O mundo passa e nós passamos com ele. Os reis, os imperadores, tudo desaparece, engolfado na eternidade, de onde não se regressa. A única coisa que realmente interessa é salvar a nossa pobre alma. Os santos não estavam presos aos bens da terra; só lhes interessavam os bens do céu. As pessoas mundanas, pelo contrário, só se interessam pelo tempo presente.

Temos de fazer como os reis, que, quando estão em vias de ser depostos, mandam guardar os seus tesouros noutro local, onde os têm depois à sua espera. Assim também um bom cristão manda as suas boas obras para a porta do céu. […]

A terra é uma ponte para atravessar um rio: serve apenas para nos permitir caminhar. […] Estamos neste mundo, mas não somos deste mundo. Todos os dias dizemos: «Pai nosso, que estás nos céus…»; temos, pois, de esperar a nossa recompensa quando estivermos «em casa», na casa do Pai.


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