Não tenha vergonha de orar em silêncio no meio do público – enquanto ainda temos esse direito

Quando foi a última vez que você orou em público? Hoje de manhã? Na semana passada? No ano passado? Alguma vez na vida? E, se você orou em público, fez o sinal da cruz e rezou em voz alta, murmurou algo ou rezou mentalmente?

Bom, se você der graças a Deus pela sua refeição no Mary’s Gourmet Diner, em Winston-Salem, no Estado norte-americano da Carolina do Norte, poderá acabar encontrando no seu recibo, quando for pagar a conta, um desconto de 15% por “orar em público”. Os administradores do restaurante têm dado o desconto há cerca de quatro anos, mas o fato atraiu ampla atenção quando um cliente postou a foto de um recibo no Facebook e ela se tornou viral.

O desconto é dado aleatoriamente, de forma voluntária, e não está ligado a nenhuma religião ou espiritualidade em particular. É apenas uma forma de mostrar apreço pelas pessoas que dão graças a Deus pela refeição, já que esse gesto indica a consciência de que milhões de outras pessoas não têm a mesma possibilidade e que, portanto, essa bênção aparentemente tão singela merece ser reconhecida com gratidão e humildade.

O caso do Mary’s Gourmet Diner demonstra também que mesmo pequenas ações realizadas por pessoas de fé podem impactar os outros. Uma pessoa orando em público, seja num restaurante, numa parada de ônibus ou dirigindo o próprio carro, pode ser um impulso para os outros acharem a coragem de fazer o mesmo.

Alguns anos atrás, nós tivemos que levar um dos nossos filhos para a emergência de um hospital. Durante os encaminhamentos da situação, eu passei por uma sala de espera e vi um grupo de pessoas sentadas, com as cadeiras dispostas em círculo, de mãos dadas e orando. Pela idade e configuração do grupo, eu supus que fosse uma família. Uma das mulheres, talvez a mãe, conduzia a oração. Ela rezava em tom de voz baixo e os outros ouviam atentamente, com as cabeças inclinadas.

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Quando voltei à área do pronto-socorro, o grupo já tinha se desfeito e seus membros estavam espalhados por toda a sala de espera, em silêncio. Seus rostos mostravam preocupação. Vi a mulher que tinha orado em voz alta e fui até ela.

“Era você que estava rezando agora há pouco?”, perguntei.

Ela pareceu assustada e, hesitante, assentiu com a cabeça e respondeu: “Sim”.

“Obrigada”, disse eu, sorrindo para ela. “Eu fiquei bem impressionada. Eu nunca tinha visto isso antes”.

“Obrigada”, ela sorriu de volta.

Algumas pessoas dizem que não oram em público porque não querem ofender ninguém nem empurrar a sua religião para os outros. Eu discordo. A oração pode ser feita de forma sensível e muito respeitosa, como a da família naquela sala de espera da emergência. Quase ninguém tinha prestado atenção a eles; não havia nenhum indício de que alguém tivesse se ofendido. Mesmo eu, quando passei por eles, tive que forçar os ouvidos para ouvir o que eles estavam dizendo e parei de escutar quando ouvi o nome de Jesus, por respeito à sua privacidade. Eles não estavam tentando empurrar a sua religião para ninguém: suas orações eram privadas e sem espalhafato algum.

Eu acho que a proprietária do Mary’s Gourmet Diner faz a mesma coisa, embora de um jeito diferente. Ela não está fazendo uma oração em público. Ela está simplesmente oferecendo um lugar público onde orar é um ato bem-vindo.

Nos Estados Unidos, nós ainda temos o direito de rezar em público, se quisermos, com base na Primeira Emenda à nossa Constituição. Enquanto isso não mudar, e Deus permita que nunca mude, nós podemos tranquilamente dar graças a Ele antes das nossas refeições, reunir-nos para rezar em família numa sala de espera da emergência de um hospital ou passear pela rua dedilhando as contas do nosso rosário. Nós podemos, mas muitas vezes não fazemos, porque temos medo de passar vergonha ou de ser olhados com desaprovação.

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Há milhões de pessoas em outras partes do mundo que dão a vida para ter a possibilidade que nós temos de viver a nossa fé tanto no âmbito particular quanto no público. E dão a vida literalmente, sendo perseguidas e mortas por causa do direito à fé.

O que aconteceria se nós apoiássemos ativamente a oração em público? E se o desconto que Mary Haglund oferece no seu Mary’s Gourmet Diner sensibilizasse outros proprietários de restaurante e eles também reconhecessem e incentivassem a oração de gratidão em seus estabelecimentos? E se as famílias rezassem pelos seus entes queridos nas salas de espera dos hospitais, não apenas na mente e no coração, mas de mãos dadas e com a cabeça inclinada, orando baixinho e com discrição, mas aberta e espontaneamente? O que aconteceria se déssemos graças a Deus antes de cada refeição?

Deus estaria ainda mais presente em nosso mundo, “porque onde dois ou três se reúnem em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20).

Fonte: Aleteia




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