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Os irmãos de Jesus na visão dos Pais da Igreja

Fonte: Apostolado Spíritus Paraclitus

Os irmãos de Jesus na visão dos Pais da Igreja Algumas vertentes oriundas do protestantismo, em sua grande maioria, diz Jesus ter tido irmãos. Porém, a doutrina protestante não possui embasamento algum, geralmente se utiliza de textos isolados e truncados levando muitos a cair no erro diante de tal ensinamento.

Tomarei o ensino dos escritores antigos, conhecidos como os Padres da Igreja ou Pais da Igreja, a respeito dos irmãos de Jesus. Antes é bom esclarecer o termo aplicado aos escritores antigos – O termo Padres da Igreja ou Pais da Igreja foi designado aos grandes escritores que lutaram contra as heresias em favor da reta elaboração das verdades de fé. Isto se explica pelo fato de que, para os antigos o mestre ou o transmissor da verdade é, de certo modo, pai dos seus discípulos.

A seguir abordarei os escritos dos mestres da fé tratando a respeito dos irmãos de Jesus, que por sinal, contraria totalmente o que é ensinado no meio de algumas seitas(tudo aquilo que causa divisão) protestantes. Abaixo segue as citações do que foi ensinado, vejamos :

Atanásio de Alexandria ( + 373 )

Como o corpo do Senhor foi colocado a sós no sepulcro, para que pudesse demonstrar sua ressurreição, talvez por motivo semelhante seu corpo proveio de Maria, como filho único, para que crêssemos em sua origem divina” (Da virgindade 2)

Epifânio de Salamina(  ? – 403 )

Voltando-se o Senhor, viu o discípulo a quem amava e lhe disse, a respeito de Maria: Eis aí a tua Mãe!  E então, à Mãe: Eis aí o teu filho(Jo 19,26). Ora, se Maria tivesse filhos, ou se seu esposo ainda estivesse vivo, por que o Senhor a confiara a João ou João a ela? Mas: e por que não confiou a Pedro, a André, a Mateus, a Bartolomeu? Fê-lo a João por causa da sua virgindade. A ele foi que disse: ’Eis aí a tua Mãe’. Não sendo mãe corporal de João, o Senhor queria significar ser ela a mãe ou o princípio da virgindade: dela procede a Vida. Nesse intuito dirigiu-se a João, que era estranho,  que não era parente, a fim de indicar que sua Mãe devia ser honrada. Dela, na verdade o Senhor nascera, quanto ao corpo; sua encarnação não fora aparente, mas real. E se ela não fosse verdadeiramente sua Mãe, aquela de quem recebera a carne e que o dera à luz, não se preocuparei tanto em recomendá-la como a sempre Virgem. Sendo sua Mãe, não admitia mancha alguma na sua honra e no admirável momento, o discípulo a levou consigo’. Ora se ela tivesse esposo, casa e filhos, iria para o que era seu, não parar o alheio”.

Agostinho de Hipona ( + 430 )

Já era filho único do Pai aquele que nasceu como filho único de sua Mãe”(Sermão 192,1)

O hábito de nossa Escritura Santa, com efeito, é de não restringir esse nome de ‘irmãos’ unicamente aos filhos nascidos do mesmo homem e da mesma mulher(…) É preciso penetrar o sentido das expressões empregadas pela Sagrada Escritura. Ela tem sua maneira de dizer. Possui sua linguagem própria. Quem ignora essa linguagem pode ficar perturbado e pergunta-se: ‘Então o Senhor tem irmãos? Será que Maria teve ainda outros filhos?’ Não, de modo algum!(…) Qual é, pois, a razão de ser da expressão ‘irmãos do Senhor’? Irmãos do senhor eram os parentes de Maria(…) Como se demonstra isso? Pela própria Escritura, que chama, por exemplo, Lot de irmão de Abraão(Gên. 13,8; 14,14) e ele era tio de Lot; e, todavia, chamava-se ambos de irmãos, unicamente por serem parentes. Também Labão era tio de Jacó , por ser irmão de Rebeca, esposa de Isaac. Lede a Escritura e vereis que tio e sobrinho tratavam-se de irmãos” (Comentários sobre o Evangelho de Jo 10,2)

Quando vocês ouvirem falar dos irmão do Senhor, pensem logo que se trata de algum parentesco que os une a Maria, sem imaginar ter ela tido outros filhos.” (Comentários sobre o Evangelho de João 28,3)

João Damasceno( + 749 )

Quem ama ardentemente alguma coisa costuma trazer seu nome nos lá lábios e nela pensar noite e dia. Não me censure, pois, se pronuncio este terceiro panegírico da Mãe de meu Deusvir, como oferenda em honra de sua partida(…) Hoje, da Jerusalém terrestre, a Cidade viva de Deus(= Maria) foi conduzida à Jerusalém do alto: aquela que concebera como seu primogênito e unigênito o Primogênito de toda a criatura e o Unigênito do Pai, vem habitar na Igreja das primícias!(…) Cantemos hinos sacros e nossas melodias se inspirem nas palavras: ‘Ave cheia de graça: o Senhor é contigo’”(Homilia sobre a Dormição de Nossa Senhora)

A Igreja Católica sempre ensinou que Jesus Cristo não teve irmãos consangüíneos, vejamos :

“A isto objeta-se por vezes que as Escrituras mencionam irmãos e irmãs de Jesus696. A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: com efeitos, Tiago e José, ‘irmãos de Jesus’(Mt 13,55), são os filhos de uma Maria discípula de Cristo697 que significativamente é designada como ‘a outra Maria’(Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento698.”(CIC 500)

A doutrina Católica permanece fiel à Tradição, comunicando o mesmo ensino dos Apóstolos ao longo dos séculos desde a fundação da Igreja por nosso Senhor Jesus Cristo. Percebemos que o ensino apregoado por algumas vertentes protestantes, não condiz com ensino da tradição da Igreja, beirando sempre ao erro e espalhando sempre heresias.

Sínodo acolhe magistério de patriarca ortodoxo pela primeira vez

Apresentada uma proposição ao Papa sobre a intervenção de Bartolomeu I

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 28 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus se converteu na primeira assembléia sinodal em acolher o magistério de um patriarca ortodoxo.

A proposição 37 (das que o Sínodo adotou por pelo menos dois terços dos votos – o resultado exato da votação é secreto) recolhe o ensinamento que o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, apresentou aos padres sinodais.

Em sua proposta ao Papa, os padres sinodais começam dando graças «a Deus pela presença e pelas intervenções dos delegados fraternos, representantes das demais Igrejas e comunidades eclesiais».

No total, foram 11 e representaram o patriarcado de Constantinopla, o da Rússia, o de Romênia, o da Sérvia, a Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja Apostólica Armênia, a Comunhão Anglicana, a Federação Mundial Luterana, os Discípulos de Cristo e o Conselho Ecumênico das Igrejas.

Os padres sinodais fazem referência particular à oração das Vésperas presidida pelo Papa Bento XVI junto a Sua Santidade Bartolomeu I na Capela Sistina, em 18 de outubro.

«As palavras do patriarca ecumênico dirigidas aos padres sinodais permitiram experimentar uma profunda alegria espiritual e ter uma experiência viva de comunhão real e profunda, ainda que não seja perfeita; nelas experimentamos a beleza da Palavra de Deus, lida à luz da Sagrada Liturgia e dos Padres, uma leitura espiritual intensamente contextualizada em nosso tempo», diz a proposição aprovada pelo Sínodo.

«Deste modo, vimos que recorrendo ao coração da Sagrada Escritura encontramos realmente a Palavra nas palavras; a Palavra abre os olhos dos fiéis para responder aos desafios do mundo atual», continuam dizendo os padres sinodais no enunciado. No total, aprovaram 55 proposições.

«Também compartilhamos a experiência gozosa de ter padres comuns no Oriente e no Ocidente – acrescenta. Que este encontro se converta em estímulo para oferecer um ulterior testemunho de comunhão na escuta da Palavra de Deus e de súplica fervorosa ao único Senhor, para que se realize quanto antes a oração de Jesus: ‘Que todos sejam um’.»

O Papa se baseia, entre outras coisas, nas proposições aprovadas pelo Sínodo para a redação da exortação apostólica pós-sinodal. Em caso de que seja incluída esta proposição no documento, será a primeira vez que o magistério de um patriarca ortodoxo é acolhido explicitamente por este tipo de documentos magistrais da Igreja Católica.

Bartolomeu

Por Papa Bento XVI
Tradução: Vaticano
Fonte: Vaticano

Queridos irmãos e irmãs!

Na série dos Apóstolos chamados por Jesus durante a sua vida terrena, hoje quem atrai a nossa atenção é o apóstolo Bartolomeu. Nos antigos elencos dos Doze ele é sempre colocado antes de Mateus, enquanto varia o nome daquele que o precede e que pode ser Filipe (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14) ou Tomé (cf. Act 1, 13). O seu nome é claramente um patronímico, porque é formulado com uma referência explícita ao nome do pai. De facto, trata-se de um nome provavelmente com uma marca aramaica, Bar Talmay, que significa precisamente “filho de Talmay”.

Não temos notícias de relevo acerca de Bartolomeu; com efeito, o seu nome recorre sempre e apenas no âmbito dos elencos dos Doze acima citados e, por conseguinte, nunca está no centro de narração alguma. Mas, tradicionalmente ele é identificado com Natanael: um nome que significa “Deus deu”. Este Natanael provinha de Caná (cf. Jo 21, 2), e portanto é possível que tenha sido testemunha do grande “sinal” realizado por Jesus naquele lugar (cf. Jo 2, 1-11). A identificação das duas personagens provavelmente é motivada pelo facto que este Natanael, no episódio de vocação narrada pelo Evangelho de João, é colocado ao lado de Filipe, isto é, no lugar que Bartolomeu ocupa nos elencos dos Apóstolos narrados pelos outros Evangelhos. Filipe tinha comunicado a este Natanael que encontrara “aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas: Jesus, filho de José de Nazaré” (Jo 1, 45). Como sabemos, Natanael atribuiu-lhe um preconceito bastante pesado: “De Nazaré pode vir alguma coisa boa?” (Jo 1, 46a). Esta espécie de contestação é, à sua maneira, importante para nós. De facto, ela mostra-nos que segundo as expectativas judaicas, o Messias não podia provir de uma aldeia tanto obscura como era precisamente Nazaré (veja também Jo 7, 42). Mas, ao mesmo tempo realça a liberdade de Deus, que surpreende as nossas expectativas fazendo-se encontrar precisamente onde não o esperávamos. Por outro lado, sabemos que Jesus na realidade não era exclusivamente “de Nazaré”, pois tinha nascido em Belém (cf. Mt 2, 1; Lc 2, 4) e que por fim provinha do céu, do Pai que está no céu.

Outra reflexão sugere-nos a vicissitude de Natanael: na nossa relação com Jesus não devemos contentar-nos unicamente com as palavras. Filipe, na sua resposta, faz um convite significativo: “Vem e verás!” (Jo 1, 46b). O nosso conhecimento de Jesus precisa sobretudo de uma experiência viva: o testemunho de outrem é certamente importante, porque normalmente toda a nossa vida cristã começa com o anúncio que chega até nós por obra de uma ou de várias testemunhas. Mas depois devemos ser nós próprios a deixar-nos envolver pessoalmente numa relação íntima e profunda com Jesus; de maneira análoga os Samaritanos, depois de terem ouvido o testemunho da sua concidadã que Jesus tinha encontrado ao lado do poço de Jacob, quiseram falar directamente com Ele e, depois deste colóquio, disseram à mulher: “Já não é pelas tuas palavras que acreditamos, nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4, 42).

Voltando ao cenário de vocação, o evangelista refere-nos que, quando Jesus vê Natanael aproximar-se exclama: “Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento” (Jo 1, 47). Trata-se de um elogio que recorda o texto de um Salmo: “Feliz o homem a quem Iahweh não atribui iniquidade” (Sl 32, 2), mas que suscita a curiosidade de Natanael, o qual responde com admiração: “Como me conheces?” (Jo 1, 48a). A resposta de Jesus não é imediatamente compreensível. Ele diz: “Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira” (Jo 1, 48b). Não sabemos o que aconteceu sob esta figueira. É evidente que se trata de um momento decisivo na vida de Natanael. Ele sente-se comovido com estas palavras de Jesus, sente-se compreendido e compreende: este homem sabe tudo de mim, Ele sabe e conhece o caminho da vida, a este homem posso realmente confiar-me. E assim responde com uma confissão de fé límpida e bela, dizendo: “Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel” (Jo 1, 49). Nela é dado um primeiro e importante passo no percurso de adesão a Jesus. As palavras de Natanael ressaltam um aspecto duplo e complementar da identidade de Jesus: Ele é reconhecido quer na sua relação especial com Deus Pai, do qual é Filho unigénito, quer na relação com o povo de Israel, do qual é proclamado rei, qualificação própria do Messias esperado. Nunca devemos perder de vista nenhuma destas duas componentes, porque se proclamamos apenas a dimensão celeste de Jesus, corremos o risco de o transformar num ser sublime e evanescente, e se ao contrário reconhecemos apenas a sua colocação concreta na história, acabamos por descuidar a dimensão divina que propriamente o qualifica.

Da sucessiva actividade apostólica de Bartolomeu-Natanael não temos notícias claras. Segundo uma informação referida pelo historiador Eusébio do século IV, um certo Panteno teria encontrado até na Índia os sinais de uma presença de Bartolomeu (cf. Hist. eccl., V 10, 3). Na tradição posterior, a partir da Idade Média, impôs-se a narração da sua morte por esfolamento, que se tornou muito popular. Pense-se na conhecidíssima cena do Juízo Universal na Capela Sistina, na qual Michelangelo pintou São Bartolomeu que segura com a mão esquerda a sua pele, sobre a qual o artista deixou o seu auto-retrato. As suas relíquias são veneradas aqui em Roma na Igreja a ele dedicada na Ilha Tiberina, aonde teriam sido levadas pelo Imperador alemão Otão III no ano de 983. Para concluir, podemos dizer que a figura de São Bartolomeu, mesmo sendo escassas as informações acerca dele, permanece contudo diante de nós para nos dizer que a adesão a Jesus pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós está chamado a consagrar a própria vida e a própria morte.

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