«Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram» (Mt 13,17). Estas santas personagens, com efeito, cheias do Espírito de Deus para anunciar a vinda de Cristo, desejavam com ardor gozar da sua presença na Terra, se tal fosse possível. Foi aliás por essa razão que Deus adiou a partida de Simeão deste mundo: queria que ele contemplasse, na pessoa de uma criança recém-nascida, Aquele por quem o mundo foi criado (Lc 2,25 ss.). […] Simeão viu-O com feições de menino; João, ao contrário, viu-O quando Ele já ensinava e escolhia os seus discípulos. Onde? Nas margens do rio Jordão. […]

É aí, nesse batismo de preparação que Lhe abria caminho, que encontramos um símbolo e uma aproximação do batismo de Jesus Cristo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas» (Mt 3,3). O próprio Jesus quis ser batizado pelo seu servo para fazer compreender a graça que recebem aqueles que recebem o batismo em nome do Senhor. Foi aí que começou o seu reino, como que a cumprir a profecia: «Dominará de um ao outro mar, do grande rio até aos confins da terra» (Sl 72,8). Nas margens do rio onde o domínio de Cristo começa, viu João o Salvador: viu-O, reconheceu-O e prestou-Lhe testemunho. João humilhou-se perante a grandeza divina, a fim de merecer que a sua humildade fosse ressaltada por essa grandeza. Ele declara-se o amigo do esposo (Jo 3,29). Que amigo é este? Será aquele que caminha em pé de igualdade? Longe disso! Então, qual é a distância que mantém? Diz ele: «Não sou digno de me inclinar para Lhe desatar as correias das sandálias» (Mc 1,7).




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