, ao longo dos anos, retornava a ele um persistente peso de consciência, que identificava como tentações do demônio. No ano de 1535, já na avançada idade de 52 anos, admite todavia que acha o argumento “bastante capcioso e robusto dos falsos apóstolos”, que lhe impugnam deste modo: “Os apóstolos, os Santos Padres e seus sucessores nos deixaram estes ensinamentos; tal é o pensamento e a fé da Igreja. Pois bem, é impossível que Cristo tenha deixado a sua Igreja errar por tantos séculos. Somente tu sabes mais que tantos homens santos e que toda a Igreja… Quem és tu para atrever-te a dissentir de todos eles e para colocar-nos violentamente um dogma diverso? Quando Satanás urge este argumento e quase conspira com a carne e com a razão, a consciência se aterroriza e desespera, e é preciso entrar continuamente dentro de si mesmo e dizer: ainda que os santos Cipriano, Ambrósio e Agostinho; ainda que São Pedro, São Paulo e São João; ainda que os anjos do céu te ensinem outra coisa, isto é o que eu sei de certo: que não ensino coisas humanas, mas divinas; ou seja, que [no negócio da salvação] tudo o atribuo a Deus e nada aos homens” (WA 40,1; pp.130-131).

O certo é que se tal boa intenção existiu, a soberba pouco a pouco o levou a afastar-se cada vez mais do ideal evangélico, enchendo seu coração de ódio e maldições, como ele mesmo admitiu:

– “Visto que não posso rezar, tenho que maldizer. Direi: ‘Santificado seja teu nome’, porém acrescentarei: ‘Maldito, condenado e desonrado seja o nome dos papistas e de todos quantos blasfemam o teu nome’. Direi: ‘Venha teu reino’, e acrescentarei: ‘Maldito, condenado e destruído seja o papado com todos os reinos da terra, contrários ao teu reino’. Direi: ‘Faça-se tua vontade’, e acrescentarei: ‘Malditos, condenados, desonrados e aniquilados sejam todos os pensamentos e planos dos papistas e de quantos maquinam contra a tua vontade e conselho’. Verdadeiramente, assim rezo todos os dias, sem cessar, oralmente e com o coração; e comigo, todos quantos crerem em Cristo” (WA 30,3; p.470).

O cardeal Joseph Ratzinger, antes de se tornar Papa, pontualizou a este respeito:

– “Há que se levar em conta que não só existem anátemas por parte católica contra a doutrina de Lutero, como também existem desqualificações bastante explícitas contra o Catolicismo por parte do reformador e de seus companheiros; reprovações que culminam na frase de Lutero de que restamos divididos para a eternidade. É este o momento de referir-nos a essas palavras cheias de raiva pronunciadas por Lutero em relação ao Concílio de Trento, nas quais restou finalmente clara sua rejeição à Igreja católica: ‘Teria que fazer prisioneiro ao Papa, aos cardeais e a todos esses canalhas que o idolatram e santificam; tê-los por blasfemos e logo arrancar-lhes a linguagem coalhada; colocá-los todos na fila da forca… Então se lhes poderia permitir que celebrassem o Concílio, ou o que quer que seja, a partir da forca ou no inferno, com os diabos’” (Card. Joseph Ratzinger, “Igreja, Ecumenismo e Política: novos ensaios de eclesiologia”, Biblioteca de Autores Cristãos, Madri, 1987, p. 120).

Uma vez mergulhado nessa espiral de loucura, todos aqueles que divergiam de Lutero em qualquer ponto de doutrina ou o consideravam inimigo era objeto dos qualificativos mais sujos e vulgares: ao duque Jorge da Saxônia, chama-o de “assassino”, “traidor”, “infame” “assassino profissional”, “derramador de sangue”, “patife sem-vergonha”, “mentiroso”, “maldito”, “cão”, “sanguinário”, “demônio”. Os insultos contra o Papa sempre foram uma constante e é quase impossível contabilizá-los: “anticristo maldito”, “burro papal”, “asno papal”, “bispo dos hermafroditas e Papa dos sodomitas”, “apóstolo do diabo”. Não só os católicos eram objeto de seus opróbrios, como também passaram a alcançar os próprios protestantes: a Tomás Münzer chama-o de “arquidemônio que não realiza senão latrocínios, assassinatos e derramamentos de sangue”; seu aliado Andreas Karlstadt, quando passa a divergir dele, se transforma em um “sofista, essa mente louca”, “muito mais louco que os papistas”; o mesmo ocorre com Ulrico Zwinglio, que quando nega a presença de Cristo na Eucaristia passa a ser “digníssimo de santo ódio, pois age tão indecente e maliciosamente em nome da santa palavra de Deus” e um “servidor do diabo”.

É evidente que Lutero não era precisamente a pessoa ideal para tentar reformar a Igreja; e já passados tantos séculos desde aqueles acontecimentos, resta claro que a figura do reformador protestante não tem por que seguir separando católicos e protestantes. Eu mesmo, que não nutro simpatia por tão sinistro personagem, não teria problema em admitir que pode ter tido, no começo, justa indignação pelos abusos no tráfico de indulgências, ou que estava sinceramente convencido de estar na verdade. E ao admitir isto, não vejo que esteja sendo concedido a ele qualquer grão de razão.

DO OBSCURECIMENTO DO SENTIDO DA GRATUIDADE DA SALVAÇÃO NA IGREJA CATÓLICA 

Porém, outro dos louvores que se costuma ouvir a respeito da figura de Lutero e que já começa a ser preocupante, é aquele onde se admite e sustenta que durante séculos perdeu-se, na Igreja Católica, o sentido da gratuidade da salvação divina e foi Lutero quem teve o mérito de recuperá-la. Quanto a isso, pode-se mencionar concretamente a pregação feita pelo padre Rainiero Cantalamessa, em março deste ano [de 2016], na Basílica de São Pedro, em que afirmou o seguinte:

– “Existe o perigo de que alguém ouça falar da justiça de Deus e, sem saber o significado, ao invés de animar-se, se assuste. Santo Agostinho já o havia explicado claramente: “A ‘justiça de Deus’ – escrevia ele – é aquela pela qual Ele nos faz justos mediante sua graça; exatamente como ‘a salvação do Senhor’ (Salmo 3,9) é aquela pela qual Ele nos salva” (Do Espírito e da Letra 32,56). Em outras palavras: a justiça de Deus é o ato pelo qual Deus faz justos, agradáveis a Ele, aos que crerem em seu Filho. Não é um ‘fazer-se justiça’, mas um ‘fazer justos’. Lutero teve o mérito de trazer à luz esta verdade, depois de que, durante séculos, pelo menos na pregação cristã, se havia perdido o sentido; e é isto, sobretudo, o que a Cristiandade deve à Reforma, a qual no próximo ano cumpre o quinto centenário. “Quando descobri isto – escreveu mais tarde o reformador – senti que renascia e me parecia que se me abriram de par em par as portas do paraíso”” (Prefácio às obras em latim, ed. Weimar 54, p.186).

Se bem que seja possível que na época de Lutero alguns pregadores de indulgências pudessem deixar em segundo plano a doutrina sobre a gratuidade da graça (desconheço até que ponto), não é justo atribuir isto à pregação cristã da Igreja durante séculos. Como bem fez notar o sacerdote e doutor em teologia José María Iraburu em um artigo publicado recentemente[1], sustentar isto é cometer uma grande injustiça para com aqueles pregadores que mais prestígio e influência tiveram na Cristiandade de seu tempo, tanto antes como depois da época de Lutero, e que ensinaram sempre a verdadeira doutrina católica da graça e da justificação, e estavam livres de toda espécie de pelagianismo ou semipelagianismo; entre eles, recordou: Santa Hildegarda de Bingen (+1179), São Domingo de Gusmão (+1221), São Francisco de Assis (+1226), Santo Antonio de Pádua (+1231), Beato Ricério de Múcia (+1236), Davi de Augsburgo (+1272), São Tomás de Aquino (+1274), São Boaventura (+1274), Santa Gertrudes de Helfta (+1302), Santa Ângela de Foligno (+1309), mestre Eckahrt (+1328), Taulero (+1361), Beato Henrique Suson (+1366), Santa Brígida da Suécia (+1373), Santa Catarina de Sena (+1380), Ruysbroeck (+1381), Beato Raimundo de Cápua (+1399), São Vicente Férrer (+1419), São Bernardino de Sena (+1444), São João de Capistrano (+1456), Tomás de Kempis (+1471), Santa Catarina de Gênova (+1507), Barnabé de Palma (+1532), Francisco de Osuna (+1540), Santo Inácio de Loiola (+1556), São Pedro de Alcântara (+1562), São João d’Ávila (+1569), e tantos outros.

Realmente se pode afirmar com justiça que estes santos, doutores, pregadores e mestres espirituais desconheceram em suas pregações a gratuidade da justificação do homem pela graça que na fé tem seu início? Obscureceram em seu tempo, “durante séculos”, “ao menos na pregação” ao povo, o entendimento da salvação como pura graça concedida pelo Senhor gratuitamente? As pregações de todos esses mestres e doutores, conservadas hoje em dia, são uma clara evidência de que isso não é certo; e ainda que tenhamos o mais nobre desejo de melhorar as relações com nossos irmãos luteranos, a solução não pode ser lançada injustamente contra os nossos antepassados na fé…

DIFERENÇAS ENTRE A DOUTRINA CATÓLICA E A LUTERANA 

Para compreender quais são as diferenças reais que subsistem entre a doutrina católica e a luterana, temos que resumir, ainda que seja bem brevemente, os erros do ex-monge alemão:

A concupiscência é sempre pecado 

Nós, católicos, cremos que se comete pecado ao consentir o impulso pecaminoso, não simplesmente ao senti-lo. Para Lutero, ao contrário, a concupiscência é pecado já em si mesma, formal e imputável. Este primeiro erro conduziu Lutero a uma vida de tormento, porque apesar de todas as boas obras que tentava fazer, não conseguia alcançar a paz interior ao sentir-se constantemente em pecado mortal e próximo da condenação eterna.

Neste estado psicológico, Lutero foi conduzido ao seu segundo erro: a negação total da liberdade humana.

O homem não é livre 

Tal como sustenta Lutero, em sua obra “De Servo Arbitrio”, o pecado original destruiu totalmente o livre arbítrio da pessoa humana. Para o ex-monge alemão, o homem é já incapaz de fazer alguma obra boa; portanto todas as suas obras, ainda que tenham uma aparência bela, são, não obstante e provavelmente, pecados mortais… E se as obras dos justos são pecado, como afirma sua conclusão, com maior motivo o são as dos que ainda não foram justificados.

A doutrina católica ensina, ao contrário, que em razão do pecado original o livre arbítrio encontra-se debilitado, porém não aniquilado, e que ainda que para efetuar atos saudáveis (atos que conduzem à salvação) é imprescindível a graça de Deus, podendo realizar sem a ajuda da graça obras moralmente boas.

O homem se justifica somente pela graça através da fé fiducial ou fé somente 

O terceiro erro de Lutero parte do anterior, pois conclui que se o homem não é livre, aqueles que se salvam o conseguem porque Deus lhes outorga a salvação de uma forma absolutamente passiva e extrínseca. O homem não coopera em nada para sua salvação, mas tudo se resolve pela certeza subjetiva de ter sido justificado pela fé graças à imputação dos méritos de Cristo. Basta aceitar Cristo como salvador e confiar em estar salvo para assegurar a salvação, independentemente se age conforme à vontade de Deus ou se descumpre os Mandamentos.

A partir desta perspectiva, o homem continua sendo pecador, porém é declarado justo, de uma forma semelhante como se tomássemos um homem maltrapilho e sujo e o cobríssemos sem lavá-lo com uma túnica esplêndidamente branca. Ao olhar para ele, o Juiz miraria a túnica branca e resplandecente (que representa Jesus Cristo, o qual morreu por nossos pecados) ao invés da sujeira que se encontra debaixo dela.

Nós, católicos, ao contrário, cremos que podemos cooperar na nossa justificação, não com nossas próprias forças, mas porque a graça nos inspira e nos capacita para fazê-lo. Cremos, ademais, que Deus não só nos declara justos, como também nos faz justos; que nos santifica e renova, de modo que, por meio da graça, somos uma nova criatura. Consequentemente, devemos viver como nova criatura. A fé deve fazer-se efetiva no amor, no cumprimento dos Mandamentos e nas obras de caridade.

A doutrina luterana, ainda que piedosamente envernizada e ainda que pretenda dar primazia à graça, no fundo apresenta uma noção deficiente da mesma, crendo que ela é impotente na hora de transformar o homem, não o tornando verdadeiramente santo, conformando-se então por declará-lo somente justo, permanecendo imundo e pecador.

Os justificados não podem perder sua salvação 

Se se conclui erroneamente que o homem se salva somente pela fé, é compreensível que se conclua que o crente justificado não pode perder sua salvação ainda que não obedeça os Mandamentos e cometa pecados graves. Daí que em 1521, a 1º de agosto, escreve Lutero em uma carta a Melanchthon:

– “Se és pregador da graça, prega uma graça verdadeira e não fictícia; se a graça é verdadeira, deves cometer um pecado verdadeiro e não um fictício. Deus não salva os que são somente pecadores fictícios. Seja um pecador e peca audazmente, porém crê e alegra-te em Cristo ainda mais audazmente… enquanto estivermos aqui [neste mundo] temos que pecar… Nenhum pecado nos separará do Cordeiro, ainda que forniquemos e assassinemos mil vezes ao dia”. 

Nós, católicos, ao contrário, cremos que o crente justificado pode decair do estado de graça de Deus se comete pecado mortal. O Evangelho está cheio de advertências neste sentido. Cristo nos fala daquele ramo (crente) que deixa de dar fruto (fazer boas obras) e é cortado e lançado ao fogo (João 15); deixa claro que não somente aquele que confessa sua fé Nele entrará no Reino dos Céus, como também aquele que faz a vontade de Deus (Mateus 7,21). Quando o jovem rico pergunta a Jesus o que deve fazer para salvar-se, Ele lhe responde que cumpra os Mandamentos (Mateus 19,17). A epístola de São Tiago, em seu capítulo 2, contém praticamente uma refutação formal às teses de Lutero, a ponto de que este tentou por todos os meios excluí-la da Bíblia e a qualificou como “a epístola de palha”.

OS ERROS DERIVADOS DA DOUTRINA DE LUTERO 

Porém, os erros de Lutero não acabaram ali e, como uma fila de peças de dominó que cai um atrás do outro, seguiram-se multiplicando. Nesse sentido pontualizou o cardeal Joseph Ratzinger:

– “Lutero, após a ruptura definitiva, não só rejeitou categoricamente o papado, como também qualificou de idolátrica a doutrina católica da missa, porque via nela uma recaída na Lei, com a consequente negação do Evangelho. Reduzir todas estas confrontações a simples mal-entendidos é, no meu modo de ver, uma pretensão iluminista, que não indica a verdadeira medida do que foram aquelas lutas guiadas pela paixão, nem o peso da realidade presente em suas alegações. A verdadeira questão, portanto, pode unicamente consistir em nos perguntar até que ponto, hoje, é possível superar as posturas de então e alcançar um consenso que vai além daquele tempo. Em outras palavras: a unidade exige passos novos e não se realiza mediante artifícios interpretativos. Se em seu dia [a divisão] se realizou com experiências religiosas contrapostas, que não podiam encontrar espaço no campo vital da doutrina eclesiástica transmitida, tampouco hoje a unidade se forja somente mediante discussões multifacetadas, mas com a força da experiência religiosa. A indiferença é um meio de união tão somente na aparência” (Card. Joseph Ratzinger, “Igreja, Ecumenismo e Política: novos ensaios de eclesiologia”, Biblioteca de Autores Cristãos, Madri, 1987, pp. 120-121).

Dito em linguagem simples: as diferenças existem e ignorá-las não fará que desapareçam, ponto este que tratarei a seguir.

ESTAMOS HOJE DE ACORDO, CATÓLICOS E PROTESTANTES, NO QUE DIZ RESPEITO À DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO? 

O Papa Francisco, aludindo ao Acordo Católico-Luterano a respeito da justificação, de 1999[2], declarou em uma entrevista que “hoje em dia, os protestantes e os católicos estão de acordo quanto a doutrina da justificação”.

Com todo o respeito que o Papa merece e compreendendo que este tipo de declaração pode ser motivada pela boa intenção de buscar uma aproximação entre católicos e protestantes, creio que se somos realistas temos que aceitar que a situação é bem diferente. Em primeiro lugar, teria que matizar que a referida declaração somente foi firmada pela Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial. Tal Federação representa apenas um conjunto de igrejas luteranas, as quais não abarcam nem 7% do protestantismo e nem sequer a totalidade do luteranismo. É um fato lamentável porém certo que a rejeição do acordo foi praticamente total pelas demais denominações cristãs, incluindo as batistas, metodistas, calvinistas, pentecostais, etc.

E como fez notar acertadamente Luis Fernando Pérez em um artigo publicado em Infocatólica[3], inclusive dentro do próprio luteranismo tal acordo foi amplamente rejeitado por centenas de teólogos e pela Igreja Evangélica da Dinamarca (luterana), com um argumento cheio de senso comum: trata-se de um texto que o próprio Lutero teria rejeitado, pois se aproxima da doutrina católica sobre a justificação e se afasta do “sola fide” do ex-monge agostiniano alemão.

O teólogo protestante José Grau explicou isso da seguinte maneira:

– “O chamado Acordo sobre a Justificação, de 1999, da mesma forma que as conversações que serviram de prolegômenos nas duas últimas décadas do século XX, faz com a doutrina da justificação o mesmo que fez Trento com o agostinianismo: se aproxima semanticamente de Lutero (ainda que sem condená-lo nominalmente, especificamente, sem tampouco levantar a excomunhão vaticana que pesa sobre ele). E assim como em Trento a Igreja Romana descafeinou Agostinho (nota nossa: isto é falso), agora estes luteranos, de braços dados com os católicos, descafeínaram Lutero. O resultado prático não é outro senão a inutilização da ‘dinamite’ da mensagem reformada, luterana, protestante e sobretudo bíblica (o Evangelho é poder ‘dinamite’ de Deus ‘para salvação de todo aquele que crê’, Romanos 1:16), anulando a espoleta das doutrinas da graça mediante uma terminologia teológica que parece do agrado de todos quando lida de passagem, sem se aprofundar nos conceitos. Umas afirmações equilibram as outras de sinal diferente, sem entrar quase nunca no miolo fundamental da questão. Como escreve Pedro Puigvert, na carta a ‘La Vanguardia’ (de 05/11/1999): ‘Os católicos não cederam em nada, porque isso de confessar que a justificação é obra da graça de Deus o têm crido sempre, juntamente com a cooperação humana que agora resulta que também é fruto da graça, ainda que a Escritura o desminta quando diz: ‘Àquele que age não se lhe conta o salário como graça, mas como dívida; mas ao que não age e crê Naquele que justifica o ímpio, sua fé lhe é contada por justiça’ (Romanos 4:5-6). Roma ganhou a batalha doutrinária. Ah, se Lutero erguesse a cabeça!”. 

Pessoalmente, gostaria de compartilhar daquela apreciação do Papa e crer que os católicos e evangélicos verdadeiramente chegamos a professar uma mesma fé a respeito do tema “justificação”; porém, a crua realidade é outra: nem sequer os próprios protestantes, entre eles mesmos, estão de acordo neste tema.

LUTERO TEVE RAZÃO NO QUE DIZ RESPEITO À DOUTRINA DA JUTIFICAÇÃO? 

Hoje está na moda dar razão a Lutero: é politicamente correto. Cremos agora, católicos e evangélicos, que o homem é justificado por meio da graça de Deus? Sim, porém sempre temos crido nisso. O problema está quando se afirma, a respeito das diferenças doutrinárias reais que existiram e existem entre a doutrina católica e a luterana, que Lutero era quem tinha razão.

Se a doutrina de Lutero, que foi condenada dogmaticamente por um Concílio Ecumênico e dogmático, resulta na doutrina verdadeira, seria melhor apagar as luzes e irmos embora, porque então terão razão também os protestantes ao afirmarem que não precisamos nem de Papas nem de Concílios, já que se é como eles sustentam, [Papas e Concílios] podem equivocar-se quando definem aquilo que é dogma de fé.

E se tudo se trata de um gesto diplomático, é necessário recordar, como nos foi sempre ensinado, que um ecumenismo que não encontra-se fundamentado na verdade não é um verdadeiro ecumenismo, e por mais que posemos juntos e sorridentes para as fotos, não estaremos mais próximos hoje uns dos outros como estávamos há 500 anos.

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NOTAS:
[1] http://infocatolica.com/blog/reforma.php/1603310952-370-elogiando-a-lutero-1-cant
[2] http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/chrstuni/documents/rc_pc_chrstuni_doc_31101999_cath-luth-joint-declaration_sp.html
[3] http://infocatolica.com/blog/coradcor.php/1606291202-no-hay-acuerdo-real-catolico

Poloneses se reúnem na fronteira e por todo o país para rezar o Rosário

“Dai-me um exército que reze o Rosário e eu vencerei o mundo.” – São Pio X

7 de outubro: Dia de Nossa Senhora do Rosário, comemoração da vitória naval católica de Lepanto sobre os muçulmanos turcos e dia em que a Polônia novamente demonstrou de maneira memorável a fé e o valor de seu povo.

Um evento chamado Rosário na Fronteira organizado pelos leigos da Solo Dios Basta (Só Deus Basta) e aprovado pela hierarquia católica polonesa atraiu cerca de um milhão de fiéis em diversas localidades do país no último sábado (7), do Mar Báltico no norte até as montanhas na fronteira com a Eslováquia e a República Tcheca ao sul, formando uma cadeia humana unida com a intenção de Salvar (no sentido pleno) o mundo e a Polônia, contra a crescente secularização e a islamização da Europa. Veja as fotos abaixo, tiradas por todo o território.

As motivações principais para 7 de outubro de 2017 ser o dia escolhido foram as seguintes:

-Foi a festa de Nossa Senhora do Rosário, que comemora a vitória cristã sobre as forças muçulmanas na Batalha de Lepanto;

-Foi o primeiro sábado do mês, e há uma devoção dos Primeiros Sábados revelada pela Santíssima Virgem Maria de Fátima a Ir. Lúcia;

-Este ano é o 140º aniversário da aparição de Nossa Senhora em Gietrzwald, uma aparição famosa na Polônia;

-É também o 100º aniversário da aparição de Nossa Senhora de Fátima.

A oração, iniciada por volta das 14h (horário local) em aeroportos, campos, estradas e 319 igrejas localizadas na fronteira, teve o apoio da primeira-ministra, e um comunicado dos bispos estabeleceu que as famílias poderiam rezar em suas casas, os doentes em hospitais e as comunidades paroquiais em suas igrejas, para que todos, mesmo impossibilitados de chegarem até os limites territoriais do país, pudessem participar. Muitos enfrentaram chuva e o tempo ruim, alguns viajaram centenas de quilômetros para agradecer por intenções particulares realizadas: todos reconhecendo o poder do Rosário e seu indelével significado.

Iniciando com uma Missa na manhã de sábado, o arcebispo Marek Jedraszewski, de Cracóvia, exortou os fiéis a “orarem por outras nações da Europa e do mundo para entender que precisamos voltar às raízes cristãs da cultura europeia se quisermos que a Europa permaneça sendo Europa”.

O padre Paweł Rytel-Andrianik, porta-voz da Conferência dos Bispos poloneses, disse que o evento foi um dos maiores da História na Europa, ficando atrás somente da Jornada Mundial da Juventude de 2016, também na Polônia.

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O importante apoio da primeira-ministra polonesa através do Twitter, agradecendo os participantes

A mídia já começa, como de praxe, com insinuações sujas, associando o ato ao preconceito, xenofobia, racismo e escarnecendo desta grande demonstração de fé. Tremam, laicistas e progressistas: A Polônia Católica vive!

Fonte: Castelo Histórico

Livros Recomendados:

https://livraria.bibliacatolica.com.br/produto/santo-rosario/

https://livraria.bibliacatolica.com.br/produto/o-rosario-da-santissima-virgem-maria/

https://livraria.bibliacatolica.com.br/produto/o-rosario-a-prece-que-salvou-minha-vida/

Destaque brasileiro na mídia católica internacional: mulher carioca salvou 3.000 bebês do aborto!

Ex-professora vai às favelas do Rio para ajudar mulheres grávidas a escolher a vida e construir o futuro

O Rio de Janeiro andou atraindo as atenções do mundo todo ao receber a Jornada Mundial da Juventude de 2013 e a Copa do Mundo de 2014, além de estar prestes a sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Enquanto os holofotes davam amplo destaque à Cidade Maravilhosa, uma mulher salvou mais de 3.000 crianças condenadas ao aborto nas favelas da Baixada Fluminense, praticamente sem chamar atenção nenhuma, nem sequer no próprio país.

Tudo começou de maneira muito simples, há vinte e três anos.

Maria das Dores Hipólito Pires, mais conhecida como Dóris Hipólito, levava uma vida relativamente confortável como professora de história e geografia. A direção da escola onde ela dava aulas lhe pediu que ajudasse algumas das meninas que estavam sofrendo as consequências devastadoras de teremabortado.

Dóris juntou material pró-vida para tentar ajudar aquelas meninas e espalhou o material e a missão entre outros paroquianos. Pouco tempo depois, sentiu a moção interior de promover um rosário público no dia 13 de cada mês, ocasião em que também distribuía folhetos pró-vida. Com o apoio do bispo dom Werner Siebembrok e da Legião de Maria, o pequeno grupo formado por Dóris começou a ajudar, nas periferias e favelas, as mulheres que achavam que não tinham nenhuma alternativa a não ser abortar.

Embora o aborto seja ilegal na maioria dos casos no Brasil, existem muitas “clínicas” que os realizam ilegalmente na Baixada Fluminense, uma região com 3 milhões de cidadãos e com muitas carências sociais.

Dóris vai até a porta dessas “clínicas” e tenta conversar com essas mães, muitas das quais são dependentes químicas e/ou estão sofrendo intensa pressão de terceiros para abortar. Ela as incentiva a ter os filhos, oferecendo-lhes apoio para continuarem a gravidez e, principalmente, para transformarem as suas vidas.

Oito anos atrás, Dóris deu um passo muito corajoso com o apoio da própria família: largar o emprego e passar a trabalhar em tempo integral por aquelas mulheres desesperadas. Em 2007, ela encontrou uma mulher sem-teto, grávida, com deficiências físicas e mentais, que vivia debaixo de um viaduto. Dóris alugou uma pequena casa para cuidar dela. Não demorou quase nada para que aparecesse na casa uma segunda mulher grávida também esmagada por necessidades extremas. E outra, e mais outra, e mais outra. Dóris então estabeleceu formalmente a Casa de Amparo Pró-Vida.

Além de manter um lugar seguro e cheio de carinho para cuidar dessas mulheres e dos seus filhos, Dóris ajudou a montar centros pró-vida em igrejas locais para que as mulheres grávidas contassem com mais assistência. Tanto nestes centros quanto na Casa de Amparo, as mulheresgrávidas encontram formação profissional, atendimento médico e um lugar onde trabalhar e viver com dignidade, suprindo as necessidades dos bebês.

Muitas das mulheres que Dóris recebeu se tornaram voluntárias neste mesmo trabalho. A filha de uma das mulheres que ela ajudou há vinte anos é hoje voluntária no acolhimento e no cuidado de outras mulheres em situação de grande vulnerabilidade.

A pressão política vem aumentando muito no Brasil para que o aborto livre seja legalizado no país. Há grupos de ideologia feminista radical que trabalham contra a ação pró-vida realizada por Dóris. Ela já recebeu telefonemas ameaçadores, inclusive com ameaças de morte. Uma mulher que foi inspecionar a Casa de Amparo viu as fotos das crianças que foram salvas do aborto e chegou a exclamar: “Esta casa nunca deveria ter existido!”.

Hoje, Dóris e sua família confiam na Providência Divina para prover as suas necessidades e as de todas as pessoas que são atendidas na Casa de Amparo. Ela espera ampliar as instalações e já conta com a doação de um terreno, mas o projeto está paralisado por falta de fundos. Mesmo com suas limitações, Dóris já testemunhou o triunfo da vida de 160 crianças que foram salvas de abortos ilegais só neste ano.

Dificuldades à parte, Dóris continua firme, sustentada por Deus e pela força da esperança que irradia do rosto das crianças retratadas na sua parede. E quando as coisas ficam particularmente difíceis, ela recita para si mesma: “Os poderosos podem me mostrar o seu poder, mas os bebês me mostram o paraíso”.

Para saber mais sobre Dóris Hipólito e para ajudar na sua incrível missão, acesse:

http://www.gofundme.com/hub754

Ditadura comunista: tempos sombrios, adverte Papa Francisco

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Na catequese desta quarta-feira, pontífice recordou o tempo em que na Albânia “foi pisoteada a liberdade religiosa e era proibido crer em Deus”

O tema da catequese de hoje do Papa Francisco foi a sua viagem apostólica à Albânia, realizada domingo, 21. O Papa se disse muito agradecido por ter mostrado a proximidade da Igreja a este povo que foi durante tanto tempo oprimido por um regime desumano e que vive agora uma experiência de convivência pacífica entre as religiões.

O Pontífice contou aos fiéis presentes na Praça São Pedro que nas ruas da capital albanesa, Tirana, viu fotos de 40 sacerdotes assassinados durante a ditadura comunista para os quais está em andamento uma causa de beatificação.

“Eles se somam às centenas de religiosos cristãos e muçulmanos assassinados, torturados, presos e deportados somente porque acreditavam em Deus. Foram anos sombrios, nos quais foi pisoteada a liberdade religiosa e era proibido crer em Deus, milhares de igrejas e mesquitas foram destruídas e transformadas em lojas e cinemas da propaganda marxista. Livros religiosos foram queimados e os pais proibidos de dar aos filhos nomes de santos ou antepassados. A recordação destes eventos é essencial para o futuro de um povo. A memória dos mártires que resistiram na fé é a garantia do destino da Albânia, pois seu sangue não foi derramado inutilmente, mas é uma semente que trará frutos de paz e de colaboração fraterna”.

Francisco lembrou também o encontro com os sacerdotes, pessoas consagradas, seminaristas e movimentos laicais e a comovente recordação das vítimas de perseguições e dos mártires albaneses.

“Eles não são os vencidos, mas os vencedores. Seu heróico testemunho reflete o poder absoluto de Deus, que sempre consola seu povo, abrindo novos caminhos e horizontes de esperança. Isto tudo nos confirma que a força da Igreja não vem da sua capacidade organizativa nem das estruturas, mas do amor de Cristo. Este amor nos sustenta nas dificuldades e nos inspira a bondade e o perdão, e demonstra a misericórdia de Deus”.

Terminando a catequese, o Papa renovou o convite à coragem do bem, para construir o presente e o amanhã.

“Que a lembrança de um passado duro se converta numa maior abertura aos irmãos, especialmente aos mais fracos, para assim dar testemunho do dinamismo da caridade, tão necessária no mundo de hoje”.

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ABSURDO: Mulher dá a eucaristia para cachorro

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No dia 10/08/2014 a comunidade de Santo Expedito e São Francisco de Assis, em Praia Grande, recebeu a “visita” de uma mulher que entrou na fila de comunhão só para realizar uma profanação.

Após ter recebido a Sagrada Comunhão na boca, ela tirou-la e a deu para o seu cachorro comer. Diante de tão horrenda cena, o pe Joseph Thomas Puzhakara anunciou no microfone o ocorrido, gerando assim grande choque entre os fiéis presentes na Missa. Muitos alem de assustados, caíram em lágrimas ao ver tamanha aberração e falta de respeito com o preciosíssimo corpo do Senhor.

Infelizmente os que distribuíam a comunhão não tiveram tempo para nenhuma ação, pois a mulher foi obstinada a fazer tal ato e agiu de maneira rápida.

Em meio a tal caos na paróquia, a mulher não se intimidou e não foi embora. Por sua vez, o pároco anunciou que ela estava excomungada, como se pode ler no Código de Direito Canônico (§1367):

“Quem expele por terra as espécies consagradas ––diz o Código que regula a vida da Igreja católica––, ou as leva ou retem com uma finalidade sacrílega, incorre em excomunhão latae sententiae*  reservada a Sé Apostólica”.

*automática

Não dando-se por satisfeita, a mulher continuou na paróquia até o final da Santa Missa provocando ao sacerdote e os fiéis. Após o termino da missa, ela ainda pousou para fotos.

Apesar de tão evidente profanação, houve quem a defendesse no Facebook. Uma senhora postou:

NOSSA ……TUDO ISSO POR CAUSA DE UM CACHORRO……ELES SÃO OS MELHORES ANJOS DE DEUS DIGNOS DE COMPARTILHAR DE UMA HÓSTIA…….TENHO CERTEZA QUE TINHA MTA GENTE NA IGREJA QUE SE ACHAM ANJOS E QUE SÃO OS PRÓPRIOS DEMÔNIOS. FICO IMAGINANDO O QUE SÃO FRANCISCO DE ASSIS ESTARIA ACHANDO DE TUDO ISSO….TENHO CERTEZA QUE TEM MTA GENTE QUE NÃO MERECIA NEM LAMBER A HÓSTIA ….TAMANHA A FALTA DE AMOR AO PRÓXIMO…….DESNECESSÁRIO TUDO ISSO…….INDIGNADA”

Segundo relatos no Facebook, a mulher não aparenta ter problemas mentais.

Fonte: Fidespress

24 jovens explicam por que não usam anticoncepcionais

Em uma dos sites mais acessados do momento, o BuzzFeed, um mix de notícias e material produzido e compartilhado entre os usuários, 22 mulheres que trabalham no site postaram fotos delas mesmas com um cartaz na mão. No cartaz estava especificada a razão pela qual usam anticoncepcionais.

Em resposta ao post, 24 leitoras, com outras fotos e cartazes, expuseram o motivo pelo qual não usam anticoncepcionais. É possível ver as fotos  aqui.

Traduzimos os cartazes sobre o “não usamos” anticoncepcionais (alguns uma resposta direta ao “sim”):

1) Porque posso evitar uma gravidez sem envenenar meu corpo

2) Porque apesar das cólicas e da possibilidade de aparecerem espinhas, isso faz parte do ser mulher

3) Porque vale totalmente a pena

4) Porque o meu corpo é um dom para o meu futuro marido, e este dom inclui a maternidade

5) Porque sou responsável e tomo decisões aceitando as consequências das minhas ações

6) Porque quero um corpo saudável e natural

7) Porque ser fértil não é uma condição à qual preciso remediar

8) Sexo = doação TOTAL de si #NFP (Natural Family Planning, ou seja, métodos naturais de regulação da fertilidade)

9) Porque não preciso renunciar minha maternidade para ser uma feminista

10) Porque consigo me controlar

11) Porque os anticoncepcionais permitem aos homens usar as mulheres SEM consequências

12) Porque atingem os sintomas, NÃO o problema

13) Não quero colocar algo de artificial no meu corpo para impedir que aconteça algo natural

14) Porque o sexo é mais que diversão… gera a vida!

15) Porque tenho a PCOS (Síndrome do Ovário Policístico) e a pílula é menos eficaz que as alternativas naturais, mas as companhias farmacêuticas querem ganhar dinheiro

16) Porque os filhos NÃO são algo inconveniente, são um dom

17) Porque é mais legal ter dois filhos do que cães ou gatos

18) Porque o câncer de mama, câncer de colo de útero e infertilidade… não valem a pena

19) Porque NINGUÉM NUNCA está verdadeiramente pronto para ter filhos – e são uma das MELHORES e mais excitantes coisas, além da satisfação que podem causar

20) Porque ser mulher e a fertilidade são um dom lindo e eu quero um amor que seja doação de si e doação da vida

21) Porque me orgulho da minha feminilidade e porque conheço muitas jovens que têm problemas reprodutivos por causa dos anos de anticoncepcionais

22) Porque a vida é uma coisa linda, sempre

23) Porque quero um sistema reprodutivo 100% saudável e intacto quando estiver pronta para ter filhos

24) Porque a capacidade de gerar a vida é um super poder que sou orgulhosa de possuir

Fonte: Aleteia

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