A causa da verdadeira beatitude é o santo repouso e o santo contentamento, simbolizados pelo sábado e pelo maná. Depois de ter concedido ao seu povo repouso e saciedade com o sábado e o maná, que prefiguram a verdadeira beatitude que dará àqueles que obedecem, o Senhor censura-lhe a desobediência que poderia fazer com que perdesse bens mais desejáveis: «Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?» (Ex 16,28) […] Depois desta pergunta do Senhor, Moisés convida os seus irmãos a considerarem os benefícios de Deus: «Vede que o Senhor vos deu o sábado; e é por isso que vos dá, no sexto dia, o pão para dois dias. Fique cada um onde está, que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia.» Este aviso significa que Deus dará aos seus eleitos o repouso pelo seu trabalho, e as consolações da vida presente, tal como as da vida futura.

Mas, além disso, nesta passagem são-nos sugeridas duas vidas: a vida activa, na qual é preciso agora trabalhar, e a vida contemplativa, para a qual trabalhamos e na qual nos consagraremos apenas à contemplação de Deus. A vida contemplativa, embora pertença sobretudo ao mundo vindouro, deve estar representada nesta vida pelo santo repouso de sábado. A propósito deste repouso, Moisés acrescenta: «Fique cada um onde está, que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia.» Por outras palavras: cada um repouse em sua casa e não saia para fazer nenhuma espécie de trabalho no dia de sábado. Isto ensina-nos que no tempo da contemplação devemos ficar em casa, não sair para satisfazer desejos proibidos, mas concentrando toda a nossa intenção na obtenção de um «coração puro» [como diz São Bento], para pensarmos somente em Deus e só a Ele amarmos.




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