«Em mim se perturba minha alma», ó Deus, quando penso nos meus pecados; «então, lembro-me de Ti, no país do Jordão» (Sl 41,7) – quer dizer, recordando-me da forma como purificaste Naaman, o leproso, na sua humilde descida ao rio. […] «Ele desceu e lavou-se sete vezes no Jordão, como lhe tinha prescrito o homem de Deus, e ficou purificado» (2Rs 5,14). Desce também tu, ó minha alma, desce do carro do orgulho até às águas salutares do Jordão, que, partindo da sua fonte na casa de David, corre agora pelo mundo inteiro «para lavar todo o pecado e toda a mancha» (Zac 13,1). Essa nascente é a humildade da penitência, que corre graças ao dom de Cristo, mas também ao seu exemplo, e que, pregada doravante por toda a Terra, lava os pecados do mundo inteiro. […] O nosso Jordão é um rio puro; os soberbos não terão, pois, de que te acusar se mergulhares totalmente nele, se te sepultares, por assim dizer, na humildade de Cristo. […]

O nosso batismo é único, naturalmente, mas uma tal humildade é como um novo batismo. Com efeito, ela não reitera a morte de Cristo, mas leva à plenitude a mortificação e a sepultura do pecado: o que foi celebrado sacramentalmente no batismo encontra a sua plena realização sob esta nova forma. Sim, uma tal humildade abre os céus e confere o espírito de adoção; o Pai reconhece o seu filho, recriado na inocência e na pureza de uma criança de novo gerada. É por isso que a Escritura menciona, e com razão, que a carne de Naaman foi reconstruida à semelhança da de um recém-nascido. […] Nós, que perdemos a graça do nosso primeiro batismo […], descobrimos agora o verdadeiro Jordão, isto é, a descida da humildade. […] Basta que não receemos descer cada dia mais profundamente […] com Cristo.




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