Voltando-Se, o Senhor fixa o olhar em Pedro. E Pedro, tomando consciência do que acaba de dizer, arrepende-se e chora […]: funde-se em lágrimas e permanece mudo […] (Lc 22,61-61). Sim, as lágrimas são orações mudas; merecem o perdão sem o reclamar; obtêm misericórdia sem defender a sua causa. […] As palavras podem não conseguir exprimir uma oração, as lágrimas exprimem-na sempre; as lágrimas exprimem sempre o que sentimos, ao passo que as palavras podem ser impotentes para o fazer. Foi por isso que Pedro não recorreu às palavras, pois estas tinham-no levado as trair, a pecar, a renegar a sua fé. Prefere confessar o seu pecado com lágrimas, ele que com palavras tinha renegado. […]

Imitemo-lo, contudo, no que diz quando o Senhor lhe pergunta três vezes: «Simão, amas-Me?» (Jo 21,17) Por três vezes ele responde: «Senhor, tu sabes que Te amo.» O Senhor diz-lhe então: «Apascenta as minhas ovelhas», e diz-lho três vezes. Esta palavra compensa o seu desvario precedente; aquele que tinha três vezes renegado o Senhor, três vezes O confessa; por três vezes se tinha tornado culpado, por três vezes obtém a graça pelo seu amor. Vede pois que benefício tirou Pedro das suas lágrimas! […] Antes de derramar lágrimas, era um traidor; tendo derramado lágrimas, foi escolhido como pastor: aquele que se tinha portado mal recebeu o encargo de conduzir os outros.




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