Muitos são os que, por terem o exterior bem cuidado e o interior cheio de grandes sentimentos de Deus, se ficam por aí […], contentando-se com as doces conversas que mantêm com Deus na oração. […] Não nos enganemos: é nosso dever passar aos actos. E isso é de tal modo verdade, que o apóstolo São João nos declara que nada, além das nossas obras, nos acompanha para a outra vida (Ap 14,13). Tenhamos pois atenção a isto; tanto mais que, neste século, há muitos que parecem virtuosos, e que na verdade o são, mas que pendem mais para uma via mole e adocicada do que para uma devoção laboriosa e sólida.

A Igreja é comparada a uma grande ceifa que precisa de trabalhadores, mas de trabalhadores que trabalhem. Não há nada mais conforme com o Evangelho do que, por um lado, reunir luzes e forças na oração, na leitura e na solidão, e depois ir partilhar com os homens esse alimento espiritual. É fazer como fez Nosso Senhor, e depois dele, os apóstolos; é juntar a acção de Marta com a de Maria; é imitar a pomba que digere até meio a comida que apanhou, e depois a vai metendo no bico das crias para as alimentar. É assim que devemos fazer, é assim que devemos testemunhar a Deus, pelas nossas obras, quanto O amamos. É nosso dever passar aos actos.




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