A vida de contemplação é a vida do céu. […] Com efeito, graças ao amor de união com Deus, o homem passa para além do seu ser de criatura, para descobrir e saborear a opulência e as delícias do próprio Deus, que Deus deixa escorrer sem cessar para o ponto mais secreto do espírito humano, ali onde ele é semelhante à nobreza de Deus. Quando o homem, recolhido e contemplativo, se une assim à sua imagem eterna e quando, nessa limpidez, graças ao Filho, ele encontra o seu lugar no seio do Pai, fica iluminado pela verdade divina. […]

Porque é preciso saber que o Pai celestial, abismo vivo, está voltado, pelas suas obras e com tudo o que nele vive, para o seu Filho, como para a sua eterna Sabedoria (Pr 8,22s); e essa mesma Sabedoria, com tudo o que nela vive, reflete-se, pelas suas obras, no Pai, isto é, no abismo de que saíu. Deste encontro brota a terceira Pessoa, aquele que está entre o Pai e o Filho, quer dizer, o Espírito Santo, o amor mútuo entre eles, que é um com os dois, numa mesma natureza. Esse amor abraça e atravessa com entusiasmo o Pai, o Filho e tudo o que neles vive, e fá-lo com uma tal opulência e uma tal alegria que todas as criaturas ficam reduzidas a um silêncio eterno. Porque a maravilha intocável, escondida neste amor, ultrapassará eternamente a compreensão de qualquer criatura.

Quando reconhecemos esta maravilha e a saboreamos sem espanto, é porque o nosso espírito se encontra para lá de si mesmo e é um com o Espírito de Deus, saboreando e olhando sem medida, tal como Deus saboreia e olha a sua própria riqueza, na unidade da sua profundeza viva, segundo o seu modo incriado. […] Este delicioso encontro, que tem lugar em nós segundo o modo de Deus, é constantemente renovado. […] Porque assim como o Pai olha sem cessar todas as coisas como novas no nascimento de seu Filho, assim elas são amadas de uma maneira nova pelo Pai e pelo Filho na efusão do Espírito Santo. Eis o encontro do Pai e do Filho, no qual nós somos amorosamente abraçados com um amor eterno, graças ao Espírito Santo.




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