Vejamos o que Deus disse a Moisés, que ordem lhe deu sobre o caminho a escolher […]. Pensavas talvez que o caminho que Deus mostra é um caminho fácil, que não tem absolutamente nada de difícil ou de penoso; pelo contrário, trata-se de uma subida, e bem tortuosa. Porque esse caminho por onde chegamos às virtudes não é um caminho a descer, mas a subir, e é uma subida íngreme e árdua. Escuta ainda o Senhor no Evangelho: «Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida!» Vês, portanto, como o Evangelho está em harmonia com a Lei. […] Na verdade, até um cego percebe claramente que a Lei e o Evangelho foram escritos pelo mesmó Espírito.

O caminho por onde vamos é portanto uma tortuosa subida […]; os atos e a fé comportam muitas dificuldades, muitas tribulações. Pois são imensas as tentações e os obstáculos que se opõem àqueles que querem agir segundo a vontade de Deus. Depois, já na fé, encontramos muitas coisas tortuosas, muitos pontos de discussão, muitas objecções heréticas. […] Escuta o que disse o Faraó ao ver o caminho que Moisés e os israelitas tinham tomado: «Andam perdidos na terra» (Ex 14,3). Para o Faraó, aqueles que seguem a Deus perdem-se. É que, como dissemos, o caminho da sabedoria é tortuoso, com muitas curvas, muitos desvios. Assim, confessar que há um Deus único, e afirmar na mesma confissão que o Pai, o Filho e o Santo Espírito são um só Deus, há de parecer aos infiéis tortuoso, difícil e inextricável! Acrescentar ainda que «o Senhor da glória» foi crucificado (1Cor 2,8), e que é o Filho do homem «que desceu do Céu» (Jo 3,13), há de parecer igualmente tortuoso e difícil. Quem sem fé isto ouve, dirá: «Andam perdidos na terra». Mas tu, sê firme, não ponhas em dúvida essa fé, sabendo que é Deus que te mostra esse caminho.




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