No Apocalipse, o apóstolo João vê «um Cordeiro. Estava de pé, mas parecia ter sido imolado» (Ap 5,6). […] À beira do Jordão, João Batista tinha designado Jesus como «o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo». O apóstolo João compreendeu estas palavras e compreende agora esta imagem. Aquele que noutros tempos caminhava à beira do Jordão e que Se lhe mostrara de veste branca, com olhos de fogo e com a espada do juiz, Ele que é «o Primeiro e o Último» (Ap 1,17), tinha cumprido com verdade tudo aquilo que os ritos da Antiga Aliança esboçavam simbolicamente.

Quando, no dia mais santo e mais solene do ano, o sumo-sacerdote penetrava no Santo dos Santos, o lugar tremendamente santo da presença divina, tinha tomado previamente dois bodes: um para carregar os pecados do povo, a fim de os levar para o deserto, e o outro para aspergir com o seu sangue a tenda e a arca da aliança (Lv 16). Era o sacrifício pelos pecados oferecido pelo povo. […] A seguir, fazia um holocausto para e por todo o povo, e mandava queimar totalmente os restos da vítima de expiação. […] Era um dia solene e santo, este dia da Reconciliação. […]

Mas qual era o motor desta reconcilicação? Não era o sangue dos animais imolados nem o sumo-sacerdote da descendência de Aarão, como observa […] a carta aos Hebreus (8-9). Era o último sacrifício da reconciliação, aquele que estava prefigurado em todos os sacrifícios prescritos pela Lei, e era o «sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec» (Sl 110,4). […] Este era também o verdadeiro Cordeiro pascal, por causa do qual o anjo exterminador passara diante das casas dos hebreus, atingindo apenas as dos egípcios (Ex 12,23). O próprio Senhor o tinha dado a entender aos seus discípulos quando comeu o cordeiro pascal com eles pela última vez e Se deu a Si mesmo a eles em alimento.


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