O Senhor proferiu esta oração na véspera da sua Paixão. Mas não é despropositado aplicá-la ao dia da Ascensão, ao momento em que Ele Se preparava para deixar para sempre os seus «filhinhos» (Jo 13,33), que confiou ao Pai. Ele, que no Céu dirige a multidão dos anjos que criou, ligou-Se na Terra a um «pequeno rebanho» (Lc 12,32) de discípulos, a fim de os instruir enquanto estava presente na carne, até ao momento em que, tendo-se-lhes alargado o coração, eles pudessem ser conduzidos pelo Espírito. Ele amava estes pequeninos com um amor digno da sua grandeza. Depois de os ter levado a distanciar-se dos amores deste mundo, viu-os renunciar a qualquer esperança humana e depender apenas dele. Mas, enquanto vivia com eles no seu corpo, não lhes prodigou demasiadas provas do seu afecto, mostrando-Se mais firme do que terno, como convém a um mestre e pai.

Quando, porém, chegou o momento de os abandonar, pareceu ser vencido pela terna afeição que lhes tinha e deixou de conseguir simular a imensidão da sua bondade. […] Donde as palavras: «Tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim» (Jo 13,1). Pois nessa altura deixou que toda a força do seu amor se derramasse sobre os seus amigos, antes de Ele próprio Se derramar como água sobre os seus inimigos (Sl 21,15). Assim, entregou-lhes o sacramento do seu corpo e do seu sangue, ordenando-lhes que o celebrassem. Não sei o que é mais admirável: se o seu poder ou a sua caridade, ao inventar esta nova maneira de permanecer com eles, a fim de os consolar pela sua partida.




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