O Verbo, a Palavra eterna de Deus, «veio em auxílio da descendência de Abraão; por isso, teve de assemelhar-Se em tudo aos seus irmãos» (Heb 2,16-17) e de tomar um corpo semelhante ao nosso. Assim, Maria foi verdadeiramente necessária, para que Ele tomasse corpo nela, e oferecesse esse corpo por nós como sendo seu. […] Gabriel tinha-lho anunciado em termos cuidadosamente escolhidos, pois não disse apenas: «Aquele que vais nascer em ti» […], mas: «Aquele que vai nascer de ti». […]

Tudo isto se fez para que o Verbo, assumindo a nossa natureza e oferecendo-a em sacrifício, a fizesse totalmente sua. Em seguida, quis revestir-nos da sua própria natureza divina, razão pela qual S. Paulo afirma: «É necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade e que este corpo mortal se revista de imortalidade» (1Cor 15,53). E tal não aconteceu de forma simulada, como supõem certos heréticos: nem pensar nisso! O Salvador tornou-Se verdadeiramente homem, e foi daí que veio a salvação para todo o homem. […] A nossa salvação não é uma aparência, não é apenas para o corpo, mas para o homem todo, alma e corpo, e esta salvação veio do próprio Verbo.

Aquele que veio de Maria era, pois, humano por natureza, segundo as Escrituras, e o corpo do Senhor era um verdadeiro corpo; sim, um verdadeiro corpo, porque era idêntico ao nosso, porque Maria é nossa irmã, visto que todos descendemos de Adão.




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