Numa longa entrevista, o Cardeal Burke usou linguagem franca para expressar suas graves preocupações sobre o modo como a Igreja Católica tem sido prejudicada pelo feminismo radical. Ele também tratou, com uma franqueza raramente presente nos pastores, da imoralidade sexual e do abuso litúrgico.

“O feminismo radical que tem atacado a Igreja e a sociedade desde a década de 1960 deixou os homens muito marginalizados”, disse o cardeal a Matthew James Christoff, fundador de The New Emangelization, uma missão evangelizadora focada nos homens.

“Infelizmente, o movimento feminista radical influenciou a Igreja fortemente, levando a Igreja a tratar de questões femininas constantemente, em detrimento da abordagem de questões críticas para os homens: a importância do pai, seja na união matrimonial ou não; a importância do pai para os filhos; a importância da paternidade para os sacerdotes; o impacto crítico de um caráter varonil; a ênfase nos dons que Deus dá particularmente aos homens para o bem de toda a sociedade”, disse o Cardeal Burke. “Muito dessa tradição de anúncio da natureza heróica da masculinidade perdeu-se na Igreja atualmente.”

O ex-chefe da Suprema Corte do Vaticano disse: “Infelizmente, a Igreja não reagiu com eficácia a forças culturais destrutivas” como a imoralidade sexual, o feminismo e o colapso da família, e ao invés disso “foi muito influenciada pelo feminismo radical e ignorou em grande medida as sérias necessidades dos homens.”

O Cardeal Burke, 66, também disse que sua geração falhou com a juventude de hoje. “Minha geração tomou por certas as bênçãos que havíamos recebido em nossas sólidas vidas familiares e a sólida formação que a Igreja nos havia dado”, disse ele. “Minha geração permitiu que todo esse absurdo da confusão sexual, do feminismo radical e do colapso da família continuasse, deixando de perceber que estávamos tirando o tesouro das gerações seguintes, o qual havíamos recebido. Ferimos gravemente as atuais gerações.”

A Igreja ficou “feminizada”, disse ele, que “os homens muitas vezes relutam em tornar-se ativos na Igreja.” Ele explicou: “O ambiente feminizado e a falta de esforço da Igreja em engajar os homens levou muitos deles a simplesmente saírem dela.”

“A introdução de meninas coroinhas também levou muitos garotos a abandonarem o serviço no altar”, acrescentou. Embora tenha enfatizado que a prática de ter apenas meninos coroinhas como servidores no altar não tenha nada que ver com uma desigualdade das mulheres na Igreja, o Cardeal Burke disse que a introdução de meninas coroinhas “contribuiu para uma perda de vocações ao sacerdócio.”

Os problemas enfrentados pelos homens e que têm sido em grande medida ignorados pela Igreja estão particularmente ligados à sexualidade. O cardeal censurou a “abordagem catequética leve e superficial do tema da sexualidade humana e natureza da relação marital.” O problema aumentou com “a explosão da pornografia” na sociedade, disse ele, “a qual é particularmente prejudicial ao homem porque distorce terrivelmente toda a realidade da sexualidade humana.”

“Na verdade, o dom da atração sexual é dirigido ao matrimônio, e qualquer tipo de união sexual pertence propriamente ao matrimônio”, disse o Cardeal Burke. “Mas todo o universo da pornografia corrompe os jovens para que acreditem que sua capacidade sexual existe para seu próprio entretenimento e prazer, e torna-se uma luxúria ardente, que é um dos sete pecados capitais.”

O cardeal culpou uma mentalidade pós-Vaticano II a qual sugere que não há pecados graves em decorrência da ausência dos homens no sacramento da confissão. Essa idéia falsa, que ele chamou de “letal para os homens’, é vista por exemplo com relação ao pecado da masturbação. “Homens me disseram que quando eram adolescentes, confessavam o pecado da masturbação e os sacerdotes diziam: ‘Você não deveria confessar isso. Todo mundo faz isso’”, lembrou o cardeal.

Ao falar de liturgia, o Cardeal Burke disse: “Têm ocorrido e continuam a ocorrer sérios abusos litúrgicos que afastam os homens.” Ele sugeriu que Missa Tradicional em Latim é um grande atrativo especialmente para os rapazes. “A Forma Ordinária, se celebrada com muita reverência e com boa música, pode ter o mesmo efeito positivo e forte nos homens”, acrescentou. “Os homens não aderem a essa abordagem brega da Missa, particularmente quando se torna uma espécie de sessão para sentirem-se bem, ou quando há irreverência.”

Fonte: NotifamPT