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Na Missa, imite o Papa Francisco, e não o bonecão do posto!

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Um bispo extrovertido, que faz piada, que critica os cristãos pessimistas, aqueles com “cara de vinagre”. Esse é o nosso Papa Francisco! Mas quando o vemos na missa… Quanta diferença! É um homem profundamente recolhido, de semblante sério e compenetrado. É como um cristão aos pés da Cruz.

Muito se fala do “legado da JMJ” e das grandes coisas que Francisco nos ensinou nos dias em que esteve junto aos jovens, no Rio de Janeiro. Porém, a postura do nosso maior líder espiritual durante a missa passou despercebida para muitos. Nesse sentido, especialmente durante a Missa de Envio, o Papa evangelizou mesmo nos momentos em que não disse uma só palavra!

Vejam as cenas do vídeo abaixo, a partir dos 5:00 min. Durante o “Glória”, enquanto a maioria dos padres e leigos dá uma de bonecão do posto, requebrando e sacudindo os braços no ar (alguns joselitos até pulam quando veem que estão aparecendo no telão!), o Sucessor de Pedro mantém a cabeça baixa e as mãos postas, em serena oração.

É… parece que o Papa não curte mesmo uma folia durante a missa (e nem tampouco o Monsenhor Guido Marini, que, a seu lado, olhava a assembleia com uma cara de “MAZOKEIÇO??!!”). Assim, Francisco vivencia aquilo que São João Paulo II já havia pontuado:

“O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram DE MODO SILENCIOSO MAS EXPRESSIVO o seu amor à Igreja.”

– Encíclica Ecclesia Eucharistia

O Papa Francisco sempre insiste em dizer que o cristão não pode ser melancólico, não pode ser uma “múmia”. O cristão, na verdade, é o mais feliz de todos, porque tem a amizade de Jesus, o Verbo Encarnado, Deus feito homem. Mas o povo católico precisa entender urgentemente que reverência e recolhimento durante a missa não demonstram chatice ou tristeza, mas sim humilde adoração!

Muita gente justifica o oba-oba na missa dizendo que Jesus não está mais na cruz, ressuscitou. Sim, é o próprio Deus Vivo que age na pessoa no sacerdote! Entretanto, a Paixão e a Ressurreição se fazem presentes da missa de modo diverso: a Paixão é misticamente atualizada, ou seja, se apresenta de modo real e substancial diante de nós; já a Ressurreição é somente recordada e celebrada (para saber mais, acesse aqui um artigo do site Veritatis Splendor).

513763em9eoo2i7z Ok… Agora pense que você pudesse ter a imensa graça, neste instante, de voltar no tempo e ser testemunha ocular da ocasião em que Jesus saiu do túmulo. E então… Será que saltaria e sacudiria os braços no ar, diante do Ressuscitado? Ou sua alegria e devoção seriam tamanhas que te mergulhariam em uma silenciosa contemplação?

Quando os cristãos micareteiros de missa entenderão que a alegria cristã é muito mais saborosa e profunda do que a alegria agitada do mundo? Sobre isso, nos esclarece mais uma vez o Papa Francisco:

“Os cristãos são homens e mulheres alegres, como nos ensinam Jesus e a Igreja. Mas o que é esta felicidade? É alegria? Não, não é o mesmo. A felicidade é um pouco mais, é uma coisa que não provém de razões momentâneas: é mais profunda, é um dom. A alegria, no fim se transforma em superficialidade e nos faz sentir um pouco ingênuos, tolos, sem a sabedoria cristã… A felicidade não. É um dom do Senhor, é como uma unção do Espírito; é a certeza de que Jesus está conosco e com o Pai”.

Homilia da Casa de Santa Marta. 10/05/2013

Vamos imitar o Papa Francisco! Quando estivermos na missa, ainda que mil requebrem à nossa direita e quinhentos sacolejem os braços à nossa esquerda, permaneçamos sóbrios e humildes aos pés da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: O Catequista

Diante do túmulo de Santo Agostinho, Papa relança sua mensagem central: «Deus é amor»

Este é o núcleo de seu pontificado, explica

PAVIA, domingo, 22 de abril de 2007 (ZENIT.org).- Ao visitar o túmulo de Santo Agostinho, na tarde deste domingo, Bento XVI relançou a mensagem central de seu pontificado: «Deus é amor».

«A humanidade contemporânea tem necessidade desta mensagem essencial, encarnada em Cristo Jesus», assegurou, ao concluir sua visita pastoral à cidade de Pavia.

«Tudo deve começar daqui e aqui tudo deve conduzir: toda ação pastoral, todo tratado teológico», afirmou na homilia que pronunciou na Basílica de São Pedro no Céu de Ouro por ocasião da celebração das vésperas com sacerdotes, religiosos e religiosas (muitos deles agostinianos) e seminaristas da diocese do norte da Itália.

Começou explicando que quis «vir para venerar os restos mortais de Santo Agostinho, para expressar tanto a homenagem de toda a Igreja a um de seus “padres” maiores, como minha pessoal devoção e reconhecimento por quem teve tanta importância em minha vida de teólogo e de pastor, mas diria ainda antes de homem e de sacerdote».

Os escritos de Santo Agostinho, bispo de Hipona, que viveu de 354 a 430, doutor da Igreja, marcaram a vida de Joseph Ratzinger, que em 1953 escreveu sua tese doutoral sobre este filósofo e teólogo.

«Ante o túmulo de Santo Agostinho, quero voltar a entregar espiritualmente à Igreja e ao mundo minha primeira encíclica, que contém precisamente esta mensagem central do Evangelho: “Deus caritas est”, Deus é amor».

Esta é «a mensagem que Santo Agostinho segue repetindo a toda a Igreja», assegurou: «o amor é a alma da vida da Igreja e de sua ação pastoral».

«Só quem vive a experiência pessoal do amor do Senhor é capaz de exercer a tarefa de guiar e de acompanhar os demais pelo caminho do seguimento de Cristo».

«Repito-vos esta verdade como bispo de Roma, enquanto, como uma alegria sempre renovada, acolho-a junto a vós como cristão», confessou.

«Servir a Cristo é antes de tudo uma questão de amor», sublinhou. «A Igreja não é uma mera organização de encontros coletivos nem, pelo contrário, a soma de indivíduos que vivem uma religiosidade privada».

«A Igreja é uma comunidade de pessoas que crêem no Deus de Jesus Cristo e se comprometem a viver no mundo o mandamento da caridade que Ele lhes deixou».

«É, portanto, uma comunidade na qual se educa no amor, e esta educação não acontece apesar senão através dos acontecimentos da vida».

O Papa concluiu lançando um chamado a viver a vida cristã, que «tem na caridade o vínculo de perfeição e que deve traduzir-se em um estilo de vida moral inspirado no Evangelho, inevitavelmente contra a corrente dos critérios do mundo, mas que sempre há que testemunhar com um estilo humilde, respeitoso e cordial».

Apo sua peregrinação aos restos mortais de Santo Agostinho, e após despedir-se da comunidade dos religiosos agostinianos, o Papa tomou um helicóptero que o levou ao aeroporto de Milão-Linate, desde onde regressou a Roma.

A terceira visita pastoral de Bento XVI à Itália teve como metas as cidades de Vigevano (onde celebrou a missa na tarde do sábado) e Pavia (onde manteve um intenso programa de encontros públicos este domingo).

Missa ante túmulo de João Paulo II pela reconciliação da Igreja na Polônia

Presidida pelo cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de março de 2007 (ZENIT.org).- O cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, celebrou nesta quinta-feira uma missa solene ante o túmulo de João Paulo II, como sinal de reconciliação para a Igreja e a nação polonesa.

Junto ao purpurado, antigo secretário do Papa Karol Wojtyla, concelebraram cinqüenta sacerdotes, segundo informou a «Rádio Vaticano».

Durante a missa, rezou-se pela beatificação do Servo de Deus João Paulo II e para que se difundam os sentimentos de perdão e reconciliação no povo polonês.

«Trago os sofrimentos não só da Igreja da Cracóvia, mas de toda Igreja polonesa», afirmou o cardeal Dziwisz, em referência às tensões surgidas por causa de revelações, verdadeiras ou supostas, de colaboração de sacerdotes com o regime comunista.

Por intercessão de João Paulo II, ele implorou a Deus «o espírito de perdão e de reconciliação», «espírito de clareza ante as dificuldades, para que ninguém sofra acusações injustas ou seja acusado falsamente de ter traído Cristo e a Igreja».

O arcebispo de Cracóvia implorou por último «sabedoria» para quem, durante o comunismo, «sofreu injustiças, para que não se deixem levar pelas emoções, mas que contemplem Cristo, que perdoa desde a Cruz».

Em particular, recordou o exemplo do Papa Wojtyla, que foi até a prisão para perdoar o terrorista que tentou acabar com a sua vida, «apesar de que seu perdão nem sequer havia sido pedido».

Falsidade do suposto túmulo de Jesus, segundo arcebispo Bruno Forte

Declaração do membro da Comissão Teológica Internacional

ROMA, quinta-feira, 1º de março de 2007 (ZENIT.org).- O anúncio da descoberta do suposto túmulo de Jesus não só é rejeitado pela arqueologia, mas também pela história, considera um dos teólogos católicos de maior prestígio atualmente em vida.

Dom Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto, membro da Comissão Teológica Internacional, analisou com Zenit as supostas revelações que promete o documentário «O túmulo perdido de Jesus», realizado pelos premiados cineastas James Cameron e Simcha Jacobovici.

Para o presidente da Comissão da Doutrina da Fé da Conferência Episcopal Italiana, «o dado, de fato, é que se fala de túmulos antigos, alguns do século I, descobertos na região de Talpiot, a inícios dos anos oitenta, nos quais estão gravados alguns nomes como os de Jesus, Maria, José, Mateus… Este é o dado de fato».

«Mas túmulos como esses existem em grande número no território da Terra Santa. Portanto, não há nada novo nesta revelação», constata o prelado, membro de vários dicastérios da Santa Sé.

«Por que, então, tanto barulho?», pergunta-se, e responde: «Porque Hollywood quis lançá-lo. Dado o êxito de operações como ‘O Código da Vinci’, tentou-se provocar outro êxito análogo, tratando da autêntica questão que entra em jogo, ou seja, se Jesus verdadeiramente ressuscitou».

«De fato, a tese lançada é que, se Jesus foi sepultado lá com sua família, então a ressurreição não seria mais que uma invenção de seus discípulos», reconhece.

«Pois bem, deixando de lado a inconsistência da prova arqueológica, que foi totalmente rejeitada por arqueólogos israelenses, o dado de fato da ressurreição de Jesus é documentado rigorosamente no Novo Testamento pelas cinco narrações das aparições: quatro dos Evangelhos e a de São Paulo.»

«Sabemos que estas narrações foram interpretadas também em um sentido reducionista pela crítica liberal do século XIX. Inclusive Renan chegou a dizer que a ressurreição se explicava como a paixão de uma alucinada, de uma exaltada, que havia ressuscitado um Deus no mundo, potência divina do amor.»

«Agora, todos os estudos críticos nestes dois séculos demonstraram que na verdade profunda das narrações das aparições se dá uma historicidade incontestável», acrescenta.

Segundo Forte, «há um vazio entre a Sexta-Feira Santa, quando os discípulos abandonaram Jesus, e o Domingo de Páscoa, quando se converteram em testemunhas d’Ele, ressuscitado, com um impulso e uma valentia tais que levaram esse anúncio a todos os confins da terra, até dar a vida por ele».

«O que aconteceu?» pergunta o arcebispo. «O historiador profano não explica. Os Evangelhos nos dão a entender. Deu-se um encontro que mudou sua vida».

«E este encontro, narrado nas passagens das aparições, caracteriza-se por um dado fundamental: a iniciativa não é dos discípulos, mas dele, que está vivo, como diz o livro dos Atos dos Apóstolos (1, 3).»

«Isso significa que não é algo que acontece nos discípulos. A partir deste fato, ao longo da história, Cristo foi anunciado com um impulso que envolveu gênios do pensamento, não visionários, desde Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino, até Teresa de Calcutá, por exemplo».

O prelado, por último, pergunta: «Por que os meios de comunicação têm tanto interesse em ter Jesus como seu alvo?».

«Evidentemente, porque Jesus, no profundo da cultura do Ocidente e não só do Ocidente, constitui um ponto de referência tão decisivo e importante que tudo o que o afeta nos afeta.»

Nota sobre o sarcófago de São Paulo, do arqueólogo Giorgio Filippi

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 11 de dezembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a nota do arqueólogo Giorgio Filippi sobre o sarcófago de São Paulo que a Sala de Imprensa da Santa Sé publicou nesta segunda-feira.

* * *

A basílica surge no sepulcro do apóstolo, na Via Ostiense, onde a finais do século II o presbítero romano Gayo indicava a existência do «tropaion», erigido para testemunhar o martírio de Paulo. No lugar se sucederam, ao longo do século IV, dois edifícios, o «constantiniano» e o dos «Três Imperadores», ligados à peregrinação devocional ao túmulo do apóstolo e utilizados como cemitérios e com objetivos litúrgicos.

A única documentação que faz referência à situação arqueológica do monumento se encontra em uns poucos desenhos e esboços com medidas, cuja interpretação é enigmática, realizados pelos arquitetos Virginio Vespiagnani (1808-1882) e Paolo Belloni (1815-1889), após o incêndio de 1823, durante as escavações realizadas por ocasião da nova Confissão (1838) e da colocação das bases do baldaquino de Pio X (1850).

Os vestígios arqueológicos que se encontraram então deixaram de ser visíveis depois, pois em parte foram destruídos e em parte apresentados pela atual Confissão.

O fato de que a Basílica de São Paulo surgisse sobre o túmulo do apóstolo é um dado indiscutível na tradição histórica, enquanto a identificação do sepulcro originário é uma questão que ficou aberta. A Crônica do Mosteiro fala de um grande sarcófago de mármore, encontrado durante as obras de reconstrução da basílica, depois do incêndio de 1823, na área da Confissão, sob as duas lápides nas quais está escrito «PAVLO APOSTOLO MART[YRI]», do qual contudo não fica marca na documentação de escavações, como nos outros sarcófagos descobertos naquela ocasião, entre os que se encontra o famoso «dogmático», que hoje é conservado nos Museus Vaticanos.

As investigações arqueológicas na zona, considerada tradicionalmente como o lugar de sepultura do apóstolo, começadas no ano 2002 e acabadas em 22 de setembro de 2006, trouxeram à luz diferentes estratos, formados pela abside da basílica constantiniana, englobada no transcepto do edifício dos Três Imperadores: no solo deste último, sob o altar papal, apareceu esse grande sarcófago do qual se haviam perdido as marcas e que se considerava desde a época teodosiana como o Túmulo de São Paulo.

Estas investigações tinham por objetivo verificar a consistência e o estado de conservação dos vestígios da basílica constantiniana e teodosiana, que sobreviveram à reconstrução que aconteceu depois do incêndio e de valorizá-la por razões de devoção.

De 2 de maio a 17 de novembro deste ano, acabou-se, na zona de Confissão, o projeto para abrir acesso ao Túmulo de São Paulo. Depois de ter desmontado o Altar de São Timóteo, escavou-se na zona inferior para voltar a trazer à luz, em toda sua superfície de uns 5 metros quadrados, a abside da basílica constantiniana. Para chegar até os vestígios do século IV, se escavou dentro dos muros da moderna base para os fundamentos que se adapta perfeitamente às estruturas antigas, tanto em sua base como em sua altura, até chegar o ponto de diferença entre a parte antiga e a nova, que se pode constatar pelo calor diferente da argamassa, rosada do século XIX e cinza do século IV.

Dado que a altura do transcepto dos Três Imperadores, sobre o qual se encontra o sarcófago de são Pedro, é maior com relação ao nível da atual Confissão, é evidente que o nível foi demolido por ocasião das obras do século XIX. A plataforma se conserva detrás do altar de Timóteo, incorporado no muro moderno que delimita o lado leste da Confissão.

Durante as obras do século XIX, dado que parece que o cume da abside tinha algumas partes instáveis, foram removidas, produzindo o efeito de um degrau no «emplecton», de uns dez centímetros de altura, correspondente a duas fileiras de tijolos, que começa na borda interior da abside, seguindo sua linha curva. Na frente do degrau se vêem as marcas deixadas no cimento pelos ladrilhos removidos.

Para alcançar a altura do solo constantiniano se removeu a metade sul da zona da abside. Na escavação não se encontraram outros vestígios arqueológicos, com a exceção de restos de alvenaria.

Para aumentar a visibilidade do sarcófago de São Paulo se ampliou em 0,70 centímetro o espaço que atravessa o muro do século XIX durante as obras dos anos 2002-2003.

Foi possível tomar as medidas do sarcófago: caixa de uma longitude de 2,55 metros, de uma largura de 1,25 metro e de uma altura de 0,97 metro. A cobertura é de 0,30 metro de altura.

A parte da abside descoberta constitui o único testemunho visível da Basílica atribuída comumente a Constantino.

Segue aberto o problema topográfico da relação entre a basílica e o solo descoberto em 1850, no oeste da abside de Constantino. Belloni considerou que se tratava da antiga Via Ostiense, que havia sido desviada de sua colocação atual por ordem dos Três Imperadores, mas não mediu o nível do empedrado. Neste sentido, resulta de particular interesse o descobrimento, dentro da abside constantiniana, de alguns grandes blocos de basalto, reutilizados como material de construção nas bases da basílica dos Três Imperadores.

Pelo que se refere à planta da basílica constantiniana, dado que só contamos com as novas medidas realizadas na abside, é prematuro fazer novas hipóteses, confirmando as modestas dimensões do edifício.

O nível do estrato de barro, descoberto sobre o nível da abside constantiniana, concorda com o transcepto dos Três Imperadores (390 a.C.), sobre o qual se apóia o grande sarcófago que indicava o Túmulo do Apóstolo na época da construção da nova e grande basílica, e estava delimitado por um pódio presbiteral monumental, como parece que deixa supor a grande plataforma de suas bases, de uma espessura de 1,66 m, que se apóia diretamente sobre o solo da abside constantiniana. Não se pode excluir que no interior destas bases possam encontrar-se restos do «tropaion» erigido sobre o túmulo do apóstolo Paulo».

Pode-se considerar que entre 1838 e 1840, na zona da Confissão, removeu-se ou demoliu-se tudo o que se encontrava sobre o solo dos Três Imperadores. Para lançar as bases do novo presbitério e do altar papal, se trasladou inclusive o sarcófago de São Paulo. Por agora na área estudada, entre o nível do solo do ano 390 e o das bases de 1840, não se encontraram vestígios de outras épocas.

[Traduzido por Zenit]

Mensagem Urbi et Orbi de Sua Santidade Bento XVI

PÁSCOA 2006

Queridos irmãos e irmãs!

Christus resurrexit!? Cristo ressuscitou!

A grande Vigília desta noite fez-nos reviver o acontecimento decisivo e sempre actual da Ressurreição, mistério central da fé cristã. Círios pascais sem conta foram acesos nas igrejas para simbolizar a luz de Cristo que iluminou e ilumina a humanidade, vencendo para sempre as trevas do pecado e do mal. E, no dia de hoje, ressoam fortes as palavras que deixaram estupefactas as mulheres que, na manhã do primeiro dia depois do sábado, tinham ido ao sepulcro, onde o corpo de Cristo, descido às pressas da cruz, fora depositado. Tristes e desoladas pela perda do seu Mestre, tinham encontrado a grande pedra rolada para o lado e, entrando, viram que o seu corpo já não estava lá. Enquanto ali se encontravam incertas e desorientadas, dois homens com vestes resplandecentes surpreenderam-nas dizendo: «Por que motivo procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui; ressuscitou!» (Lc 24, 5-6). «Non est hic, sed resurrexit» (Lc 24, 6). Desde aquela manhã, tais palavras não cessam de ressoar pelo universo como um anúncio de alegria que atravessa os séculos imutável e simultaneamente cheio de infinitas e sempre novas ressonâncias.

«Não está aqui; ressuscitou». Os mensageiros celestes comunicam, antes de mais nada: Jesus «não está aqui»; não ficou no sepulcro o Filho de Deus, porque não podia continuar prisioneiro da morte (cf. Act 2, 24) e o túmulo não podia reter «o Vivente» (Ap 1, 18), que é a própria fonte da vida. Tal como Jonas esteve no ventre do peixe, assim Cristo crucificado permaneceu engolido no coração da terra (cf. Mt 12, 40) pelo transcorrer de um sábado. Foi verdadeiramente «um dia solene aquele sábado», como escreve o evangelista João (19, 31): o mais solene da história, porque nele o «Senhor do sábado» (Mt 12, 8 ) levou a termo a obra da criação (cf. Gn 2, 1-4a), elevando o homem e o universo inteiro à liberdade da glória dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 21). Cumprida esta obra extraordinária, o corpo inanimado foi atravessado pelo sopro vital de Deus e, rompidas as margens do sepulcro, ressuscitou glorioso. Por isso, os anjos proclamam: «não está aqui», não pode estar mais no túmulo. Peregrinou na terra dos homens, terminou o seu caminho no túmulo como todos, mas venceu a morte e de modo absolutamente novo, por um acto de puro amor, abriu a terra e escancarou-a para o Céu.

A sua ressurreição, graças ao Baptismo que a Ele nos «incorpora», torna-se a nossa ressurreição. Tinha-o predito o profeta Ezequiel: «Eis que abrirei as vossas sepulturas e vos farei sair delas, ó meu povo, e vos reconduzirei ao país de Israel» (Ez 37, 12). Estas palavras proféticas assumem um valor singular no dia de Páscoa, porque hoje se cumpre a promessa do Criador; hoje, mesmo nesta nossa época caracterizada pela ansiedade e a incerteza, revivemos o acontecimento da ressurreição, que mudou a expressão da nossa vida, mudou a história da humanidade. Aguardam a esperança de Cristo ressuscitado, às vezes mesmo inconscientemente, os que ainda estão oprimidos pelos laços de amargura e de morte.

Em particular, que o Espírito do Ressuscitado leve alívio e segurança na África às populações do Darfur, que se encontram numa dramática situação humanitária já insustentável; às da região dos Grandes Lagos, onde muitas chagas ainda não estão curadas; aos povos do Corno de África, da Costa do Marfim, do Uganda, do Zimbábue e doutras nações que anseiam pela reconciliação, pela justiça e pelo progresso. No Iraque, sobre a trágica violência, que impiedosamente continua a ceifar vítimas, prevaleça finalmente a paz. E paz desejo vivamente também para os que estão envolvidos no conflito da Terra Santa, convidando a todos a um diálogo paciente e perseverante que remova os obstáculos antigos e novos. A comunidade internacional, que reafirma o justo direito de Israel a existir em paz, ajude o povo palestinense a superar as condições precárias em que se encontra, avançando para a constituição dum verdadeiro e próprio Estado. O Espírito do Ressuscitado suscite um renovado dinamismo no empenho dos países da América Latina, para que sejam melhoradas as condições de vida de milhões de cidadãos, eliminada a nefasta praga dos raptos de pessoas e consolidadas as instituições democráticas, em espírito de concórdia e de solidariedade real. Relativamente às crises internacionais ligadas ao nuclear, chegue-se a um acordo honroso para todos através de negociações sérias e leais, e reforce-se nos responsáveis das nações e das organizações internacionais a vontade de realizar uma pacífica convivência entre etnias, culturas e religiões, que afaste a ameaça do terrorismo. É este o caminho da paz para bem da humanidade inteira.

O Senhor ressuscitado faça-se presente em todo lugar com a sua força de vida, de paz e de liberdade. Hoje, a todos são dirigidas as palavras com as quais na manhã da Páscoa o Anjo tranquilizou os corações amedrontados das mulheres: «Não tenhais medo! … Não está aqui; ressuscitou» (Mt 28,5-6). Jesus ressuscitou e concede-nos a paz. Ele mesmo é a paz. Por isso, vigorosamente a Igreja repete: «Cristo ressuscitou – Christós anésti». Que a humanidade do terceiro milénio não tenha medo de abrir-Lhe o coração! O seu Evangelho sacia plenamente a sede de paz e de felicidade que habita em todo o coração humano. Agora Cristo está vivo e caminha connosco. Um mistério imenso de amor! Christus resurrexit, quia Deus caritas est! Alleluia!

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