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Bento XVI e o Silêncio dos Bispos

Papa Bento XVI Faltando três dias para a votação do segundo turno, o acalorado debate eleitoral ganhou um interlocutor de peso: o Papa Bento XVI.
Num discurso pronunciado, nesta manhã de quinta-feira, para bispos do Nordeste – reconhecida base eleitoral do PT de Dilma Rousseff – Bento XVI condenou com clareza “os projetos políticos” que “contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto”.

Com o discurso de hoje, Bento XVI rompe, desde o mais alto grau da hierarquia católica, o patrulhamento ideológico que o PT vem impondo a bispos do Brasil através de ameaças, pressões diplomáticas, xingamentos e abusos de poder.
É conhecida a absurda apreensão, a pedido do PT, de milhares de folhetos contendo o “Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras”, em que a Comissão em Defesa da Vida, da Regional Sul I da CNBB, exortava os católicos a não votar em políticos que defendam a descriminalização do aborto. É conhecida a denúncia do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de que tem sido vítima de censura e perseguição por parte do PT (cf. Revista Veja). É arquiconhecida a prisão de leigos católicos que realizavam o “ato subversivo” de distribuir nas ruas o documento dos bispos de São Paulo.

O Papa convida os bispos à coragem de romper este patrulhamento e falar. Ao defender a vida das crianças no ventre das mães, os bispos não devem temer “a oposição e a impopularidade, recusando qualquer acordo e ambigüidade”.
O pronunciamento de Bento XVI ainda exorta os bispos a cumprirem “o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”. E, numa clara alusão a uma das propostas do PNDH-3 do PT, se opõe à ausência “de símbolos religiosos na vida pública”.

Com seu discurso, o Papa procura evitar que o Brasil continue protagonista de um fenômeno que seria mais típico do feudalismo medieval, do que de uma suposta democracia moderna. De fato, durante a Baixa Idade Média, era comum que os posicionamentos e protestos mais decididos fossem os do Papa, enquanto os do episcopado local, mais exposto às pressões e ao poder imediato dos senhores feudais, eram como os de um cão atado à coleira. Pode até ensaiar uns latidos, mas quem passa por perto sabe que se trata de barulho inofensivo.

Ao apagar das luzes da campanha de segundo turno, o Pontífice parece preparar o terreno para que a Igreja do Brasil compreenda, sejam quais forem os resultados das eleições, que é inútil apelar para um currículo de progressos sociais e de defesas dos oprimidos do Partido dos Trabalhadores, quando seu “projeto político” está tão empenhado em eliminar os seres humanos mais fracos e indefesos no ventre das mães.

Segue abaixo o discurso do Santo Padre

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Fonte: Vaticano

Introdução aos Mitos Anticatólicos: Economia, Direito, Terra plana…

Por Thomas E. Woods
Tradução: Kandungus
Fonte: EWTN/YouTube

Já ouvimos todos esse papo antes, não ouvimos?

“A Igreja Católica é inimiga da ciência, do progresso e da razão”.

Bom, isso é tudo tolice e nós iremos provar sem dó.

Bem-vindos ao “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”. Sou seu anfitrião, Thomas Woods, e gostaria de começar esta série com um fato bem óbvio para a maioria: há um certo “duplo padrão” no mundo quando se fala em Igreja Católica. Você pode dizer o que quiser sobre a Igreja Católica; sua carreira não terminará, ninguém se importará, não haverá indivíduos ofendidos, nem greves de fome… Você diz o que quiser e está tudo bem. Na verdade, você será ainda melhor tratado nos círculos em voga do que antes.

Então, qual o resultado disso?

O resultado é que você pode escapar impune mesmo dizendo as coisas mais absurdas e ridículas sobre a Igreja Católica. E as pessoas acreditam! Elas tendem a acreditar em toda e qualquer calúnia absurda contra a Igreja Católica; mas, pior ainda, alguns católicos – eu acredito – começaram a incorporar algumas dessas críticas e, no fundo, acho que eles mesmos se perguntam: “A Igreja foi, afinal das contas, uma influência positiva na História? Não foi ela responsável só por repressão e ignorância? Não foi ela uma oponente das ciências?” Todos fomos ensinados a acreditar nisto… Aliás, seria um milagre se não acreditássemos!

Porém, não é verdade! E nesta série mostraremos por quê. Iremos exibir a verdadeira glória da Igreja Católica.

Os ataques à Igreja Católica e à crença religiosa em geral aceleraram-se nos últimos cinco anos, mais ou menos. Nós vimos em anos recentes best-sellers escritos por Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, condenando a crença religiosa em geral como “irracional” e “imbecil”; na verdade, eles estão dizendo às crianças deste país: “Seus pais são tolos por ensiná-los a religião”.

Pior do que isso é que depois do atentado de 7 de julho de 2005 em Londres, o que vemos é essa tendência do terrorismo islâmico dar a intelectuais uma justificativa para que se oponham à todas as religiões, com o argumento de que “toda religião é irracional; toda religiâo pode causar violência; então todas devem ser condenadas”. Por exemplo, no escocês “Sunday Herald”, Muriel Gray afirma: “A causa de toda esta miséria, desordem, violência, terror e ignorância é, evidentemente, a própria religião”.

E ela chama a religião de “disparate da Idade das Trevas”: “Para o governo de um país secular como o nosso” – ela diz – “tratar a religião como se esta tivesse mérito verdadeiro ao invés de tomá-la como um anacronismo absurdo, que educação, conhecimento e experiência podem ‘esperançosamente’ superar com o tempo, é um dos eventos mais deploráveis do século XXI”.

Vou deixar de lado o fato de que ela não sabe usar corretamente a palavra ‘esperançosamente’. Isso é um outro assunto; o principal é que esta é a crítica.

Outra crítica: Polly Toynbee, do “London Guardian” diz: “Chegou o momento de ser sério sobre toda religião e traçar uma linha firme entre o mundo real e o mundo dos sonhos”.

No “London Spectator”, Matthew Parris diz: “Aquilo que une um Mulá extremista a um padre católico ou pastor evangélico protestante é, na verdade, muito mais significativo e interessante do que aquilo que os separam”.

Estas críticas tornaram-se rotina; ouvimo-las [sempre], entra dia, sai dia. Toda religião é inimiga do progresso, mas a Igreja Católica em particular é consistentemente vista como inimiga da ciência e do progresso; do conhecimento, principalmente. Por que isso? Como aconteceu?

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