Quando chegou a plenitude dos tempos (Gal 4,4), tal como no sexto dia o homem foi formado da terra pelo poder e sabedoria da mão divina, no começo da sexta idade do mundo, o arcanjo Gabriel foi enviado à Virgem e esta deu o seu consentimento. O Espírito Santo desceu sobre ela, abrasando como um fogo divino a sua alma e santificando-lhe a carne na mais perfeita pureza, e a «virtude do Altíssimo cobriu-a com a sua sombra» (cf Lc 1,35) para que ela pudesse suportar semelhante ardor. Assim, pela operação do Altíssimo, foi instantaneamente formado um corpo, criada uma alma e ao mesmo tempo os dois foram unidos à divindade na pessoa do Filho, para que o mesmo fosse Deus e Homem, ficando preservadas as propriedades de cada uma das duas naturezas.

Oh! Se pudesses, um pouco que fosse, compreender o que foi, na sua imensidão, o incêndio que então se acendeu no céu, o refrigério obtido, a consolação dada! A que insigne dignidade foi elevada a Virgem Mãe! Quão grande foi o enobrecimento do género humano, quão grande a condescendência da Majestade divina! Se pudesses ouvir os cantos de júbilo da Virgem, subir a montanha com Nossa Senhora, contemplar os suaves abraços trocados entre a Estéril e a Virgem, e a maneira como se cumpriu essa saudação, na qual o servo humilde reconhece o seu Senhor; o arauto, o seu Juiz; a voz, o Verbo! Estou certo de que entoarias em suave melodia, com a Bem-aventurada Virgem, o cântico sagrado: «A minha alma glorifica o Senhor» (Lc 1,46). Estou certo de que com alegria e transporte te juntarias ao Profeta menino para adorar a admirável conceção virginal.


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