50 Coisas que Afastaram Lutero da Ortodoxia Católica

lutero

Por Dave Armstrong Tradução: Carlos Martins Nabeto Fonte: http://socrates58.blogspot.com Chris Jones me encaminhou esta pergunta: “Por que o dr. Lutero foi excomungado? De que modo ele era heterodoxo?”. Sumarizo abaixo como ele era visto como heterodoxo em 1520, segundo os padrões católicos virtualmente aceitos ou inquestionáveis. Observo que o objetivo aqui não é discutir se tais ensinamentos católicos são certos ou errados, mas apenas se conforme esses ensinamentos Lutero seria tido por “heterodoxo” ou “herege” (isto é, se a Igreja tinha pelo menos uma autoconsistência ao decidir por excomungá-lo ou se agiu arbitrariamente contra a verdade ou contra as afirmações de Lutero, tidas – neste último caso falsamente – como heresia). Pois bem. É absolutamente notório que Lutero era herege e que a Igreja não tinha a obrigação de debater com ele na Dieta de Worms em 1521. E sendo óbvio que ele pregava heresias, era igualmente óbvio que a Igreja deveria exigir a sua retratação, para que renunciasse e cessasse de agir assim. Ele se recusou a fazê-lo, pois achava que sabia mais que a própria Igreja (como de fato afirmou diversas vezes). Certamente, nenhum protestante agiria diferentemente, quer naquele tempo quer agora, tendo em vista as dezenas de rejeições que estabeleceu frente aos seus dogmas particulares. Listo aqui as crenças de Lutero contrárias à Igreja (sem examinar pontos mais detalhados de soteriologia): 1. Separação entre justificação e santificação. 2. Noção imputada, extrínsica e forense de justificação. 3. Fé fiduciária. 4. Julgamento particular contrário à infalibilidade da Igreja. 5. Rejeição de sete livros da Bíblia. 6. Negação do pecado venial. 7. Negação do mérito. 8. Afirmação de que o réprobo deveria ficar feliz por ter sido condenado e aceitar a vontade de Deus. 9. Afirmação de que Jesus ofereceu-se à condenação e possivelmente ao fogo do inferno. 10. Afirmação de nenhuma boa obra pode ser feita, exceto por um homem justificado. 11. Todos os homens batizados são sacerdotes (=negação do sacramento da ordenação). 12. Todos os homens batizados podem conceder a absolvição. 13. Os bispos não possuem realmente esse múnus; Deus não os instituiu. 14. Os papas não possuem esse múnus; Deus não os instituiu. 15. Os sacerdotes não têm qualquer caráter especial ou indelével. 16. As autoridades temporais gozam de poder sobre a Igreja, até mesmo sobre bispos e papas; a afirmação contrária é mera invenção presunçosa. 17. Os votos de celibato são um erro e deveriam ser abolidos. 18. Negação da infalibilidade do papa. 19. Crença de que sacerdotes e papas injustos perdem a sua autoridade (contrário ao ensino de Santo Agostinho em disputa com os Donatistas). 20. As chaves do Reino não foram conferidas apenas a Pedro. 21. Cada pessoa pode julgar particularmente para determinar os artigos de fé. 22. Negação de que o papa tem o direito de convocar ou confirmar um Concílio. 23. Negação de que a Igreja tem o direito de exigir o celibato de certas vocações. 24. Não existe a vocação de monge; Deus não o instituiu. 25. Os dias festivos deveriam ser abolidos e todas as celebrações da Igreja deveriam se restringir aos domingos. 26. Os jejuns deveriam ser estritamente opcionais. 27. A canonização de santos é rigorosamente corrupta e não deve continuar. 28. A Confirmação não é um sacramento. 29. As indulgências deveriam ser abolidas. 30. As dispensas deveriam ser abolidas. 31. A Filosofia (Aristóteles principalmente) é repugnante, com influência negativa sobre o Cristianismo. 32. A transubstanciação é “uma idéia monstruosa”. 33. A Igreja não pode instituir sacramentos. 34. Negação da “maldita” crença de que a missa é uma boa obra. 35. Negação da “maldita” crença de que a missa é verdadeiro sacrifício. 36. Negação da noção sacramental de “ex opere operato”. 27. Negação de que a Penitência é um sacramento. 38. Afirmação de que a Igreja Católica “aboliu completamente” até mesmo a prática da penitência. 39. Afirmação de que a Igreja aboliu a fé como um aspecto da penitência. 40. Negação da sucessão apostólica. 41. Qualquer leigo poderia convocar um Concílio Geral (Ecumênico). 42. As obras penitenciais são inúteis. 43. Nada daquilo que os católicos crêem ser os sete sacramentos tem prova bíblica. 44. O Matrimônio não é um sacramento. 45. Nulidades [matrimoniais] são um conceito sem sentido e a Igreja não tem o direito de determinar ou afirmar nulidades. 46. Há uma questão em aberto: se o divórcio é permitido ou não. 47. Pessoas divorciadas podem voltar a se casar. 48. Jesus permitiu o divórcio quando um dos cônjuges cometeu adultério. 49. O ofício diário do sacerdote é “vã repetição”. 50. A extrema-unção não é um sacramento (logo, só existem dois sacramentos: o Batismo e a Eucaristia). Como se vê por esse 50 pontos, Lutero era herege, heterodoxo, cismático ou acreditava em coisas que eram claramente contrárias aos ensinamentos ou práticas da Igreja Católica, até e inclusive em pontos verdadeiramente radicais (às vezes era também socialmente radical). Não estaria então justificada sua excomunhão dos meios católicos? Ou deveria a Igreja dizer: “É verdade, Lutero, você sabe; você está certo nesses 50 pontos. Você sabe mais que a Igreja inteira, que toda a história da Igreja e que toda a sabedoria dos santos do passado que acreditavam nessas coisas. Portanto, vamos aderir à sua sabedoria celestial e alterar todas estas 50 crenças ou práticas, para que possamos caminhar na direção correta. Muito obrigado! Seremos sempre gratos a você por nos ter informado sobre todos esses erros”. Isto não soa ridículo? A Igreja teria que mudar 50 aspectos em suas doutrinas porque uma pessoa PARTICULARMENTE ACHOU que recebeu algum tipo de oráculo de Deus ou falso profeta. Homem de Deus daquele tempo? Vamos então supor que seja auto-evidente que Lutero era um bom e obediente católico, que queria reformar a Igreja, sem destruí-la ou abandoná-la, para criar uma nova seita. Ele seria ingênuo ou bobo o suficiente para acreditar que ele mesmo, objetivamente falando, não estava então oferecendo um programa radical, uma verdadeira revolução? Isso é claro e patente para qualquer um, mesmo antes de 1520. O que ele oferecia não era uma reforma… e a denominada “Reforma Protestante” não é o que diz ser, quando considerada como um todo. É uma Revolta ou uma Revolução. Já demonstrei o porquê disso em outros artigos. Nenhuma pessoa em sã consciência que tenha lido qualquer um dos três tratados radicais de 1520 de Lutero duvidaria que ele já não era um católico ortodoxo. Ele não se tornou relutante apenas porque foi expulso da Igreja por homens que não queriam ouvir a razão e a Escritura manifesta (como o mito e propaganda perpétua protestante costuma argumentar), mas porque ele escolheu aceitar as doutrinas heréticas que ele mesmo criou, fugindo ao padrão da ortodoxia católica, e tornando-se um radical, tentando ainda espalhar os seus erros (de forma passional e franca) pelo mundo afora mediante panfletos difamatórios, zombeteiros e propagandísticos e até mesmo empregando gravuras indecorosas quando necessário. Vemos, assim, que a Igreja foi totalmente sensível, razoável, dentro de seus direitos, lógica, autoconsistente e não hipócrita ou arbitrária ao simplesmente exigir de Lutero sua retratação na Dieta de Worms em 1521 e ao recusar-se em debater com ele (até porque já tinha feito isso outras vezes, anteriormente), porque se assim o fizesse estaria aceitando a ridícula presunção de Lutero de que estava em uma posição de disputa e debate unilateral face a doutrina e sabedoria teológica acumuladas pela Igreja ao longo de seus 1500 anos.




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  1. Peres

    Em meu ponto de vista o autor da matéria tomou um rumo, que no meu ponto de vista, é contrário ao que se pretende.
    O autor atacou a pessoa Lutero, não o seu ponto de vista.
    Não defendo suas idéias, mas ele atacava idéias e comportamentos da Igreja, na qual não concordava. Não as pessoas.
    O autor poderia ter assumido esta postura ao apresentar seus pontos de vista contrários a Lutero. Rebatendo cada uma das questões com os fundamentos da Igreja.

  2. Ao contrário do último comentário, acredito eu que o autor do artigo trata exatamente do que é proposto desde o início, ou seja, Lutero (e o seu pensamento) estavam distantes da Ortodoxia Católica? Creio que sim e todos os pontos listados mostram que ele, com toda a razão, seria considerado “heterodoxo” ou “herege”.

  3. Thiago da Silva Rodr

    É importante salientar, tambem o aspecto político, o qual cenário favoraceu a propagação da seita luterana, (não é radicalismo da minha parte, mas Igreja de Cristo só existe uma e nós católicos sabemos qual é.) Esse "novo parecer" de cristianismo era interessante para os governates daquele tempo.

  4. roberto

    acho que Lutero teve suas razões em relação as idugencias,nessa parte até eu o apoiaria,mais criar uma nova religão com fundamentos de sua cabeça ,isso é coisa de doido!veja o que deu ,hoje temos milhares de igrejinhas dizendo-se ser donas da palavra de Cristo,cada uma pregando do seu jeito , criando sua propria doutrina, uma confusão total.
    Só mesmo uma pessoa irracional pra deixar de seguir uma igreja com vinculos desde Cristo e os apostolos,pra seguir um fanatico mais de 1520 anos depois de Cristo, tem gente ai que segue igreja que não tem nem dez anos, é muita ignorancia,mais isso ja estava previsto na biblia, que viriam falsos profetas que fariam sinais e prodigios que engana qualquer pessoa inocente, que não conhece a palavra.Por isso temos que nos vigiar.Amem

    Marcos 13:22 Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão sinais e prodígios para enganar, se possível, até os escolhidos.

  5. Jose Francisco

    é a primeira vez que vejo este site, gostei,vou passar adiante.
    grato
    Jose Carapicuia -SP

  6. Andre Fay

    Sou muito sincero em falar que atualmente estou meio que titubiando na fe catolica em face das propostas de outras igrejas evangelicas…. Mas quando tomei conhecinento desta materia, ja começa a mudar o panorama; pois se fico a pensar que as atuais denominações existentes na atualidade, tem em sua essência em Lutero; é como que se desobrisse que se estava com o mapa errado para se chegar a eternidade.

  7. Sergio Costa

    Querem saber o por que do "cara de pau" Lutero (sim já existiam esses caras antigamente), ter tomado todas essas atitudes ?
    Façam um estudo bem profundo da História (Ciência), da época. Repito da História e não da História religiosa. Verão de maneira bem clara todos os porques do início da sua revolução, que sob a capa de religiosa não passou de uma aí sim revolução econômica, com todos seus ingredientes peculiares. Quem eram as nações dominantes na época ? Portugal e Espanha, correto ? Não eram essencialmente católicas? Onde estavam Alemanha, Inglaterra, Holanda, França etc. Só ao responderem isto, verão os porquês.

  8. Acho que na atualidade, onde as informações estão disponíveis a todos, não podem haver motivos que levem católicos a abandonar a Igreja. A fé não está ligada a conhecimentos, (heresia) contudo, são necessários, então o que fazer? A igreja disponibiliza diversos cursos em suas paróquias, vemos as salas cheias? Não! É mais fácil criticar, ou mudar de religião, embarcando numa aventura, colocando a própria salvação em risco. Agora sim! vamos estudar, pois o pastor exige. Agora não questionamos o dízimo, ele é vale a salvação. Gente! a nossa Igreja não teria mais de dois mil anos se não fosse a obediência ensinada por Cristo. O assunto é muito vasto. Abraços.

  9. Eduardo Machado

    Boa noite, Sou Católico, Apostólico, Romano, Praticante e faço faculdade de TEOLOGIA na PUCRS, estudei sobre Lutero e sua vida e ideias. Não defendo a decisão final de Lutero já que ele desobedeceu a doutrina que lhe ensinou o que sabia, mas temos que ver como as coisas ocorriam e como as cabeças pensavam na época para não cometermos anacronismo. Ele tinha sim boas intenções e ideias e acredito que ele não quise-se criar outra igreja e que muitas coisas atribuidas a ele sairam das mãos ou bocas exageradas de seus seguidores. Acredito tbm que o autor foi meio agressivo e irônico ao retratar esses pensamentos errados e consideramos com toda a certeza com heresias, mas devemos ter calma e demonstrar compaixão pelos erros equivocados e cometidos pela ignorância dos homens. Se houvessemos sim houvido Lutero, estudado suas ideias e lhe explicado o erro cometido pelo própripo talvez não teriamos tantos irmãos separados hoje. Fiquem com Deus.

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