Quando, pela primeira vez, tomou nos braços o seu Menino, o Emanuel, Maria discerniu nele uma luz incomparavelmente mais bela do que o sol, sentiu um fogo que nenhuma água teria podido apagar. Recebeu, escondida naquele pequeno corpo que acabava de nascer dela, a luz deslumbrante que ilumina tudo e mereceu ter nos braços o Verbo de Deus, que sustenta tudo quanto existe (Heb 1,3). Como não haveria de se deixar invadir pelo conhecimento de Deus, qual onda transbordando do mar (Is 11,9)? Como não haveria de ficar extasiada, fora de si mesma, elevada às alturas, em admirável contemplação? Como não haveria de se espantar ao ver-se mãe, ela que é virgem, e, cheia de alegria, Mãe de Deus? Maria compreendeu que nela se cumpriam as promessas feitas aos patriarcas, os oráculos dos profetas e os desejos dos seus antepassados, que o esperavam de todo o coração.

Ela vê o Filho de Deus que lhe é entregue; alegra-se por lhe ter sido confiada a salvação do mundo. E ouve o Senhor Deus dizer-lhe no fundo do coração: «Escolhi-te de entre tudo o que criei; abençoei-te entre todas as mulheres (Lc 1,42); entreguei o meu Filho nas tuas mãos; confiei-te o meu Unigénito. Não tenhas medo de amamentar Aquele que geraste, nem de levantar do chão Aquele que deste à luz. Aprende que Ele não é só o teu Deus mas também o teu filho. É meu Filho e é teu filho, meu Filho pela divindade, teu filho pela humanidade que em ti assumiu.» Com que afeto e com que zelo, com que humildade e com que respeito, com que amor e com que devoção não terá Maria respondido a este apelo! Os homens não podem sabê-lo, mas Deus sabe, Ele que perscruta os rins e os corações (Sl 7,10). […] Feliz daquela a quem foi dado criar Aquele que tudo protege e alimenta, ter nas mãos Aquele que sustém todo o universo.


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