Fonte: Blog do Padre Luís Fernando

Leitura do Livro de Josué do dia 15 de Agosto de 2013 (Js 3,7-10a.11.13-17)

Naqueles dias 7o Senhor disse a Josué: “Hoje começarei a exaltar-te diante de todo Israel, para que saibas que estou contigo assim como estive com Moisés. 8Tu, ordena aos sacerdotes que levam a arca da aliança, dizendo-lhes: Quando chegardes à beira das águas do Jordão, ficai parados ali”. 9Depois Josué disse aos filhos de Israel: “Aproximai-vos para ouvir as palavras do Senhor vosso Deus”. 10a E acrescentou: “Nisto sabereis que o Deus vivo está no meio de vós e que ele expulsará da vossa presença os cananeus. 11Eis que a arca da aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar o Jordão adiante de vós. 13E logo que os sacerdotes, que levam a arca do Senhor de toda a terra, tocarem com a planta dos pés as águas do Jordão, elas se dividirão: as águas da parte de baixo continuarão a correr, mas as que vêm de cima pararão, formando uma barragem”. 14Quando o povo levantou acampamento para passar o rio Jordão, os sacerdotes que levavam a arca da aliança puseram-se à frente de todo o povo. 15Quando chegaram ao rio Jordão e os pés dos sacerdotes se molharam nas águas da margem – pois o Jordão transborda e inunda suas margens durante todo o tempo da colheita –, 16então as águas que vinham de cima pararam, formando uma grande barragem até Adam, cidade que fica ao lado de Sartã, e as que estavam na parte de baixo desceram para o mar da Arabá, o mar Salgado, até secarem completamente. Então o povo atravessou, defronte a Jericó. 17E os sacerdotes que levavam a arca da aliança do Senhor conservaram-se firmes sobre a terra seca, no meio do rio, e ali permaneceram até que todo Israel acabasse de atravessar o rio Jordão a pé enxuto.

Com este texto de Josué, portanto do Antigo Testamento, começo explicando o lugar de Maria na Igreja. Veja o leitor os detalhes deste texto:
Sacerdotes
A Arca da aliança
O povo de Deus
O Rio Jordão
A travessia do Rio
Um adendo: A pessoa de Josué no versículo 7.

Explicação dos detalhes do texto

Os sacerdotes da Antiga Aliança eram escolhidos da tribo de Aarão para servir ao Senhor. Deviam ser homens perfeitos, sem nenhum defeito físico (cf. código de Santidade no Levítico cap. 21 ao 26). Deviam ser revestidos do poder sacerdotal e para tal precisavam purificar-se antes de tomar as vestes sacerdotais para o ofício. Ofereciam os sacrifícios no Templo de Jerusalém e no período nômade, levavam a Arca da Aliança e ofereciam sacrifícios à entrada da Tenda da Reunião (ekklesia).

A Arca da aliança confeccionada a mando de Deus era feita de madeira e recoberta de ouro por fora e por dentro. Representava o poder de Deus no meio do seu povo. Levava dentro de si o maná colhido no deserto, as tábuas da lei e a vara de Aarão que floresceu. A Arca acompanhava Israel em suas campanhas militares, pois, era uso entre os povos vizinhos a Israel levarem seus ídolos para as batalhas. Quando uma nação era derrotada seu ídolo era levado como espólio pela nação vencedora. Foi assim que os Filisteus levaram a Arca. Desse modo cria-se que também o deus do outro povo era derrotado: “Quando os soldados voltaram ao acampamento, as autoridades de Israel perguntaram: “Por que o Senhor deixou que os filisteus nos derrotassem?” E acrescentaram: “Vamos a Silo buscar a arca da aliança do Senhor, para que ele vá conosco e nos salve das mãos de nossos inimigos”. Então os filisteus lutaram, e Israel foi derrotado; cada homem fugiu para a sua tenda. O massacre foi muito grande: Israel perdeu trinta mil homens de infantaria. A arca de Deus foi tomada, e os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, morreram.” (1Sm 4, 3.10-11).

O povo que caminha com Josué é a segunda geração que saiu do Egito e que entrará na terra prometida depois que atravessarem o Jordão. É um povo que espera o cumprimento da promessa feita por Deus por intermédio de Moisés.

O rio Jordão é o leito de vida do povo de Israel. É a única fonte de água em todo o País, excetuando o lago de Genesaré e o lago Hule ao norte na região de Dã. Ele é a fronteira do País de Canaã onde entrará o povo de Deus. Ele é também a imagem que João toma no capítulo 21 de Apocalipse quando descreve o rio de vida que percorre toda a Jerusalém celeste que por sua vez é sinal e símbolo do Espírito Santo no Apocalipse.

Como que o Católico aprende sobre Maria neste texto que nada fala sobre ela?

Quem é Maria? É aquela que contém em si mesma, Deus: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.” (Lc 1,35). Ela é com toda justiça a Arca da Nova Aliança recoberta de ouro por dentro e por fora. O ouro utilizado na iconografia cristã tem a função de revelar o Mistério insondável e a riqueza inabalável da graça divina. Desse modo Maria é a “cheia de graça”, mulher aurífera, separada (hessed), santificada (kadosh) pelo Santo, por Deus, em virtude de ser a mãe do Santo, o Emanuel. Sim, Ela foi salva por Deus. Também ela precisou de um salvador: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 2,46-47). Ela foi a primeira criatura salva pelo Filho antes mesmo de nascer, pois, sendo o Filho Eterno com o Pai (cf. Jo 1,1-14) Ele já providenciara a santificação daquela que seria a Nova Arca para a Nova Aliança a ser realizada definitivamente com a humanidade: “sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna (cf. Hb 9,12). Do mesmo modo que a Arca da Antiga Aliança precisou ser confeccionada, também Maria foi modelada para conter em si a realização do poder de Deus no meio do seu povo.

De fato, aquele que dela nasceu é a Lei Nova atestada por Moisés e Elias no monte da transfiguração. Eles desaparecem e permanece apenas Jesus. Desaparece o jugo da lei de Moisés e Cristo nos coloca sobre os ombros o seu jugo que é suave e seu fardo que é leve (cf. Mt 12,2-30; 17,3, Gl 3,1-6). Ela carrega em si mesma o novo maná, não como aquele que os hebreus comeram no deserto e morreram (cf. Jo 6,31-32). Este maná que é comida e bebida espiritual do Novo Israel! (cf. Jo 6, 52-61.67-69)

52 Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? 53 Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. 55 Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57 Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. 59 Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. 60 Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? 61 Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza? Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele. 67 Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? 68 Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. 69 E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus! 

Porque no Antigo Testamento os Sacerdotes levavam a Arca da Aliança com tanto esmero e cuidado? A Arca nunca teve finalidade em si mesma. Ela fora sempre um sinal de Deus no meio do seu povo. Assim como Maria. Ela não tem finalidade em si mesma. A Igreja não termina seu curso em Maria. Maria aponta-nos o Cristo. É impossível ir a Maria e com Ela não ir a Deus. Ela é esse sinal guardado pelo sacerdócio do Novo Testamento com cuidado e esmero porque conteve em si mesma O Santo de Israel. A ordem de Deus a Josué: “para que saibas…”, “nisto sabereis que o Deus vivo está no meio de vós”. Todo aquele que contempla Maria vê através dela o Deus vivo no meio de nós, vê o Emanuel, Deus conosco. Deus é Todo-Poderoso para fazer em Maria aquela obra perfeita que quer realizar em todos nós. É ela a cristã-tipo, a cristã-modelo, a Igreja em modelo acabado, revestida de Sol porque o Sol é o próprio Senhor que a ilumina como luz resplandecente vindo do alto do mesmo modo que este mesmo Senhor será tudo em todos na consumação dos tempos (cf. Ap 12,1; 21,23; Lc 1,78; Cl 3,11).

Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, revestida da glória de Deus. Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido. Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus estará com eles. Deus enxugará toda lágrima de seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes”. O que está sentado no trono declarou então: “Eis que faço novas todas as coisas. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o fim. A quem tiver sede, eu darei gratuitamente da fonte da água viva. O vencedor receberá esta herança, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”.

E o povo que andou atrás da Arca, seguia a Arca, era idólatra? Claro que não! Aquele povo não adorava a Arca, mas, ao Senhor a quem a Arca os remetia. Os Católicos não adoramos Maria. Andamos atrás de Maria observando suas pegadas firmes na sequela Christi para alcançarmos Deus, nossa vida, a quem Maria nos remete de modo imediato. E aquele povo, o que esperava, quem era ele e porque andava atrás da Arca da aliança? No tempo de Maria, quando o anjo Gabriel anunciou que ela seria a mãe do Salvador, aquele povo era o pequeno resto. O pequeno resto fiel profetizado por Isaías que aguardava ansioso o cumprimento da profecia do Messias, como preconizada pelo profeta Zacarias. Maria, o pequeno resto fiel a Deus capaz de cumprir a vontade do Pai em tudo. Maria a esperança do povo para atravessar o deserto da vida e chegar à terra prometida, ao paraíso. Maria mulher do Sim abafado pelas vozes do mundo. É essa Maria aquela que todo povo Católico segue e exalta com toda a honra e dignidade. Josué foi exaltado por Deus por ser chefe do povo (cf. Js 3,7). Maria é exaltada pelo povo por ser a Mãe de Deus! Ela é tão pequena e tão humilde que não se arroga a si mesma o título de santa, de imaculada, de pura, de Mãe de Deus. Somos nós que a identificamos assim. Foi a Igreja quem viu sua grandeza escondida em sua pequenez. Foi a Igreja quem descobriu sua santidade velada em sua humanidade. Foi a Igreja que molhou os pés no rio de vida que nasce de junto do Trono de Deus e do Cordeiro e percebeu que carregava aos ombros a Arca da Nova Aliança, sinal do Poder de Deus junto do seu povo. Esta Igreja, povo sacerdotal, banhada nas águas do Espírito (cf. Ap 22,2), esse rio de vida que banha a cidade Celeste, a Nova Jerusalém, não mais resgatada e constituída no deserto (cf. Os 2, 16-17), mas, descida de junto de Deus (cf. Jo 3,13). É esta Igreja pura, santa, imaculada, fundada sobre Pedro, a Cabeça, a Rocha, ainda assim homem pecador, quem declara Maria pura, santa, imaculada, concebida sem pecado para todo o sempre porque desde Gabriel “todos os homens chamar-me-hão bem-aventurada porque o Todo-Poderoso fez em mim Maravilhas. Santo é o seu Nome!” (cf. Lc 1,48-49).

Ensina Teu Povo a Rezar  (Padre Zezinho)

Ensina teu povo a rezar, Maria, Mãe de Jesus
Que um dia teu povo desperta e na certa vai ver a luz
Que um dia teu povo se anima e caminha com teu Jesus.

Maria de Jesus Cristo, Maria de Deus, Maria mulher
Ensina teu povo o teu jeito de ser o que Deus quiser
Ensina teu povo o teu jeito de ser o que Deus quiser

Maria Senhora nossa, Maria do povo, povo de Deus
Ensina teu jeito perfeito de sempre escutar teu Deus.
Ensina teu jeito perfeito de sempre escutar teu Deus.




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