Resposta à Carta Aberta – Pe. Fábio de Melo

Fonte: Blog Filho do Céu

Querido Gustavo,

Respondo, finalmente, as questões que me foram apresentadas por você. Se puder, publique a resposta em seu blog. Resolvi recortar as questões e respondê-las uma a uma.

“Uma das suas primeiras assertivas, que a mim causou muito espanto e preocupação, foi a de que “precisamos nos despir dessa arrogância de que nós somos proprietários da verdade suprema”. De fato, “donos” da verdade nós não somos. Mas nós a conhecemos! A Verdade é Cristo, e não há outra”.

Gustavo, a Teologia nos ensina que a Plentiude da Revelação é Cristo, mas esta plenitude não significa esgotamento da verdade. Os desdobramentos desta verdade estão em todos os lugares do mundo. Deus continua se revelando. Plenitude não significa finalização.

O que sabemos do Cristo é processual. É assim que o Espírito Santo trabalha na vida da Igreja. A Teologia está a caminho. A grandeza da Revelação não cabe nos documentos que temos, nem tampouco na Teologia que já sistematizamos. O dogma evolui, pois é verdade santa. Tudo o que é santo, movimenta, porque é vivo. O que alimentou o passado precisa continuar alimentando o presente, e o futuro. Não significa modificar a verdade, mas sim, à luz do Espírito e da autoridade da Igreja, buscar a interpretação que favoreça o conhecimento da verdade que o dogma resguarda. Este exercício eclesial manifesta ao mundo o zelo pela verdade que nos foi confiado cuidar e administrar.

Deus continua se revelando ao mundo. O limite da Revelação é a inteligência humana. Nós o vitimamos constantemente com nossas reflexões, mas mesmo assim, Ele não deixa de se manifestar. Onde houver uma brecha, lá Deus acontecerá. Não podemos nos esquecer que a salvação é oferecida a todos. É interesse amoroso de Deus que a humanidade o conheça.

Nós, enquanto proprietários desta verdade que é Jesus, cuidamos do que recebemos. O cuidado da verdade recebida está sustentado sobre dois pilares. Anúncio e Reconhecimento. Nós anunciamos o Cristo. Nisso consiste a ação evangelizadora da Igreja. Mas nós também reconhecemos a sua presença, indícios do sagrado, em outras religiões. Como reconhecemos? Através dos frutos que produzem.

O amor que temos ao Cristo deve ser suficiente para que saibamos respeitar tudo o que é cristão, mesmo que as pessoas não se reconheçam cristãs. É dialética, meu caro. É a tensão escatológica que também esbarra na hermenêutica cristã. Já, mas ainda não. É neste ainda não que nos abrimos com humildade para compreender que outras religiões também vivem e perseguem os rastros do sagrado, e que mesmo oculto, lá o Cristo já está sendo vivido. É uma questão de tempo.

Recordo-me de uma frase muito sábia, que um grande professor jesuíta costumava repetir em nossas aulas de mestrado. Ele dizia: “todo mundo tem o direito de viver o seu antigo testamento.” A administração desta verdade só pode ser responsável, à medida que reconhecemos que ela já ultrapassou os limites dos muros, que estão sob nossa custódia.

“E como explicar que, ao falar da condição adâmica do homem, o senhor tenha adotado a interpretação modernista segundo a qual a historicidade das escrituras fica reduzida ao nível das histórias da carochinha?! Dizer que Adão é uma imagem simbólica, metafórica, “fabulesca”, não faz parte da Doutrina Católica! O fato de a linguagem empregada no livro de Gênesis ser recheada de simbolismo não elimina o fato de que os acontecimentos nele narrados tenham se dado no tempo e no espaço tal como foram escritos. A interpretação literal complementa e enriquece a hermenêutica que se pode fazer a partir dos símbolos. Não é assim que ensina a Igreja?”

Não, não é isso que ensina a Igreja. Se você freqüentasse os meios teológicos saberia muito bem que a linguagem metafórica nem sempre está a serviço de um fato concreto, pontuado no tempo e no espaço. Por isso é metáfora.

A linguagem metafórica não é mentirosa. Sou professor universitário e ensinei Antropologia Teológica. É uma clareza que não posso perder de vista. Ao falar da condição adâmica nós precisamos pensar na humanidade como um todo. Não temos a certidão de nascimento de Adão. O que temos é a fé de que Deus criou a humanidade. Não posso pontuar a existência do primeiro homem. A sagrada escritura só que nos ensinar que somos filhos Dele.

Gustavo, toda a Antropologia teológica é construída na perspectiva da Cristologia. A narração das origens está diretamente ligada ao evento crístico. A Teologia da Criação não é uma ciência exata. O que precisa ser assegurado é o fato de que Deus é o criador do Universo. A maneira como tudo isso se deu é metáfora. Isso não significa meia verdade, nem tampouco conto da carochinha. O que não pode ser relativizado é a entrada de Jesus na história.

Há um destino Crístico que nos foi oferecido (Soteriologia). Jesus é histórico. Está situado no tempo e no espaço. Isso sim é fundamental para a fé. Quando a Sagrada Escritura narra o nascimento do primeiro homem, o grande objetivo não é pontuar o início da vida humana, mesmo porque o escritor sagrado não escrevia com essa finalidade. Volto a dizer. A exegese nos ensina que o escrito tem como principal objetivo salvaguardar que o princípio de todas as realidades criadas está em Deus (Criacionismo). É por isso que a fé não se opõe à ciência no que diz respeito à evolução (Evolucionismo). É simples. O primeiro homem criado não pode ter tido a experiência que a sagrada escritura relata. Ou você pode desconsiderar tod os os conhecimentos a respeito da origem do ser humano?

Gustavo, a fé não é um conjunto de certezas, meu caro. Não temos provas concretas para muitos aspectos da fé que professamos. Se as tivéssemos não precisaríamos ter fé. Acreditamos no que não vemos. Nem por isso é “conto da carochinha”, como você sugere.

Não sei se você a conhece, mas se não conhecer, sugiro que tenha contato com a obra do americano Joseph Campbell, que de maneira brilhante e pertinente, fez uma análise da linguagem mitológica nas culturas. Na primeira parte da obra “O poder do mito”, ele fala justamente deste grande equívoco que costuma ser muito comum entre as pessoas que não transcendem a linguagem. Campbell é uma das maiores autoridades no campo da mitologia, pois faz uma abordagem semiótica destas narrações. O mito não é uma mentira, mas também não precisa ser verdade, diz ele. O importante é a fé que ele sugere. O importante é reconhecer que ele está a serviço de uma verdade superior, porque não cabe no tempo. Foi mais ou menos isso que desejou Guimarães Rosa, ao escrever o conto “ A terceira margem do rio”. Onde fica a terceira margem?
O mesmo não se dá com as nossas convicções religiosas? O discurso religioso é o discurso da terceira margem. Guimarães Rosa compreendeu bem esta linguagem. E nós precisamos compreendê-la também.

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“Depois o senhor falou que durante muito tempo “nós (subentenda-se: Igreja) fomos omissos”. Parece-me que essa omissão se referia às questões ecológicas. Pelo amor de Deus, padre! A missão da Igreja é salvar a Amazônia ou salvar as almas? Que conversa é essa de “cristificação do universo ”? Por que dar atenção a isso quando tantas almas se perdem na imoralidade, na heresia, na inércia espiritual?”

Gustavo, sua visão soteriológica é muito estreita. Salvar almas, somente? Essa visão compartimentada do ser humano é herética. Precisamos salvar a totalidade do humano, meu caro. Esqueceu o postulado fundamental da Antropologia cristã? Somos corpo e alma. Unidade. É só ler Tomás de Aquino, Santo Agostinho.

Fazer uma pregação desencarnada? A alma que quero salvar tem corpo, sente frio, tem fome, medo. A alma que quero salvar está num corpo que morre antes da hora, porque sofre as conseqüências de um meio ambiente marcado pelo pecado da omissão.

Se você fala da inércia espiritual, a Igreja fala da inércia espiritual e corporal. Cuidar do mundo é dar continuidade ao milagre da criação. Somos “co-criadores”. Deus continua criando, e nós correspondemos com a experiência do cuidado. Criar é atributo divino, mas cuidar é atributo humano. A horizontalidade da fé é real, concreta. Isso é Teologia da Criação. Está nos livros fundamentais, no catecismo da Igreja e também nos ensaios teológicos mais arrojados.

Quanto à essa conversa de “Cristificação do universo”, que você pareceu banalizar, fazer menor, é apenas uma interpretação belíssima da presença de Cristo no mundo, tomando posse de todos os lugares, mediante o movimento sacramental que Igreja celebra e propaga.

Todos os sacramentos que a Igreja celebra nos cristificam. O nosso comprometimento com o Cristo, mediante o processo de conversão, nos cristifica. O gesto de caridade nos cristifica. A oração nos cristifica. Ser cristão é ao Cristo estar configurado. É boba essa conversa?

“Em seguida, veio aquela colocação, esdrúxula e totalmente non sense, de que a Igreja – que se considerava barca de Pedro – após o Concílio Vaticano II passou a se enxergar como Povo de Deus. Devo informar-lhe que a Igreja permanece sendo barca de Pedro, e o povo de Deus é – por assim dizer – a tripulação desta barca. Onde é que houve mudança na compreensão da eclesiologia”?

A colocação esdrúxula não tem outro objetivo senão ensinar a busca que a Igreja tem feito de ser “Católica”. Você bem sabe que o significado de ser católica é ser “universal”. A expressão “barca de Pedro” não foi banida, Gustavo. Eu falei de superação conceitual. O problema não é a expressão, mas a interpretação que podemos fazer dela. É uma questão hermenêutica. A expressão “Povo de Deus” sugere a universalidade que a Igreja quer e precisa ter. O concílio Vaticano II compreendeu assim. É orientação da Igreja. Eu não inventei isso. Toda essa aversão que você tem ao Ecumenismo expõe uma fragilidade na sua reflexão. Não é bla, bla, bla, como você costu ma dizer. A Igreja trata com muito cuidado esta questão, pois sabe que as questões religiosas estão sendo causas de muito conflito no mundo. Banalizar a dimensão ecumênica da Igreja é, no mínimo, irresponsável.
Há uma vasta literatura na área da Eclesiologia refletindo sobre esse tema. Sugiro que você a conheça. Só vai lhe enriquecer.

Meu filho, o importante é a gente não esquecer, que mesmo estando na barca de Pedro, é sempre cordial e cristão, acenarmos com carinho e respeito aos que estão em barcas diferentes. As grandes guerras atuais são movidas por essa incapacidade de aceno.

“Entre as críticas feitas pelos blogueiros, salientava-se a sua posição – no mínimo, omissa – quando o apresentador Jô Soares comentou que achava um absurdo que a Igreja considerasse que o matrimônio servia apenas à procriação. Pergunto: por que o senhor não afirmou, como ensina a Igreja, que o matrimônio tem duas finalidades: a unitiva e a procriativa? Por que não disse que , sim, o amor dos esposos importa e ele é – ou, pelo menos, deve ser – expresso pela unidade (de pensamento e de vontade) que os cônjuges demonstram em todas e cada uma de suas ações? Era tão simples desfazer a argumentação errônea do entrevistador e, ao mesmo tempo, aproveitar para instruir as pessoas segundo a Sã Doutrina!”

Concordo com você. Eu errei ao não ter usado os termos técnicos. Quis levar a discussão através de outros recursos e acabei não sendo claro como deveria.

“Pior que não ter ensinado no momento oportuno, foi o senhor afirmar que “o nosso discurso já mudou”! Diga-me, Pe. Fábio, acaso a doutrina imutável da Igreja perdeu a sua imutabilidade? O senhor crê, convictamente, que a Igreja está, dia após dia, se amoldando à mentalidade atual? Não seria missão da Esposa de Cristo formar na sociedade uma mentalidade cristã, isto é, fomentar um novo modo de pensar e de viver que esteja impregnado do perfume de Cristo? Ou é o contrário: o mundo é que deve catequizar a Igreja?”

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Não, não é a Igreja que precisa ser moldada aos formatos do mundo. Em nenhum momento alguém me viu pregar sobre isso. Quando eu disse que o discurso já mudou, eu me referia justamente à visão antiga que ele tinha do “sexo no casamento”. O apresentador desconhecia a reflexão a dimensão unitiva do sexo na vida do casal.

“Em outro momento da entrevista o senhor afirmou que não “conseguia” celebrar a missa todos os dias? Não lhe parece estranho, e prejudicial, que a sua “agenda” não permita que o senhor celebre todos os dias a Eucaristia? Qual deve ser o centro da vida do sacerdote: o altar ou o palco? E quanto ao breviário? A sua “agenda” permite que o senhor o reze diariamente (considerando que não fazê-lo é pecado grave para o sacerdote)?”

Gustavo, quanto ao zelo que tenho pela minha vida de padre, gostaria de lhe tranqüilizar. Não sou um aventureiro. Sou um homem responsável, e se tem uma coisa que não perco de vista é a maturidade humana. Se me conhecesse, talvez não incorreria no julgamento velado de suas palavras.

Deus conhece a vida que tenho, e conhece também minha dedicação aos seus projetos. Se você gosta de quantificar o que faz, este não é o meu caso. Eu sou filho do Novo Testamento. Jesus é o Senhor da minha vida. Com Ele eu aprendi que a salvação não está na obrigação dos ritos, mas na qualidade do coração que temos. Busco cumprir todas as obrigações que a Igreja me pede, mas não coloco nisso a certeza da minha salvação. Não sou rubricista, nem pretendo me tornar. A Igreja nos recomenda muitas coisas. Lutamos para cumprir tudo. O que não conseguimos, deixamos nas mãos de Deus. Só Ele poderá nos julgar.

“Depois veio a pergunta: “o senhor teve experiências sexuais antes de ser padre?” Creio um homem que consagrou (frise-se o termo: consagrou) sua sexualidade a Deus não deveria expor sua intimidade diante do público. Mas, já que a pergunta indecorosa foi feita, a resposta que esperei foi algo no sentido de fazer o interlocutor entender que aquela questão era de ordem privada; que não convinha ser tratada em público. Em resumo: algo como “não é da sua conta!”. Porém, que fez o senhor? Respondeu que teve, sim, experiências sexuais precedentes, mas “às escondidas”! Caro Pe. Fábio, o senhor acha que convém dar uma resposta deste tipo? Isso não induziria as pessoas a pensar que não existem padres castos (considerando que muitos confundem castidade com virgindade)? Isso não estimularia as pessoas a crer na falácia segundo a qual todo jovem já teve, tem ou deve ter experiências sexuais que precedam a sua decisão vocacional?”

Gustavo, a vida é o testemunho que temos. Não tenho dificuldade alguma de responder às perguntas que me expõem como homem. Não fiquei padre por acaso. Tenho uma história e dela não fujo. São Paulo não fez o mesmo? Leia as cartas que ele escreveu. Ele sempre fez referência à vida vivida. Em nenhum momento se esquivou de contar sua história, mas fez dela um instrumental para orientar e sugerir vida nova em Cristo. Não gosto da expressão “não é da sua conta”. Se eu me disponho a ser entrevistado por alguém, tenho que saber que a minha vida será a pauta. Só não admitiria o desrespeito, mas isso não ocorreu. Não vou mentir para o povo. Nas minhas pregações eu falo o tempo todo da minha vida. Não quero bancar o santo. Eu quero é ser santo.

“O senhor comentou, ainda, que “para a gente ser padre, a gente tem que ter amado na vida. É impossível (grifos meus) fazer uma opção pelo celibato, pela vida consagrada, se eu não tiver tido uma experiência de amar alguém de verdade”. O senhor acha, realmente, que o homem que nunca amou uma mulher não sabe amar? Baseado em que o senhor diz isso? Que dizer então do meu pároco que, tendo ido para o seminário aos 11 anos, nunca namorou? Ele é menos feliz por causa disso? Menos decidido pelo sacerdócio? Não creio que isso proceda.”

Digo baseado no fato de ser padre, conviver com padres, morar em seminários desde os 16 anos de idade, ser diretor espiritual de inúmeros seminaristas, padres e freiras. Digo isso porque vivo os bastidores da Igreja. Sou amigo pessoal de muitos bispos, religiosos, diretores de seminários. Tenho 38 anos e sou profundamente interessado pela vida sacerdotal. A minha experiência, e a de tantos que passaram pela minha vida, mostraram-me que o celibato é ESCOLHA. Para haver escolha é preciso que haja possibilidades. Quanto à felicidade de seu pároco, sobre ela não posso dizer, pois não o conheço. Minha fala é fruto do que a vida me mostrou, e só.

“O que se viu nessa malfadada entrevista à rede globo foi a apresentação de um comunicador, um cantor, um filósofo, um homem qualquer. Pudemos enxergar Fábio de Melo. E só. O padre passou desapercebidamente. De comunicadores, cantores e filósofos, já basta: nós os temos em número suficiente! Precisamos de padr es! Padres que são, sim, homens por natureza; mas que tiveram sua dignidade elevada pelo caráter impresso no sacramento da Ordem. Homens que não são “como quaisquer outros” porque receberam a graça e a missão de agir in persona Christi. Temos carência de ver padres que ajam, falem e – até mesmo – se vistam, em conformidade com a sua dignidade sacerdotal.”

Gustavo, se os seus olhos me enxergaram como um “homem qualquer”,perdoe-me. Talvez eu não tenha conseguido revelar a você a sacralidade que move os meus objetivos. Talvez você esteja elevado demais em sua vida espiritual, e necessite de padres mais espiritualizados, menos humanos. Tenho consciência que ninguém precisa ser unanimidade. O que sei é que na Igreja de Cristo há um lugar para um padre com o meu perfil. Eu vejo a obra que Deus tem realizado na minha vida e na vida de tantas pessoas que se identificam com meu trabalho.

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Meu filho, eu tenho encontrado pela vida as dores do mundo, e com elas tenho me ocupado. Demorei responder a sua carta justamente por isso. Tenho gastado o meu sangue nesta proeza de ser e agir “ in persona Christi”. Não tenho outro objetivo senão tentar atualizar a presença de Jesus na vida das pessoas. Eu o faço como posso. Evangelizo a partir da teologia que amo, mas também a partir da experiência que me guia. Conheci a Deus através do amor ágape. Fiquei fascinado quando me ensinaram que Deus é um pai amoroso que não despreza os filhos que tem, mesmo quando não correspondem ao que Ele espera.
O banquete em sua casa está sempre posto, pronto para receber o filho que tem fome. Adentrei a morada de Deus assim, na condição de homem qualquer, mas o surpreendente é que Ele não me recebeu como homem qualquer. Recebeu-me com festa, com carinho, com misericórdia, pois é capaz de me enxergar para além de minha aparência. É isso que tenho feito, meu caro. Tenho me esmerado para convencer as pessoas de que o mesmo pode acontecer com elas.

Quanto à minha dignidade sacerdotal, esta eu costumo preservar através das minhas atitudes. Minha roupa de padre não me garante muita coisa. O sacerdócio que o povo espera de mim não está no hábito que ostento, mas na sinceridade que preciso ter diante do meu compromisso assumido. Zelo para que Deus não seja transformado numa caricatura qualquer.

“Creio que muitos destes desdobramentos que eu estou expondo não foram sequer imaginados pelo senhor no momento em que concedeu a entrevista, e enquanto respondia às perguntas. Contudo, o ônus de quem se expõe à opinião pública é, exatamente, suportar os possíveis mal-entendidos que se geram quando as palavras são compreendidas de modo diverso da intenção e da mentalidade de quem as proferiu. Espero que tudo que eu falei aqui tenha sido realmente um grande mal-entendido… Sempre cabe, contudo, esclarecer os desentendimentos mais graves que possam prejudicar não só a sua imagem, mas a da Igreja como um todo. Um ensino errado pode levar uma alma à perdição.”

Querido Gustavo, como professor de Hermenêutica eu não tenho dificuldade com os que pensam diferente de mim. Não é nenhum crime termos diferenças. O problema é quando nós fazemos da diferença um motivo de pré julgamento e acusação.

“Perdoe-me, sinceramente, a franqueza e, talvez, a dureza em alguns momentos. Mas eu precisava lhe expor as minhas dúvidas, impressões e inquietudes com relação a essa entrevista. Se o senhor se dignar me responder esta carta, ainda que de modo breve, sucinto, ficaria imensamente grato. Despeço-me rogando mais uma vez a sua bênção e garantindo-lhe as minhas orações em favor de seu sacerdócio e de sua alma.
Gustavo Souza, Indigno filho da Santa Igreja Católica”

Perdôo, é claro que perdôo, afinal, este o meu ofício. Como padre eu sou ministro da reconciliação. Confesso que a ira de seus seguidores, blogueiros que acompanham os seus escritos, me feriu muito mais que suas indignações. E é sobre isso gostaria de dizer, ao final desta resposta. Não sei quem é você. Vi a sua foto, aquela em que você diz estar embriagado de Coca Cola, e nada mais. O pouco que sei de você está revelado nos textos do seu blog. Tenho acompanhado seus constantes combates, esforços para diminuir as heresias e afrontas à Igreja. Admiro o seu zelo. Ele expressa o amor que você tem a Deus. Mas confesso que sinto falta de “misericórdia” em suas falas, meu caro.

Gustavo, não faça do seu amor à Igreja um obstáculo ao seu amor pelos mais fracos, pelos diferentes. Defenda tudo o que quiser defender, mas não permita que o seu discurso seja causa de contenda e inimizades. Há sempre um jeito de discordar sem precisar ofender. A ofensa faz crescer o que é diabólico.

Cuidado com as generalizações. Você tem combatido as CEBS. Cuidado. Há muita gente honesta nestes movimentos. Eu as conheço. Vi de perto o trabalho frutuoso, espiritual, humano, salvação total acontecendo em muitos lugares deste grande Brasil. Vi nomes sendo citados de forma banal, irresponsável. Irmã Doroty morreu defendendo o evangelho, meu filho. Gostando você, ou não, ela é foi uma mulher comprometida com as causas de Jesus. É muito triste ver o nome dela citado no seu espaço, como se fosse uma “mulher qualquer”. Chico Mendes foi um homem que defendeu questões nobres. Só por isso já merece o nosso respeito. Frei Beto é um homem fabuloso. Já fez muita gente se aproximar de Deus, por meio de sua inteligência e sabedoria aguçada.

Não limite o seu blog a um lugar de combates. Que seja um lugar de discussões, mas que sejam feitas à luz do princípio fundamental que o evangelho nos sugere: o amor ágape.
Gustavo, aproxime-se cada vez mais do Coração de Jesus. Ele é a interpretação da verdade que tanto buscamos compreender. Deus está inteiro em Jesus. O grande desafio da conversão é aproximar a nossa humanidade de sua divindade.

Do Adão que há em nós ao Cristo que nos foi oferecido. Mesmo estando em estágios diferentes, uns mais à frente, outros mais atrasados, não importa. O importante é que saibamos ir juntos. Nossa salvação depende disso. Uma coisa é certa, meu caro. Todos nós estamos desejosos de acertar. Sigamos juntos nesta busca.
Com meu carinho e benção,

Pe. Fabio de melo.




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34 Comentários

  1. Maria Rita M Correia

    Acompanho as leituras biblicas via internet e é muito bom! Se possivel, desejo receber comunicações e atualizações da igreja.

    Grata

    Rita

  2. Anne

    Acho que o Padre Fábio é um padre que merece muito respeito e acho que está mais que na hora dos distantes de Deus olharem para os que já estão no caminho, assim como os que estão no caminho (lembrando bem daqueles que já se acham santos) olharem para os que estão em muitas outras veredas da vida.

    Há muitos meios de seguirmos a Deus. Há os que O seguem depois de uma luz que o Padre Fábio acendeu com sua sabedoria voltada para o lado humano (e, como ele mesmo disse, há espaço para padres assim na Igreja). Há os que O seguem depois que a Renovação Carismática acende uma luz e há os que se apaixonam pela Igreja através das raízes no Vaticano. Eu mesma descubro que me encantei com Deus através de todos esses meios, embora tenha achado minha preferência numa fé racional.

    Há espaço para as diferenças na Igreja, até porque ela é universal; só é preciso que reconheçamos que o universal sai da palavra e vai para o cotidiano, para os atos e é difícil achar universal no nosso cotidiano pequeno em relação ao universal que é o mundo. Então o segredo deve ser o respeito. Respeito com o pequeno universal que está ao nosso redor. Respeito tão bem apresentado por Jesus, que em vez de achar diferenças absurdas entre sua divindade com os pecadores, fez-se pequeno e ligou-se a eles pela sua humanidade, mostrando que havia um lado divino em cada um deles a ser descoberto, a ser vivificado.

    A resposta do padre foi humilde e muito bem dada.

    • Alberto

      Interessante. Sou católico e me escandalizo com o Pe. Fábio de Melo. Hoje, 13 de dezembro de 2011, o Jornal EXTRA publica, e o EXTRA On-line confirma, que Pe. Fábio de Melo foi considerado um dos 10 homens mais sexy do Brasil pela revista gay "Junior". Se foi eleito é porque deu razões para isso.

  3. Achei muito profunda as respostas do P.Fábio, precisamos antes de fazer uma critica, viver uma espiritualidade mais profunda dentro de nós, antes de criticar alguém.

  4. GILBERTO LOPES

    SOU CATÓLICO, DESDE A NASCENÇA, MAS PRATICO SOMENTE A 5 ANOS, POR ISSO ME SINTO COMO UMA CRIANÇA QUE AINDA GATINHA TENTANDO DAR OS PRIMEIROS, PASSOS. ESTOU ME FIRMANDO EM BUSCA DE UMA CONVERSÃO FUNDAMENTADA, OBSERVANDO GRANDES HOMENS COM VOCAÇÕES PARA A SANTIDADE, COSTUMO OBSERVAR OS TESTEMUNHOS DE FÉ DESTES HOMENS, E PARA ISTO ACONTECER NECESSITO QUE ESTES HOMENS DE CORAGEM ESPUNHAM SUA HUMANIDADE EM PREGAÇÕES, MÍDIAS E OUTRAS FORMAS DE EVANGELHIZAÇÃO. E ISTO O Pe. FABIO DE MELO O FAZ MUITO BEM FEITO, MESMO SABENDO QUE O CUSTO DESTA EXPOSIÇÃO É SEMPRE MUTIO DESGASTANTE, CRIANDO ROTULOS DE PADRES POPSTAR PORQUE ALGUNS CATÓLICO EM NOME DE UMA FALSA MORALIDADE NÃO CONSEGUEM ENXERGAR A NECESSIDADES DE SE USAR TODOS OS MEIOS MODERNOS DE COMUNICAÇÃO PARA ATINGIR A AMPLITUDE QUE ESTES MEIOS OFERECEM.

    OBRIGADO Pe. FABIO DE MELO POR CONTRIBUIR PELA MINHA FIRMAÇÃO NA VOCAÇÃO DE SER UM CRISTÃO SEMPRE EM BUSCA DA SANTIDADE SEM NUNCA ME ESQUECER DA MINHA HUMANIDADE. ENSINANDO-ME COM SUAS BELAS CANÇÕES E PREGAÇÕES O EQUILIBRIO QUE PRECISO TER EM RELAÇÃO DE DA MINHA HUMANIDADE COM A SANTIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NA MINHA VIDA

  5. Emiliano de Souza Pa

    Quando assisti a entrevista pelo youtube, eu percebi que as perguntas estavam "pesadas" demais a respeito do Pe. Fábio de Melo. Agora com a resposta do mesmo, posso afirmar melhor a minha opinião. As vezes nos falta muito mais "espiritualidade" do que "certesas" a respeito de nossos ensinamentos. Pois, já temos a certeza de ser a Igreja de Cristo, mas como transmitir essa certeza é que devemos melhorar sempre.

  6. Karen

    As pessoas buscam explicações em teologias, simbologias, etc, etc, etc onde deveriam buscar em um só lugar: Biblia Sagrada. Engraçado que quando começam citar as teologias as pessoas acham bonito, acham as fundamentações bem profundas… E quando é feito referência biblica dizendo que não é suficiente e tentamos explicar através dos estudos aprofundados… Como pe. Zezinho diz: É mais fácil acreditar no que a mídia divulga do que acreditar no padre… isso é bem triste.

  7. Valdelice

    Gostei muito da resposta do pe Fabio de Melo e figuei muito feliz com a humildade do Gustavo, pois ele poderia ter guardado a resposta só para ele, e no entanto ele atendeu ao pedido do autor, e à divulgou.

    Parabéns Gustavo, e que Deus de ilumine sempre.

  8. André

    Ridícula a resposta desse padre de academia. Escreveu um monte só para confundir e despistar. Não esclareceu nada. Mas o pior foi a defesa do semi-frei Betto, aquele que gosta de ser fotografado ao lado de ditadores ateus ou cercado de livros comunistas. Deplorável.

  9. Walldécio Am&

    É amigo pe. fabio é pe. fabio, concordo em tudo que ele falou quando li o primeiro comentário sobre o caso e tantos outros do Gustavo também achei deplorável uma falta de compaixão de misericórdia com o próximo, nossa eu me sentir mal, quando li essa resposta parece que lavou meu coração. parabéns pe. fabio que Deus continue a iluminar seu caminho e que Ele em sua infinita misericórdia acalme o coração do Gustavo.

  10. Ingrid Bastos

    Caro Gustavo…

    A Biblia diz que não devemos julgar, mais já que vc o fez, deverias ao menos buscar fundamentos referente as questões citadas o Pe. não é santo é humano e busca a santidade, creio que em relação a resposta sobre o matrimonio realmente não se colocou como gostariamos nós catolicos, mais em grande parte da entrevista ele falou com propriedade e fundamentação, e ao invés de julgar deveriamos ler mais a biblia e nos fundamentar, hermaneuticamente… Sabe Gustavo o grande problema é esse não interpretamos aquilo que esta escrito na escritura sagrada, e ainda jogamos pedra no proximo por pensar diferente… Caro irmão não devemos agir dessa maneira temos que ter amor no coração para transmitir ao proximo e não pedras pq quem nunca errou???? E muito facil julgar, dificil é acolher e amar aquele que esta sendo julgado… o mundo já esta cheio de gente armagurada em busca de transtorno e desesperança, temos que levar a palavra de Deus e trazer esperança de que realmente podemos viver em um mundo melhor…

    Use esse espaçoo de Deus que vc tem dem mãos para que Jesus possa entrar no coração daqueles que estão precisando…

    E não para degradiar, pois, quem entra na internet em busca de algo que alimente a alma e encontra em seu blog essas palavras referente ao povo de sua IGREJA, fica pensando se entre eles esta assim o que podem acrescentar em minha a vida, então, pensa bem qundo vc fala que o pe, é responsavel por salvar almas é a pura verdade mais VOCÊ também tem essa responsabilidade, não faça com alguém aquilo que não desejas pra vc… Amei o proximo como a ti mesmo, sei que é diificil mais é o que diz a palvra…

    Deus te abençõe e a Paz de Cristo esteja com vc..

    Sua irmã em Cristo

    Ingrid Bastos

  11. joão

    Fico muito feliz quando encontro pessoas q conseguem dialogar sem ferir o próximo. Quando afirmamos uma "verdade" isso não quer dizer que é absoluta, ela pode ser mais completa quando a abrimos para que o outro a enriqueça. A Verdade é Jesus! Mas não temos o direito de usar esta "Verdade" para afirmar minha pseudo-verdade. Isso é pura prepotência e um erro grave. Jesus foi assassinado por aqueles que não aceitaram o novo… Ser católico é ser universal e a salvação é para todos, como afirmou muito bem São Paulo em suas cartas. Ela não é somente para um grupo… shallon

  12. Wesley

    Ele disse que Frei betto é um homem fabuloso,esse mesmo Frei que é a favor do aborto e está em clara desobediência e rebeldia a Igreja.

    Por favor, Padre galã,pare de ir a mídia e envergonhar a Igreja,tenha temor pela sua alma.

  13. PADRE FÁBIO DE MELO.
    QUE RESPOSTA MARAVILHOSA.
    CONFESSO, QUE ESTAVA PRECISANDO OUVÍ-LA.
    AGRADEÇO TAMBÉM AO GUSTAVO, PELA SUA CORAGEM, POIS SÓ AQUELES QUE ESTÃO COMPROMETIDOS COM A VERDADE, É QUE POSSUEM A CORAGEM DE SE EXPOR.
    DÚVIDAS, AINDA FICARAM, MAS COM UM PESO BEM MENOR, POIS LUTO, CONTRA ESSA CRESCENTE ONDA DE-SE PROPAGAR O ATEÍSMO, ATRAVÉS DA CIÊNCIA, TEORIAS E MEIOS DE COMUNICAÇÃO.
    PREZADO PADRE FÁBIO, O SR. ESTARÁ EM SOROCABA, NO PRÓXIMO DIA 15, SE DEUS QUISER QUERO ESTAR LÁ PARA CANTAR E OUVÍ-LO.
    EXISTE UM CANAL, (E-MAIL, CARTA, QUE POSSO ENTRAR EM CONTATO COM O SR. PADRE), MEU E-MAIL É marcelo.silva@oliveiraesilva.adv.br, EM TAUBATÉ O SR. PARTICIPA DA CONFISSÃO.

    GRATO; PADRE
    GRATO GUSTAVO

    VAMOS COMBATER O BOM COMBATE.

    FIQUEM COM DEUS.

    MARCELO

  14. Parabéns Gustavo! pois, sua coragem de argumentar mesmo sem a piedade necessária, causou esse maravilhoso texto do Pe. Fábio de Melo que enriquece e garante (suponho) mais visibilidade ao seu blog! foi algo como o “Felix culpa de Adão” hehehe.!

  15. Albano Stein

    Parabéns…Sr. Gustavo e Pe Fábio de Mello…Deus está presente e muito profundamente nos dois….e porque não dizer em nós todos!
    Tenho a convicção que Deus nos coloca, às vezes, frente a frente com pessoas que nem sequer conhecemos para nos dar algumas orientações preciosas, indicar caminhos como foi esta maravilhosa e verdadeira oração de fé cristã dos dois.Sim isso é uma oração. Digo com muita tranquilidade, rezar é, também, assim, falar das coisas de Deus do mundo em que nós homens de pouca fé vivemos e completaria o que Pe fábio falou…”a fala dos dois é fruto do que a vida a ambos mostrou”
    Albano Stein-Portão RS

  16. Rafael

    Boa Noite,

    Penso que essa frase resume bem a discussão: “não se imponha a verdade sem caridade, mas não se sacrifique a verdade em nome da caridade”. Por isso necessitamos de total união com o Papa, pois ele consegue como ninguém unir com equilíbrio a caridade e a verdade, ele é o sucessor de Pedro. Tenho certeza que o Pe. Fábio de Melo busca ser caridoso e busca pregar a verdade, mas suas conclusões são confusas, por exemplo a Santa Missa diária é caminho certo de santificação, agora se você não se santifica com essa prática constante é um problema pessoal, portanto necessitamos sim desta prática com constância, é um presente de Deus, é uma prática fundamental e necessária que agrada muito a Deus. Ser um bom católico (isso significa obrigatoriamente praticar os sacramentos de maneira constante) é como participar de uma corrida com um carro esportivo, o oponente tem uma carroça disfarçada de carro esportivo (o demônio), o questão é: será que somos bons católicos? Será que buscamos evangelizar com a verdade da nossa fé católica? Que Deus nos ajude a trabalharmos juntos nesse objetivo.

    Abraços

    Rafael

  17. Pe Fábio , tenho pouco conhecimento , mas me parece estranho o sr. dizer que não consegue celebrar a missa todos os dias . Não será essa falta te fez passar por essa situação ? mas de qualquer maneira muitas coisas ficaram esclarecida , e nada acontece por acaso , todas as situaçoes nos leva a crescer mais espiritualmente.
    Agradeço por tudo , admiro essa sabedoria que Deus te deu , e tem me ajudado muito . Gosto muito do seu programa direção espiritual . Parabéns .
    Que Deus abençoe cada dia mais , e de ainda mais sabedoria para ajudar tantos que precisam de uma direção .
    Muito obrigada .

  18. Alberto R. Fioravant

    Para mim, que sou católico-apostólico-romano, que vivi fora
    do Brasil por 30 anos, dos quais 18 anos em Roma, e que participei
    de missas em mais de 40 países, fico escandalizado com a decadência
    da igreja católica no Brasil, onde faltam bons pregadores, e por
    isso tem que apelar para artistas, com as características e com os
    trejeitos do Pe. Fábio de Melo. Infelizmente, para competir com
    igrejas evangélicas, passam a apelar para shows e assim atrair
    publico. Li que o Pe. Fábio de Melo diz que usa "seu cache" em
    obras sociais, e se é verdade, eu gostaria de conhecer onde aplica
    e que porcentagem do cache é usada com esse fim. Evangelizar a
    troca de cache não é evangelizar, é comercializar com o sagrado.
    Mas não crio que isso seja importante – o importante é o
    mercantilismo. Acompanhei pela imprensa o que aconteceu em Natal,
    onde recebeu cache milionário e deu desculpas que só convence as
    pessoas ingênuas. Os bispos se calam hoje, como muitos se calaram
    ante os escândalos que até hoje afetam a Igreja. Hoje, na falta de
    padres bem preparados, com inspiração para a pregação e para atrair
    fieis à Igreja, estão apelando para padres, com show-missa para
    arrecadar. Será que posso ver uma demonstração desglosada do uso do
    que recebe como cache, e a indicação das entidades beneficiadas?
    Creio que se tudo é como ele diz, não deveria haver problema algum.
    Pobre Jesus Cristo, Saudações, Alberto Fioravanti.

  19. Pollyanne

    Sabe, nasci e cresci num lar católico mas, sempre fui errante. Aos poucos, com passos de criança estou tentando ser mais presente e participativa no "corpo de cristo". Cheguei a cogitar a "mudar de religião". Pedi em oração uma luz a Deus e decidi conhecer melhor a igreja católica, entendendo a beleza da eucaristia, da comunhão dos santos, das homilias, da liturgia… E, decidi não abrir mão disso. Só que, fico triste com tanta discussão, tantas contendas. A palavra de DEUS virando do avesso com tantas posições filosóficas. Gente! O que é de DEUS é de DEUS! Pra que citar monte de mitologias? E outros tantos filósofos? Sei lá, isso me parece tão fora de sentido. Confundir pra quê? Misturar a FÉ em DEUS com mitologia (que se sabe há vários deuses) não é nada cristã! Concordo com o Alberto acima que está havendo uma confusão de mídia na nossa igreja. Shows missas não lembram em nada o grande sacrifício. Bater palmas e pular em missas? Causa-me tanto desconforto. Confesso que eu me senti atraía um tempo atrás a esse tipo de evento mas, percebi que, o efeito não durava, eu só sentia uma euforia passageira. Não sentia de verdade o significado da palavra em minha vida. Desculpe-me quem frequenta ou é adepto da RCC, mas não me convenceu por muito tempo. Algo dentro de mim diz que não devo gritar "Viva Jesus" qdo ele sofreu tanto e ainda sofre pra ter alguns poucos a salvos. A hermenêutica não é uma forma adequada de compreender a palavra, não a palavra de Deus. Jesus mesmo disse: "Quem tiver ouvidos pra ouvir, ouça". Estudar a palavra não é o mesmo que "ouvir o que Deus tem a dizer". Simples! Sou leiga, assumo. Desculpem-me se falei alguma besteira, mas sinto um aperto no coração. Essa divisão na ireja me deixa realmente triste. Uma coisa eu sei, rezarei por todos nós! Deus existe e é bom! Misericordioso… Porém, não devemos ser presunçosos, devemos cuidar das coisas DELE! Salvar almas sim! Jesus disse algo assim, "que o contamina não é o que vem de fora pra dentro, mas o de dentro pra fora" Cuidar, guiar e SALVAR ALMAS, Sim! Não é só responsabilidade da igreja, mas de todos nós! Sobre o ecumenismo, gente, eu levaria um tempo demasiado para escrever tudo o que penso a respeito. Eu creio numa só Igreja e tudo o que ela professa: IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA. Não dá pra acreditar em outras por simplesmente elas me tirarem as coisas que mais preciso: EUCARISTIA E MINHA MÃEZINHA MARIA (esta mulher que me carregou no seu colo a esperança, que me ensina a ser humilde, que vale a pena esperar no SENHOR, que intercede sim por mim diante do seu FILHO), além de outros meios que me ajudam a me salvar. Bem, é isso. Desabafo…

    • Jordana

      Pollyanne, somos leigas sim, mas o Espírito Santo que em nós habita nos dá o discernimento do que agrada e nao agrada a Deus. E sua angustia é muito justa ! Continue firme na fé! Deus te abençoe e Maria te guarde!

  20. Anderson Oliveira

    Tenho grande admiração pelo Padre Fábio de Melo, que como já dito é um padre que se preocupa com as causas humanas, suas reflexões sempre foram de grande importância para mim, não só como homem mais como cristão, na verdade, fé não se questiona mais nossas inquietudes como ser humano sim, e ai entra o poder da palavra de homem que se propõem não só a ser um padre ou homem qualquer e sim o grande Homem, que se preocupa com as dores do mundo. Como testemunho tem minha própria experiência, foi através de varias entrevistas do padre Fábio que me reencontrei em Cristo hoje sei do real sentido da fé, e da importância que exerço na vida dos demais e o dever que tenho com minha comunidade no caso a igreja ao qual pertenço!

  21. Oi, sou catolica-apostolica-romana, participo do grupo de oração Novo Caminho da paroquia de Fatima de Imperatriz-Ma à uns 2 anos, sou do ministerio da palavra e teatro e tenho 17 anos.Pra mim, o padre Fabio de Melo é um homem muito honrado e de respeito. Ele ama o que faz. Quando o padre veio fazer um show aqui achei super caro o 'cache' dele. Mais… Tirando isso, creio que ele serve MUITO BEM á DEUS. A respeito, de faltar pregadores isso é verdade. Aqui na minha cidade pelo menos falta. Gostaria Muito que os cristãos catolicos possam não ter vergonha de anunciar JESUS, porque uma das qualidades dos protestantes é que eles são atirados, um pouco ousados e sem vergonha de falar!! ISSO FALTA NA MAIORIA DOS CATOLICOS DO BRASIL. Na missa eles não ficam atentos na homilia do padre, no rito da missa!! Isso me entristece. Eu faço a minha parte. Levo a biblia nas missas pra acompanhar melhor e entender. Obrigada.

  22. Fred Silva

    Será que o Jô Soares convidaria o Pe. Paulo Ricardo para uma entrevista?

  23. O Pe Fabio respondeu com muitos contorcionismos filosófico- literários, linguagem muito rebuscada, incompreensível a muitos, senão enigmática. Em Mt 5.37: seja o vosso sim, seja o vosso não, não. O que passa disto vem do Maligno. Apologizar o ex frei Betto, as CEBs, citar "cristificação, evolução de dogmas, defender a PL 122, lei bendita" e no Natal Globo intitular a Jesus de "revolucionário e opção pelos pobres", evidenciar panteísmo e (ou) deísmo como na carta acima, a meu ver. O sr. é da TL e não da Igreja Católica, ou então quer servir a 2 senhores….

  24. Esse Padre enfeita muito suas resposta de fora a não se saber o que realmente ele quis dizer. Revelacao plena é Jesus. As outras revelações de Deus aconteceram antes de Cristo. Tentei entender o que ele quis dizer nas entrelinhas (pois é assim que ele fala, deixando sempre idéias em aberto). O limite da Revelação é a inteligência humana (?) … Não dá pra confiar num padre que escreve dessa forma. Pra mim ele tá mais pra artista (reconheco que um talentoso artista, que cobra ingressos como tal) que mexe com os sentimentos, do que para padre, que tem a missão de esclarecer com objetividade, os assuntos da fé.

    • Jordana

      Realmente essa afirmação "O limite da Revelação é a inteligência humana (?)" ou é sem noção ou é uma grande heresia!
      Vejam a que nível está chegando … comparar a Revelação Divina com a inteligência humana
      É isso mesmo Brasil?

  25. As respostas do padre Fábio à carta foram evasivas, de alguém acuado, sem saída. Para mim, os ensinamentos dele na CN, na "Direção Espiritual" não possui nada consistente doutrinário católico, apenas aconselhamentos psicológicos e lições de incentivo e semelhantes. Praticamente nada se refere "à intervenção da graça de Deus… à sua misericórdia… por meio da prestimosa ajuda de sua Mãe Maria…etc. O ideal é "Dr. Fabio Psicólogo". Como pode em sã consciência elogiar o socialista frei Betto, banido da Igreja, elogiar CEBs, e em seus doutrinamentos socializar o cristianismo como já percebi

  26. Helena

    Estou cada vez mais decepcionada com o padre Fábio de Melo. Lamento pela nossa igreja, rezemos por ele e todo clero.

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