«Diz-me, ó amado do meu coração», pede a esposa do Cântico dos Cânticos, «onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes repousar ao meio-dia» (1,7). Penso que, no salmo 22, também o profeta, colocado à guarda do mesmo pastor, fala sob o local de que falava a esposa, quando diz: «O Senhor é meu pastor; nada me faltará» (v. 1). Ele sabia que os outros pastores, sob o efeito da preguiça ou da inexperiência, apascentavam os seus rebanhos em locais mais áridos. É por isso que diz do Senhor, o pastor perfeito: «Em prados verdejantes Ele me faz repousar. Conduz-me às águas refrescantes» (v. 2). Mostra assim que este pastor dá às suas ovelhas águas, não apenas abundantes, mas também sãs e puras, que as dessedentam perfeitamente. […]

Esta primeira formação dada pelo pastor é a dos inícios; a continuação diz respeito aos progressos e à perfeição. Acabámos de falar de pastagens e de verdura. Vejamos isto nos Evangelhos. Aí descobri este bom pastor a falar das pastagens das ovelhas; Ele diz que é o pastor, mas também a porta: «Se alguém entrar por Mim, salvar-se-á; entrará e sairá e achará pastagens» (Jo 10,9). É por conseguinte a Ele que a esposa questiona. […] Ela chama «meio-dia» aos lugares secretos do coração onde a alma obtém do Verbo de Deus uma luz brilhante de ciência. Essa é, com efeito, a hora em que o sol atinge o ponto mais alto do seu percurso. Portanto, quando Cristo, «Sol de justiça» (Mal 3,20), manifesta à sua Igreja os sublimes segredos das suas virtudes, está a mostrar-lhe pastagens agradáveis e locais onde repousar ao meio-dia.

Porque quando ela ainda está no começo da sua instrução e apenas recebe dele os primeiros inícios do conhecimento, o profeta diz: «Deus socorrê-la-á de manhã, ao nascer do dia» (Sl 45,6). Mas, quando procura bens mais perfeitos e deseja realidades superiores, ela pede a luz do conhecimento ao meio-dia.





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