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MDV denuncia: governo brasileiro se prepara para implantar o aborto no Brasil através do Ministério da Saúde

RIO DE JANEIRO, 03 Jul. 12 / 12:39 pm (ACI).- Em um recente envio do seu boletim eletrônico, o Movimento em Defesa da Vida no Brasil (MDV), denunciou que o governo brasileiro apesar das promessas realizadas no período eleitoral de 2010, prepara-se para desencadear uma nova investida para implantar o aborto no país. Desta vez a estratégia é aprovar uma norma técnica para os profissionais da área da saúde orientando as mulheres a praticarem o aborto sem serem punidas pelo delito.

Ampla documentação, encontrada no Diário Oficial da União e outros jornais, mostra que o governo Dilma, através do Ministério da Saúde, em convênio com a Fundação Oswaldo Cruz, está dando continuidade a novas iniciativas para implantar o aborto no Brasil iniciadas já no governo Lula, denunciou o MDV.

Os jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e Correio Braziliense noticiaram recentemente que o governo Rousseff, quebrando todas as promessas que havia feito durante as eleições de 2010, estaria prestes a implantar, através do Ministério da Saúde e dentro do prazo de um mês, o aborto no Brasil:

A Folha de S. Paulo afirmou que, segundo o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, o governo utilizará o Ministério da Saúde para preparar uma Norma Técnica pela qual “o sistema de saúde brasileiro passará a acolher as mulheres que desejam fazer aborto e orientá-las sobre como usar corretamente os métodos existentes para abortar. Centros de aconselhamento indicarão quais são, em cada caso, os métodos abortivos mais seguros do que outros”.

Depois de orientada sobre como praticar o aborto, uma vez consumado o delito, a mulher passaria por uma nova consulta para evitar maiores consequencias pós aborto.

Trata-se uma estratégia inteiramente nova para os padrões brasileiros, que começou a ser elaborada internacionalmente, nos anos 90, pelo IPAS, e aperfeiçoada, nesta primeira década do século XXI, pelas organizações Rockefeller, denunciam os membros do MDV. Uma semelhante estratégia foi usada no Uruguai denunciam também os pró-vidas brasileiros.

“A história completa do que está por trás das novas iniciativas do governo é repleta de irregularidades. É necessário conhecer todo este histórico para entender a extensão do que está acontecendo e
poder atuar eficazmente contra a nova estratégia da Cultura da Morte”, destaca o boletim.

Vale lembrar que a presidente Dilma Rousseff, no dia 16 de outubro de 2010, durante as eleições presidenciais, assinou uma carta de compromisso na qual afirmava:

“Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto. Eleita presidente da república, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país. […] Com estes esclarecimentos, espero contar com você para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada”.

Nesta quinta feira, dia 29 de junho, uma comissão de 27 deputados da Câmara Federal protocolou dois requerimentos oficiais que exigem, do Ministério da Saúde, sob pena de crime de responsabilidade, explicações oficiais sobre os programas do atual governo destinados a implantar o aborto no Brasil.

Coincidentemente, no mesmo dia, o sacerdote da diocese de Cuiabá e defensor da vida no Brasil, Pe. Paulo Ricardo de Azevedo divulgou um vídeo denunciando claramente as atividades e irregularidades do governo que pode ser visto em:

Por sua parte o bispo de Frederico Westphalen, Dom Antonio Keller, também fez uma denúncia em um recente artigo sobre as novas tentativas do governo brasileiro de implantar o aborto legalizado no país.

“Apesar de todas as negativas e desculpas, o que se vê, concretamente, é um encaminhamento por baixo dos panos de medidas que visam pura e simplesmente, a prática livre do aborto, já que o grupo que está elaborando, junto com o Ministério da Saúde a nova Norma Técnica que pretende criar em todo o país centros de orientação sobre o aborto, liberalizar a venda de drogas abortivas na rede nacional de farmácias e difundir uma cartilha que ensine as mulheres como e onde praticarem o aborto é exatamente o mesmo Grupo de Estudos sobre o Aborto, coordenado pelo mesmo médico Thomas Gollop, cujo convênio com o Ministério da Saúde estava sendo contratado pelo governo enquanto a atual presidente, na época candidata garantia que jamais promoveria o aborto no Brasil”, asseverou Dom Keller.

“Ou seja, hoje, em nossa Pátria está acontecendo na prática um verdadeiro ataque que visa obter à revelia da atual legislação e da imensa maioria do povo brasileiro, a pura e simples liberalização do aborto”, denunciou o prelado.

O bispo, não só realizou a denúncia como também deixou indicações práticas importantes aos fiéis visando deter as iniciativas que condenariam à morte crianças nos ventres de suas mães. Para isto Dom Keller recomenda:

“Telefonar, enviar fax e mensagens ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência, mostrando com clareza, ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência que o povo brasileiro compreende exatamente o que nosso governo está fazendo e não está de acordo com a implantação do aborto no país.

Finalmente o prelado afirma que os brasileiros podem pedir “a demissão imediata da ministra Eleonora Menicucci (conhecida defensora da causa do aborto no Brasil) da secretaria das mulheres, a demissão imediata do secretário de atenção à saúde do ministério da saúde, Helvécio Magalhães e o rompimento imediato dos convênios do ministério da saúde com o grupo de estudo e pesquisa sobre o aborto no Brasil”.

Os endereços dos órgãos em Brasília que devem ser contatados para os pedidos a favor da vida são:

Casa Civil (Ministra Gleisi Helena Hoffmann): casacivil@presidencia.gov.br
Ministério da Saúde (Ministro Alexandre Padilha): ministro@saude.gov.br
Secretaria de Atenção à Saúde (Secretário Helvécio Miranda Magalhães): helvecio.junior@saude.gov.br

Para ler na íntegra a nota de Dom Keller, visite: http://www.diocesefw.com.br/new/bispo/notaspastorais.php?id=13

80 por cento dos matrimônios com problemas que recorrem à Igreja superam suas dificuldades

MADRI, 03 Out. 11 / 01:54 pm (ACI/Europa Press)

Uma recente pesquisa indica que 80 por cento dos matrimônios que vão aos Centros de Orientação Familiar (COF) da Igreja Católica conseguem superar seus problemas, conforme assinala a perita em Psicoterapia Breve e orientadora familiar Marta Pedraz no número deste mês da revista Palavra, diante do aumento de 3,9 por cento em 2010 das rupturas matrimoniais na Espanha, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) da Espanha.

“A orientação familiar é uma disciplina terapêutica com técnicas e métodos específicos, que busca ajudar os casais e as famílias a superarem as dificuldades, a sanar as relações disfuncionais e a fortalecer os vínculos”, explica.

Além disso, Pedraz indica que as rupturas matrimoniais têm “conseqüências nefastas” pois, conforme assinala, citando os resultados de um estudo da Union des Familles da Europa, 88 por cento dos filhos adultos de pais separados ou divorciados diz que a separação de seus pais supôs um trauma para eles.

“Uma vez superado o sofrimento, alguns tinham aprendido a ser mais flexíveis ou amadurecidos, mas outros tinham perdido a esperança de alcançar a felicidade em casal. Outros, enfim, experimentaram depressão, anorexia ou falta de confiança em si mesmos”, acrescenta.

Por outra parte, destaca a pesquisa que um 56 dos pesquisados sentiu depressão, desmotivación e dificuldades de concentração nos estudos, e que 41 por cento experimentou falta de confiança, paralisia, ansiedade e instabilidade ao confrontar a vida profissional.

Ante esta situação, Pedraz assinala que os COF da Igreja ensinam aos casais a “ajudar-se a si mesmos na superação de suas dificuldades” tentando “contribuir a sanar e reforçar o vínculo conjugal” e “entrelaçar de novo as duas biografias”.

O princípio “Solo Christus” visto por um ex-protestante

keutamaan-Petrus

No tempo em que nos importa viver, no qual os ventos do ecumenismo tornam a soprar cada vez com mais firmeza, não é nada fácil tentar dizer três ou quatro verdades sobre os nossos “irmãos separados”. Eu, que durante nove anos de minha vida fui protestante, sei como é estar dos dois lados da cerca. É uma experiência inegavelmente peculiar. Apesar de encontrarmos do lado protestante uma grande maioria que julga que o catolicismo romano não é cristão, do lado católico não observamos com abundância aqueles que colocam em dúvida a natureza cristã do protestantismo. Sem querer valorizar demais, posto que não vale a pena, a opinião anti-católica deste grupo de protestantes, creio ser necessário comentarmos alguns pontos chave para que os católicos em geral, ou pelo menos aqueles que mantém um contato maior com protestantes, reconheçam que deveriam ser menos otimistas quanto à existência de um elemento cristão genuíno no cristianismo protestante.

Desde seu surgimento, na reforma, o protestantismo elaborou uma série de lemas que se tornaram verdadeiros dogmas de fé do cristianismo protestante. Analisaremos um desses lemas, e vejamos o que ocorre na prática.

Solo Christus

A princípio nada haveria de me opor a esta doutrina essencial da fé cristã pela qual reconhecemos que a figura e a pessoa de Jesus Cristo é, por si só, o centro de nossa vida e esperança. Indubitavelmente, sem Cristo não há cristianismo. Contudo, acontece que na Bíblia ocorre uma realidade muito clara: uma vez que Jesus Cristo se encarnou e fundou sua Igreja não podemos mais separar a realidade de Cristo com a realidade da Igreja. A Palavra de Deus é clara neste ponto: A Igreja é o Corpo de Cristo (Cl 1,18). Diz mais: A Igreja é a Sua Plenitude (Ef 1,23). Quem persegue a Igreja, persegue o Cristo (At 9,1-6) e, caso a relação não esteja suficientemente nítida, podemos perceber que a relação entre Cristo e a Igreja é um mistério ao qual São Paulo compara ao mistério da união entre o homem e a mulher (Ef 5,31-32).

Portanto, dizemos a verdade se ensinamos que não pode crer em “Solo Christus” aquele que aceita o Cristo, mas rejeita a Igreja, indissoluvelmente unida a Ele por toda a eternidade. Por isso o Símbolo Niceno-Constantinopolitano afirma em um de seus pontos: “Creio na Santa Igreja Católica e apostólica”. Ou seja, desde a antiguidade era demonstrado que a fé ou crença na Igreja era parte da fé cristã. E se o Cristo em pessoa afirmou, sobre o matrimônio, que “o que Deus uniu o homem não separe”, mais ainda devemos crer que a união de Cristo com a Igreja está selada eternamente por vontade divina.

Se isto está claro, cabe aqui uma pergunta: atacar a unidade da Igreja não é exatamente o mesmo que atacar o Cristo? É cristão, portanto, dividir o corpo de Cristo em milhares de fragmentos? Ou, pelo contrário, a divisão da unidade do corpo de Cristo não é a arma mais poderosa que satanás poderia se servir durante a história da Igreja?

Quando era protestante, eu via como secundário este assunto de unidade da Igreja e, acima de tudo, sacrificável ao “deus” da pureza doutrinária. Ou seja, a verdadeira doutrina expressa “somente na Bíblia” está um tesouro de muito mais valor que a unidade visível da Igreja de Cristo. Porém não era somente isso. Assim como a imensa maioria dos protestantes, eu tinha um conceito sobre a Igreja que não se acha em lugar nenhum da Bíblia, a não ser através de interpretações torcidas e contorcidas. É o que eu chamo de conceito “docetista” da Igreja, onde se tira a noção de que possa haver uma Igreja visível, organizada e hierarquizada, para se aceitar uma Igreja desorganizada, invisível, pseudo-etérea, sem unidade orgânica real.

Sem muita demora, vejamos o que diz a Bíblia sobre a Igreja:

1 – Cristo deixou muito claro que a unidade dos cristãos deveria ser semelhante à sua unidade com o Pai e que por essa unidade o mundo deveria crer.

2 – A Igreja teria uma hierarquia muito bem definida: apóstolos, entre eles Pedro, o primeiro, e logo os bispos e anciãos (presbíteros).

3 – A Igreja adotaria um sistema de análise chamado Conciliar, tal e como se vê em Atos 15, com o particular fato de que Pedro iniciou os debates sobre os temas em pauta naquele concílio. Além disso, as disposições do Concílio eram de aceitação obrigatória por toda a Igreja.

4 – Os apóstolos eram intolerantes com aqueles que causavam divisões. Encabeçados por Paulo, que teve que se depara com os “denominacionalismos” de Corinto (1Cor 1,10-13). Também ele deu a Tito uma ordem bem clara sobre o que ele deveria fazer com aqueles que causassem divisões. Deveria admoestá-los primeiro e depois expulsá-los da Igreja, porque haviam-se pervertido (Tt 3,10-11). Judas (Jd 19) coloca que os que causam divisão não possuem o Espírito. E, digamos alto e claro, o apóstolo João mostra em 1Jo 2,18-19 que os que saem da Igreja são anti-cristos, ainda que alguns queiram interpretar este versículo de uma forma mais suave.

Bem, alguém deve estar se perguntando: “E o que tem a ver isto tudo com o protestantismo e ‘Solo Christus‘?”. Respondo: Tem tudo a ver! E mais: o protestante que entende esta realidade, se é honesto e inteligente, necessariamente tem de deixar de ser protestante, a menos que queira pecar gravemente contra Deus.

É evidente que um sistema religioso que afirma aceitar inteiramente o Cristo e todo o seu ensinamento, mas que leva em sua essência o vírus mortal da divisão do corpo de Cristo, somente pode ser definida como anti-cristo. Anti-cristã. Não há justificativa alguma ao fato de que o protestantismo tem sido absolutamente incapaz de manter uma unidade eclesial interna minimamente respeitável. Quando os protestantes se insurgem em apontar, com seus tratados e comentários bíblicos, os erros doutrinários do catolicismo, não se dão conta que a simples existência de uma miríade de denominações protestantes independentes umas das outras é, nos seus olhos, uma trave de proporções apocalípticas.

Parece forte dizer isso, mas a verdade é que o protestantismo é a negação de Cristo desde o momento em que, na prática, nega a existência de uma só Igreja de Cristo, com uma só fé, com um só batismo e um só credo. E, negando a existência dessa Igreja, que é o corpo de Cristo, está se negando o próprio Cristo, ainda que inconscientemente. Ponto final!

Se o protestantismo tivesse a capacidade de ter se organizado em uma só denominação, poderíamos hoje contemplar a reforma de um prisma totalmente diferente. Porém, a reforma não foi o que pretendia ser, senão o maior levante de aniquilação da Igreja, com a desculpa de uma verdadeira mudança. Aproveitaram da fraqueza da Igreja da época para tentar destruí-la por completo, mas, graças a Deus, foi na fraqueza que a Igreja despertou com força para novos desafios, ainda que lhe custasse muito recuperar o que havia perdido com a corrupção interna e os desajustes doutrinais e externos.

Para finalizar, ainda me caberia verificar muitas das ramificações desse desastre que é o protestantismo para a cristandade, mas me contentarei em assinalar pelo menos algumas poucas incoerências da agressiva dinâmica dialética que os protestantes usam contra a Igreja Católica:

1 – Os protestantes rejeitam a Igreja Católica por não se basear somente na Bíblia. A verdade é que eles, que dizem basear-se somente na Bíblia, não conseguem chegar a um acordo sobre doutrinas como a Eucaristia, sacramentos, organização eclesial, doutrinas da graça e salvação (calvinismo e arminianismo), etc., etc., etc.

2 – Os protestantes atacam a Igreja Católica por valorizar o papel da Tradição, mas eles mesmos são escravos de suas próprias tradições interpretativas da Palavra de Deus. E, ainda por cima, aceitam grande parte da linguagem e do conteúdo doutrinal que a eles chegou através da…Tradição da Igreja (Trindade, Cânon da Bíblia, Filioque, Pecado Original, Domingo como dia do Senhor).

3 – Os protestantes usam a Bíblia como uma arma contra determinadas doutrinas e práticas católicas, porém nada dizem sobre o que essa mesma Bíblia fala sobre divisões na Igreja, tão presente nas suas igrejas.

4 – Os protestantes atacam a Igreja Católica acusando-na de possuir um sistema de governo ditatorial, porém resulta que boa parte das igrejas protestantes exercem uma tirania a nível denominacional que faria você rir da severidade disciplinar do cardeal Ratzinger.

Por fim, para não estender-me demais, terminarei com uma reflexão. Creio que tanto aqueles que nasceram numa família protestantes como aqueles que saíram da Igreja Católica para o protestantismo deveriam voltar com urgência para a Igreja de Cristo. É incompatível ser de Cristo e pertencer a um sistema religioso que está dividindo continuamente o corpo de Cristo, que nega o princípio da eficácia regeneradora que o Espírito Santo possui na sua condução da Igreja. Muitos protestantes nunca tinham sido defrontados com esta realidade que estou escrevendo. Outros tomaram conhecimento, mas resolveram continuar seguindo suas vidas separados da Igreja, e, portanto, apesar de se revoltarem ao ler isto, separados de Cristo.

É nossa missão evangelizá-los e/ou resistir às suas tentativas de levar católicos da Igreja de Cristo. Sem dúvida, muitos católicos precisam de um contato maior com Cristo, porém este encontro não se dá fora do Corpo de Cristo, nas igrejas protestantes, mas um encontro na Igreja do Cristo verdadeiro.

Traduzido para o Veritatis Splendor por Rondinelly Ribeiro Rosa.

Fonte: Veritatis Splendor

Fé e razão não se excluem e juntas permitem chegar a Deus, recorda o Papa Bento XVI

VATICANO, 16 Jun. 10 / 12:34 pm (ACI).- Em sua habitual catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Bento XVI continuou a reflexão sobre Santo Tomás de Aquino, conhecido como o “Doutor Angélico” a quem se referiu como um exemplo da necessária relação e complementaridade entre fé e razão, entre a filosofia e a teologia que permitem chegar à verdade e assim a Deus.

Depois de recordar que este Santo é Padroeiro das universidades católicas, o Santo Padre assinalou que Tomás de Aquino se concentra na distinção entre filosofia e teologia, porque em sua época, à luz por uma parte da filosofia aristotélica e platônica e por outra da elaborada pelos Padres da Igreja, “a questão urgente era se o mundo da racionalidade, a filosofia pensada sem Cristo e o mundo da fé eram compatíveis ou se excluíam”.

“Tomás estava firmemente convencido de sua compatibilidade, mais ainda de que a filosofia elaborada sem conhecer Cristo esperava quase a luz de Jesus para ser completa. Esta foi a novidade de Tomás, que determina seu caminho de pensador: Mostrar a independência da filosofia e teologia e ao mesmo tempo sua relação”.

Para o Santo “a fé consolida, integra e ilumina o patrimônio de verdade que a razão humana adquire. A confiança que Santo Tomás concede a estes dois instrumentos de conhecimento –a fé e a razão– se remonta à convicção de que ambos provêm da única fonte de toda verdade, o Logos divino, que opera tanto no âmbito da criação como no da redenção”.

Uma vez estabelecido este princípio da razão e da fé, Santo Tomás precisa que estas se valem de processos cognitivos diversos: “A razão aceita uma verdade em virtude de sua evidência intrínseca, mediata ou imediata, a fé, por outra parte, aceita uma verdade sobre a base da Palavra de Deus revelada”.

“Esta distinção garante a autonomia seja das ciências humanas como das ciências teológicas. Entretanto, isto não equivale a uma separação, mas implica em realidade a cooperação recíproca. A fé, de fato, protege a razão de toda tentação de desconfiança em sua capacidade e a estimula a abrir-se a horizontes cada vez mais amplos”.

Por outra parte, “a razão com seus meios pode fazer algo importante para a fé, prestando-lhe um triplo serviço que Santo Tomás resume assim: ‘Demonstrar os fundamentos da fé, explicar mediante semelhanças as verdades da fé, rechaçar as objeções que se expõem contra a fé. Toda a história da teologia é, depois de tudo, o exercício deste esforço de inteligência, que demonstra a inteligibilidade da fé, sua articulação e harmonia interior, sua racionalidade e sua capacidade para promover o bem do homem’”.

“A exatidão dos raciocínios teológicos e seu significado cognitivo real se apóiam no valor da linguagem teológica, que é, segundo Santo Tomás, sobre tudo uma linguagem da analogia”. A analogia reconhece no mundo criado e em Deus perfeições comuns e Tomás fundamenta sua doutrina da analogia, “ademais dos argumentos filosóficos, com o fato de que com a Revelação Deus mesmo falou e por isso nos autorizou a falar Dele”.

O Papa ressaltou a importância desta doutrina, que “nos ajuda a superar algumas objeções do ateísmo contemporâneo, que nega que a linguagem religiosa tenha um sentido objetivo, e argumenta em contraposição que só tem um valor subjetivo ou emocional. À luz dos ensinamentos de Santo Tomás, a teologia afirma que embora a linguagem seja limitada,ela tem um significado religioso, como uma flecha que aponta à realidade que isto significa”.

Também sua teologia moral resulta de grande atualidade, quando afirma que “as virtudes humanas, teologais e morais estão arraigadas na natureza humana” e que “a graça divina acompanha, apóia e fomenta o compromisso ético, mas, de acordo com Santo Tomás, por si mesmos todos os homens, crentes e não crentes, estão chamados a reconhecer as exigências da natureza humana, que se expressam na lei natural e a inspirar-se nela na hora de formular leis positivas, quer dizer as emanadas pelas autoridades civis e políticas para regular a convivência humana”.

“Quando se negam a lei natural e as responsabilidades que suporta se abre tragicamente o caminho ao relativismo ético no âmbito individual e ao totalitarismo do Estado no âmbito político. A defesa dos direitos humanos universais e a afirmação do valor absoluto da dignidade humana se apóiam em um fundamento. Não é a lei natural esse fundamento, com os valores não negociáveis que indica?”.

Finalmente o Santo Padre assinalou que “Tomás oferece um conceito da razão humana amplo e confiante: amplo porque não se limita ao espaço da denominada razão empírico-científica, senão aberto a todo o ser e portanto às questões fundamentais e irrenunciáveis da vida humana; confiante porque a razão humana, sobre tudo se acolhe a inspiração da fé cristã, é promotora de uma civilização que reconhece a dignidade da pessoa, a inviolabilidade de seus direitos e a convicção de seus deveres”.

Em sua saudação em português, o Papa Bento disse:
“Saúdo cordialmente todos os peregrinos lusófonos, em particular os brasileiros da paróquia São Vicente Mártir de Porto Alegre e os irmãos da Misericórdia de Maringá, como também os professores e alunos portugueses do Centro Cultural Sénior de Braga, para todos implorando uma vontade que procure a Deus, uma sabedoria que O encontre, uma vida que Lhe agrade, uma perseverança que por Ele espere e a confiança de chegar a possuí-Lo. São os meus votos e também a minha Bênção!”

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