Não é estranho, meus amigos, que Deus nos exorte sempre à virtude, e que nós nos furtemos a esse socorro, que Lhe devolvamos a salvação? Não nos convida João também à salvação, não é todo ele uma voz que nos exorta? Perguntemos-lhe pois: «Quem és tu, entre os homens, e donde vens?» Ele não dirá que é Elias e negará que é o Cristo, mas confessará que é uma voz que brada no deserto (Jo 1,20s). Quem é, pois, João? Para tomar uma imagem, permiti-me dizer: é uma voz do Verbo, da Palavra de Deus, que nos exorta clamando no deserto […]: »Aplanai os caminhos do Senhor» (Mc 1,3). João é um precursor e a sua voz é precursora da Palavra de Deus, voz que encoraja e predispõe à salvação, voz que nos exorta a procurar a herança do céu.

Graças a esta voz, «a mulher estéril e desamparada não será mais sem filhos» (Is 54,1). Foi a voz de um anjo que me anunciou esta gravidez; essa voz era também a de um precursor do Senhor, que trazia a boa nova à mulher que não tinha engravidado (Lc 1,19), tal como João na solidão do deserto. É portanto pela voz do Verbo que a mulher estéril engravida na alegria e que o deserto produz frutos. Estas duas vozes precursoras do Senhor, a do anjo e a de João, comunicam-me a salvação nelas oculta, de modo que, depois da manifestação deste Verbo, colhamos o fruto da fecundidade, a vida eterna.


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