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Mais difícil do que amar a Deus é deixar-se amar por Ele, diz o Papa Francisco

VATICANO, 07 Jun. 13 / 02:38 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco disse na Missa desta manhã na capela da Casa Santa Marta, no marco da solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que o mais difícil é deixar-se amar por Deus. O Pontífice destacou que Jesus nos amou não com palavras, mas com obras e com sua vida, e definiu que esta solenidade é “a festa do amor” de um “coração que amou tanto”.

Em outra passagem, expressou: “Esta pode parecer uma heresia, mas é a verdade maior: Mais difícil do que amar a Deus é deixar-se amar por Ele!”.

“Deixar-se amar com ternura pelo Senhor é difícil, mas é o que devemos pedir a Deus”, expressou o Papa. Disse também que o amor de Cristo “é um amor que se manifesta mais nas obras do que nas palavras e é, sobretudo, mais dar do que receber”, expressou o Santo Padre, que também ressaltou que estes dois critérios –o dar e o receber– são como as colunas do verdadeiro amor.

“E é o Bom Pastor quem em tudo representa o amor de Deus. Ele conhece suas ovelhas uma a uma, porque o amor não é um amor abstrato ou geral: é amor para cada um”, expressou.

O Papa insistiu em que Deus se faz próximo por amor, caminha com seu povo e este caminhar chega a um ponto que é inimaginável: “é difícil imaginar que o mesmo Senhor se faz um de nós e caminha conosco, fica conosco, fica com sua Igreja, fica na Eucaristia, fica na sua Palavra, fica nos pobres, fica conosco caminhando. Esta é a proximidade: o pastor próximo ao seu rebanho, próximo a suas ovelhas, que conhece uma a uma”.

Citando uma passagem do livro do profeta Ezequiel, ressaltou outro aspecto do amor de Deus. Francisco enfocou sua reflexão no cuidado pela ovelha perdida e por aquela ferida e doente: “Ternura! O Senhor nos ama com ternura. O Senhor conhece aquela bela ciência dos carinhos, a ternura de Deus. Não nos ama com as palavras. Ele se aproxima e nos dá o amor com ternura”.

“Proximidade e ternura! –continuou–. Estas duas formas de amor do Senhor que se faz próximo e dá todo seu amor também nas pequenas coisas: com a ternura. E este é um amor forte, porque proximidade e ternura nos fazem ver a fortaleza do amor de Deus”.

“Vocês amam como eu vos amei?”, perguntou aos presentes. Francisco sublinhou que o amor deve fazer-se próximo do outro, “como o amor do bom samaritano”, e particularmente sob o sinal da proximidade e da ternura. Como restituir o amor do Senhor pelos homens? A fórmula que deu o pontífice foi: “Amando-o, fazendo-se próximo a Ele, sendo terno com Ele”.

Não obstante, adicionou que isto não é suficiente: “Esta pode parecer uma heresia, mas é a verdade maior: mais difícil do que amar a Deus é deixar-se amar por Ele!”.

Francisco assinalou que a maneira de retribuir tanto amor “é abrir o coração e deixar-se amar”, e assim, deixar que Deus se faça próximo de nós: “deixar que Ele se faça terno, que nos acaricie. É tão difícil deixar-nos amar por Ele. Talvez isso seja o que devemos pedir hoje na Missa”.

Francisco concluiu convidando os presentes a rezar por meio de suas palavras: “Senhor, eu quero te amar, mas ensina-me a difícil ciência, o difícil hábito de me deixar amar por Ti, de te sentir próximo e de te sentir terno! Que o Senhor nos dê esta graça!”.

Satanás é um mal pagador e sempre nos engana, ensina o Papa Francisco

VATICANO, 14 Mai. 13 / 03:36 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco disse hoje, em sua habitual homilia da Missa que preside na Casa Santa Marta no Vaticano, que Satanás é um mal pagador e sempre nos engana; e ante essa realidade temos que rezar pedindo ao Espírito Santo um coração capaz de amar como Jesus, porque o que ama nunca está sozinho e não “perde” sua vida mas sim a encontra.

Na Eucaristia concelebrada pelo Arcebispo de Medellín (Colômbia), Dom Ricardo Antonio Tobón Restrepo, e na qual participaram alguns empregados dos Museus Vaticanos, assim como alguns alunos do Pontifício Colégio Português, o Santo Padre disse que se de verdade queremos seguir Jesus, devemos “viver a vida como um dom” para doá-la aos outros, “não como um tesouro que devemos conservar”.

O Santo Padre refletiu sobre a oposição entre o caminho do amor e o do egoísmo. Evocando a palavra forte que Jesus nos diz: “Ninguém tem amor maior que este: dar sua vida.”, o Pontífice destacou que a liturgia de hoje mostra também a Judas, que tinha precisamente a atitude contrária: “e isso porque Judas nunca compreendeu o que é um dom”.

“Pensemos naquele momento, quando Madalena lava os pés de Jesus com o nardo, tão caro: é um momento religioso, um momento de gratidão, um momento de amor. E ele (Judas) se afasta e critica amargamente: ‘Mas … isso poderia ser usado para os pobres!’. Esta é a primeira referência que eu encontrei no Evangelho da pobreza como ideologia. O ideólogo não sabe o que é o amor, porque não sabe doar-se”.

Judas estava “isolado em sua solidão”, e esta sua atitude de egoísmo foi crescendo “até trair Jesus.”, acrescentou o Papa Francisco, ressaltando logo que o que ama “dá sua vida como dom”; enquanto que o egoísta “cuida da sua vida, cresce neste egoísmo e se torna um traidor, mas sempre sozinho”.

Entretanto, quem “dá a sua vida por amor, nunca está sozinho: está sempre em comunidade, em família.” Além disso, quem “isola a sua consciência no egoísmo,” acaba “perdendo-a”, reiterou o Papa, ressaltando que foi isso o que aconteceu com Judas, que “era um idólatra, apegado ao dinheiro”:

“E João o diz: ‘era um ladrão’. E esta idolatria o levou a isolar-se da comunidade: este é o drama da consciência isolada. Quando um cristão começa a isolar-se, também isola a sua consciência do sentido comunitário, do sentido da Igreja, daquele amor que Jesus nos dá. Ao invés disso, o cristão que doa a sua vida, que a perde, como diz Jesus, a encontra, em sua plenitude. E o que, como Judas, quer conservá-la para si mesmo, ao final a perde. João nos diz que ‘nesse momento, Satanás entrou no coração de Judas’. E, devemos dizê-lo: Satanás é um mal pagador. Sempre nos engana, sempre!”

“Mas Jesus ama sempre e sempre se doa. E este seu dom de amor nos leva a amar para dar fruto. E o fruto permanece”, disse o Papa Francisco.

Para concluir o Santo Padre alentou que nestes dias à espera da Festa do Espírito Santo, Pentecostes “peçamos: Vem, Espírito Santo, vem e dê-me um coração aberto, um coração que seja capaz de amar com humildade e com mansidão, mas sempre um coração aberto que seja capaz de amar. Peçamos esta graça ao Espírito Santo. E que nos libere sempre do outro caminho, do caminho do egoísmo, que termina sempre mal. Peçamos esta graça!”.

Autoridade da cúria romana explica por que Bento XVI é um dos grandes pensadores deste tempo

Dom Gerhard Ludwig Müller

Vaticano, 16 Jan. 13 / 10:47 am (ACI/EWTN Noticias).- O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller, afirmou que há muito poucas pessoas no mundo que possuam a profundidade de pensamento do Papa Bento XVI e explicou que isto se deve a toda sua experiência de vida.

Dom Müller fez estas declarações em uma entrevista concedida à Rádio Vaticano depois de apresentar o livro “Expandindo o horizonte da razão”,  uma obra que recolhe os trabalhos e reflexões do Papa Ratizinger ao longo de toda sua vida.

“É um dos poucos homens que há com um horizonte tão amplo: conhece o desenvolvimento da filosofia na Europa, desde os gregos, os romanos, e para terminar com os filósofos modernos. Conhece também a história da Igreja, as perguntas e os desafios que se antepõem às ciências naturais de hoje em dia. Conheço poucas pessoas que tenham esta profundidade de pensamento, tão necessário hoje em dia”, disse a autoridade vaticana.

Dom Müller, quem também é presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, da Comissão Teológica Internacional e da Pontifícia Comissão Bíblica, assinalou também que o Santo Padre é um grande pensador, mas além disso, tem a grande capacidade de falar com um homem simples.

“Por isso, é necessário e muito importante que todos os teólogos sejam pastores, que se dirijam a todos os homens, porque Deus não ama só os intelectuais, as pessoas que são grandes gênios, mas todos os homens”, acrescentou.

Explicou que o Papa tem feito um comprido caminho em sua vida e em suas reflexões. “Começou aos 15 anos. Hoje tem 85: assim são 70 anos de reflexão profunda e de meditação. houve muitas experiências em sua vida: de jovem viveu a experiência do nacionalismo e do fascismo, da guerra, de vários eventos de sua vida humana… Mas isso, nunca foi um intelectual que vive em sua torre de marfim, se não que tiver presente a vida de todos os homens, e está profundamente inserido  na história do século XXI”.

“Digamos que Jesus Cristo é o Verbo de Deus, mas quando veio ao mundo falou de maneira muito singela, ao coração de todos os homens. Falou com os fariseus, aos grandes intelectuais de seu mundo, de seu tempo, mas sempre testemunhou o grande respeito que Deus tem por todos os homens”, acrescentou.

Por último, em relação à incursão do Santo Padre no mundo das redes sociais, mais concretamente no Twitter –com a conta @Pontifex_pt-, Dom Müller considerou que “assim como a fé e a Revelação são maneiras que Deus usa para comunicar-se conosco. Através destes meios de comunicação podemos comunicar, não de maneira ideológica –quer dizer, querer influenciar às pessoas contra sua razão-, a não ser para ter um diálogo aberto à verdade”.

“Só a Verdade, pode salvar os homens, não a propaganda”, concluiu.

O convívio entre os santos

Fonte: GaudiumPress

“É pelo amor entre Vós que o mundo conhecerá que sois meus discípulos”. Este axioma precioso e verdadeiro tem sido confirmado ao longo dos 2000 anos da história da Igreja de várias maneiras; por exemplo, através do comportamento dos santos, que são os modelos propostos pela sabedoria da Esposa Mística de Cristo para nossa própria vida.

Com o espírito colocado nesse ponto luminoso da doutrina pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo, consideremos alguns fatos da vida dos santos. Já de início toda a nova doutrina e consequente modo de viver ensinado pelo Divino Mestre no que diz respeito ao relacionamento humano, transforma profundamente a mentalidade do mundo antigo. Que deus da antiguidade chamava seus adoradores de amigos? Ao contrário, os deuses pagãos sempre eram concebidos pelos seus seguidores como seres prepotentes, egoístas e que muitas vezes padeciam das mesmas e diversas paixões desregradas do ser humano, tendo com seus seguidores um trato rude, exigindo-lhes sacrifícios de sangue.

"É pelo amor entre Vós que o mundo conhecerá que sois meus discípulos"
“É pelo amor entre Vós que o mundo conhecerá que sois meus discípulos”.

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu sobre a terra foi tal a transformação que o mundo sofreu, que, até hoje, se torna difícil fazer uma idéia de como era o mundo antes dEle. Só Ele, o verdadeiro Deus, é que pôde dizer: “Não mais vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.” Dando o exemplo mais sublime que se poderia dar, o de um Deus que ama os seus adoradores a ponto de torná-los seus amigos e até irmãos, dar sua própria Mãe para que fosse também Mãe de cada um deles, e até dar sua vida pelos seus adoradores, era compreensível e aceitável que Ele recomendasse como norma de conduta: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”

Esse exemplo divino foi seguido com toda a integridade e brilho por Maria Santíssima. Os evangelistas foram muito comedidos em comentar sua vida, mas sabe-se que a visita a Santa Isabel foi um refulgir do amor de Deus que transbordou do coração de Maria. A intervenção preocupada dEla nas bodas de Caná, livrando os noivos de uma dificuldade, e muitos outros atos de amor ao próximo que terão sido praticados por Ela e dos quais só na eternidade teremos conhecimento, constituem as pegadas douradas deixadas por Ela sobre as de Seu Divino Filho.

Felizmente para nossa edificação, a vida de muitos outros santos que seguiram os passos do Jesus Cristo Nosso Senhor é conhecida em detalhes. Por exemplo, a vida de São Francisco de Assis.

São Francisco de Assis
São Francisco de Assis

Conta-se no “Fioretti”, livro com muitos fatinhos da vida do Poverello, que estando ele no início da obra para a qual Deus o havia chamado, chorava tanto durante a oração – por pura compaixão ao considerar os sofrimentos do Divino Redentor – e esta era tão prolongada que, em consequência, ficou quase cego. E um dia foi distrair-se com o irmão Bernardo, seu primeiro discípulo.

Chegado ao local onde este costumava orar, chamou-o por três vezes, sem obter resposta. Um pouco abatido, porque considerou que o Irmão não queria falar-lhe, retirou-se. Estando a caminho de volta, o Senhor lhe revelou que o Ir. Bernardo estava, naquele momento, em alta contemplação conversando com Deus, e que, por isso, não o havia ouvido. S. Francisco voltou então e chamando o Ir. Bernardo confessou humildemente que havia pensado mal dele, pedindo-lhe perdão.

Por seu lado, a admiração que este discípulo manifestava por seu fundador era tão grande que ele nem queria ouvir o pedido de perdão. Mas S. Francisco, radicalmente, ordena-lhe em nome da santa obediência, que, por aquele mal pensamento, o Irmão Bernardo pisasse por três vezes sobre seu pescoço e sua boca dizendo: “Aguenta aí, vilão, filho de Pedro Bernardone, de onde te vem tanta soberba, sendo a mais vil das criaturas?”

Obedecendo da maneira mais delicada possível o Ir. Bernardo executa a ordem. A seguir pede ele a S. Francisco que, por caridade, lhe prometesse algo: que sempre que estivessem juntos o repreendesse e corrigisse asperamente por seus defeitos. S. Francisco, que o tinha por homem muito virtuoso e santo, daí em diante passou a falar com ele o mínimo possível, porque não queria corrigir aquele a quem considerava maior e mais santo que si.

Santa Clara de Assis
Santa Clara de Assis

Um outro fato muito edificante deu-se entre S. Francisco e Santa Clara. É fato muito conhecido que ela foi atraída à vida religiosa por ele e renunciou a uma situação cômoda no meio das riquezas, para abraçar a vocação franciscana. Apesar de ter sempre palestras e reuniões com S. Francisco para que ficar bem formada no espírito da Ordem, ela manifestava o desejo de, um dia, partilhar uma refeição com seu pai espiritual. Ele, por sua vez, por temor de dar-se a si mesmo esse deleite, sempre o negava. Seus irmãos e discípulos intecederam a favor dela e instaram que atendesse o pedido da pobre dama, uma vez que ela tinha renunciado a tudo por amor a Deus e era tão santa. S. Francisco, muito cordato, concordou: “Parece-vos que devo concordar? Se vos parece que sim, também a mim parece.” Convidou-a então a almoçar com ele em Santa Maria dos Anjos, a igreja onde ela havia feito seus votos e onde tinha cortado seus cabelos, símbolo de sua entrega total a Deus. No dia combinado, lá foi ela felicíssima, acompanhada de uma irmã. A pobre refeição foi servida, sentando-se à mesa S. Francisco e Santa Clara, sua irmã e um outro frade. Todos os demais frades da comunidade se aproximaram da mesa para acompanhar a refeição. Tão logo os comensais começaram a falar das coisas de Deus com suavidade, alegria e elevação, eles mesmos e todos os que assistiam foram tomados pela abundância da graça divina e ficaram extasiados em Deus. As pessoas de longe perceberam que a casa e o bosque ao lado pareciam arder em chamas e muitos ali acorreram, temendo que fosse um incêndio. Nada, porém, encontraram que justificasse tanta luz, apenas um conjunto de santos que, com fisionomias alegres e embevecidas, se entretinham num êxtase comum e com isso glorificavam o Senhor.

A consideração desses singelos episódios não nos trazem alívio e consolação? São manifestações de personalidades inocentes, despretensiosas, tão distantes das preocupações do mundo, que já vivem a atmosfera do céu.

Rir-se-á, talvez, algum incrédulo materialista, dizendo: “Quimeras! O mundo não é isso! É preciso trabalhar, ganhar dinheiro, progredir!” E de dentro do quadro medieval, um dos castos personagens poderia lhe perguntar: “Mas, a que preço?” E, se por um segundo o materialista tivesse a consciência reta, resmungaria: “Ao preço de uma escravidão às paixões e vícios por toda a vida, e depois uma eternidade desgraçada, de escravidão ao demônio.”

Por Ângela Tomé.

Às vezes o homem ama mais as trevas do que a luz, diz Papa no Ângelus

No ângelus deste domingo, Bento XVI reafirmou a importância do sacramento da confissão Cidade do Vaticano (Gaudium Press) Antes da recitação do Ângelus, na manhã de domingo, Bento XVI agradeceu aos fiéis pelas orações na ocasião da festa de seu nome que acontece hoje na memória litúrgica de São José.

Durante a reflexão feita aos fiéis presentes na Praça São Pedro, o Papa fez comentários sobre o significado do quarto domingo da Quaresma. É aquele domingo no qual a liturgia apresenta ao mundo a Cruz – auge da missão de Jesus e fonte de seu amor e da salvação. Mostra a verdade preanunciada no episódio no deserto, durante o êxodo do Egito quando “os judeus foram atacados por serpentes venenosas e muitos morreram; então Deus mandou Moisés fazer uma serpente de bronze e colocá-la sobre uma haste: se alguém era mordido por uma serpente, olhando a serpente de bronze era curado”, recordou o Santo Padre.

Jesus é médico para nós, Ele “vem para curar o doente” e o pecado. Mas, salientou o Santo Padre, “grande também é a nossa responsabilidade” pois, “cada um, de fato, deve reconhecer que está doente para poder ser curado; cada um de nós deve confessar o próprio pecado, para que o perdão de Deus, já concedido na Cruz, possa ter efetivado no seu coração e na sua vida”.

“Às vezes, afirmou Bento XVI – o homem ama mais as trevas do que a luz, porque é apegado a seus pecados. Mas é somente abrindo-se à luz, é somente confessando sinceramente as próprias culpas a Deus, que se encontra a verdadeira paz e a verdadeira alegria”.

Para concluir, o Santo Padre ainda reafirmou para os milhares de fiéis a importância de “recorrer com regularidade ao Sacramento da Penitência, em particular na Quaresma, para receber o perdão do Senhor e intensificar o nosso caminho de conversão”.

Para o homem a fé cristã é sempre um escândalo, afirma o Papa

FRIBURGO, 26 Set. 11 / 03:31 pm (ACI/EWTN Noticias)

Em seu discurso às associações católicas comprometidas com a Igreja e a sociedade na Alemanha, o Papa Bento XVI disse que “a fé cristã é para o homem sempre um escândalo, não só em nosso tempo”.

Ontem pela tarde na Konzerthaus de Friburgo, o Santo Padre agradeceu primeiramente o trabalho destas associações e fez uma reflexão sobre o fato que, ante a progressiva secularização da sociedade cada batizado, “cada cristão e a comunidade dos crentes estão chamados a uma conversão contínua”.

Este processo, explicou, deve considerar o “escândalo” da fé já que “acreditar que o Deus eterno se preocupe dos seres humanos, que nos conheça; que o Inexeqüível se converteu em um momento dado em acessível; que o Imortal tenha sofrido e morto na cruz; que tenha prometido aos mortais a ressurreição e a vida eterna; para nós os homens, tudo isto é verdadeiramente uma ousadia”.

Este escândalo, continuou, “que não pode ser suprimido se não quer anular o cristianismo, foi lamentavelmente escurecido recentemente pelos dolorosos escândalos dos anunciadores da fé”.

“Cria-se uma situação perigosa, quando estes escândalos ocupam o posto do skandalon primário da Cruz, fazendo-o assim inacessível; isto é quando escondem a verdadeira exigência cristã atrás da inépcia de seus mensageiros”, acrescentou.

O Papa disse logo que para cumprir com sua missão de anunciar ao mundo o Evangelho de Cristo para a salvação dos homens, é necessário como dizia Paulo VI, que a Igreja “’diferencie-se profundamente do ambiente humano no qual vive e ao qual se aproxima’. Para cumprir sua missão, ela tomará continuamente as distâncias de seu entorno, deve em certa medida ser desmundanizada”.

A Igreja, explicou Bento XVI, existe graças à vontade de Deus que ama todos sem distinção e respeita a liberdade de cada qual para segui-lo ou não, para responder livremente ao seu amor apesar de que “o homem não pode corresponder com nada equivalente”.

“Também a Igreja deve seu ser a este intercâmbio desigual. Não possui nada de autônomo diante d’Aquele que a fundou. Encontra seu sentido exclusivamente no compromisso de ser instrumento de redenção, de impregnar o mundo com a palavra de Deus e de transformá-lo ao introduzi-lo na união de amor com Deus”.

O Pontífice precisou que “a Igreja deve se abrir uma e outra vez às preocupações do mundo e dedicar-se a elas sem reservas, para continuar e fazer presente o intercâmbio sagrado que começou com a Encarnação”.

“No desenvolvimento histórico da Igreja se manifesta, entretanto, também uma tendência contrária, a de uma Igreja que se acomoda a este mundo, chega a ser auto-suficiente e se adapta a seus critérios. Por isso dá uma maior importância à organização e à institucionalização que à sua vocação à abertura”.

Ante esta situação, disse o Papa, e “para corresponder à sua verdadeira tarefa, a Igreja deve uma e outra vez fazer o esforço de separar-se do mundano do mundo. Com isto segue as palavras de Jesus: ‘Não são do mundo, como eu também não sou do mundo’”.

Em um certo sentido, continuou o Papa Bento, “a história vem em ajuda da Igreja através de distintas épocas de secularização que contribuíram de modo essencial à sua purificação e reforma interior”.

“Com efeito, as secularizações –seja que consistam em expropriações de bens da Igreja ou em cancelamento de privilégios ou coisas similares– significaram sempre um profundo desenvolvimento da Igreja, no qual se despojava de sua riqueza terrena ao mesmo tempo em que voltava a abraçar plenamente sua pobreza terrena”.

O Papa destacou assim “os exemplos históricos mostram que o testemunho missionário da Igreja ‘desmundanizada’ resulta mais claro. Liberada de seu fardo material e político, a Igreja pode dedicar-se melhor e verdadeiramente cristã ao mundo inteiro, pode verdadeiramente estar aberta ao mundo. Pode viver novamente com mais soltura sua chamada ao ministério da adoração a Deus e ao serviço do próximo”.

Para obter isto, explicou Bento XVI, é necessário que a Igreja experimente a fé “no hoje vivendo-a totalmente precisamente na sobriedade do hoje, levando-a à sua plena identidade, tirando o que só aparentemente é fé, mas em realidade não são mais que convenções e hábitos”.

O Papa Bento XVI disse logo que “estar abertos às vicissitudes do mundo significa portanto para a Igreja ‘desmundanizada’ testemunhar, segundo o Evangelho, com palavras e obras, aqui e agora, a senhoria do amor de Deus”.

Ao final do seu discurso o Papa disse: “queridos amigos, resta só implorar para todos nós a bênção de Deus e a força do Espírito Santo, para que possamos, cada um em seu próprio campo de ação, reconhecer uma e outra vez e testemunhar o amor de Deus e sua misericórdia”.

Amor de Deus: certeza que não pode falhar, segundo Pe. Cantalamessa

“Fé cristã nos assegura isso: Deus existe e é amor!”, disse em sua meditação à Cúria

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 1º de abril de 2011 (ZENIT.org) – “O primeiro e fundamental anúncio que a Igreja tem a missão de levar ao mundo, e que o mundo espera da Igreja, é o amor de Deus”, disse hoje o Pe. Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, diante de Bento XVI e da Cúria Romana.

O pregador do Papa dedicou sua segunda meditação quaresmal a falar do Deus-amor na criação, na Escritura, na encarnação de Cristo e em sua morte e ressurreição.

“Os homens precisam saber que Deus os ama e ninguém melhor que os discípulos de Cristo para lhes dar essa boa notícia.”

“Outros, no mundo, compartilham com os cristãos o temor de Deus, a preocupação com a justiça social e o respeito do homem, com a paz e a tolerância; mas ninguém – ninguém! – entre os filósofos, nem entre as religiões, diz ao homem que Deus o ama, o ama primeiro, e o ama com amor de misericórdia e de desejo: com eros e com ágape”, acrescentou.

A tarefa do homem, em resposta a esse amor, não é tanto amar a Deus, mas, antes e primeiramente, acreditar no amor de Deus.

“Pareceria uma fé fácil e agradável; mas é, talvez, a coisa mais difícil que exista, até para nós, criaturas humanas”, sublinhou o Pe. Cantalamessa. “Se acreditássemos, a vida, nós mesmos, as coisas, os fatos, a própria dor, tudo se transfiguraria rapidamente diante dos nossos olhos!”

O mundo, afirmou, “sempre foi dificultando mais acreditar no amor. Quem foi traído ou ferido uma vez, tem medo de amar e ser amado, porque sabe o quanto dói ver-se enganado. Por isso vai sempre crescendo a fila dos que não conseguem acreditar no amor de Deus; ou pior: em amor nenhum”.

“O desencanto e o cinismo são a moldura da nossa cultura secularizada. No pessoal, temos ainda a experiência da nossa pobreza e miséria, que nos faz dizer: ‘Sim, o amor de Deus é bonito, mas não é pra mim! Eu não sou digno…’.”

O sacerdote convidou os presentes a olhar para a própria vida, “a trazer à tona os medos que se aninham nela, as tristezas, ameaças, complexos, aquele defeito físico ou moral, aquela lembrança doída que nos humilha, e escancarar tudo à luz do pensamento de que Deus me ama”.

“Tudo pode ser questionado, todas as certezas podem nos faltar, mas nunca esta: Deus nos ama e é mais forte do que tudo”, acrescentou.

As características do Deus-amor

O Pe. Cantalamessa sublinhou os traços do amor divino contidos na revelação cristã, e que a distinguem absolutamente das demais religiões e filosofias existentes.

O primeiro é a singularidade do fato de que Deus é quem ama primeiro o homem, e não o contrário: o amor de Deus é o amor de Deus pelo homem, muito mais que o dever do homem de amar a Deus.

“O mais importante não é saber se Deus existe, mas se Ele é amor. Se, por hipótese, Ele existisse, mas não fosse amor, teríamos mais a temer do que a nos alegrar com a sua existência, como ocorria nos primeiros povos e civilizações. A fé cristã nos assegura justamente isso: Deus existe e é amor!”

O segundo traço é que Deus criou o homem por amor. “Como é distante – afirmou o Pe. Cantalamessa – a visão cristã da origem do universo da visão do cientificismo ateu recordado no Advento! Um dos sofrimentos mais profundos para um jovem é descobrir, um dia, que ele está no mundo por acaso, não querido, não esperado, talvez por uma falha dos pais. Certo cientificismo ateu parece empenhado em infligir esse tipo de sofrimento à humanidade inteira.”

O terceiro é que Deus ama como pai e como mãe, ao contrário da concepção pagã de Deus, que refletia um “amor sem fraqueza”, viril, enquanto a Bíblia mostra o amor maternal de Deus, “feito de acolhimento e ternura”.

O quarto traço é que o amor divino é também esponsal, “amor de desejo e de escolha. Se é verdade, então, que o homem deseja Deus, é verdade, misteriosamente, também o contrário: que Deus deseja o homem, quer e aprecia o seu amor”.

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