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Existe verdadeira liberdade para aqueles que obedecem?

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A palavra liberdade, como tantas outras, pode ser usada no sentido próprio ou no sentido analógico. No primeiro, liberdade é estar livre, não estar acorrentado, enjaulado, amarrado por correntes. Já no sentido derivado (analógico), a palavra é utilizada para designar o que tecnicamente se chama de livre arbítrio, que é a escolha que cada pessoa tem diante dos fatos da vida. Ao confundir os dois sentidos o que acontece é busca por uma falsa liberdade.

Quando o livre arbítrio é utilizado para desobedecer a Deus, no ato de desobediência o homem se torna escravo do pecado. Foi o que aconteceu com Adão e Eva que, ao comerem do fruto proibido, tornaram-se escravos do demônio e do pecado. A humanidade assim permaneceu até que Jesus encarnou-se. Com seu poder, Ele libertou a humanidade dos grilhões do pecado.

O pecado vicia, escraviza. Esta é uma verdade que pode ser constatada pelo simples olhar para dentro de si mesmo. Já a obediência liberta.

Eva ouviu um anjo mau no Paraíso desobedeceu a Deus e com aquele ato entrou no mundo a escravidão e o pecado. Maria, num outro jardim, ouviu o anjo Gabriel e obedeceu, dizendo “Eis aqui a serva do Senhor” e nunca uma mulher foi tão absolutamente livre e desapegada. É por isso que ela é chamada de “a mais feliz de todas as mulheres”, a bem-aventurada. O caminho da felicidade é o caminho da obediência porque a desobediência só gera a escravidão.

O humilde será exaltado

A humildade é uma virtude e Nosso Senhor é o nosso máximo modelo: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).

Baseado em Santo Tomás de Aquino, o Padre Antonio Royo Marín define a humildade como “uma virtude derivada da temperança que nos inclina a coibir o apetite desordenado da própria excelência , dando-nos o justo conhecimento de nossa pequenez e miséria, principalmente com relação a Deus” (Teología de la perfección cristiana, n. 355).

Ou seja, a humildade se opõe diretamente à soberba, pois a soberba é exatamente isto: um desejo irracional e contrário à verdade dos fatos (desordenado) de se elevar acima dos outro (excelência, do latim, excellĕre, elevar-se acima, ser superior, sobrepujar).

Por isto a soberba tem sempre um caráter delirante e a humildade nos trás de volta à realidade. Santa Teresa D’Ávila nos explica a ligação entre a humildade e a verdade.

Uma vez estava eu considerando por que razão era Nosso Senhor tão amigo desta virtude da humildade, e logo se me pôs diante – a meu parecer sem eu considerar nisso, mas de repente – isto: é porque Deus é a suma Verdade, e a humildade é andar na verdade. E é muito grande verdade não termos coisa boa de nós mesmos, senão a miséria e sermos nada; e, quem isto não entende, anda em mentira. Quem melhor o entende, mais agrada à suma Verdade, porque anda nela. Praza a Deus, irmãs, nos faça mercê de não sairmos nunca deste próprio conhecimento, amém. (Castelo interior, Moradas sextas, 10, 7).

Texto original em espanhol:

Una vez estaba yo considerando por qué razón Nuestro Señor era tan amigo de esta virtud de la humildad, y púsoseme delante, a mi parecer sin considerarlo, sino de presto, esto: que es porque Dios es suma Verdad, y la humildad es andar en verdad; que lo es muy grande no tener cosa buena de nosotros, sino la miseria y ser nada; y quien esto no entiende, anda en mentira. A quien más lo entienda, agrada más a la suma Verdad, porque anda en ella. Plegué a Dios, hermanas, nos haga merced de no salir jamás de este propio conocimiento. Amén.

Mas se desejamos praticar a humildade devemos recordar que não bastam os bons propósitos. Tão logo a alma se determina a ser humilde de coração, lhe vem a tentação da vaidade ou a indignação diante das humilhações. Três então são os meios para chegarmos a uma autêntica humildade:

  1. O pedido humilde e incessante a Deus. “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes” (Tiago 1, 17).
  2. A meditação sobre a vida de Nosso Senhor como modelo incomparável de humildade (nascimento em Belém, a vida em Nazaré, o amor aos pobres, a morte na cruz e, hoje, o escondimento na Eucaristia).
  3. A imitação de Nossa Senhora, a Virgem Santíssima, Rainha dos Humildes.

No Ângelus do dia 29 de agosto de 2010, o Papa Bento XVI nos ensinou a fazer uma leitura cristológica do evangelho deste domingo:

O Senhor não pretende dar uma lição sobre boas maneiras, nem sobre a hierarquia entre as diversas autoridades. Mas ele insiste sobre um ponto decisivo, que é o da humanidade: “Todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado” (Lc 14, 11). Esta parábola, num significado mais profundo, faz pensar também na posição do homem em relação a Deus. O “último lugar” pode representar de fato a condição da humanidade degradada pelo pecado, condição da qual só a encarnação do Filho Unigênito a pode elevar. Por isto o próprio Cristo “ocupou o último lugar no mundo — a cruz — e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar” (Enc. Deus caritas est, 35).

Fonte: Equipe Christo Nihil Praeponere

Contra o aborto, os católicos devem ser a voz dos que não têm voz.

Mons. José H. Gomez - Contra o aborto, os católicos devem ser a voz dos que não têm voz. LOS ANGELES, 21 Jan. 12 / 07:21 am (ACI/EWTN Noticias)

O arcebispo de Los Angeles (Estados Unidos), Mons. José H. Gomez disse que com a ameaça do aborto, os católicos devem ser a voz dos que não têm voz: os recem nascidos.

Em seu artigo intitulado “Defender a Verdade Sobre a Vida”, e publicado hoje no jornal arquidiocesano de Los Angeles em espanhol Vida Nueva, o Prelado de origem mexicana disse que “somos chamados a ser uma voz para aqueles que não têm voz. Somos chamados para ajudar a nossa sociedade a ver que cada vida humana desde a concepção até a morte natural é sagrada e preciosa para Deus. ”

No artigo no qual analisa as consequências da sentença Roe versus Wade da Suprema Corte dos Estados Unidos que em 1973 que legalizou o aborto neste país, o arcebispo recordou que “como católicos, nós celebramos o Deus da vida. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Jesus deu à sua Igreja uma missão e a cada um de nós o direito de proclamar o Evangelho da vida”.

Devido aos questionamentos  de alguns sobre o papel da Igreja que “erro” contra o aborto, Dom Gomez lembrou que esta questão “é um assunto de verdade e de princípios básicos . A verdade é a verdade, seja reconhecida ou não por nossa sociedade”.

“Para ilustrar um caso semelhante, o arcebispo recorda a luta para derrotar a escravidão americana “, teve que ir muito longe, e permitir que muitas gerações e vidas inocentes fossem perdidas antes que esta nação visse finalmente a verdade sobre a humanidade e a plena dignidade dos afro- americanos. ”

Diante dessa realidade, o arcebispo expressou sua esperança de que um dia os americanos “também começarão a ver a verdade sobre a humanidade dos fetos e do embrião humano. É apenas uma questão de tempo. Talvez em anos, talvez em décadas. Mas o tempo virá. Porque esta é a verdade. ”

“E não é uma verdade ” religiosa “o aborto não é apenas uma questão” católica “, disse ele.

O Arcebispo de Los Angeles, em seguida, descreveu que “o nosso país foi fundado sobre uma verdade moral: que todos os homens e mulheres são criados iguais e nascem com os direitos dados por Deus à vida, a liberdade e à busca da felicidade” .

“Roe versus Wade colocou ao revés esta bela verdade. O Supremo Tribunal, com efeito, disse que nossos direitos não vêm de Deus, mas são concedidos pelo governo, tribunais e órgãos legislativos.”

O Arcebispo Gomez ressaltou que “o direito à vida é o fundamento de todos os direitos de liberdades em nossa sociedade”, depois que ele finalmente anunciou que no sábado 21 janeiro celebrerá uma missa na Catedral de Nossa Senhora dos Anjos por todas as crianças abortadas, e convidou todos os fiéis a participar dela.

Perseguição aos cristãos: um lado preocupante da JMJ 2011

Fonte: Voz da Igreja

A Igreja vive um momento difícil. A Eucaristia é depreciada, os Sacramentos são transgredidos, a humanidade vêm se distanciando de Deus a cada dia, e o pior: até mesmo dentro da Igreja, crescem grupos e movimentos estranhos à própria fé. Os princípios cristãos são desvirtuados, de tal forma que a Igreja vive uma crise jamais vista.

Em todo o mundo, cresce assustadoramente o perigo da islamização, que aos poucos vai tomando conta da Europa. O ateísmo também cresce e ganha adeptos. Na política, a ideologia ateia e marxista, que parecia morta e sepultada, mostra-se mais viva do que nunca: tomou conta do Brasil. Quanto mais avança a tecnologia e aumentam os confortos que a ciência moderna é capaz de proporcionar, mais aumenta a cegueira espiritual da humanidade. Muitos sacerdotes se perdem, e em torno de cada caso de desvio de algum clérigo, – mesmo os que não são comprovados, – a imprensa arma um grande circo. A mesma imprensa que se cala quanto à perseguição que os cristãos vêm sofrendo em todo o mundo.

Dentro deste cenário pavoroso, cristãos são perseguidos, – somente por crerem em Jesus Cristo, – em diversas partes do mundo. Aqui no Brasil, este país tão carente de cultura e educação, ainda tão alienado aos problemas do mundo, muitos não sabem que na Índia, neste exato momento, cristãos estão sendo perseguidos, torturados e assassinados, assim como em todo o mundo islâmico. Mas essas notícias não costumam aparecer no Jornal Nacional. E nem na imprensa internacional.

Na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) deste ano, na Espanha, os jovens peregrinos católicos foram afrontados por movimentos ativistas anticatólicos. Houve tumulto e agressões da parte de manifestantes favoráveis ao Estado laico e contra o financiamento público da visita do Papa Bento XVI e da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) [1].

Após o protesto, que contou com a presença de milhares de pessoas, a polícia enfrentou participantes para desalojar parte do centro da cidade. Milhares de peregrinos de todo o mundo foram a Madri da JMJ 2011, e a atitude dos católicos foi exemplar. A oração é a melhor arma para lutar contra os inimigos de Cristo e as imagens que têm corrido o mundo atestam o heroísmo dos jovens que se ajoelham a rezar nas ruas em resposta às provocações (clique sobre as imagens abaixo para ampliá-las).

Ativista gay vocifera contra os jovens católicos que rezam

Ativista gay vocifera contra os jovens católicos que rezam

Freiras são insultadas nas ruas sem nenhum motivo

Freiras são insultadas nas ruas sem nenhum motivo

Jovem tampa os uivos e beija o Crucifixo, diante dos berros insultuosos de um anticatólico

Jovem tampa os uivos e beija o Crucifixo, diante dos berros insultuosos de um anticatólico

Contra os que levantam o terceiro dedo da mão, num gesto obsceno e ofensivo, jovens católicos respondem com mãos em forma de coração e Terços, sem medo de mostrar orgulho da Santa Igreja e amor ao Santo Padre, o Papa.

Abaixo, dois filmes que tratam da perseguição aos cristãos no mundo (recomenda-se cautela com o segundo vídeo, que contém cenas fortes):

A Paz e o Papado

G.K. Chesterton

Há um famoso ditado que a alguns parece falta de reverência, embora de fato seja um esteio de uma parte importante da religião: “Se Deus não existisse, seria necessário inventá-Lo.” Isso não é totalmente diferente de algumas das ousadas questões com que Santo Tomás de Aquino inicia sua grande defesa da fé.

Alguns dos modernos críticos de sua fé, especialmente seus críticos protestantes, cometeram um erro divertido, por causa de sua ignorância do latim e do antigo uso da palavra DIVUS, e acusaram os católicos de descreverem o Papa como Deus. Os católicos, preciso dizer, estão tão próximos a chamar o Papa de Deus quanto de chamar um gafanhoto de Papa. Mas há um sentido em que eles realmente reconhecem uma correspondência eterna entre a posição do Rei dos Reis no universo e a do seu Vigário no mundo, como a correspondência entre uma coisa real e sua sombra; uma similaridade parecida com a similaridade imperfeita e defeituosa entre Deus e a imagem de Deus. E entre as coincidências dessa comparação pode ser colocado o caso deste epigrama. O mundo se encontrará mais e mais na posição em que mesmo os políticos e os homens práticos se pegarão dizendo: “Se o Papa não existisse, seria necessário inventá-lo.”

Não é de todo impossível que eles possam realmente tentar inventá-lo. A verdade é que milhares deles já teriam aceitado o Papa desde que ele não fosse chamado Papa. Acredito firmemente que seria muito possível, nessa questão e em muitas outras, pregar uma espécie de peça piedosa e prática em grande número de hereges e pagãos. Imagino que seria muito factível descrever com precisão, mas em termos abstratos, a idéia geral de um cargo ou obrigação que corresponda exatamente à posição do Papa na história, e que fosse aceitável em termos éticos e sociais por muitos protestantes e livre-pensadores; até que descobrissem, com uma reação de ira e assombro que eles foram levados a aceitar a arbitragem internacional do Papa. Suponha que alguém apresentasse a antiga idéia como se fosse uma nova idéia; suponha que se dissesse: “Proponho que seja erguido em alguma cidade central, na parte mais civilizada de nossa civilização o gabinete de uma autoridade permanente para representar a paz e a base do entendimento de todas as nações circundantes; que ele seja, pela natureza de seu cargo, posto a parte de todos e, mesmo assim, que ele jure considerar os acertos e os erros de todos; que ele seja colocado lá como um juiz para elucidar uma lei ética e um sistema de relações sociais; que ele seja de certo tipo e treinado de certa maneira, diferente da que encoraje as ambições ordinárias da glória militar ou mesmo dos elos da tradição tribal; que ele seja protegido, por um sentimento especial, da pressão de reis e príncipes; que ele jure, de forma especial, considerar os homens como homens.” Não são poucos já, e logo serão muito mais, os que seriam perfeitamente capazes de propor tal instituição internacional ideal; há também muitos que suporiam realmente, em sua inocência, que isso nunca tivesse sido tentado antes.

É verdade que até agora muitos de tais reformadores recuariam ante a idéia de uma instituição ser um indivíduo. Mas mesmo esse preconceito está enfraquecendo pelo desgaste da experiência política real. Podemos estar ligados, como muitos de nós estamos, ao ideal democrático; mas muitos de nós já percebemos que a democracia direta, a única democracia verdadeira que satisfaz o verdadeiro democrata, é uma coisa aplicável a algumas coisas e não a outras; e ela não é absolutamente aplicável à uma questão como esta. A voz real de uma vasta civilização internacional, ou de uma vasta religião, não será, de qualquer forma, as vozes e clamores distintos e articulados de todos os milhões de fiéis. Não seria o povo o herdeiro de um Papa destronado; seria algum sínodo ou grupo de bispos. Não é uma alternativa entre monarquia e democracia, mas uma alternativa entre monarquia e oligarquia. E, sendo eu um dos democratas idealistas, não tenho a menor hesitação em minha escolha entre as duas formas anteriores de privilégio. Um monarca é um homem, mas uma oligarquia não são homens; são poucos homens formando um grupo pequeno o suficiente para ser irresponsável. Um homem na posição de um Papa, a menos que seja literalmente louco, deve ser responsável. Mas aristocratas podem sempre jogar a responsabilidade uns nos outros; e ainda criar uma sociedade corporativa cuja visão do resto do mundo seja completamente obscurecida. Estas são conclusões a que estão chegando muitas pessoas no mundo; e muitos estariam ainda mais assombrados e horrorizados em descobrir aonde levam essas conclusões. Mas o ponto de discussão aqui é que mesmo se nossa civilização não redescobrir a necessidade do Papado, é extremamente provável que, cedo ou tarde, ela tentará suprir a necessidade com algo parecido com o Papado; mesmo se tentar fazê-lo por conta própria. Esta será realmente uma situação irônica. O mundo moderno estabelecerá um novo Anti-Papa, mesmo considerando que, como no romance de D. Benson, o Anti-Papa tenha o caráter de um Anticristo.[1]

A questão é que os homens tentarão colocar algum tipo de poder moral fora do alcance dos poderes materiais. A fraqueza de muitas tentativas valorosas, bem intencionadas e atuais de justiça internacional é que o conselho internacional dificilmente pode evitar ser meramente um microcosmos ou um modelo do mundo externo, com todas as pequenas e grandes coisas, inclusive as coisas excessivamente grandes. Suponha que em trocas internacionais do futuro alguma potência, digamos a Suécia, seja considerada injusta ou problemática. Se a Suécia for poderosa na Europa, ela será poderosa no conselho da Europa. Se a Suécia for muito poderosa na Europa, ela será muito poderosa no conselho da Europa. E porque ela é a própria coisa irresistível, ela é a própria coisa a ser resistida; ou, de qualquer forma, a ser restringida. Não vejo como a Europa possa escapar desse dilema lógico, exceto se descobrir novamente uma autoridade que seja puramente moral e que seja a guardiã reconhecida de uma moralidade. Pode ser dito sensatamente que mesmo aqueles dedicados a essa tarefa podem nem sempre praticar o que professam. Mas os outros governantes do mundo nunca estão obrigados a professá-lo.

Muitas vezes na história, especialmente na história medieval, o Papado interveio no interesse da paz e da humanidade; tal como os grandes santos se jogavam entre espadas e adagas de facções em luta. Mas se não houvesse um Papado, algum santo, ou a Igreja Católica, o mundo, abandonado à sua própria sorte, certamente não teria substituído credos teológicos por abstrações sociais. Em geral, a humanidade esteve longe de ser humanitária. Se o mundo fosse abandonado à própria sorte, digamos na era do feudalismo, todas as decisões teriam sido rígida e brutalmente na linha do feudalismo. Havia apenas uma instituição humana que existira antes do feudalismo. Havia apenas uma instituição que podia possivelmente trazer consigo alguma débil memória da República e da Lei romanas. Se o mundo tivesse sido abandonado à sua própria sorte na época da Renascença e da política italiana do Príncipe, ele teria se organizado inteiramente ao modo da glorificação dos príncipes. Havia apenas uma instituição que podia a qualquer momento ser forçada a repetir: “Não coloque sua confiança em príncipes.” Tivesse ela ausente, o único resultado teria sido que o famoso acordo de CUJUS REGIO EJUS RELIGIO teria sido todo REGIO com muito pouca RELIGIO. E então, nossos dias atuais têm seus dogmas inconscientes e seus preconceitos universais; e precisamos uma separação especial, sagrada e, o que parece a muitos, inumana que esteja acima de nós, para ver além.

Sei que se abusou deste ideal como de nenhum outro; digo apenas que mesmo aqueles que mais denunciaram a realidade provavelmente começarão de novo a busca pelo ideal. Mas, de fato, não proponho que qualquer tribunal espiritual deveria agir como um tribunal comum ou que a ele seja dado poderes de interferência prática nos governos nacionais. Tenho firme convicção de que tal tribunal não deveria nunca aceitar qualquer envolvimento material. Tampouco desejo, nesta questão, que qualquer tribunal secular agora constituído no interesse da paz internacional interfira com a nacionalidade ou com a liberdade local. Preferiria muito mais dar tal poder a um papa do que a políticos e diplomatas do tipo daqueles a quem o mundo está entregue. Mas não desejo dá-lo a ninguém e a autoridade em questão não deseja aceitá-lo de ninguém. A coisa de que falo é puramente moral e não pode existir sem certa lealdade moral; é uma espécie de atmosfera ou mesmo de um sentimento de afeição. Não há espaço para descrever aqui a maneira em que tal elo popular se desenvolve; mas não há a mínima dúvida de que ele já se desenvolveu em torno do centro religioso de nossa civilização; e não é provável que cresça de novo, exceto se ele se dirigir a um padrão de humildade e caridade muito mais alto que o padrão ordinário do mundo. Os homens não sentem afeição pelos imperadores dos outros, ou mesmo pelos políticos dos outros; sabe-se que a afeição deles se esfriou até mesmo em relação aos seus próprios políticos. Não vejo nenhuma perspectiva de qualquer núcleo positivo de amizade, exceto em certo entusiasmo por algo que move as partes mais íntimas da natureza moral do homem; algo que pode nos unir não por ser inteiramente internacional (como dizem os arrogantes), mas por ser universalmente humano. Os homens não conseguem concordar sobre o nada, tanto quanto não conseguem discordar sobre o nada. E algo amplo o suficiente para proporcionar tal acordo deve ser ele mesmo maior que o mundo.

Fonte: CHESTERTON, G.K. A Paz e o Papado. Chesterton Brasil. [Traduzido por Antonio Emilia Angueth de Araujo, retirado do Capítulo do livro The Thing (A Coisa), publicado em 1929]. Disponivel em: http://www.chestertonbrasil.org/ Acesso em: 17 Dezembro 2010.

João Paulo II foi o “amigo da humanidade”, recorda seu mestre de cerimônias

Roma, 29 Mar. 11 / 01:39 pm (ACI)

A beatificação do Servo de Deus João Paulo II “é para todos a ocasião de nos reencontrarmos com este amigo da humanidade”, explicou Dom Piero Marini, quem fora Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias do defunto Papa.

Em uma entrevista concedida à Rádio Vaticano no dia 27 de março, Dom Marini afirmou que todos devemos “encontrar de novo a João Paulo II, escutá-lo falar de novo, interpretar de novo seus gestos, ser de novo tomados por seu amor para a evangelização”, já perto da grande festa eclesiástica de sua beatificação no 1º de maio.

O Arcebispo Marini, atual Presidente do Pontifício Conselho para os Congressos Eucarísticos Internacionais, animou os leigos e sacerdotes a “construir a santidade respondendo à vocação que o Senhor lhes deu em sua vida com humildade, com simplicidade, como fez João Paulo II que dedicou toda sua vida a anunciar o Evangelho”.

“Conseguiu através do anúncio da Palavra, através da celebração da Eucaristia, dos Sacramentos, criar ao seu redor, em torno da figura do Papa, realmente a unidade da Igreja“, recordou.

Dom Marini explicou que a proximidade de Karol Wojtyla “ao povo santo de Deus”, foi o sinal emblemático de todo seu Pontificado, “aproximar-se às pessoas, aproximar-se das comunidades, inclusive às mais pequeninas, ver todos os pobres que quase queriam debruçar-se sobre ele…recordava as cenas evangélicas”.

O Prelado deseja que tanto crentes, como não crentes “considerem João Paulo II “um amigo, o queria ser amigo de todos”, para “encontrá-lo de novo, voltar a escutar suas palavras, voltar a ver seus gestos e poder entender, até o último ponto, seu modo de atuar a favor da Igreja”.

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