JESUS PRESENTE NA EUCARISTIA EM FIGUEIRA

Autor: Pe. Juan Carlos Sack
Fonte: http://www.apologetica.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Remígio de Reims, Cesário de Arles, Eusébio da Gália e Venâncio Fortunato].

REMÍGIO DE REIMS

Apóstolo dos francos, Bispo de Reims na primeira metade do século VI.

Mandou esculpir a seguinte inscrição em um cálice que consagrou:

– “Que o povo extraia daqui a Vida / do sangue sagrado nele colocado / daquilo que o Cristo eterno derramou de seu lado [aberto]” (Versos do Cálice; 125,1135).

CESÁRIO DE ARLES

Nasceu por volta de 470. Fez-se monge em Lérins e chegou a ser Abade e Bispo de Arles. Grande pastor, sobretudo entre os mais pobres, e prolífico teólogo.

Exorta diversas vezes em suas obras a que se consuma a Eucaristia para crescer na fé e vice-versa. Por exemplo:

– “Rogo e advirto: trabalhemos o quanto pudermos com o auxílio de Deus, para que naquele dia [de Natal] possamos nos aproximar do altar do Senhor com a consciência pura e sincera, com o coração limpo e o corpo casto, para que mereçamos receber o Seu corpo e sangue não para a condenação, mas para a saúde da nossa alma; porque a nossa vida consiste no corpo de Cristo, como o próprio Senhor disse: ‘Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós’. Portanto, quem quiser receber a Vida deverá mudar de vida” (Sermão 187,1).

A comparação entre a Palavra de Deus e o corpo de Cristo que já tínhamos visto em Santo Inácio de Antioquia, Orígenes, Jerônimo, Agostinho e outros, encontramos também neste texto de São Cesário:

– “Vos pergunto, irmãos e irmãs: O que vos parece maior? A Palavra de Deus ou o corpo de Cristo? Dizei-me! Se quereis responder com a verdade, seguramente tereis que dizer que a Palavra de Deus não é menor que o corpo de Cristo. E, por isso, o mesmo cuidado que temos de não deixar cair no chão nada do corpo de Cristo que nos é administrado, devemos ter também para com a Palavra de Deus que nos é partilhada: nada dela pode se perdida no nosso coração por estarmos pensando ou falando outras coisas” (Sermão 78,2)[53].

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EUSÉBIO GALICANO

É conservada uma coleção de homilias da época de Cesário de Arles sob o nome de “Eusébio Galicano”.

Resgatamos os seguintes textos de uma das suas homilias, que ecoam a fé de toda a Igreja primitiva:

– “Porque o sacerdote invisível (=Cristo), com sua palavra, com seu poder secreto, converteu as criaturas visíveis (=pão e vinho) na substância do Seu corpo e do Seu sangue, falando assim: ‘Tomai e comei: Isto é Meu corpo’; e repetindo a santificação: ‘Tomai e bebei: Isto é Meu sangue” (Homilia 17, Da Páscoa 6,2)[54].

– “Quando as criaturas (=pão e vinho) são colocadas sobre os sagrados altares para serem abençoadas com as palavras celestiais, antes de serem consagradas pela invocação do Nome Supremo, ali está a substância do pão e do vinho; porém, após as palavras de Cristo, são o corpo e o sangue de Cristo” (Homilia 17, Da Páscoa 6,8).

– “Quando subires ao venerável altar para seres saciado com o alimento, olha com fé para o sagrado corpo e sangue do teu Deus; admira-O com veneração; toca-O com a mente; toma-O com a mão do coração; e, sobretudo, bebe-O internamente” (Homilia 17, Da Páscoa 6,3).

– “E, assim, porque ia Se retirar da frente dos nossos olhos e levar para o céu o corpo que assumiu, foi necessário consagrar neste dia o sacramento do corpo e do sangue, para que Ele fosse continuamente venerado no mistério que de uma vez [por todas] ofereceu como preço; para que, da mesma forma que diária e incansavelmente ocorre a redenção para a salvação dos homens, também fosse perpétua a oblação da redenção, vivendo aquela Vítima perene na recordação e estando sempre presente na doação” (Homilia 17, Da Páscoa 6,1).

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VENÂNCIO FORTUNATO

Um dos poetas mais importantes da língua latina. Nasceu em Treviso por volta de 530. Excelente conhecedor das Escrituras e dos Padres da Igreja, bem como dos escritores clássicos. Bispo de Poitiers a partir de 597. Morreu em 690. São-lhe atribuídos os hinos “Pange Lingua” e “Vexilla Regis”.

– “Pois o pedir o pão de cada dia [na oração do Pai Nosso] parece insinuar que, caso seja possível, deveremos reverentemente tomar todos os dias a comunhão do Seu corpo; pois Ele, nossa Vida, é alimento nosso etc.” (Exposição sobre a Oração do Senhor 54-55).

NOTAS:

[53] Compare-se [essa citação] com este texto do Concílio Vaticano II: “A Igreja sempre venerou as Sagradas Escrituras da mesma forma que o próprio Corpo do Senhor, não deixando de tomar da mesa e de distribuir aos fiéis o pão da vida, tanto a palavra de Deus como o Corpo de Cristo, sobretudo na Sagrada Liturgia” (Dei Verbum 21). Isto é, “o pão da vida” é Jesus, a Palavra de Deus, e também é o Corpo de Cristo na celebração eucarística.

[54] É de se notar a expressão “converteu [o pão e o vinho] na substância do Seu corpo e do Seu sangue”. Transubstanciação no século VI? Sejam quais fores os termos técnicos adotados pela Igreja no decorrer dos tempo, a realidade da transubstanciação é tão antiga quanto a Fé Apostólica. Observe-se, no mesmo sentido, a citação seguinte.


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