Categoria: Meditação (Page 1 of 128)

Sabado, dia 10 de Fevereiro de 2018 – Comentário de Santo Ambrósio

Senhor Jesus, sei bem que não queres deixar em jejum estas pessoas que estão aqui comigo, mas antes alimentá-las com os alimentos que distribuis; deste modo, fortalecidas com o teu alimento, não recearão desfalecer de fome. Sei bem que também não nos queres mandar embora em jejum. […] Tu o disseste: não queres que eles desfaleçam no caminho, isto é, que desfaleçam no decurso desta vida antes de chegarem ao fim do percurso, antes de chegarem ao Pai e perceberem que Tu provéns do Pai. […]

O Senhor tem piedade, para que ninguém desfaleça no caminho. […] Assim como faz chover tanto sobre os justos como sobre os injustos (Mt 5,45), também alimenta tanto os justos como os injustos. Não foi graças à força do alimento que o santo profeta Elias, quase a desfalecer, conseguiu caminhar durante quarenta dias? (1Rs 19,8) Foi um anjo que lhe deu esse alimento; mas a vós, é o próprio Cristo que vos alimenta. Se conservardes o alimento assim recebido, não caminhareis quarenta dias e quarenta noites […], mas quarenta anos, desde a vossa saída dos confins do Egito até à vossa chegada à terra da abundância, à terra onde correm o leite e o mel (Ex 3,8). […]

Cristo partilha os víveres e quer, sem dúvida alguma, dá-los a todos. Não os recusa a ninguém, pois dá-os a todos. Mas se, quando Ele parte os pães e os dá aos discípulos, não estenderdes as mãos para receber o vosso alimento, desfalecereis no caminho. […] Este pão que Jesus parte é o mistério da palavra de Deus: quando é distribuída, aumenta. Com poucas palavras, Jesus forneceu a todos os povos um alimento superabundante. Ele deu-nos os seus discursos como pães e, enquanto os saboreamos, eles multiplicam-se na nossa boca. […] Quando as multidões os comem, os pedaços tornam a aumentar, multiplicando-se. Tanto assim é que, no fim, os restos são ainda mais abundantes do que os pães que foram partilhados.

Sexta-feira, dia 9 de Fevereiro de 2018 – Comentário de Santo Agostinho

«Cantarei ao Senhor enquanto viver» (Sl 103,33). O que cantará o salmista? Cantará tudo aquilo que Deus é. Cantemos a glória do Senhor durante toda a nossa vida. A nossa vida atual mais não é que uma esperança; a nossa vida futura será a eternidade. A vida desta vida mortal é a esperança da vida imortal: «Cantarei ao Senhor enquanto viver; louvarei o meu Deus enquanto existir.» E, porque viverei nele sem fim, enquanto viver cantarei ao meu Deus.

Não pensemos que, quando tivermos começado a cantar ao Senhor na cidade do céu, quereremos fazer outra coisa; nessa altura, toda a nossa vida consistirá em cantar a glória de Deus. Se, neste mundo, o objeto dos nossos louvores nos aborrece, também os nossos cantos de louvor poderão aborrecer-nos. Se, porém, o amarmos eternamente, também eternamente o louvaremos: «Louvarei o meu Deus, enquanto existir.»

Quinta-feira, dia 8 de Fevereiro de 2018 – Comentário de Concílio Vaticano II

Hoje, que o género humano se torna cada vez mais unido, e aumentam as relações entre os vários povos, a Igreja considera mais atentamente qual a sua relação com as religiões não cristãs. E, na sua função de fomentar a união e a caridade entre os homens e até entre os povos, considera primeiramente tudo aquilo que os homens têm de comum e os leva à convivência.

Com efeito, os homens constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem colocou o género humano sobre a superfície da terra; têm também todos um mesmo fim último, Deus, que a todos estende a sua providência, os seus testemunhos de bondade e os seus desígnios de salvação, até que os eleitos se reunam na cidade santa, iluminada pela glória de Deus, onde todos os povos caminharão na sua luz. Os homens esperam das diversas religiões resposta para os enigmas da condição humana, os quais, hoje como ontem, profundamente preocupam os seus corações. […]

Todas as religiões que existem no mundo procuram, de modos diversos, ir ao encontro das inquietações do coração humano, propondo caminhos, isto é, doutrinas e normas de vida e também ritos sagrados.

A Igreja Católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas, que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia refletem, não raramente, um raio da verdade que ilumina todos os homens. No entanto, ela anuncia, e tem mesmo obrigação de anunciar incessantemente Cristo, «caminho, verdade e vida» (Jo 14,6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas.

Quarta-feira, dia 7 de Fevereiro de 2018 – Comentário de São João da Cruz

A pureza do coração corresponde ao grau de amor e de graça de Deus; assim, quando o nosso Salvador chama bem-aventurados àqueles que têm o coração puro (Mt 5,8), está a referir-Se àqueles que estão cheios de amor, porque a beatitude é-nos dada segundo o grau do nosso amor.
Aquele que ama verdadeiramente a Deus não cora diante do mundo por aquilo que faz para Deus, não o esconde com atrapalhação, ainda que o mundo inteiro venha a condená-lo.
Aquele que ama verdadeiramente a Deus vê como um ganho e uma recompensa a perda de todas as coisas criadas, e até a perda de si próprio por amor a Deus […].

Aquele que trabalha para Deus com um amor puro, não só não se perturba por ser visto pelos homens, como também não age de forma a ser visto por Deus […].
É coisa grande exercitarmo-nos muito na prática do amor santo, porque a alma que atinge a perfeição e a consumpção do amor não tardará, seja nesta vida, seja na outra, a ver o rosto de Deus.
Aquele que tem o coração puro aproveita igualmente a elevação e a humilhação para se tornar sempre mais puro, enquanto o coração impuro apenas se serve dele para produzir ainda mais frutos de impureza.
O coração derrama sobre todas as coisas um saboroso conhecimento de Deus, casto, puro, espiritual, cheio de alegria e de amor.

Terça-feira, dia 6 de Fevereiro de 2018 – Comentário de Santo Agostinho

Quem criou todas as coisas? Quem te criou a ti? O que são todas estas criaturas? O que és tu? E como falar daquele que criou tudo isto? Para tal, o teu pensamento terá de O conceber […]; que o teu pensamento se oriente para Ele, aproxima-te dele. Para bem veres alguma coisa, aproximas-te dela. […] Mas Deus só pode ser percebido pelo espírito, só pode ser captado pelo coração. E onde está esse coração pelo qual podemos ver a Deus? «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8). […]

Lemos num salmo: «Aproximai-vos dele e ficareis radiantes» (Sl 33,6). Para dele te aproximares e ficares radiante, terás de detestar as trevas. […] Pecador como és, terás de te tornar justo; mas não poderás receber a justiça se o mal continuar a agradar-te. Destroi-o no teu coração e purifica-o; expulsa o pecado do teu coração, pois aí quer habitar Aquele que queres ver. A alma humana, o nosso «homem interior» (Ef 3,16), aproxima-se de Deus o mais que pode, o nosso homem interior que foi recriado à imagem de Deus, ele que fora criado à imagem de Deus (Gn 1,26), mas se tinha afastado de Deus, tornado-se dissemelhante dele.

É certo que não é espacialmente que nos aproximamos e nos afastamos de Deus: se deixares de te assemelhar a Ele, afastas-te de Deus; se te assemelhares a Ele, aproximas-te dele. Vê como o Senhor quer que nos aproximemos dele: começa por nos tornar semelhantes a Ele, para que possamos estar perto dele. E diz-nos: sede como «o vosso Pai que está no Céu, que faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5,45). À medida que esta caridade vai aumentando em ti, vai-te tornando mais semelhante a Deus […]; e, quanto mais te aproximas desta semelhança progredindo no amor, mais começas a sentir a presença de Deus. Mas quem sentes tu? Aquele que vem a ti ou aquele a quem regressas? Ele nunca está longe de ti; foste tu que te afastaste para longe dele.

Segunda-feira, dia 5 de Fevereiro de 2018 – Comentário de Santa Teresa de Ávila

Pois se, quando [Jesus] andava neste mundo, só o tocar as suas vestes sarava os enfermos, como duvidar, se temos fé, de que faça milagres estando assim dentro de nós [na comunhão eucarística], e de que nos dará o que Lhe pedirmos estando Ele em nossa casa (Ap 3,20)? Não costuma Sua Majestade pagar mal a pousada quando Lhe dão boa hospedagem. E, irmãs, se vos dá pena o não O ver com os olhos do corpo, tal não nos convém. […]

Porque àqueles a quem vê que hão de tirar proveito da sua presença, Ele Se descobre e, ainda que O não vejam com os olhos do corpo, tem muitas maneiras de Se mostrar à alma por grandes sentimentos interiores e por diversas vias. Ficai-vos com Ele de boa vontade e não percais tão boa ocasião de a Ele vos dirigirdes, como é a hora depois de ter comungado.

Domingo, dia 4 de Fevereiro de 2018 – Comentário de São Bernardo

Que condescendência a de Deus, que nos procura, que dignidade a do homem, que é assim procurado! […] «Que é o homem, Senhor, para que Te lembres dele, o filho do homem para que dele Te recordes?» (Job 7,17). Gostava muito de saber porque foi que Deus quis vir até nós, porque não fomos nós a ir a Ele. Porque é o nosso interesse que está em causa. Não é habitual os ricos irem à casa dos pobres, mesmo quando têm a intenção de lhes fazer bem. Era a nós que convinha ir ter com Jesus. Mas um duplo obstáculo nos impedia: os nossos olhos estavam cegos e Ele vive numa luz inacessível; nós jazíamos paralisados nos nossos catres, incapazes de alcançar a grandeza de Deus. Foi por isso que o nosso bom Salvador e médico das nossas almas desceu das alturas e moderou para os nossos olhos doentes o brilho da sua glória. Ele revestiu-Se, como que de uma lanterna, desse corpo luminoso e puro de toda a mancha que assumiu.

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