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Relação entre estudo teológico e vida interior

Fonte: Apostolado Spiritus Paraclitus

Relação entre estudo teológico e vida interior Costuma-se separar demais o estudo da vida interior, e não se observa o bastante a belíssima gradação que se encontra no cap. 48 da Regra de São Bento: “lectio, cogitatio, studium, meditatio, oratio, contemplatio”. Santo Tomás, que recebeu sua primeira formação dos beneditinos, conservou esta gradação admirável na sua Suma Teológica, no lugar onde trata da vida contemplativa (IIa. IIae. q. 180, a. 3).

Ora, dessa excessiva separação entre estudo e oração, seguem-se muitos defeitos: os sacrifícios e as dificuldades que não raro se encontram nos estudos, não são mais considerados como uma penitência salutar, nem são adequadamente ordenados a Deus; assim, por vezes sobrevêm fadigas e fastio, sem que delas se tire nenhum fruto religioso.

Por outro lado, por vezes se encontra no estudo o deleitamento natural, que poderia ser ordenado a Deus, em espírito de fé viva, mas que não raro permanece puramente natural, sem qualquer fruto para a alma religiosa.

Santo Tomás fala desses dois desvios na IIa IIae, q. 166, onde trata da virtude da estudiosidade ou da aplicação aos estudos, que deve ser governada pela caridade, contra a curiosidade desordenada e contra a preguiça, a fim de que se estude o que convém, como convém, quando e onde convém e, sobretudo, para que se estude com o espírito e o fim mais apropriado para melhor conhecer o próprio Deus e para a salvação das almas.

Mas, para evitar os defeitos acima, opostos um ao outro, é bom lembrar-se de como nosso estudo intelectual pode ser santificado, considerando, em primeiro lugar, o que recebe a vida anterior do estudo retamente ordenado; em seguida, e por outro lado, o que o estudo da Sagrada Teologia pode cada vez mais receber da vida interior. Na união destas duas atividades de nossa vida, verifica-se o princípio: “Causae ad invicem sunt causae, sed in diverso genere“; há entre elas uma relação de mútua causalidade e de prioridade verdadeiramente admirável.

O que a vida interior deve ao estudo

A vida interior, pelo estudo da teologia, é preservada sobretudo de dois graves defeitos: subjetivismo, na piedade, e particularismo.

O subjetivismo, no que toca a piedade, hoje comumente chamado de “sentimentalismo”, é uma certa afetação de amor, desprovida do verdadeiro e profundo amor de Deus e das almas. Este defeito provém do fato de prevalecer na oração a inclinação natural da nossa sensibilidade, conforme a índole de cada um. Prevalece alguma emoção da sensibilidade que, por vezes, é expressa com algum lirismo, mas que carece do sólido fundamento da verdade. Hoje, muitos psicólogos incrédulos, como Bergson, na França, acreditam ainda que o misticismo católico provenha da prevalência de alguma nobre emoção que nasceria no subconsciente e que, em seguida, se exprimiria nas idéias e nos juízos dos místicos. Mas permaneceria sempre a dúvida sobre a verdade real destes juízos que nasceram sob a pressão do subconsciente e do sentimento.

Ao contrário, nossa vida interior deve estar fundada na verdade divina. Isto, de certo, já ocorre pela própria fé infusa, fundada na autoridade de Deus que a revela. Mas o estudo bem ordenado em muito ajuda à bem conhecer em que propriamente consistem as verdades da fé, independentemente de nossas disposição subjetivas. O estudo ajuda sobretudo a formar uma reta noção sobre as perfeições de Deus, sobre Sua bondade, misericórdia, amor, justiça e ainda sobre as virtudes infusas, sobre a verdadeira humildade, religião e caridade, não permitindo a mistura de emoções não fundadas na verdade. Por essa razão, Santa Teresa, como a própria afirma em seuLivro da Vida, capítulo 13, muito recebeu das conferências dos bons teólogos, para que não se desviasse da senda da verdade nas enormes dificuldades.

Nosso estudo bem orientado liberta nossa vida interior, não apenas do subjetivismo, mas também do particularismo, que provém do influxo excessivo de certas idéias, particulares de algum tempo ou região, que após uns trinta anos já se mostrarão obsoletas. Em tempos passados, prevaleceram certas idéias ou filosofias que hoje já não agradam; assim ocorre a cada geração; surgem sucessivas opiniões e admirações que passam com a figura do mundo, enquanto permanece a palavra de Deus, da qual o justo deve viver.

Assim, o estudo bem ordenado verdadeiramente conserva, na vida interior, a devida objetividade,sobre todos os desvios da sensibilidade e a universalidade, fundada naquilo que sempre e por toda a parte a Igreja ensinou. E assim, cada vez mais percebemos que as verdades mais altasmais profundas e mais vitais nada mais são que as verdades elementares do Catolicismo, desde que profundamente examinadas e tornadas objeto de quotidiana meditação e contemplação. Assim são as verdades enunciadas no Pai Nosso, assim as da primeira linha do catecismo: “Para que fostes criado? Para conhecer Deus, amar a Deus, servir a Deus e assim obter a vida eterna”. Assim, igualmente, cada vez mais se mostra a verdade fundamental de todo Cristianismo: Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho unigênito.

É coisa de máxima importância viver profundamente destas verdades, sem nenhum desvio do subjetivismo, sentimentalismo ou particularismo de qualquer tempo ou região. Nisso, também, nossa vida interior tem muito a receber do bom estudo; e este é o ótimo fruto da penitência que se encontra nas dificuldades do estudo, e fruto muito mais precioso do que o deleitamento natural, que pode existir no labor intelectual não suficientemente santificado ou ordenado a Deus. No estudo diligente, governado pela caridade, verifica-se de modo notável esta proposição comum: se são amargas as raízes da ciência, seus frutos são mais doces e excelentes. Não se trata aqui da ciência que incha, mas daquela que, sob o influxo da caridade e da virtude da estudiosidade,verdadeiramente edifica.

A vida interior, portanto, é pelo estudo preservada de muitos desvios, para que permaneça objetiva, e verdadeiramente fundada na doutrina que sempre e em toda parte se transmitiu. Mas há, por outro lado, um influxo da vida interior no estudo da Sacra Teologia.

O que o estudo da teologia deve à vida interior

Não raro este estudo fica sem vida, quer na parte positiva, quer na especulativa e abstrata. Muitas vezes falta nele o espírito alto e o influxo das virtudes teologais e dos dons da inteligência e da sabedoria. Por conseqüência, o saber teológico muitas vezes não é aquela “ciência saboreada” da qual fala Santo Tomás na primeira questão da Suma Teológica.

Não raro nossa mente estaciona nas próprias fórmulas dogmáticas, na sua análise conceitual, nas conclusões deduzidas, e não costuma, por essas fórmulas, penetrar no mistério da fé, para saboreá-lo espiritualmente e para dele viver.

Convém dizer isto porque muitos santos que não puderam fazer tantos estudos como nós,penetraram muito mais profundamente nestes mistérios da fé. Assim, São Francisco de Assis, Santa Catarina de Sena, São Bento-José Labré e muitos outros que certamente não fizeram de modo abstrato e especulativo a análise conceitual dos dogmas da Encarnação, da Redenção, da Eucaristia, nem deduziram as conclusões teológicas que conhecemos e que, no entanto, mais profundamente e com santo realismo tiraram destes mistérios vida abundante.

Pelas fórmulas, atingiram a própria realidade divina vitalmente nas sombras da fé. Como diz Santo Tomás (IIa IIae, q. 1, a. 2 ad 2m): “O Ato do que crê não se termina no enunciável, mas na coisa“, no mistério revelado.

Mesmo sem a grande graça da contemplação, muitos ótimos cristãos, pela via da humildade e da abnegação, penetram, à seu modo, na profundidade destes mistérios.

E se isto se verifica nestes ótimos fiéis, por mais forte razão deve se verificar nos religiosos e sacerdotes que verdadeiramente compreenderam a grandeza de sua vocação. A cada dia, os sacerdotes devem celebrar o santo sacrifício com fé mais firme, esperança mais viva e caridade mais ardente, para que sua comunhão eucarística seja, quase todo dia, mais substancialmente fervente, e para que sua caridade não apenas se conserve, mas cresça cada vez mais.

Muito a propósito, diz Santo Tomás no seu Comentário a Epístola aos Hebreus, X, 25: “O movimento natural, quando mais se aproxima do fim, mais se acelera. É o contrário do movimento violento (p. ex., uma pedra lançada para o alto). Ora, a graça nos inclina como uma segunda natureza. Portanto (assim como a velocidade da pedra que cai é crescente) aqueles que estão na graça, quanto mais se aproximam do fim, tanto mais devem crescer”, pois quanto mais se aproximam de Deus, mais são por Ele movidos ou atraídos, assim como a pedra que cai é atraída pelo centro da terra.

Assim, se crescesse diariamente nossa vida interior, exerceria uma influência muito fecunda em nosso estudo, que se tornaria mais vívido a cada dia.

O estudo e a vida de oração, pois, são causa um do outro em bela harmonia.

Qual é o fruto deste influxo mútuo?

Quando um sacerdote tem uma grande e sólida vida interior, sua teologia sempre se torna mais vívida. E depois que este teólogo tiver descido da fé para estudar pontos particulares da teologia, desejará retornar à fonte, ou seja, subir da teologia, estudada em pontos particulares, para o alto cume da fé. O teólogo é como o homem que nasceu em um monte (Monte Cassino, por exemplo) e depois desceu para o vale para conhecer com exatidão suas particularidades; por fim, este homem quis retornar para o seu alto monte para contemplar do alto todo o vale com um só olhar.

Existem homens que amam mais as planícies, outros, com efeito, mais amam os montes; “mirabilis Deus in altis suis” [Sl 92, 2]

Deste modo, deve o bom teólogo respirar diariamente o ar dos montes e nutrir a si mesmo do Símbolo dos Apóstolos e, ao final das missas, do Prólogo do Evangelho de S. João, que é como uma síntese de toda a revelação cristã. Deve igualmente viver todo dia, de modo mais elevado, do Pai Nosso, das beatitudes evangélicas e de todo o Sermão da Montanha, que é como uma síntese de toda a ética cristã em sua admirável elevação.

Quando a alma do sacerdote é, como convém, uma alma de oração, então ela é inclinada, desde a sua vida interior, a procurar na teologia, ora dogmática, ora moral, aquilo que é mais vívido e fecundo. Então, com efeito, sob o influxo dos dons da inteligência e da sabedoria, a fé se torna mais penetrante e saborosa.

Então, na doutrina cristã aparecem as belíssimas meia-luzes, ou harmonias entre as luzes e as sombras, que, como o claro-escuro na pintura, cativam o intelecto e são o objeto da contemplação dos santos.

Por exemplo, todas as grandes questões sobre a graça são, pouco a pouco, reduzidas a estes dois princípios: por um lado, “Deus não manda o impossível, mas ao mandar, aconselha que faças o que podes e peças o que não podes”, como diz S. Agostinho, citado pelo Concílio Tridentino (Denz. 804) contra os protestantes. Por outro lado, porém, contra os pelagianos e semipelagianos, “Quem te distingue? E o que tens que não recebestes.1 Cor 4, 7, ou, como diz Santo Tomás: Dado que o amor de Deus é causa da bondade das coisas, nada seria melhor que nada, se não fosse mais amado por Deus (Ia. q. 20, a. 3).

Estes dois princípios, considerados isoladamente, são claros e certíssimos, mas sua conciliação íntima é sem dúvida muito obscura, pela elevada obscuridade que provém da luz excessiva. Para enxergar esta íntima conciliação, seria necessário ver como se conciliam intimamente, na eminência da Divindade, a infinita Justiça, a infinita Misericórdia e a suprema Liberdade.

Igualmente, para dar outro exemplo, com o progresso da vida interior, torna-se cada vez mais evidente a profundidade do tratado sobre a Encarnação redentora e, sobretudo, os motivos da Encarnação do Filho de Deus, “O qual, por amor de nós, os homens, e para nossa salvação, desceu dos Céus”.

Do mesmo modo, sob o influxo da vida de oração, torna-se mais vívido o tratado sobre a Eucaristia e, entre as várias opiniões acerca da essência do sacrifício da Missa, cada vez mais se sobressai a doutrina do Concílio de Trento (Denz. 940): “Uma única e a mesma é a vítima, e o que agora se oferece por meio do ministério dos sacerdotes, é o mesmo que então se ofereceu a si mesmo na cruz, sendo unicamente distinta a maneira de oferecer-se“. Cristo mais e mais aparece como osacerdote principal, sempre pronto para interceder por nós, especialmente na Missa, cujo valor, por isso, é infinito. Assim, pouco a pouco se encontram, nos Concílios, as mais preciosas pedras adamantinas e, igualmente, na Suma Teológica, progressivamente se manifestam os princípios capitais ou artigos mais altos, que são como as montanhas mais elevados pelos quais se conhecem toda a cadeia de montanhas.

Se, verdadeiramente, em espírito de fé, oração e penitência, nossa mente se dedicasse ao estudo da teologia, então a nós se aplicariam estas palavras de Santo Tomás (IIa IIae 188, 6): “A doutrina e a pregação devem ser derivadas da plenitude da contemplação“, até certo ponto, como a pregação dos Apóstolos depois de Pentecostes.

A Teologia, assim compreendida, é de grande importância para o ministério das almas. Ela própria forma profundamente o espírito para julgar sabiamente, conforme a mente de Cristo e da Igreja; para exortar as almas à perfeição segundo princípios verdadeiros, p. ex., para mostrar que, a par do preceito supremo: “Ama teu Deus de todo o teu coração…” todos cristãos devem tender à perfeição da caridade, cada qual conforme a medida de sua condição.

E não podemos chegar a esta plena perfeição da vida cristã sem vivermos profundamente dos mistérios Encarnação redentora e da Eucaristia, sem penetrar neles e sem os saborear pela fé ilustrada pelos dons de inteligência e sabedoria. Para isto, é de grande ajuda, com efeito, o estudo da teologia, desde que retamente ordenada, não à nossa satisfação, mas ao maior conhecimento de Deus e à salvação das almas.

Assim, mais e mais poderão se verificar em nós aquelas belas palavras do Concílio Vaticano (Denz. 1796), que encerram como que uma definição da Sacra Teologia: “A razão ilustrada pela fé, quando busca cuidadosa, pia e sobriamente, alcança, por dom de Deus, alguma inteligência, e muito frutuosa, dos mistérios, ora por analogia do que naturalmente conhece, ora pela conexão dos mistérios mesmos entre si e com o fim último do homem… “.

O estudo da sagrada teologia, por vezes difícil, árduo, mas frutuoso, a tal ponto dispõe nossas mentes à luz da contemplação e da vida, que é como que uma introdução e um certo começo da vida eterna.

(Extr. de “De Deo Uno”, Desclée de Brouwer et Cie, Paris pp. 30-34. Tradução: PERMANÊNCIA)

Fonte: http://permanencia.org.br/drupal/node/413.

Cartas de um demônio ao aprendiz

Fonte: Apostolado Spiritus Paraclitus

carta

Meu Caro Vermebile,

Compreendo o que você diz sobre guiar o seu paciente em suas leituras e também fazer de tudo para que ele sempre tenha eoncontros com seu amigo materialista. Mas você não está sendo um pouquinho ingênuo nesta tarefa? Parece-me que você vê a argumentação como a melhor arma para mantê-lo afastado do Inimigo (Deus). Isso até seria aceitável, se seu paciente tivesse vivido alguns séculos atrás. Naquele tempo, os humanos sabiam muito bem quando algo havia sido provada ou não. Em caso afirmativo, os homens a aceitavam e mudavam sua maneira de agir e de pensar, somente seguindo uma corrente de raciocínio. No entanto, devido à imprensa semanal e a armas semelhantes, alteramos bastante este contexto.

Parta do princípio que seu paciente já se acostumou desde criança a ter uma dúzia de filosofias diferentes dançando em sua cabeça. Ele não usa o critério de “VERDADEIRO” ou “FALSO” para classificar cada doutrina que lhe apareça (seja do Inimigo ou nossa), e sim, ele verifica se a doutrina é “Acadêmica” ou “Prática”, “Antiquada” ou “Atual”, ” Aceitável” ou “Cruel”. O jargão, e não a argumentação lógica, é o seu melhor aliado para lhe afastar da Igreja. Não perca tempo tentando levá-lo a acreditar que o Materialismo seja verdadeiro (sabemos que não é). Faça-o pensar que ele é algo sólido, ou óbvio, ou audaz – enfim, que é a Filosofia do Futuro! Este é o tipo de coisas que lhe despertarão a atenção.

Percebo que você tem intenções produtivas, mas há um problema muito grande quando tentamos persuadir o paciente a passar para nosso lado pelo emprego de argumentos e lógica: isto conduz toda a luta para o campo do Inimigo (Deus), ele também sabe argumentar muito bem (e melhor do que nós). Por outro lado, no que diz respeito à propaganda prática (ainda que falsa) que lhe sugeri, Ele tem se mostrado por séculos bem inferior ao Nosso Pai lá de Baixo. Pela pura argumentação, você despertará o raciocínio do paciente; uma vez que a razão dele desperte, quem poderia prever o resultado?

Veja que perigo! Mesmo que uma cadeia de raciocínio lógico possa ser torcida de modo a nos favorecer, isso tende a acostumar o paciente ao hábito fatal de questionar as coisas, analisando as mesmas com visão geral, e desviando-se das experiências ditas “concretas”, que na verdade são apenas experiências sensíveis e imediatas. Sua maior ocupação deve ser portanto a de prender a atenção da vítima de modo a jamais se libertar da corrente do “Se eu vejo, creio!”. Ensine-o chamar esta corrente “Vida Real”, e jamais deixe-o perguntar a si próprio o que significa “Real”.

Lembre-se: ele não, como você, um espírito puro. Como você já mais foi humano (E abominável a vantagem do Inimigo neste ponto) você não percebe o quanto os humanos são escravizados à rotina. Certa vez, tive um paciente, ateu convicto, que costumava fazer pesquisas no Museu Britânico. Certo dia, enquanto ele lia, notei que em sua mente um pensamento tentava levá-lo para o caminho errado. Com efeito, o Inimigo ali estava ao seu lado, naquele momento. Em um piscar de olhos, vi o meu trabalho de vinte anos começando a desmoronar. Se tivesse entrado em pânico e tentado argumentar, eu estaria irremediavelmente perdido. Mas não fui tolo a esse ponto! Recordei da parte da vítima que mais estava sob meu controle e lembrei-lhe que estava na hora de almoçar. O Inimigo acho lhe fez uma contra-sugestão (você bem sabe como é difícil acompanhar aquilo que Ele lhes diz) de que a questão que lhe surgira na mente era mais importante do que o alimento. Penso ter sido essa a técnica do Inimigo porque quando lhe disse “Basta! Isto é algo muito importante para se meditar num final de manhã…”, vi que o paciente ficou satisfeito. Assim, arrisquei dizer: “E muito melhor se você voltar ao assunto depois do almoço e estudar o problema com cabeça mais fresca. Não havia acabado a frase e ele já estava no meio do caminho para a rua. Na rua, a batalha estava ganha. Mostrei-lhe um jornaleiro gritando “Olha o Jornal da Tarde”, e o Ônibus No.73 que ia passando, e antes que ele tivesse dado muitos passos, eu o tinha convencido de que sejam lá quais forem as idéias extraordinárias que possam vir à mente de alguém trancado com seus livros, basta uma dose de “Vida Real” (que ele entendia como o ônibus e o jornaleiro gritando) para persuadi-lo que “Aquilo Tudo” não podia ser verdade de jeito nenhum.

A vítima escapara por um fio, e anos mais tarde, gostava de se referir àquela ocasião como “senso inarticulado de realidade, que é o último salva-vidas contra as aberrações da simples lógica”. Hoje, ele está seguro, na Casa de Nosso Pai. Começa a perceber ? Graças a processos que ensinamos em séculos passados, os homens acham quase impossível crer em realidades que não lhes sejam familiares, se estão diante de seus olhos fatos mais ordinários. Insista pois em lhe mostrar o lado comum das coisas. Acima de tudo, não faça qualquer tentativa de usar a Ciência (digo, a verdadeira) como defesa contra o Cristianismo. Certamente, as Ciências o encorajariam a pensar em realidades que a visão e o tato não percebem. Tem havido tristes perdas para nós entre os cientistas da Física. Se a vítima teimar em mergulhar na Ciência, faça tudo que você puder para dirigi-la para estudos econômicos e sociais, acima de tudo, não deixe que ela abandone a indispensável “Vida Real”. Mas o ideal é não deixar que leia coisa alguma de Ciência alguma, e sim lhe dar a idéia de que já sabe de tudo e que tudo que ele assimila das conversas nas “rodinhas” são resultados das “descobertas mais recentes”. Não se esqueça que sua função é confundir a vítima. Pela maneira como alguns de vocês, diabos inexperientes falam, poderiam até pensar (que absurdo!) que nossa função fosse ensinar!

Afetuosamente, seu tio, Fitafuso.

LEWIS, C.S., Cartas de um diabo ao seu aprendiz. [Tradução revista por Silva Mendes] 1a. Edição. EUA. HARPERCOLLINS UK, 1990.

São Pedro, rocha firme de fé inabalável

Fonte: Spiritus Paraclitus

São Pedro, rocha firme de fé inabalável No evangelho, com exceção de alguns episódios, os relatos em que Pedro aparece ocupam um lugar importante, tendo grande semelhança em Mateus, Marcos e Lucas, e mesmo de João. Entre as semelhanças e detalhes característico de cada Evangelista ao relatar os episódios, temos como certo que não se chamava Pedro, mas Simão, em grego, ou Simeão, em aramaico. Ao tomarmos como referência os quatro evangelhos, unânimes nesse ponto, esse nome lhe foi dado por Jesus. Era um novo nome, que até então parecia não ter sido dado a ninguém. Entretanto, os evangelistas situam em diferentes contextos a imposição desse nome por Jesus:

– em Mateus, é no momento da confissão de fé em Cesaréia(Mt 16,18);

– em Marcos e Lucas, tudo indica ser por ocasião da instituição do Doze(Mc 3,16; Lc 6,14). Porém é bom notar, desde o episodio da pesca milagrosa, ele já tratado no Evangelho de Lucas, como Simão Pedro(Lc 5,8);

– em João, é no momento do primeiro encontro às margens do Rio Jordão(Jo1,42).

A diversidade de contextos em que se vê Jesus dar a Simão seu novo nome,”Pedro”, indica que esse fato era bastante conhecido dos primeiros cristãos, mas que por alguns fatores, talvez se tenha esquecido sua circunstâncias exatas, conservando apenas o núcleo central do episódio, que é a clara mudança do nome de Simão para Pedro. O fato é que o cognome dado por Jesus a Simão se propagou na tradição oral impondo-se aos outros nomes. Nas cartas de Paulo, mais antigas que os evangelhos, a transcrição aramaica de “Pedro” – Cefas – tornar-se-ia  a maneira habitual de designar o “primeiro” dos discípulos. Era conhecida a importância de Pedro e sua ligação privilegiada com Jesus nas primeiras comunidades Cristãs, já que sabia que a mudança de nome na Bíblia é sempre sinal de eleição divina.

Pelo fato de Simão ter grande relevância em alguns relatos e seu nome ser descrito por vezes de forma diferente, sendo que se faz referência à mesma pessoa, por parte muitos surgiu uma confusão quanto ao nome, confusão esta que buscarei esclarecer mostrando o significado de cada nome.

Simeão? Simão? Pedro? Cefas?

Simeão era o nome aramaico daquele que Jesus chamará por “Pedro”. Encontramos esse cognome apenas na boca de Tiago, “o irmão do Senhor”, por ocasião da Assembléia de Jerusalém(At 15,14), e na segunda carta cuja autoria é atribuída a “Simão Pedro”, servo e apóstolo de Jesus Cristo”( 2Pd 1,1).

Para uns, Simão seria a versão grega de Simeão; para outros, é um nome genuíno. Pedro é assim nomeado 46 vezes nos evangelhos e somente quatro vezes nos Atos dos Apóstolos(At 10-11).

Cefas é o “novo nome” dado por Jesus a Simão: ele vem do aramaico Kêphâ; é, na origem, um nome comum que significa “pedra”, “rocha”. Ele aparece somente uma vez nos evangelhos(Jo 1,42), ao passo que se encontra 8 vezes nas cartas de Paulo(1 Cor 1,12; 3,22; 9,5; 15; 5; Gl 1,18; 2,9.11.14), sinal de seu uso freqüente desde os primórdios da Igreja.

Pedro(Petros) é a tradução grega de Cefas. É a forma mais corrente nos evangelhos(95 vezes), nos Atos(56 vezes), em Paulo(2 vezes) e nos endereçamentos das epístolas de Pedro(2 vezes).

Simão Pedro: somente João utiliza correntemente esta dupla nomeação(17 vezes). Marcos jamais utiliza; Lucas e Mateus utilizam-se uma vez(Lc 5,8; Mt 16,16).

Em algumas vertentes protestantes, se diz que o nome atribuído a Simão Pedro(“Rocha”) é uma invenção criada por parta da Igreja Católica. Como percebemos, é perfeitamente coerente a exegese Católica quando ensina que Pedro recebe de Cristo um novo nome, em vista de uma missão cuja realização é acompanhada sempre de uma promessa que ultrapassa a pessoa a quem se a dá.  No caso, a missão de Pedro e seus sucessores é firmar os filhos da Igreja na fé, como uma rocha que resiste a séculos de mudanças permanecendo firme sem ser abalada.

O que torna uma ação boa ou má?

Apostolado Spiritus Paraclitus

“O homem alcança o seu destino imortal e a salvação eterna fazendo o bem e evitando o mal.”

O que torna uma ação boa ou má? Jesus disse: Se me amais, guardareis os meus mandamentos (Jo 14, 15). É fácil estabelecer o princípio geral de que é preciso fazer o bem e evitar o mal; mas não é fácil saber – em cada circunstância, aqui, agora – o que é bom e o que é mau.

Há princípios básicos de moral cristã com os quais todos os católicos devem estar familiarizados. Dentre eles, um dos primeiríssimos é este: para que qualquer ação possa ser qualificada moralmente, tem de ser consciente, humana. Um ato humano procede do conhecimento e do livre arbítrio; se faltarem a liberdade ou o conhecimento devidos, o ato não é completamente humano e, portanto, não é completamente moral. Assim, a digestão, o crescimento, o movimento do sangue nas veias, etc., uma vez que não estão sob o controle da nossa vontade, não podem de forma alguma ser chamados de atos morais. São atos da pessoa humana, mas não podem ser considerados “atos humanos”.

Um ato inteiramente humano, ou seja, um ato que procede do conhecimento e do livre arbítrio, pode ser moralmente bom ou moralmente mau. Como podemos fazer a distinção? Baseados em uma experiência de séculos, os teólogos chegaram à conclusão de que há três determinantes para a qualidade moral das nossas ações: o objeto, o fim ou a intenção, e as circunstâncias.

O objeto é aquilo em a ação consiste essencialmente, por exemplo: mentir, rezar o terço, roubar, ajudar um cego a atravessar a rua. Para que um ato seja moralmente bom, o seu objeto – aquilo que ele é –, deve estar conforme com a lei de Deus.

O segundo determinante da qualidade moral de qualquer ato humano é a intenção, fim ou propósito. Todo o ato humano, não importando quão trivial seja, é feito com algum propósito. O motorista domingueiro que atrapalha o trânsito e parece estar dirigindo sem qualquer destino tem um propósito: ele pode não querer chegar a lugar nenhum, mas busca a alegria de contemplar a paisagem do volante do seu carro. Para que um ato humano seja bom, o agente, aquele que o pratica, tem de ter boa intenção – tem de querer fazer algo que seja bom. Algumas ações, como blasfemar e roubar, são sempre erradas e nenhuma finalidade ulterior, não importando quão nobre seja, pode torná-las boas. Outras ações podem ser boas ou más dependendo de para que as praticamos. Beber não é pecado; já beber para ficar bêbado é. A moralidade de muitas coisas que fazemos é determinada pela intenção: andar, conversar, ler, etc. Muitas atividades consideradas moralmente indiferentes em si recebem a sua qualidade moral da intenção que está por trás delas.

Para que as nossas ações sejam boas, as nossas intenções devem ser boas. É bom ajudar os pobres, mas se eu os ajudo por vaidade ou despeito, então não pratico uma boa ação, mesmo que, em última análise, os pobres sejam beneficiados. Por outro lado, não podemos cair no erro contemporâneo segundo o qual toda a moralidade de uma ação é determinada pela intenção. A mais nobre das intenções não pode tornar bom um ato intrinsecamente mau. Assim, as explosões e as mortes causadas por terroristas com o objetivo de mudar alguma forma de governo são assassinatos, independentemente da intenção com que se praticam. Roubar dos ricos para ajudar os pobres, como um Robin Hood, continua a ser roubo. A ideia de que “os fins justificam os meios” é muito comum hoje em dia. Pessoas mal informadas que se preocupam com a superpopulação do planeta ou com a educação apropriada das crianças consideram bom o recurso ao aborto para diminuir o número de nascimentos e evitar crianças não desejadas; mas uma boa intenção, não importa qual, não transforma algo essencialmente mau como o aborto em algo moralmente bom.

As circunstâncias do ato, por fim, são o terceiro determinante da moralidade de qualquer ação. Circunstâncias são, por exemplo, as pessoas envolvidas, a hora, o local, a ocasião. Embora distintas do objeto, as circunstâncias podem modificar e mesmo alterar completamente a moralidade de um ato. As circunstâncias podem, por exemplo:

– tornar má uma ação que, de outra forma, seria boa, como no caso de um soldado que deliberadamente durma durante o serviço;

– aumentar ou diminuir a culpa de quem pratica a ação. Como quando uma menininha mente para a sua mãe (culpa aumenta), ou alguém conta uma mentira inventada na hora para se livrar de uma situação embaraçosa (culpa diminui).

Uma vez que todas as ações ocorrem em um momento e um lugar determinados, as circunstâncias devem ser sempre levadas em conta na hora avaliar a qualidade moral de qualquer ato humano.

Não devemos ficar alarmados com o crescente uso do princípio de que “os fins justificam os meios”. Um católico bem formado sabe que a moralidade de cada ato humano é determinada pelos três elementos vistos acima – o objeto, a intenção e as circunstâncias. Basta que apenas um deles seja mau para que possamos considerar uma ação má e saibamos que devemos evitá-la.

Fonte: Catholic Educators Resource Center
Link: http://www.catholiceducation.org
Tradução: Quadrante

Ator de “A Paixão de Cristo” perseguido devido ao filme

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O ator norte-americano Jim Caviezel explicou que ter interpretado Jesus no filme A Paixão de Cristo “arruinou” sua carreira mas esclareceu que não se arrepende de tê-lo feito.

Em declarações ao Daily Mail, Caviezel de 42 anos explica como logo depois de ter interpretado o papel de Cristo no filme –em cuja filmagem foi atingido por um raio e deslocou um ombro em uma cena da crucificação– as portas de Hollywood foram fechando-se uma atrás da outra para ele. “Fui rechaçado por muitos em minha própria indústria”, indicou.

Ante um grupo de fiéis em uma igreja em Orlando, Flórida, onde chegou para promover um livro em áudio da Bíblia, Caviezel -que se declara católico- comentou que era consciente de que isto podia acontecer e não se arrepende de ter atuado como Cristo. Mel Gibson, o diretor da obra, também o advertiu das conseqüências negativas para sua carreira se aceitava o papel.

“Disse-me: ´Você nunca voltará a trabalhar nesta cidade (Hollywood) e eu respondi: ‘Todos temos que abraçar nossas cruzes’. Jesus é tão polêmico hoje como sempre foi. As coisas não mudaram muito em dois mil anos”, disse.

Caviezel, quem atuou em filmes como O Conde de Montecristo, Olhar de Anjo, e Além da Linha Vermelha era considerado antes da Paixão de Cristo como uma estrela ascendente em Hollywood, mas tudo mudou a partir da produção de 2004 que foi atacada ferozmente pelos meios seculares e pela poderosa Liga Antidifamatória Judia nos Estados Unidos que a considerou anti-semita.

Sobre Mel Gibson, Jim Caviezel comenta que “é um pecador horrível, não?, entretanto ele não necessita nosso juízo mas as nossas orações”.

O ator afirmou também que sua fé o guia no âmbito pessoal e profissional. Por isso, não acredita que tenha sido uma coincidência que “aos 33 anos pedissem interpretar o papel de Jesus” e brincou sobre o fato de que seus iniciais (JC) fossem as mesmas que as de Jesus Cristo.

Em março de 2004, Jim Caviezel foi recebido pelo Papa João Paulo II com quem conversou durante uns dez minutos acompanhado por sua esposa e seus sogros. Esse mesmo mês, o ator concedeu uma interessante entrevista à agência ACI Prensa na que detalhou como o fato de ter interpretado Jesus transformou sua vida e fortaleceu muito sua fé.

Naquela ocasião disse: “esta experiência me jogou nos braços de Deus”.

Comento:

Pois é, meus caros, Jim Caviezel despertou a ira dos poderosos secularistas. Há quem imagine – ingenuamente – que Hollywood seja a máquina de propaganda do imperialismo norte-americano. Tal tolice é repetida por esquerdistas que bem sabem ser a verdade muito diferente. A indústria do cinema norte-americano está completamente corroída pela esquerda, e a entrega da premiação do Oscar não é mais do que o festival do politicamente correto.

Não é só a carreira de Jim Caviezel que foi para o brejo depois do filme A Paixão de Cristo. O católico Mel Gibson também se tornou o bode expiatório predileto da imprensa, principalmente depois do filme Apocalypto. Qual o pecado tão tenebroso de Mel Gibson em Apocalypto? O diretor vinvulou a decadência do império maia à degradação moral do seu povo. O problema é que ele colocou como uma das causas dessa degradação o homossexualismo que, na história, se transforma em prática comum entre a população maia. Isso bastou! Depois de A Paixão de Cristo e Apocalypto, Mel Gibson foi praticamente abolido da indústria cinematográfica, e a perseguição teve sérias consequências em sua vida pessoal.

O que ninguém diz é que Mel Gibson não inventou a tese do fim de um império como resultado da decadência moral. Os maiores historiadores do Império Romano sempre afirmaram que uma das causas principais da queda de Roma foi a decadência moral de seu povo. Mesmo na tradição hebraica, é conhecidíssima a história de Sodoma e Gomorra, cidades onde o clamor dos pecados conseguiu atrair a atenção de Deus.

A questão toda é, afinal, a seguinte: não importa o que Jim Caviezel e Mel Gibson façam ou digam, seu verdadeiro equívoco – aos olhos de Hollywood – é o de serem católicos demais. Se defendessem um assassino como Che Guevara ou Lênin, certamente teriam as portas abertas dentro da indústria. Mas como professaram publicamente a fé em Jesus Cristo, então serão desprezados e perseguidos.

Fonte: Apostolado Spiritus Paraclitus

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