Cristo comparava há pouco o seu reino a um grão de mostarda; agora, identifica-o com fermento. Ele contava que um homem semeara uma sementinha e nascera uma grande árvore; agora, a mulher incorpora uma pitada de fermento para fazer crescer a sua massa. Na verdade, como diz o apóstolo Paulo: «Diante do Senhor, a mulher é inseparável do homem, e o homem da mulher» (1Cor 11,11). […] Nestas parábolas, Adão, o primeiro homem, e Eva, a primeira mulher, são conduzidos da árvore do conhecimento do bem e do mal ao sabor ardente dessa árvore da mostarda do evangelho. […]

Eva recebera do demónio o fermento da má fé; aquela mulher recebe de Deus o fermento da fé. […] Eva, pelo fermento da morte, corrompera, na pessoa de Adão, toda a massa do género humano; outra mulher renovará, na pessoa de Cristo, pelo fermento da ressurreição, toda a massa humana. Depois de Eva, que amassou o pão dos gemidos e do suor (Gn, 3,19), esta cozerá o pão da vida e da salvação. Depois daquela que foi, em Adão, a mãe de todos os mortos, esta será, em Cristo, a «verdadeira mãe de todos os vivos» (Gn, 3,20). Pois se Cristo quis nascer, foi para que nessa humanidade em que Eva semeou a morte, Maria restaurasse a vida. Maria oferece-nos a perfeita imagem desse fermento; e propõe-nos a correspondente parábola quando em seu seio recebe do Céu o fermento do Verbo e o derrama em seu seio virginal sobre a carne humana –
que digo eu? Sobre uma carne que, no seu seio virginal, é toda celeste e que ela faz levedar.




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