Desde o princípio, Deus criou o homem para os seus dons. Ele escolheu os patriarcas com vista à salvação e preparou para Si um povo, ensinando os ignorantes a seguirem o rasto de Deus. Em seguida, instruiu os profetas, para habituar os homens a acolherem o seu Espírito neste mundo e a entrarem em comunhão com Deus. Ele não precisava de ninguém; mas, àqueles que precisavam dele, ofereceu a sua comunhão. Para esses, em quem pôs a sua complacência (Lc 2,14), concebeu antecipadamente, qual arquitecto, o edifício da salvação: nas trevas do Egipto, fez-se Ele próprio o seu guia; no deserto, onde erravam, deu-lhes uma lei apropriada; e àqueles que entraram na terra prometida, ofereceu-lhes uma herança escolhida; enfim, para todos os que regressam ao Pai, mata o cordeiro gordo e oferece-lhes uma veste preciosa (Lc 15,22).

Assim, Deus dispôs o género humano de várias maneiras, com vista «à música e às danças» da salvação (Lc 12,25). É por essa razão que João escreve no Apocalipse: «E a sua voz era a voz das grandes águas» (Ap 1,15). É que são de facto múltiplas as águas do Espírito de Deus, pois o Pai é rico e grande. E, passando por tudo isto, o Verbo concedeu generosamente a sua assistência aos que Lhe estavam submetidos, dando a toda a criatura prescrições apropriadas.




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